Mais uma vez, aqui na categoria nova “Catarses” vou falar da minha banda preferida, a Forfun. De acordo com a própria , eles vão romper com a formação atual e, por isso, não teremos coisas novas com essa conjuntura – infelizmente, pra mim, já que gosto bastante de como eles fazem música e expressam seus pensamentos e sentimentos.

Há cerca de 7 anos acompanho o trabalho desses quatro rapazes do Rio de Janeiro. Já fui em pelo menos 15 shows (talvez mais, mas sério, perdi a conta!) em pelo menos 5 cidades (S. Paulo, Santos, Rio, Jundiaí e SBC).

Durante esse tempo todo escuto o mesmo preconceito de muita gente: “Forfun é emo!”, “Forfun é música de mimimi”, “Forfun é História de Verão”.

Não que eu realmente *me importe* com essas críticas, pois sei as razões pelas quais gosto da banda. A única coisa que eu sinto muito mesmo (por essas pessoas) é o fato de elas não conhecerem algumas músicas incríveis que poderiam ajudar na expansão da consciência.

Por isso, tive a ideia de compartilhar 6 (das dezenas) músicas deles que me fizeram e ainda fazem refletir, mas que muita gente ignora porque fica presa a opiniões inflexíveis sobre tudo.

Sempre recomendo, primeiro, conhecer alguma coisa com certa profundidade para, depois, emitir uma opinião. A música #6 tem uma história curiosa que resume a vergonha alheia do preconceito.

A seguir, você confere minhas impressões sobre as músicas Morada, Gruvi Quântico, Cigarras, O Viajante, Eremita Moderno e Siga o Som. Para quem sentir em seu coração a vontade de escutar e se aprofundar, deixei o vídeo junto e um link da letra (que pode conter erros por ser adicionado por usuário). Se, ainda, quiser filosofar sobre elas comigo, estarei por aqui ou pelo Facebook!

Escolhi 6 com bastante dificuldade, apenas para ilustrar. Por acaso, escolhi todas do Polisenso, o meu álbum preferido. No entanto, todos os álbuns são filosóficos.

Vamos em frente:

1. Morada

 

Oficialmente, essa música é do Alegria Compartilhada, mas a primeira dela foi lançada em 2010, entre o lançamento do Polisenso e Alegria Compartilhada. Em meu histórico de músicas, ela está nos dois álbuns + ao vivo.

Se você já ouviu, já sabe que é filosófica. Ela é, praticamente, uma oração. No show, as pessoas costumam se sentar quando escutam as primeiras notas. É lindo! A música é deliciosa e a letra fala de alguns preceitos básicos para que possamos viver em paz, equilíbrio e felicidade. Podem ser consideradas “dicas” ou, se a pessoa já vive isso, uma expressão de um estilo de vida fantástico. As palavras-chave da música são: sentimentos bons, boas intenções, meditação (silêncio), tolerância, não-julgamento, amor, luz, não-possuir e a arte viver o Agora… Além disso, trás o conceito de fazer “parte do Todo” presente também em outras canções. Só ouvindo (ou vendo a letra) pra entender a profundidade:

2. Gruvi Quântico

Essa música incrível foi uma das que me fez prestar atenção na banda. O nome dela já te faz refletir, já que a física quântica é uma disciplina bastante curiosa e polêmica. O “Gruvi” da música é uma delícia, dá vontade de dançar. A letra fala sobre a vida e o dia a dia de quem é perceptiv@. A filosofia está aqui: perceber a vida como algo mais do que ela realmente é, mais do que o dia a dia que te engole, te deprime. A vida é LINDA! “Um mergulho no céu estrelado, banho frio mantém relaxado, olha só o relevo, que montanha linda (…) quando se manifesta a beleza dessa vida”. Entre as palavras de contemplação da vida, uma crítica à sociedade consumista e competitiva:  “embriagados no egoísmo que lhe mata a visão (…) ignorada o fato da existência de outros planos e nos afasta de avanços espirituais”. E, então, em seu refrão, a música transmuta toda carga negativa da crítica e joga pra luz, literalmente: “Luz, preencha todo o meu Ser; me mostra o que podemos ver além do que é material”. Esses trechos são apenas da primeira parte! Vale a pena conhecer, ouvir várias vezes e refletir. Veja o vídeo e leia a letra!

Ah! Uma vez me perguntaram se essa música era de Igreja! Bom… de “Igreja”, que eu saiba, ela não é não, mas espiritualizada, sim, muito, com orgulho!

 

3. Cigarras

Essa é, sem dúvidas, uma das minhas músicas preferidas e merece um Catarse SÓ DELA! Cigarras trata da expansão da consciência, percepção, unicidade (somos todos um) e de Deus. Um Deus totalmente diferente do que o senso comum criou: aquele homem velho que fica nos olhando e julgando o tempo todo, vendo se merecemos ou não ser feliz para, em seguida, nos mandar recompensas ou castigo. A música, na real, fala de Deus como sinônimo de Amor, como todo o Universo, a Criação. No meio da música eles colocaram a fala de Gandhi sobre Deus. Deus é amor, Deus está nas pequenas coisas da vida, na união, no canto da cigarra. “Nem dinheiro nem prazeres vão trazer o que você tá procurando…” Leia a letra, escute a música e tire suas próprias conclusões:

 

4. O Viajante

Essa é a história de um homem (poderia ser de uma mulher, porém quem canta é um cara, então o personagem acaba sendo um rapaz mesmo!) que viaja pelo mundo fazendo descobertas incríveis relacionadas ao autoconhecimento. A viagem, ao meu ver, pode nem ser para o mundo exterior, e sim para seu o mundo interior.

