"Qualquer semelhança com a realidade... é mera canalhice!" Gabi Pagliuca disse isso e tudo o que está nesse blog literário*. Ela tem 22 anos, é brasileira e paulistana, atualmente vive em Madri. É corinthiana, escritora, vegetariana, universalista, estudante de jornalismo. Colaborou com o "Tudo de Blog" da revista Capricho enquanto ele existiu, por 3 anos e meio. Gosta de críticas construtivas (e não destrutivas) e de se comunicar com seus leitores.

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sábado, 20 de março de 2010

Aprendi com os homens no romance: jogar e ganhar

Por que não ligam no dia seguinte? Por que somem do mapa? Por que não me procuram mais? É o que algumas mulheres se perguntam, mas sabem que os homens nunca vão mudar. Mas vocês, homens não sabem que as mulheres são as que sempre mudam... Mudam por necessidade, por amor e por tédio. Os homens são sempre os mesmos, sempre usam os mesmos pretextos, os mesmos motivos e as mesmas desculpas. 
Com uma exceção, outro dia ouvi uma desculpa que nunca tinha escutado. Um amigo meu que é amigo de um amigo de um conhecido meu (depois mulher que é fofoqueira) me disse que o carinha que eu estava de rolo sumiu por que eu estava agindo como os homens, que tinha perdido as características femininas em um romance, não corria atrás dele, dizia que estou, mas não demonstro, interessada... Que estou agindo como ele! Como assim? E por isso não quer compromisso? Sumiu do mapa depois de conseguir o que queria porque EU estou diferente? Faça-me o favor, se não tá a fim de mim não precisa me procurar, mas não venha com xorumelas.
Se eu mudei é porque vocês, homens, já esgotaram minha paciência e de tanto me fazer de idiota, estou começando a aprender. É claro que vocês são e sempre serão os originais, não posso ser como vocês. Não sou tão insensível, não prefiro um cara-gostoso-sem-nada-na-cabeça, não faço sexo por fazer, mesmo não necessariamente querendo uma coisa séria, nunca poderia atingir o nível de falta de consideração que vocês têm. Quisera eu aprender, quem sabe não consigo?
          Estou começando a me divertir mais, como vocês. Estou controlando mais minhas emoções e as demonstrando bem menos, isso me torna um pouco mais insensível? Tento ficar com os bonitões, porque ficar com homem bonito levanta a auto-estima, e se isso faz parecer que preferimos a forma ao conteúdo, é um ponto para que você reflita. Sou fisio-quimica-biologicamente incapaz de fazer sexo com alguém que não, no mínimo, gosto como amigo. Essa é a verdade, por mais que seja sexo casual e não queira nada sério, eu dificilmente faço sexo com alguém que não me agrada conversar, trocar experiências e intimidades.
          Viu? Não estou agindo como vocês, só estou aprendendo a sofrer menos, essa é a verdade. Dói saber que estou cada vez menos em suas mãos e que vocês não mais fazem o que quiser comigo? Não estou mais insensível, só passei a chorar no quarto pra ninguém vê o quanto estou sendo idiota por chorar por vocês. 
          É uma vergonha gigantesca admitir que esteja sofrendo porque aquele cara não ligou, porque ele não quer namorar, porque ele me usou. É uma vergonha chorar, não admito mais, mas não deixo de fazer isso. Continuo a mesma sonhadora e iludida que era, mas não mostro. Posso não demonstrar, mas eu fico ao lado do telefone esperando que me ligue e enlouqueço quando a ligação não chega – ou chega em uma noite chuvosa e solitária -, e se saio com você de novo e de novo, não é pra te usar, você não é um objeto, nem estou sendo idiota e sendo feita e besta, eu simplesmente gosto de estar com você, mesmo não querendo casar com você, gosto de ter amizade colorida.
          Mas já que os homens são assim, não querem compromisso até eles realmente quererem, resolvi mudar sim. Não posso mudar as sensações, mas posso mudar como eu passo a agir. Não vou mais ficar chorando no quarto em dia de festa só porque você não me ligou pra ir comigo. Não vou deixar de ficar com o bonitão na balada só porque eu fiquei com você no final de semana passado e você me disse “oi, vamos marcar de nos ver” por MSN, assim meio que por obrigação. Não vou deixar de sair com os amigos porque você ficou de me ligar. Se você quiser, a gente pode adaptar meus planos, mas não vou esperar sentada.
          Mas como aquele cara totalmente randômico ousou dizer que não me procurou mais porque eu estava agindo diferente das outras mulheres? Se a gente fica ligando, manda SMS eles não nos procuram porque estamos grudando. Se esperamos seus telefonemas, seu SMS, somem porque vocês acham que não estamos interessadas? Então como é que é pra agir? Vocês gostam de nos ver sofrer por vocês, só pode ser.  É assim que eu ajo: espero que me procurem, digo uma vez, com sinceridade:  estou interessada. Quiser me procurar, procura. Se não quiser...
          Fica na minha cabeça martelando porque vocês podem e eu não? Porque vocês podem pegar geral e eu não? O que muda? A droga da história, a droga da sociedade, a droga da anatomia? Acho que a única diferença é a capacidade de querer bem o outro – eu quero sempre muito mais que a outra pessoa – e eu sempre sofro com isso. Ou sofria.
          Ah, meus caros amigos, mudei por necessidade (de não sofrer mais), por amor (próprio) e por tédio (de esperar sentada). Não aguento mais chorar e esperar, me iludir com palavras bonitas e hipnóticas! Vocês são grandes jogadores, os melhores. Nesse campeonato, os homens vão ser sempre os líderes, e antes, eu era sempre rebaixada, mas aprendi a jogar melhor pra estar ali, no G4, mesmo sabendo que não conseguirei jogar melhor que vocês. 
          Falando em jogo, eu acho que aprendi bem. Aprendi direitinho a teoria, a prática, o proibido e o permitido. Sei as regras de cor e salteado. Mas já que vocês aprenderam desde moleques, de experiência, esqueceram de aprender uma norma muito importante: jogar de acordo com o que está em jogo. Isso eu sei fazer, mas os homens não. Jogam sempre como se vocês fossem o Lobo-Mau e nós a Chapeuzinho, mas não sabem jogar de igual pra igual. 
          Vocês pedem para eu ter calma, para nadar no fluxo da água, para não meter os pés pelas mãos, mas vocês sempre nadam contra a corrente, já se iludem achando que quero algo sério, que estou apaixonada, quando nem sempre isso acontece. Talvez seja iludida às vezes, porque vocês usam aquele charme de amor à primeira vista. Mas ilusão não é paixão. Se vocês não iludem e vão com calma, nós também vamos. 
          Às vezes quero ir aos poucos, te conhecer melhor, sair com meus amigos e não só com você, mas vocês, homens, sempre pensam que as mulheres vão largar tudo por eles. Quanta prepotência! Eu sei jogar e queria uma partida com você, homem e mulher.  Então eu proponho pra vocês: se vocês pararem de jogar o seu próprio jogo e jogar o NOSSO (seu e meu), vai ser muito mais prazeroso, pros dois.




