Bem vind@ a uma categoria nova, a “Catarses”.

Na Wikipédia, encontra-se uma definição suficiente: “Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama”.

Portanto, nesse espaço, vou tentar (porque cada Ser é único e suas experiências também) mostrar aqui porque eu me sinto purificada com algumas obras artísticas.

A maioria das vezes em que eu falar de música, provavelmente, não vou falar sobre a melodia/ritmo/instrumentos, e sim sobre a letra, pois não tenho palavras pra dizer o que sinto quando escuto elas.  E, lógico, isso será apenas MINHA interpretação, pode ser que você entenda de forma totalmente diferente.

Se você já gosta da música, pode colaborar com esse post sobre ela, comentando suas percepções sobre o som e a letra.

A primeira é a música Infinitas Possibilidades, da banda Forfun (minha preferida) , do álbum Polisenso, de 2008.

Se ainda não conhece, você pode escutá-la aqui:

Em 2009 escrevi algo sobre o Forfun. Como é um texto velho, vale apenas para ilustração. Abra a aba aqui e leia depois que acabar de ver esse post.

Infinitas Possibilidades – Forfun

A batida já te joga no chão, te dá uns choques em uma explosão de sons incríveis… Você sente isso também? Vamos à letra:

Duas libélulas passaram voando e anunciando a melodia celeste
(Melodia celeste = músicas vindas do céu. Conexão total com a espiritualidade. Entendo que aqui o artista quis mencionar mensagens vindas do além e nos ostrar que somos mais do que nossos corpos físicos)

Trazendo novos conceitos a nós, os humanoides, na jornada terrestre
(Entendo essas “melodias celestes” como se fossem mensagens de nossos guias espirituais para que nós possamos aproveitar da melhor forma essa vida, e assim cumprir o objetivo de estarmos aqui, provavelmente para crescer, aprender, alcançarmos a iluminação e passarmos para outro plano, ainda mais próximo de Deus)

Plantou uma muda que brotou, virou bromélia e enfeitou todo jardim com a sua cor. 

Um beija-flor veio e beijou, agente polinizador: viveu, morreu e se espalhou
(Essas duas linhas são lindas, sempre me arrepio ao escutar. Minha mente me leva a um lugar lindo, na natureza, em que os ciclos de vida vêm e vão, sem que os pássaros ou as plantas se apegassem com seu corpo, mas como se eles soubessem que estão ali por uma razão, para cumprir um papel especial para a beleza e plenitude o Planeta Terra. E o melhor desse desapego é que eles aproveitam muito mais do que se estivessem preocupados com outras coisas se não vivendo no Agora. Quando morrerem, vão se espalhar e voltar a fazer parte do Todo. Isso é muito profundo, poucas pessoas conseguem ter esse desapego e eu, particularmente, não conheço e muito menos sou essa pessoa. É claro que agora que eu estou mais espiritualizada tenho menos medo de morrer, mas tenho medo do desconhecido – tenho pavor da morte! Esse apego é o nosso ego, tentando sobreviver, faz de tudo para que nossa vida seja preservada. O problema também é viver com medo e esquecer-se de aproveitar e contemplar o Agora. Ekhart Tolle fala sobre isso no livro O Poder do Agora, quando diz sobre o resto da natureza não se importar com o passado e o futuro. Animais e plantas vivem o eterno Agora e nós, Humanos, vivemos sempre no passado e no futuro, deprimidos e ansiosos.)

Infinitas possibilidades
Um olho atento vai notar tantos detalhes pra se olhar
(Quando eu comecei a entender mais de física quântica, esse lance de infinitas possibilidades ficou muito mais claro pra mim. De qualquer maneira, antes disso eu já ficava pensando que há muito mais possibilidades do que a gente pensa, as coisas podem ter mais detalhes e ser mais profundos do que parecem. Na mesma época que conheci essa música estava lendo algumas coisas mais filosóficas, e foi quando eu realmente passei a procurar alternativas pra vida – nos detalhes, no que é mais sutil. Foi quando eu comecei a reparar, de forma consciente, nos detalhes, no que está além do visível, no que está além do sensível)

