Hoje vou no último show na minha cidade de uma banda que eu adoro, a Scracho, porque eles também vão romper com a formação atual da banda :( Por isso, resolvi fazer um Catarse que há semanas está na fila.

A música se chama Tragédia dos Comuns e é uma canção bem simples de ser compreendida sem a necessidade de entender a teoria que está por trás, a tal Teoria da Tragédia dos bens Comuns.

A Teoria de Garrett Hardin (1968)

Atuo profissionalmente em uma ONG que lida com questões socioambientais e uma das várias teorias que usamos para compreender é a própria Tragédia dos Bens Comuns e suas possíveis soluções. Veja esse vídeo esclarecedor:

Como podem ver no vídeo, a Teoria diz respeito a recursos de livre acesso, que todos podem utilizar para seu próprio benefício e todos possuem, de fato, boas razões individuais para usar, incentivos.

Porém, cada um acaba explorando mais e, como nesse contexto, o prejuízo individual é menor comparando com o prejuízo coletivo, o recurso acaba se exaurindo. Como diz o rapaz no vídeo “em outras palavras, seu incentivo individual convida todos a uma ruína geral”.

Ainda que uma pessoa se conscientize que não deveria usar dessa determinada maneira o bem comum e deixe de fazer, outra pessoa menos consciente fará no seu lugar e, com isso, o problema ainda existirá. Como existe benefício individual, acontece o caos.

As soluções oferecidas pelo teórico que sistematizou a Tragédia dos Comuns são duas:

1) propriedade estatal: a parte boa disso é que todos ainda podem compartilhar do recurso, como parques naturais. A parte negativa é que os tomadores de decisão “não recebem os custos de suas decisões” e também não recebem incentivos diretos pelo bem feito –  por exemplo, não recebem aumento de salário, premiação ou reconhecimento.

2) privatização e/ou propriedade privada: essa solução soluciona a questão de que os tomadores de decisão, sendo “donos” do recurso, sofrem tanto com as más decisões como com as boas decisões. Isso quer dizer que a empresa, por exemplo, tem mais valor ou menos valor de acordo com suas decisões e podem lucrar com a inovação e cuidado com o recurso.

Garrett Hardin concluiu, em sua teoria, que não haveria solução para o problema, já que todos iriam explorar o máximo possível do recurso até que ninguém mais possa usá-lo.

Elinor Ostrom vê cooperação como solução para a resolução dos conflitos

Em 2009, a cientista política Elinor Ostrom recebeu o Prêmio Nobel de Economia, sendo a primeira mulher a fazê-lo (orgulho feminino!). O prêmio foi dividido com o economista Oliver Williamson.

“Elinor se especializou em buscar exemplos e analisar pequenas sociedades que, ao invés de competir entre si pelos mesmos recursos naturais até a extinção, aprenderam a cooperar para sobreviver (…) seus trabalhos comprovam que, em muitos casos, sociedades são capazes de prosperar criando alternativas para resolver conflitos de interesse, respeitando o semelhante, garantindo sustentabilidade ambiental, sem necessariamente depender de governos e outras autoridades”, diz o início do vídeo abaixo.

Na entrevista, Elinor diz que talvez exista solução para essa questão, desde que haja confiança e cooperação entre os envolvidos e confirma uma das falas finais do rapaz do vídeo acima acima – que não existe uma solução fechada. O segredo é COOPERAÇÃO!

A música

Apesar da teoria ser bastante complexa, a música do Scracho cita algumas consequências dessa bagunça e, por essa razão, acho ela incrível. Vamos à canção:

Tragédia dos Comuns

Scracho (Mundo a Descobrir, 2011)

Essa é a história mais velha do mundo, mas um fruto coletivo, uma ação em conjunto. Cada presente pode se manifestar, tanto como o o desertor, como aquele a se queixar

A questão é realmente antiga, pois trata de todos os bens comuns da Terra, divididos desde que o Ser Humano se estabeleceu em cidades e começou a superpopulação. No caso do Brasil, o problema se deu a partir de 1.500, após chegada dos Portugueses no País. Todos podem manifestar sua preocupação, desde o desertor (traidor de um partido/religão/causa – palavra mais relacionada com questões militares) até o que se sente prejudicado com a situação.

História essa está estampada no mundo, em notícias de jornal, internet e TV. Todas as pessoas discorrendo sobre o assunto, a situação é negra, mas não sabem bem por quê

Sem dúvida está em toda parte, mas é tão enraizada que poucos de nós paramos para nos perguntar as razões e, consequentemente, as soluções.

