(antes de ler esse post, leia o primeiro post da série)
Falei tanto do meu ex-namorado que no mínimo uma curiosidade surgiu, não é mesmo, leitores? Conheci Ernesto quando estava enrolada com outro cara e me apaixonei imediatamente que o vi. Minhas amigas me apresentaram e ele parecia ser o cara perfeito para mim e foi mesmo, durante um ano, sete meses e catorze dias. De 12 de março de 2006 até 26 de outubro de 2007, oficialmente. Eu tinha 18 anos quando começamos e terminados quando eu tinha mais de 19 anos e meio. Foi na minha época pós-escola. Uma época maravilhosa. Estudamos no mesmo cursinho pré-vestibular. Ele era extremamente lindo e inteligente. Gostava do mesmo tipo de música e era um pouco menos caseiro do que eu. Éramos o par perfeito, todo mundo nos elogiava quando nos viam. Tinha uma coisa nele que sempre me chamou atenção, no começo era fofo, mas perto do fim me irritava. Suas bandas preferidas eram formadas por bateristas, guitarristas, baixistas ou qualquer outro tipo de instrumentalista de qualquer sexo, mas a vocalista tinha, necessariamente, que ser uma mulher. Pitty, Pato Fu, Ludov, Avril Lavigne e até Elis Regina com suas Águas de Março, entre outras mil bandas de mulheres. E eu com meu gosto eclético para tudo, acabei gostando do que ele ouvia também. Escuto muito Ramirez e Leoni, mas não tenho nada contra nada específico. Ele tinha. Não suportava ouvir homens cantando. O máximo que ele suportava era um dueto ou algo parecido. Nunca fui de me importar muito com isso, escutava o playlist dele com a maior boa vontade. A única coisa que me deixava brava era quando ele chegava a minha casa e mudava de playlist para a que ele queria. Isso me deixava irritada. E ele reclamava dizendo que eu gostava das coisas dele e ele não gostava da minha. Eu sempre voltava para a minha. Problema era dele se não gostava. Muitas vezes ficávamos sem ouvir nada por conta disso. Tempo bom aquele. Estudávamos muito para conseguir passar na faculdade que queríamos. Ele passou na USP, em Direito, na primeira tentativa, ele era muito inteligente. Eu continuei no cursinho e no ano seguinte entrei em jornalismo numa particular, já que no primeiro ano eu não tinha decidido ainda o que fazer. Nós sempre íamos a pequenos shows que tocava mais de uma banda cover e/ou nova – com mulheres no vocal – e nos divertíamos muito. Sempre quando a próxima banda era de vocal masculino ele dava um jeito de me chamar para um canto e ficarmos namorando ali. Ele tinha uma técnica especial que sempre me fazia ceder. Não sei bem o que era, quer dizer, até sei, mas não quero contar. Brincadeiras a parte, ele era um namorado muito interessante, atencioso, meus pais até gostavam dele, acreditam? Nos fins de semana eu ia para casa do meu pai, já que ele morava mais perto das badalações – já passei da idade de ser obrigada a passar o fim de semana com ele, depois dos quinze, eu ia se e quando eu quisesse – e ele deixava a gente dormir no mesmo quarto, o meu, sempre. Era só avisar antes. Minha mãe não gostava muito por causa da minha avó que mora com a gente, mas se precisasse, caso ficasse tarde, não tinha problema algum. Só tinha uma regra que era nada de sexo na mesma casa de mamã e vovó. Era uma regra engraçada, mas era regra. A vida era boa com ele, nos divertíamos. Ficamos um tempão juntos, mas nosso amor foi desgastando, de repente não éramos mais apaixonados. Terminamos uma vez. Voltamos menos de um mês depois. Só que ele terminou comigo mesmo para ficar com uma vocalista de uma banda nova. Eu sempre soube do fascínio dele por mulheres no vocal, mas nunca achei que seria trocada por uma.