"Qualquer semelhança com a realidade, é mera canalhice!" Gabi Pagliuca disse isso e tudo o que está nesse blog literário*. Ela tem quaaaase 22 anos, é paulistana, corinthiana, vegetariana, estudante de jornalismo, participa do Tudo de Blog desde 2006 quando começou a escrever pra valer. Gosta de críticas construtivas (e não destrutivas) e de comentários! Gosta de saber o que o pessoal pensa e sente. Gosta de se comunicar com seus leitores.
Essa enquete eh relacionada a esse texto: http://bit.ly/5DdCb6

O que vocês acham de um casal que a mulher é mais velha que o homem?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

João

Aperta o play aí e começa a ler:
 

        Estávamos deitados numa cama de solteiro, um pouco mais apertados do que o de costume, mas minha cabeça estava no peito dele, então nem sentimos a falta de espaço. “Essa semana nos vimos mais do que a vida inteira”, ele disse. E eu dei nos ombros, como se nem tivesse percebido. Não é só porque tenho o visto muito que vai mudar realmente o que a gente é um pro outro.
           Acho que sempre pensamos as mesmas coisas, pro nosso bem ou pro nosso mal. Hoje estávamos mais quietos do que o de costume, mas a minha cabeça estava no peito dele, então nem sentíamos a falta de assunto. “Como está sua vida aqui, tá gostando?”, ele perguntou. E eu respondi com sinceridade, que estava boa, mas parecia que nada havia mudado.
           O que eu não estava entendendo era porque tantas perguntas... era ele quem sempre contava as estórias e eu só ouvia, sem dizer nada. Recordo-me até de uma vez que ele estava mexendo nos meus CDs em casa e viu um de uma banda que ele também gosta, eu já sabia, ele não tinha nem ideia. “Nem sabia que você gostava desses caras...”, eu disse só “pois, é...”, como se eu já soubesse e fosse um absurdo ele não saber. 
           Quantas vezes já escutamos ou já mencionamos essa banda? Parece que quando eu falava, ele não me escutava ou já estava pensando no próximo assunto que ele ia falar. E sempre sobre ele... ele... ele... Aquilo não podia me fazer bem. Sempre eram os filmes, programas, assuntos, posições que ele queria... Mas minha cabeça estava no peito dele, então, nem parecia sentíamos as frustrações que vinham de mim. "E de resto? Não tem mais nada pra contar? Nada pra perguntar?", eu não tinha nada,  a única coisa que queria saber era se a gente ia continuar se vendo, mas nem disse nada.
           Um silêncio de repente, coisa que acontece sempre que ele não tinha mais nada pra dizer sobre ele mesmo. Ele veio me beijar, eu me levantei. Não queria mais ficar guardando tudo aquilo em mim, tínhamos que conversar. "Acho que é melhor esse ser o nosso último encontro", falei. Ele demorou um pouco para entender, mas logo perguntou porque e se eu estava com outro cara. O que eu podia dizer? Mentir eu não iria, se eu quero que nosso relacionamento cresca, eu não posso começar mentindo. Pensei na resposta: "não, mas seria melhor que eu estivesse... eu nunca vi relacionamento como o nosso... nunca vai pra frente...", e ele respondeu um "ah! é isso" maldito.
           O que ele esperava que fosse? "Eu gosto de ficar assim com você, qual o problema de não ir pra frente? A gente fica e se gosta... é legal ficar com você porque você me conhece, eu te conheço, sabe o que a gente gosta..." nessa hora eu tive que interromper. "se conhece? Como assim? Desde quando a gente se conhece?" Eu não sei porque disse aquilo, mas disse, me deu medo de colocar tudo a perder, mas acho que ele não é tão infantil pra simplesmente não dialogar... "Não? A gente já se conhece faz tanto tempo... A gente conversa tanto... Achei que a gente podia se considerar amigo, ou mais que amigo..." e como se não bastasse, deu uma pausa, beijou minha bochecha e disse: "as nossas bandas preferidas são as mesmas", sorrindo.
           Deitou de novo olhando pro teto. Eu deitei de volta no peito dele e me pediu que não deixasse "isso" se acabar, que ele gostava de mim, assim. É sempre confortável o peito dele, deve ser assim que ele me hipnotiza.  Ele deve saber que eu sou fraca... Quando vou conseguir perguntar se é sexo ou amor? O que será que ele quer?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sobre se apaixonar 2

