fotoVocês já ouviram falar de uma campanha chamada “chega de fiu-fiu”? É uma campanha de conscientização sobre as cantadas que nós, mulheres, ouvimos O TEMPO TODO na rua. Pode ser um fiu-fiu, um “ô lá em casa”, um “noooossa”, um “que gostosa” ou apenas um olhar fixo em nossos peitos, bundas e coxas. Super apoio essa ideia, e luto para que os homens sejam mais conscientes sobre esse problema que atinge muitas mulheres – das mais lindas e saradas até as menos vaidosas.

De acordo com meu marido, que não é perfeito, mas é um homem extremamente educado, consciente, respeitoso e do bem, esse tipo de comportamento é de homem idiota e não são todos os homens que são assim. Saber disso me aliviou bastante. No entanto, percebi que os homens não entendem como nós nos sentimos quando somos consideradas pedaços de carne, como se nosso corpo fosse de propriedade pública e que simplesmente seríamos menos revoltadas se os homens guardassem a opinião sobre nós, para eles (ou só comentasse com os amigos, como nós, garotas, fazemos!) e só paquerar e abordar mulheres que estão querendo paquerar em situações adequadas para isso – bares, baladas, etc -, sempre com respeito.

Foi então que, semana passada, fui correr de top e shorts e – depois que eu reclamei dessa questão – meu marido me disse que não posso ficar indignada quando os homens idiotas agem assim e que eu não tenho controle sobre o que eles pensam e fazem. Meu pai já tinha opinado que não devíamos ficar bravas, e sim, agir como “obrigada, mas não sou mulher pra você”.

É um tema que me deixa muito revoltada, mas, ao mesmo tempo, reflexiva. Como devemos agir? Consigo colocar na gaveta positiva da minha cabeça essa falta de respeito dos homens?

Sabe como eu agia antes? Mostrava o dedo do meio, xingava, cuspia, fingia que vomitava… E eles ignoravam e continuavam olhando, agindo da mesma maneira. Não adiantava nada e, ao mesmo tempo, eu ficava nervosa, indignada.

Foi então que decidi que isso não iria mais me afetar. Ficou olhando? Vou dar tchauzinho. Mandou beijinho? Vou retribuir dizendo: “um beijo aos meus fãs”. Deu uma buzinada? Vou devolver com um positivo! Rindo, com muito sarcasmo. Ao mesmo tempo, me amando, me achando poderosa, dando beijinhos nos dois ombros, tendo certeza de que sou linda e de que aquilo foi um elogio – agindo assim, em algum momento vou parar de me importar com atitude ridícula desses punheteiros.

Acredito que, assim, vou eliminar mais um problema na minha vida. E, não importa o que eu faça, eles vão continuar agindo idiotamente, então, é melhor eu mesma não me afetar no momento em que acontece.

É difícil? Sim, muito. Ainda fico indignada? Sim, um pouco. Mas com o passar do tempo, estarei preparada para ignorar esse tipo de comportamento abusivo quando direcionado a mim.

O que me comprometo a lutar é pelo respeito para conosco e irei me manifestar nos momentos corretos e não deixarei que isso tire minha paz de espírito.

Gostaria me compartilhar esse pensamento para poder ser um feedback de outras garotas que passam por isso também e dos homens: o que vocês pensam sobre o assunto? O que é, pra vocês, essas cantadas e olhares com apelo sexual?