Como uma grande buscadora, acredito, sim, que a viagem física, principalmente se a pessoa está sozinha, oferece muita oportunidade de autoconhecimento (se ela se propõe a isso), mas não pode, de jeito nenhum, ser impedir que cada um encontrar seu caminho.

A lição é: VIAJE NO AUTOCONHECIMENTO! Para isso, recomendo leituras sobre o tema e meditação para viajar internamente. E eu, particularmente, não recomendo uso indiscriminado de drogas com esse objetivo (embora Forfun seja bem legalize).

“Serei sincero com o meu verdadeiro Ser… Quero servir, quero ensinar eu vim pra aprender”. Simples, mas profundo. Confira você mesm@ o resto da letra e veja o vídeo.

5. Eremita Moderno

A primeira música que eu me lembro de ter escutado a música, ficado curiosa e pensado “que po**a eles estão cantando?“.

Essa música faz uma crítica sobre nossos hábitos, culturas e questões sociais. Essa, mesmo sendo uma das minhas músicas preferidas, não tenho tanto pra escrever, porque eu teria que filosofar sobre cada frase, já que é uma reflexão bem completa.

No entanto, o refrão traz uma frase que sempre refleti muito e cheguei a algumas conclusões. A frase é:

“Ao reino da alegria eu me entrego, porque aqui jaz o cadáver do meu ego”.

Tenho lido muito o conceito sobre ego na espiritualidade (que é um pouco diferente do conceito de ego na psicologia), e essa frase me ajudou com a reflexão. Em algum momento pensei: “por que eu tenho que matar meu ego? Ele deve ser útil.” Sim! O ego é útil, caso contrário o Ser Humano não teria sobrevivido há tanto tempo na Terra. O importante, acredito, é usar o ego a nosso favor e não como se fôssemos escravo dele.

O objetivo, provavelmente, da nossa existência, é transcender o ego e só conseguiremos isso expandindo nossa consciência, sendo mais perceptivos e agindo com mais conexão com o Todo. Respeitando, oferecendo amor incondicional, superando nossos desafios com leveza e, claro, procurando cumprir nossa missão direitinho, seguindo nosso coração/intuição. Por isso, gosto dessa frase misturada outra frase, da música “Muitos Amigos“, também deles.

“Ao reino da alegria eu me entrego, porque menos ego-pensante, mais cosmo-consciente”

Com essa adaptação, fica fácil explicar: quando passamos a ser menos “ego-pensante” (identificação ao ego = apego = frustração porque não somos eternos) e passamos a ter consciência do Todo (embora seja um mistério, podemos crer no que a gente quiser), passamos a ser mais felizes, porque entendemos que deve ter algo mais além de uma vida medíocre e passamos a co-criar nossa realidade.

Leia a letra e me conte o que achou das reflexões que a música faz!

6. Siga o Som

Essa múscia está aqui por uma razão muito especial. Uma vez, após o lançamento do Polisenso, ouvi: “eu não gostei das novas músicas do Forfun, eles estão muito ‘mimimi’. Aquela música Siga o Som da Minha Voz está horrível!”, criticou meu amigo. “Não, pera, camarada”, eu disse, não é “siga o som da MINHA voz, e sim da SUA voz”, da sua própria voz – autoconhecimento, seguir seu coração para onde ele te levar, onde você será realmente feliz. Isso muda TUDO!

Essa música fala de atitudes que podemos ter para sermos pessoas melhores, transformando a luz em escuridão e, de novo, o conceito de Todos Somos Um. “Embora o seu conceito não mude, espero que você não me julgue porque eu jamais vou te julgar”

Siga o Som merece ser ouvida com ATENÇÃO e podemos refletir muito sobre ela. Esse é o problema da maioria das letras do Forfun. Se você não presta atenção no que eles estão falando, acaba não gostando, porque, simplesmente, ignora a profundidade dos argumentos. Tudo bem se você não gosta, claro, mas preconceito é #VergonhaAlheia. Pra garantir, escute a música enquanto lê a letra.

https://www.youtube.com/watch?v=n2rvLDB5fPo

O primeiro post da categoria Catarse foi a música Infinitas Possibilidades, do mesmo Polisenso. Também entraria na lista, mas já tinha escrito sobre ela.

Extra. Livro Vidas Veredas

Além de toda essas músicas lindas, Vitor, o “poeta” da banda, escreveu um livro de poesias (Vidas Veredas) lindíssimo, super recomendado. Uma dádiva! Veja aqui.

É isso!

Espero que tenha gostado das minhas indicações. Se você gostou e quiser filosofar, entre em contato comigo! Se você não gostou do post, tudo bem, aceito críticas construtivas sobre meu trabalho e minhas ideias. Se você não gosta do Forfun, tudo bem também, cada um tem uma maneira de enxergar a vida e tenho certeza que a sua maneira também é riquíssima!

Gratidão pela atenção!