Eu nunca entendi porque a gente se apaixona. É legal se apaixonar, mas só quando sabe que é correspondida. Fazer papel de boba, ficar envergonhada e vermelha, não saber o que falar e as vezes até mostrar que está tremendo pode ser bonitinho pro cara que também está a fim de você, ele já te acha fofinha, bonitinha, gatinha mesmo! Mas quando a gente sabe que o cara não vai achar nada “bonitinho” e sim uma pagação de mico... não é legal.
Pode até ser que não tenha saída, que a gente  não controle esses sentimentos, mas é tão inútil uma paixão não correspondida! E nem venha me dizer que a gente aprende, que o coração fica mais forte porque do que adianta isso tudo, se dá vontade de chorar, a gente perde a fome – e quando volta vem mais forte -, a gente treme e não consegue nem fazer as coisas que temos que fazer nem nos concentrar no que é necessário concentração.
Porque não podemos nos apaixonar por quem é apaixonado por nós? Porque a maioria das vezes, mesmo nos fazendo de forte, nos apaixonamos por quem não te vê mais do que como uma amiga? E porque a gente se sente feliz só de ver a pessoa ou de ver a janelinha no MSN dele subir se a gente sabe que mais do que isso, não vai acontecer?
Quantas dúvidas. O que a gente pode fazer? Deixar rolar, deixar o sentimento vir. Eu sei que a gente sofre, mas o segredo acho que é saber lidar com esse sofrimento. É triste. Dá agonia e vontade de chorar e gritar. Então chore e grite, mas não entre em foça sem saída. Se for pra escutar músicas, escuta.
Lembro sempre de uma frase bem clichê que eu ouvi quando eu tinha uns 12 anos, é mais ou menos assim: não é só porque alguém não te ama como você quer que ela não te ama como pode. Por mais triste que seja, lembre sempre dessa frase e bola pra frente, ele não é o primeiro nem o último homem da face da Terra! :)


(isso vale pra vocês meninos também!)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Madri, 27 de janeiro de 2010.



Oi, demorou mas finalmente chegou alguma notícia minha. Deixei seu endereço pendurado na parede do meu quarto pra quando eu tivesse um tempo, lembrar de enviar essa carta. Mas realmente não foi preciso deixar esse papel para que eu lembrasse de você...

Na minha cabeça você aparece sempre, as vezes porque eu penso em você e no pouco que passamos juntos, outras vezes minha cabeça transformava qualquer outro homem em você se ele tinha o seu tamanho, sua barba por fazer e corte de cabelo igual ao seu... Olhava apaixonada pra ele, devo até ter sorrido pra um, pensando que sorria pra você. Mas quais as chances de ser realmente você, eu pensava... Nenhuma! Então minha mente frustrada voltada a ver o rapaz que era realmente e em nada parecia você a não ser o tamanho, a barba por fazer e o corte de cabelo.

Eu não sei como fui me envolver tanto com você em tão pouco tempo. Eu lutei contra qualquer coisa que eu pudesse senti por qualquer um, eu sabia que ia sofrer. Corri de homens charmosos e me escondi de alguém que disse que havia gostado de mim. Eu sabia que a separação ia ser dolorida. Apaixonada as coisas são muito mais difícieis. A separação é bem mais difícil. Ainda não entendi mesmo como é que pude me envolver tanto com você. Corri de amores possíveis que iam até ter futuro, mas hoje estou assim, desse jeito, pensando em você toda hora, no outro lado do mundo.

Não importa quantos meninos bonitos ou interessantes que apareçam no meu caminho parece que sempre estarei esperando por algo mais, coisas como as que aconteceram com a gente. Se algo parecido aparecer eu me jogo, se não, talvez não valha a pena. Sou assim, escolho em quais sentimentos me jogar, se não quero corro. Mas do que adianta correr? Conheci você e logo corrri, mas nunca imaginei que fosse sentir isso tão rápido e estando tão longe.