E assim caminha o homem o tempo todo, até encontrar o equilíbrio natural. E, sem querer, vai cada um fazendo o seu papel, investindo nessa Torre de Babel

Cada indivíduo vai tentando fazer o que pode, tentando encontrar o seu equilíbrio. Alguns procuram cuidar do bem comum, mas todos, de alguma forma, acabam contribuindo para que a bagunça de prorrogue.

E agora(?) Me abraça forte e esquece o caos lá fora! Por ora, embaixo do nosso pé de romã, me beije sem pensar no amanhã

O que podemos fazer, quando estamos a dois (ou mais), romanticamente falando? Apesar do assunto ter uma grande urgência de entrar em debate, não podemos fazer muitas coisas em nossas casinhas, sozinhos. O refrão, portanto, interpreto como uma saída para a angústia que todos os problemas do mundo. Se a pessoa ignora o caos o tempo todo e contribui para ele, é muito pior. Precisamos, nesse caso, sempre estarmos conscientes das questões sociais que nos envolvem e tentar colaborar para melhorias em todos os lugares. Dito isso, podemos ignorar, enquanto não pudermos fazer nada, aproveitamos os momentos de amor. Acho tudo muito lindo!

Sigo a leitura do que eu vim aqui dizer:Tudo aquilo que é nossos nós tendemos a perder, pois qualquer fonte que pudemos usufruir esbarrou na ineficiência de sabermos dividir. Diziam: “O que que tem se eu faço, se o outro faz mais?”. Inflamando um pensamento que nos trouxe a esse lugar e pensando que não eram os culpados principais deu-se a prolixidade que hoje assola o nosso lar.

É uma versão poética da teoria, muito boa, na minha opinião! E tem um bônus: não há necessidade de entender a teoria em si para entender a crítica!

E assim caminha o homem o tempo todo, até encontrar o equilíbrio natural. Vivendo sem pensar no dia que virá, não vai ter nenhuma história pra contar

Vamos caminhando, usando os bens comuns para nosso benefício sem discernimento até que um dia, de repente… Não vamsi mais ter nada.

(Refrão)

A Babilônia trai, a babilônia trai e o caos lá fora é uma missão de Samurai. Escrachado pelo tempo e pelo jeito de ser, junto os fatos, vou vivendo e não vendo TV, que sintoniza errado a vida dos quadrados, quadros caros derretem, se eu mando um escarro fraco. 

Uma crítica e, dessa vez, não me sinto no direito de interpretar, até porque não sei se a letra está certa, não entende algumas palavras que o cara fala. A única coisa que posso dizer é sobre deixar de ver televisão e ser controlado pelo sistema. Hoje postei sobre o fato de eu não ver televisão há anos (1° dos 6 fatos desse texto) e aqui está um trabalho da faculdade sobre motivos para eu não confiar na mídia.

Peteleco do universo e o castelo desmorona, era de areia e a água entrou pela lona. Conflito Plick-Plack. Relógio Tic-Tac. 

Somos criaturas frágeis, ainda que a Terra seja grande, somos apenas uma poeira no Universo. Precisamos perceber essa nossa fragilidade e começar a cooperar entre os semelhantes, como bem diz Elinor Ostrom.

Velhos problemas no mundo que a gente insiste e combate, esse jogo não dá empate, improviso o xeque-mate. Enquanto originais de araque, vão pintando na zona, eu vou partindo pro ataque, vivo o que me emociona. Eu vou driblando o achaque e o lixo da babilônia. Escape do baque do crack, viva o que você ama…  Se eu tô contigo, gostosona, ninguém corta a minha onda.

Acredito que essa parte tem muito a ver também a com a Teoria dos Jogos, outro conceito que Elinor fala no vídeo acima e que daria outro post só para explicá-lo. A questão é: queremos sempre ganhar, mas nem sempre nosso ganho significa o ganho de todos. Às vezes precisamos cooperar com o outro para minimizar as perdas e maximizar os ganhos; mas, normalmente, quem tem mais dinheiro, fica com todo bônus e quem tem menos fica com o ônus.

Minha conclusão sobre a interpretação da MÚSICA: enfrente o sistema; Viva o que você ama. Ame!!

Gosto de Scracho quase tanto como gosto do Forfun, banda que já fiz dois ‘Catarses’ (Infinitas Possibilidades e 6 músicas). Espero que tenham gostado e voltem sempre. Gratidão!