Micromoléculas passaram, vibrando formam tudo o que os olhos podem ver
E tanto os monges tibetanos quanto os físicos quânticos concordam, pode crer
(Foi então que, finalmente, a física fez algum sentido pra mim. Nem sei se é isso, mas fico imaginando: partículas bem pequenas se agrupam em uma conjuntura específica que, ao vibrar, formam tudo que os olhos podem ver – toda essa complexidade que somos, seres orgânicos, somos formado disso, desse padrão: partículas que vibram e formam o que conseguimos ver. Claro que se eu estudasse física mais profundamente eu saberia explicar de forma técnica, mas não acho que é essa a questão. Além disso, como é que eu posso ir contra físicos quânticos e monges tibetanos? Foi uma ótima forma de começar a enxergar o mundo.)

Viu um riacho e mergulhou, rodou a linha do Equador, correu o mundo e se encantou
(Eu me imagino na cena vendo um riacho, mergulhando, viajando o mundo inteiro e ficando embasbacada com a natureza. Isso porque eu já faço isso com a vida, com todas as plantas e animais que eu vejo, com toda a beleza e amor que eu presencio. Fico embasbacada só de me perceber, só de estar consciente.)

Olhou pra dentro ao respirar,
(A primeira coisa que pensei foi: Meditação! Antes, nunca tinha parado pra reparar nessa frase, mas, hoje, só consigo interpretar sendo isso. Um dos mais básicos exercícios de meditação é prestar atenção a respiração e esvaziar a mente. Prestar atenção na respiração é uma forma de aquietar a mente dando uma função bem específica pra ela fazer, que é reparar na respiração. Aos poucos, você consegue não apenas meditar de olhos fechados, mas o praticante de meditação vai sendo alguém mais tranquilo, mais amoroso e aderindo a esse estilo de vida que é prestar atenção na respiração, no que está fazendo no momento, prestar atenção no agora, viver o presente instante, contemplando e respirando devagar, com pensamentos lindos e positivos. Olhar pra dentro é se conectar com uma força superior, seja ela qual for a que a pessoa acredita!)

esqueceu de si pra se encontrar
(Nesse caminho da espiritualidade, descobrimos que existe um serzinho com personalidade – o Ego; e existe um Ser Superior, um Eu Maior, que está apenas encarnado em um avatar, um player do videogame que está numa missão bem específica. O Ego, como chamamos esse serzinho, é muito útil, mas às vezes se esquece que tem uma missão a cumprir, e se envolve com sentimentos negativos. Quando ele diz aqui que o personagem da música “olhou pra dentro ao respirar, esqueceu de si pra se encontrar”, pra mim, o artista se refere a esquecer este ego e se conectar ao Eu Maior. Achei lindo demais quando ouvi em 2008 a primeira vez e sigo achando perfeito demais!)

Sem pressa pra não se atrasar

(Frase curiosa. Um pouco paradoxal. Muito profunda. Como é que você vai se atrasar sem pressa? Bom, essa é a questão. A pressa que a gente tem pra chegar logo, pra fazer logo, pra alcançar uma meta logo, pra ir pra não sei onde logo, tudo… Tudo é pressa e a gente não chega a lugar nenhum. Acredito que seja esse o xis da questão da humanidade. Tanta pressa, a gente não aproveita. Tanta pressa, a gente não contempla.)

Finalizando…

Se você viver tendo em mente de que você está aqui por um motivo, uma razão maior, você vai buscar entender melhor conceitos de que todos somos um, de que há muito mais além do que nossos corpos físicos. A música te faz imaginar, com sua letra e sons, a beleza da natureza, dos ciclos de vida, como tudo vive e está aqui por alguma razão, depois que algo morre segue tendo seu lugar na natureza. Após a morte, ao se espalharem, os corpos voltam a fazer parte do Todo. Além disso, no Universo há infinitas possibilidades e basta um olhar mais atento, mais focado, para que possamos enxergar as oportunidades de realizar nossos sonhos e planos.

O que mais você encontrou aí que pode colaborar com a interpretação dessa música?

Gratidão!