E é por isso que eu estou escrevendo essa carta. Não consigo pensar em como será minha volta se eu não tiver você pra abraçar e sentir o toque. Aquele toque que pouco conheci, mas a risada que adorei ouvir. O sorriso que adorei ver. E fazia toda hora você rir, e não entendi porque, mas eu entendo. Era pra guardar na minha memória enquanto eu estivesse longe, pra quando eu voltar, poder reconhecer se te ver andando na rua.  

Apaixonada por você, de Madri.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Como lidar com seus pais: as experiências deles, são deles!




Experiência significa, de acordo com o Luft: 1. Ação ou efeito de experimentar (-se). 2. Prática, conhecimento; perícia. 3. Ensaio, tentativa, demonstração. 4. conhecimento transmitido através dos sentidos


        Quando somos adolescentes tomamos algumas decisões que, nos arrependendo ou não, se tivéssemos a maturidade que adiquirimos com o tempo, não iríamos tomar. Mas uma coisa que estamos sem dúvida nenhuma destinados a receber são críticas por coisas que você fez ou alguém que você foi (adolescente imaturo, ou menos maduro). E disso você não pode fugir, tem que aprender a lidar.
        Adolescentes querem experimentar. Querem viver tudo o que podem, mas não conseguem porque muitas vezes há um adulto para dizer que vão se arrepender, que vão se dar mal e que um dia, vai se lembrar daquele discurso e vai sofrer por não ter feito o que te indicaram. Disso não dá pra fugir, adultos são assim.


São pais (mais comumente), professores, tios, conhecidos, desconhecidos... não importa, qualquer pessoa que seja adulta. Adultos, temos que concordar, têm mais experiência por já terem vivido mais, já experimentaram coisas que nem imaginamos, viveram em outra época e já estão mais próximos do final (brincadeira, nada a ver isso),  talvez, então, devíamos dar bola para o que eles falam.


Mas sabemos que eles podem ser muito insistentes e protetores. Alguns pais, por amar demais (e não de menos), acham que dizendo pros filhos o que fazer, as consequências das atitudes ou dizendo o que aconteceu com eles na época, vai fazer a gente (filhos) resolver não fazer e se sentir como se já tivesse passado por isso. Mas a gente sabe que não é assim. O ideal é equilibrar: nem ouvir demais, nem ouvir de menos.


Exemplos:


1) Mães dizem para as filhas que se apaixonar por aqueles meninos que chamamos de “galinhas” é a maior roubada, mas a menina não vai saber disso até entender que os galinhas, muitas vezes, não vão se corrigir facilmente e que uma mulher pode mudar um homem, mas é difícil. E quando a menina chega triste pra mãe, ela podia dar apoio, dar colo, mas fica falando: “tá vendo, eu avisei, porque você não me escutou?” Coitadas das meninas.


2) Pais podem dizer pros filhos que ficar muito bêbado não vale a pena porque depois dá ressaca e acabamos por não recordar de coisas que podiam ter sido inesquecíveis, como em uma viagem ou festa de formatura. Mas os filhos não querem saber de teoria. PAIS! Nós – merecidamente – queremos passar por isso para podermos dizer que realmente não quero isso pra gente.


Os adultos têm que servir mesmo como alicerce e exemplo, mas a vivência e experiência é pessoal e intransferível. O que os adultos muitas vezes não entendem é que não adianta tentar colocar na cabeça de um adolescente que ele vai se arrepender quando estiver mais velho. Depois pode ser que se arrependa, mas se ele tivesse optado por outro caminho, o que os pais indicaram, talvez não tivesse crescido, aprendido ou valido a pena. A gente tem que vivenciar pra entender.


Estamos fadados a escutar: “eu te avisei”,  “tá vendo? Tá arrependido porque não fez o que eu falei” “você tem que escutar os pais, eles sempre têm razão” “os adultos sabem das coisas, já passaram por isso”, mas não adianta, provavelmente eles se arrependeram de alguma atitude que tomaram quando mais novos e que se arrependeram. Uns podem dizer que não, mas eu, sinceramente, duvido.


“Mas, Gabi, eles estão enxendo meu saco, não me deixando fazer coisas que eu quero fazer, o que fazer com isso?” Como agir?


