Sou ciclista. Moro em numa cidade que tem bastante ciclovia, mas ando fora dela onde não há. A mobilidade é uma causa minha. Pense em uma bandeira que você levanta e faça a reflexão a partir dela. Veja abordagens possíveis pela causa do respeito no trânsito para com os ciclistas:

1) “Respeito ao ciclista! Todos juntos por um trânsito seguro!”

2) “Contra os desrespeito aos ciclistas! Todos juntos combatendo a violência no trânsito!”

Hoje fui almoçar em casa, de bicicleta. Pedalava numa rua sem ciclovia. Um/a motorista de carro me deu uma das maiores buzinadas que já levei, sendo que a rua era suficientemente grande para que eu, o outro ciclista que estava ali e o carro passassem tranquilamente.

Tendo praticado minha espiritualidade, estou muito mais amorosa e generosa. Tudo que eu senti hoje, quando me recuperei do susto da buzinada, foi compaixão. O que pensei quando meu coração voltou ao normal foi que deve haver alguma razão para essa pessoa ter feito isso e que com certeza ela não sabe o perigo que existe em buzinar para um/a cilista. Percebi também que, infelizmente pra mim, não são todas as pessoas que pensam como eu, que provavelmente @ motorista achou que os ciclistas estavam atrapalhando. Tive a certeza que era de amor o que ele/a precisava.

Eu sei que você deve estar pensnado: “você mandou amor, mas o que vai mudar? @ motorista vai continuar buzinando para @s ciclistas”. E se eu ficasse com raiva e irritada? Ele ia mudar? Eu apenas estragaria minha sexta-feira.

Se é de amor e respeito que precisamos, porque nossas bandeiras são, em sua maioria, baseadas em medo e intolerância? Vamos analisar as duas opções, relembrando:

1) “Respeito ao ciclista! Todos juntos por um trânsito seguro!”

2) “Contra os desrespeito aos ciclistas! Todos juntos combatendo a violência no trânsito!”

A segunda opção dá início de debates infinitos. Somos animais políticos. Queremos vencer. Queremos defender nossos pontos de vistas. Se eu falo para o individuo que buzinou pra mim que ele está cometendo uma violência contra o ciclista, ele simplesmente vai ignorar! Na visão dele, ele não está sendo violento, está apenas no direito dele de usar um item de fábrica do carro dele, e esse pensamento o fará ignorar a mensagem, julgando que ele não é o público-alvo dessa frase. E se insistirem com ele que ele está sendo violento, ele vai brigar.

A primeira frase, no entanto, é positiva e inclusiva. Abrange todas as pessoas e apoia que todas as pessoas devem colaborar por um trânsito seguro. Recebendo essa mensagem, @ motorista se incluiria pensando “também faço parte do trânsito! o que posso fazer para os ciclistas transitarem com mais segurança?” e eventualmente ele/a iria se deparar com a informação de que a rua é de todos, que foi feita para contemplar todos os seres com seu direito de ir e vir! Isso também inclui @s ciclistas, que passam a refletir o que podem fazer para colaborarem com sua própria segurança.

Além disso, se eu defendo essa causa pelo lado negativo, sem amor e tolerância, fico com as mensagens “violência e desrespeito no trânsito” no subconsciente e vejo tudo como uma ameaça. Dessa forma, acabo sendo hostil e me irrito com o motorista do carro que foi injusto, na minha opinião. Fico com medo, raiva e frustração e como, nesse exemplo,  pra mim, o problema está no outro, me dou o direito de ficar com raiva e atacá-lo***.

Solução do problema: educar com amor

Como eu poderia convencer o cara que buzinou fortemente pra mim que ele poderia ter agido de forma diferente para que eu e meu colega desconhecido não nos assustássemos? Educação para o amor, abordando com frases da primeira opção: “Respeito ao ciclista! Todos juntos por um trânsito seguro!”

Na minha opinião, portanto, todas as *causas* deveriam ter abordagens amorosas e generosas, porque não tem quem resista ao amor. Todas as pessoas, a não ser os criminosos sem coração, estão a fim de cooperar pela segurança no trânsito. Com educação, tolerância, amor, generosidade e leveza, todas as causas podem ser debatidas profundamente.

Em conflitos como “quem é o dono da rua”, as pessoas guiadas pelo amor sabem que têm que fazer seu melhor e que os outros também estão tentando dar seu melhor. As pessoas sem amor sempre acham que os outros estão atrapalhando ela, que ninguém tem esse direito – não sabem viver em conjunto. Pedindo que todos façam suas escolhas com amor e respeito, abre-se um caminho para autoconhecimento, como disse antes, “o que posso fazer para ser uma pessoa melhor?’.

Enfim… Muito além de nossas “causas”, pensar e agir sempre no amor, pra mim, é a saída para todos os nossos problemas. O amor é linguagem universal e qualquer coisa que fuja disso dá lugar ao poder, e todos parecem querer ter poder sobre tudo – até mesmo sobre a rua :(

E eu desejo, por fim, bastante amor e humildade por um trânsito seguro!

E porque a Madre Teresa na foto? Ela e outros pensadores que conhecem como as coisas funcionam me ensinaram bastante. Não sei se é exatamente essa a frase, mas finalizo com ela:

madre_teresa_de_nunca_irei_a_uma_manifestacao_contra_a_yymj36

Gratidão!

*** Sobre o direito que nos damos de ter raiva e atacar outras pessoas: Quantas vezes, no seu cotidiano, as pessoas foram injustas e você ficou com raiva e completamente irritad@? Pra você que leu até aqui, um segredo: A frustração que você sente não é com o outro, é com você mesmo. Essa raiva é apenas “projeção”. Se uma pessoa tem medo de algo, como de um acidente de bicicleta na rua por causa de um motorista desavisado, normalmente projeta esse medo no outro e isso causa os sentimentos negativos que provamos quando alguém nos incomoda. Ah, é tão mais fácil culpar o outro pelos nossos problemas! Veja esse vídeo depoisQuando culpamos o outro, paramos de olhar para nossos próprio defeitos. Esse é outro tema bacana, pesquisem sobre lado sombra e projeção!