Antônia

Obs.: se uma mulher te agrada, mas não sabe jogar, porque você não ensina?

sábado, 13 de março de 2010

Soledad

Dá play, espera os músicos começarem a tocar e comece a ler! :) É só ritmo, não tem letra. 






Lendo um livro deitada na minha cama senti um coçar em minhas costas. Já estava me vendo mais magra nos espelhos, com calças largas e as blusas não marcavam tanto, mas quando minhas costas começaram a coçar, cocei. Senti minha pele. Deixei minha mão lá, parada, nas costas. Minha calça estava mais baixa por conta da magreza. Senti e senti pena do meu corpo. Não por nada, estava mais bonita, menos pesada, mais solta. Mas porque ele não pode ser de alguém? Ser tocado? Abraçado pelas cinturas? Porque tem que ser sozinho, não pode encaixar com ninguém? Porque tem que ser solto, sem molde, sem par, sem dono, sem sal, solto? Porque a busca por alguém é tão forte dentro da minha alma? Porque eu sempre tenho que procurar coisas que eu sei que não são importantes? Porque buscar um encaixe, um molde, uma alma gêmea musical e não só aproveitar o momento? Os momentos que eu senti minha pele, sozinha, tocada por mim mesma e senti pena de mim, queria aniquilar da minha mente. Queria sentir minha pele e ficar feliz por ser eu mesma, por me amar. Sentir minha pele das costas e sentir que não estou sozinha, que eu tenho eu, que eu tenho a mim, mas não consigo. Só consigo sentir que não tenho encaixe, não tenho conchinha, não tem ninguém respirando no meu pescoço, mas não consigo entender porque dói tanto.


quarta-feira, 10 de março de 2010

Adianta pensar que dessa vez vai ser diferente?




 Adianta pensar que dessa vez vai ser diferente? Não adianta. Não sei por que ainda tento me apaixonar, não deveria me iludir. 