Primeiro de tudo, entendam porque os adultos fazem isso. Se tem alguém que te enxe o saco é porque provavelmente você é adorável e essa pessoa te quer o bem, eu sei que é clichê ouvir isso e que é discurso do próprio adulto, mas eles fazem isso porque gostam, se não se importassem com você, não falariam nada. Algumas vezes eles estão certos em pensar daquele jeito, entenda isso, mesmo que não concorde. 


Outra coisa a fazer é não ser tão prepotente e achar que você sabe de tudo, porque você não sabe. O adulto também não, mas você muito menos. Pare para escutá-los, de verdade. Eu falo ESCUTAR porque tem adolescente que já parte do princípio que o adulto vai “enxer o saco” então ouve, mas não reflete sobre o assunto. A minha dica é escutar para poder refletir e tomar a decisão certa e madura.


Não precisa deixar de fazer tudo o que eles dizem que é ruim porque aí você não vai viver a sua vida, mas saiba que quando eles dizem, por exemplo, que se você transar sem camisinha e não tomar remédio você pode ter um filho indesejado (você deve tá pensando “claro, mas que ridículo” mas tem gente que se acha sortudo demais pra acontecer com ele). Vamos ser inteligentes, né?! Não precisamos bater a cabeça na parede pra saber que vai surgir um galo dessa pancada.


Diálogo também é uma ÓTIMA dica. Diga a verdade, abra o jogo. Fale que você quer viver também, diga que experiência só se adiquire vivendo e mostre que sabe dos perigos e que vai fazer tudo para não tomar decisões erradas, mas que se acontecer sem querer, você vai aprender com os erros.  As vezes os adultos insistem dizendo que sabe que você vai se arrepender, mas aí sim que tem que dizer que cair faz parte da vida.


(Exemplo: você quer ir a uma festa de formatura que todo mundo vai, mas sua mãe não deixa porque ela fala que lá vai ter gente mais velha, bebida e drogas. Ok, ela pode estar certa, mas se o adolescente começa a gritar e brigar, a mãe não vai deixar mesmo. O que você tem que fazer é escutar o que ela tem a dizer, refletir e caso decida mesmo ir, você pode encontrar argumentos como 1) você tem amigos que vão estar lá que não usam drogas nem bebem, qual a chance de você fazer isso? 2) você sabe que não é bom, então não vai chegar perto 3) caso sinta que o clima tá ficando pesado, você pode ligar pra ela ir te buscar. Tá vendo? Ela vai saber que você sabe que ela tá certa, mas mesmo assim está optando por ir, querendo a experiência. As vezes eles dizem que não é com você o problema, a desconfiança e sim os outros, mas deixe eles saberem que você vai tomar todas as providências para não deixar ninguém te fazer mal. Eu tenho certeza que pai nenhum resiste a confiança e maturidade do filho. Confiança e maturidade é tudo na vida.)


Sempre que puder, mostre sua maturidade, mostre que respeita o discurso dos mais velhos e que você realmente se importa com o que eles pensam (mesmo que não se importe, diga que sim, eles gostam disso). Fale que você vai tentar agir corretamente sempre, que não vai errar de propósito, mas que as experiências deles são DELES, e que você quer ter as suas, mesmo que não sejam boas experiências. 


Porque eu disse tudo isso? É difícil? É! Eu aprendi isso sozinha e tive uma adolescencia maravilhosa e bem mais tranquila com essas dicas que eu fui aprendendo. Achei legal compartilhar com vocês porque se alguém tivesse me dito isso antes, talvez tivesse sido mais fácil. Mas não ache que é dica de adulto, não, eu acabei de sair da adolescência!!


Não sou expert em adultos nem psicóloga, mas se você gostou do que eu disse nesse texto e tiver mais dúvidas sobre o que eu disse ou uma específica que eu possa ajudar, me pergunte por e mail ou comentário que eu tento responder. Eu queria falar muito mais coisas e dar muitas outras dicas, mas o texto já está grande demais.


desculpa se essas dicas não funcionarem com seus pais, cada adulto é um adulto, e tenho amigos que sofrem porque os pais não são só superprotetores, mas chatonildos mesmo. acho que isso funciona com pais mais flexíveis. eu espero que ajude vocês, se não ajudar, desculpa =x 





"o panorama não agrada, mas não há porque se desesperar, pela simples noção de que é uma dádiva estar vivo de que os caminhos são lindos, e é necessário caminhar"
Panorama - Forfun