Manne nie werd om 'n sent
Burrat nuk ia vlen as një grosh
الرجل لا يساوي فلسا
Мужчыны не каштуе ні капейкі
Мъжете не струва и стотинка
Els homes no val un cèntim
男人一文不值
Muškarci ne vrijedi peni
Muži nestojí za penny
Mænd ikke værd en krone
Mannen niet waard een cent

Ilusão, é sempre ilusão.  É por isso que eu odeio me apaixonar, quando isso acontece a gente fica sonhadora, encantada, mais jovem, cuidadosa, vaidosa, forte, corajosa, sorridente, cheia de vida, otimista e esperançosa. Pra que? 

Men not worth a penny
Mehed ei ole seda väärt kross
Lalaking hindi katumbas ng halaga ng salapi
Miehet eivät arvosta penniäkään
Les hommes ne vaut pas un centime

Pra depois pensar o quanto a gente foi idiota de pensar que “um homem como aquele” ia se apaixonar por nós? Nem adianta vir dizer que eles também são inseguros. Não aguento mais ouvir as desculpas masculinas. 

Home non vale ningún centavo
Männer keinen Pfifferling wert
Οι άνδρες δεν αξίζει μια δεκάρα
Gason pa vo yon peni
גברים לא שווים פרוטה

Se não ia ligar, porque pediu o telefone, ou se não ia ligar, porque disse mil vezes que ia? Por quê? Pra que? Homens se acham muito importante. A gente perde os sonhos, os encantos, envelhecemos, paramos de cuidar de nós mesmas, nos tornamos fraca e sem coragem, chorosa, com pouca vida, pessimista e sem esperança. 

नहीं एक पैसा मूल्य पुरुष
Férfiak nem érdemes egy fillért
Men er ekki þess virði að Penny
Pria tak berharga penny
Fir nach fiú a pingin

É que toda vez pensamos “vai ser diferente... que dessa vez encontrei o cara pra mim”, pra que, me pergunto.

Gli uomini non vale un centesimo
一銭の価値もない男性
페니가 아니라 인간의 가치
Vīriešiem nav vērts penss
Vyrai neverta Penny
Мажите не вреди еден денар
Pria tak berharga penny
Irġiel mhux jiswew Penny
Men ikke verdt et øre
مردان هیچ ارزشی ندارند شاهی

É por isso que eu odeio me apaixonar. 

Mężczyźni nie są warte grosza
Barbatii nu sunt în valoare de un penny
Мужчины не стоит ни копейки

Eu parei de acreditar em homens quando eu tinha 12 anos...

Мушкарци не вреди денарМушкарци не вреди денар
Muži nestojí za penny
Men ni vredno peni
Los hombres no vale un centavo
Wanaume si thamani ya Penny
Men inte värt ett öre

só que eu voltava a acreditar em Pedros, Diegos, Rodolfos, Brunos, Matheuses, Betos, Juans e Rubens...

ผู้ชาย ไม่ คุ้ม ค่า เงิน
Beş kuruş etmez Erkekler
Чоловіки не варто ні копійки
Đàn ông không đáng một xu
Dynion na gwerth ceiniog
מען ניט ווערט אַ פּעני

eu posso dizer em todas as línguas que eu consigo, 
mas eu nunca vou aprender que homem não vale um centavo.

domingo, 7 de março de 2010

A mídia e o desenvolvimento intelectual do adolescente!



          Fato sabido: a maior parte dos adolescentes logo vai virar adulto, a outra parte vai morrer (o que é uma pena, mas cada um tem sua hora). O problema é que no começo dessa nova fase, adulta, a evolução intelectual parece ter que começar do zero, e isso é um esforço muito grande.
          Quero explicar melhor esse negócio que acabei de dizer. O adulto tem muitas obrigações e preocupações, muitos “novos adultos” estão estudando e trabalhando ao mesmo tempo, tendo projetos saindo do forno e as pessoas cobram muito mais que eles se desenvolvam. Há estímulos para o “aproveitar a vida” o tempo inteiro, etc. Portanto, começar a se preocupar com coisas que realmente importam fica bem mais difícil nesse ponto. Devíamos começar quando ainda não temos essas obrigações ainda: na adolescência.
          É aí que entra minha indignação com a sociedade e a mídia atual. Para os adolescentes que ainda estão se desenvolvendo e sem muitas obrigações e cobranças, ao invés de nossos esforços juvenis estarem focados em pensar sobre a vida, o mundo, a sociedade e outras coisas realmente importantes para a evolução do homem, parece que a mídia só sabe mostrar o que a Lady Gaga está fazendo hoje, quem está namorando quem em Hollywood ou quem está saindo do BBB. Nem adianta falar que adulto também gosta – e muito – disso, pois eu não acabo de dizer (em outras palavras, as que eu comecei o texto) que os adultos são ex-adolescentes?
          Muitas vezes já escutei pessoas dizer coisas, por exemplo: o adolescente não gosta de pensar, o adolescente não sabe pensar, o adolescente NÃO alguma coisa. E eu, particularmente, não concordo com nada disso. O adolescente gosta de pesquisar, gosta de conversar. Quanto tempo um garoto de 15 anos não fica no MSN conversando com os amigos, esperando e respondendo scraps no Orkut, replies no Twitter e perguntas no Formspring? E as meninas dessa idade no telefone com as amigas? Adolescente aprende com mais facilidade a mexer em novas tecnologias, se interessa por livros gigantescos e terminam em duas semanas, coisa impossível pra um adulto cheio de coisas pra fazer. Uma garotinha de 13 anos sabe de cor 5GB de memória de música e não mede esforço para tentar chegar perto do Di Ferrero do NxZero e ter a maior coleção de recortes de revistas, fotos e informações sobre o Restart, Hori e Cine da história das fãs dos mesmos... Então porque o adolescente não conseguiria pensar em coisas mais úteis?  Nada contra o entretenimento, ou melhor dizendo: não que seja relevante para isso que quero dizer o que eu tenho contra o entretenimento, mas se essas pessoinhas começassem a pensar desde cedo sobre assuntos importantes, o mundo poderia estar bem melhor agora.
          É claro que se colocar um livro sobre ética e uma televisão e pedir para que escolha, ele vai escolher a televisão, mesmo que ele fale depois: “que saco, não tem nada de bom passando em nenhum canal”, ele vai preferir a telinha. Mas é porque já estamos acostumados, e não porque realmente gostamos mais. Talvez se interessassem pelo livro, mas a falta de costume vai fazer escolher não ler porque simplesmente é mais fácil não pensar. E ler exige esforço. Ler faz ficarmos mais inteligentes. Ler é doloroso, mas é uma dor magnífica. Ah, inclusive, obrigada por chegar até aqui nesse post.
          Se as energias gastas são as mesmas, então porque não tentar fazer esse grande interesse por tudo o que é efêmero e vazio se transformar em um interesse por coisas que realmente importa? Não vamos mudar os costumes do nada, mas a mídia até que poderia fazer a parte dela, não é? A mídia não foca no desenvolvimento intelectual do adolescente como deveria, parece que ela deixa isso de lado para tentar vender seus produtos e levar os adolescentes a ter necessidade de coisas materiais, e virar adultos alienados. Quanto mais coisa idiota a mídia passar para os jovens, mais adultos idiotas serão, com mais facilidade vai comprar e menos as pessoas poderão cobrar uma das outras (na verdade vai chegar um ponto que ninguém vai nem mesmo saber o que cobrar, de tão retardados que vamos ficar!).
          O adolescente não escolhe ser alienado, ele é influenciado a isso. De quem é o papel de não aliená-los? ¡NOSTRO, JODER! NOSSO! NOSSO. Da mídia, do povo, dos políticos. Esses jovens não sabem ainda o que querem e é a gente que vai mostrar as opções. Se essa merda de mídia atual só mostra coisa ruim, é coisa ruim que eles terão e buscarão no Google.
          Na minha opinião, o mundo tá como está porque os adolescentes não são bem instruídos e quando viram adultos, querem continuar com a facilidade da vida que tinham 10 anos antes, então como cobrar que as novas gerações votem nos políticos certos, descubram novos métodos de bem-estar, pratiquem mais a solidariedade ou simplesmente que leiam mais?
          Eu queria mudar. É por isso que eu resolvi ser jornalista de adolescente. Tentar mudar esse cenário nojento e sem imaginação que há na mídia de hoje. Televisão, vídeo game, internet e telefone não são necessidades prioritárias de uma pessoa, já que 1) nem todo mundo usa 2) nem sempre existiu. Se fosse vital, o que as pessoas que não usam isso iriam fazer? Desculpem a sinceridade.






Recadinho mano-a-mano:

           Para os jornalistas, homens e mulheres do marketing e da publicidade e propaganda, um recado: vender seus produtos é necessário para que você coma e viva, mas é mais importante nos lembrar que o futuro do mundo, aquele mundo que nossos filhos e netos vão viver, está nas mãos dos nossos adolescentes de hoje e amanhã. Você vai vender seu produtinho e ganhar seu dinheiro hoje, mas seu filho pode viver em um mundo alienado, violento e cheio de pessoas más fazendo cada vez mais maldade. É isso que queremos? Não podemos, ao invés de produtos, nos alimentar vendendo informações, inteligência, pensamentos, criatividade? Porque temos que vender PRODUTOS? Como eu disse: o esforço é o mesmo, NÓS que estamos acostumados com outras coisas.