Estou me preparando para escrever mais textos, mas enquanto isso, vou fazendo mais posts da categoria Catarses. Hoje, mais uma vez, vou falar sobre uma música do Forfun.

Essa música, A Vida Me Chamou, é do último álbum deles (Nu) e me tocou muito profundamente. Ela é relativamente simples, com duas estrofes e um refrão, mas diz muito sobre minhas ideias sobre a vida.

Vamos lá:

A Vida Me Chamou – Forfun

A Vida me chamou, eu vim
Avisa que eu só vou no fim

(Na maioria das linhas espirituais que já vi, nós estamos nessa vida por alguma razão bem específica, para cumprir uma missão. Quando escuto isso, ‘a vida me chamou’, é exatamente isso que me passa pela cabeça. Por isso, por mais óbvio que pareça a frase “avisa que eu só vou no fim”, para mim é muito mais profundo, porque eu interpreto como uma pessoa bem decidida e batalhadora a que está falando isso, que não vai desistir no meio do caminho, que vai seguir até o fim de cabeça erguida. Além disso, não é apenas seguir vivo, mas viver de verdade. Abraçar os desafios, assumir a responsabilidade pelas próprias atitudes, não se fazer de vítima e tentar ser, como diz um cara que eu adoro, a melhor versão de si mesm@. Para isso, um trabalho de autoconhecimento é extremamente essencial.)

Vamo lá, ahora estamos acá
Solto que nem flecha de índio sem cocar
(Fiz uma pequena pesquisa e a primeira coisa que me veio é uma frase de Saulo Cunha, “Um índio sem cocar, ou até mesmo sem penas, é um índio em aprendizado”. O cocar simboliza os atos de coragem do índio e, por essa razão, a frase anterior fez mais sentido. No filme Dança com Lobos, o protagonista recebe uma pena depois de um ato heróico, por exemplo. Ou seja, essa frase sugere que o caminho está sendo construído, ainda, como aprendizes. )

Seguindo nessa trilha íngreme e sem retorno
(A trilha íngreme, para mim, significa que é difícil; cansa, mas não dá pra simplesmente parar de brincar, ainda mais levando em consideração que a pessoa em questão já disse que “só vou no fim”)

Tentando entender o que se passa no entorno
(Essa frase é autoexplicativa, mas que merece atenção no seguinte aspecto: entender o que acontece ao nosso redor não é simplesmente receber informações dos outros, professores, televisão [e outras mídias] e julgar que já sabe tudo. Não! Pra mim, isso significa que precisamos ir atrás da verdade, da nossa verdade, estudar, ler, procurar entender a raiz das coisas, dos conflitos, dos problemas sociais, políticos, econômicos, religiosos. Não apenas ficar na superfície, mas estar sempre imerso nos assuntos que a pessoa escolhe tentar compreender. Não podemos saber tudo sobre tudo, mas precisamos ir fundo no que queremos formar opinião. Além disso, todas essas informações despertam uma sabedoria interior que todos possuem, mas, por conta das distrações, esquecemos de prestar atenção. Como lidamos com situações exteriores, pra mim, é como lidamos com nós mesmos.)

Correndo atrás do ganha pão diário
Da certidão de nascimento ao obituário
(A luta diária, mesmo para quem não trabalha, é constante. Estamos sempre correndo atrás de nossa sobrevivência. Vejo a vida como um joguinho de vídeo game, que o mais importante é manter-se no jogo, sobrevivendo, e quando há estabilidade, podemos começar a evoluir para outros níveis. Por essa razão, consigo entender porque nem todas as pessoas pensam e age igual, porque cada uma tem uma interpretação do que é sobrevivência. Se alguém está muito apegado ao ego, sua identidade nessa encarnação, fica mais difícil de “passar de nivel”, porque a sobrevivência, para essa pessoa, pode significar outras coisas.)

Faz de qualquer parte da Terra seu santuário
(Um santuário é um lugar sagrado, e não precisamos, necessariamente, de um lugar estabelecido por outras pessoas para isso. Nosso próprio corpo é um lugar sagrado, nossa casa e a natureza. Sempre ouvi dos meus pais, quando eu queria mudar de cidade e morar no litoral que não adiantava fugir de um lugar confuso, se internamente a confusão permanece. Eles estavam certos. No meu caso, quando morei em cidades mais tranquilas, eu tinha muito mais oportunidade de me conectar comigo mesma, enquanto morando na cidade de São Paulo eu sentia muita dificuldade. Alguns anos depois, me sinto bem preparada para, se houver necessidade, morar novamente numa cidade grande. Prefiro não, mas já aprendi fazer de qualquer parte da Terra meu santuário. Uma frase linda de um livro do Osho, fala exatamente sobre isso: “o único espaço sagrado no seu verdadeiro sentido é a privacidade de uma pessoa, sua identidade, seu ser”. Se internamente encontramos esse lugar sagrado, podemos estar no meio de um caos que estaremos em paz.)

Mais de sete bilhões nadando no mesmo aquário
(Somos todos parte de uma coisa só, estamos no mesmo barco, somos um. Nossa separação é, pra mim, ilusão. Tanta sincronicidade, tantas conexões… Não consigo pensar que somos separados. Somos indivíduos, claro, mas “da mesma fábrica” que o universo. O ar, que num aquário seria a água, nos conecta. Temos a ilusão, na minha opinião, que o ar é nada, mas o ar não é nada, é tudo.)

Por favor, desculpa, obrigado, eu te amo
Essa é a premissa básica do ser humano vivo
Senso cooperativo
Que entende que o sentido tá todo no coletivo
(Eu amo essa parte! Me faz lembrar de um processo chamado Ho’oponopono. É uma técnica relativamente simples que consiste na repetição das palavras “Sinto muito, me perdoe. Eu te amo. Gratidão;” ou algo assim. Eu prefiro o Por favor, me perdoe. Sou grata! Eu te amo! Vi esse processo no livro O Poder do Coração e eu amei. Sempre que estou ansiosa, chateada ou com algum outro sentimento ruim recito mentalmente essas palavras, tanto referente a outras pessoas como referentes a mim mesma. Acredito muito que essa tinha que ser, sim, uma premissa de todos. Praticar isso mostra humildade, gratidão, amor incondicional, compaixão… esses conceitos muito espiritualizados estão em quase todas as doutrinas, religiões e filosofias, mas esquecemos de uma coisa básica: praticar o não julgamento, porque embora a gente tenha a convicção de que esses conceitos fariam todos mais felizes, cada um deve escolher como quer levar a vida. As vezes, algumas pessoas não estão preparadas para transcender nem um pouco, e isso não as faz pior de quem está disposto a trabalhar isso, a pessoa está apenas vivendo do modo que ela escolher. O papel de quem pratica essas coisas é compartilhar o que faz pra ser mais feliz e, talvez, servir de incentivo para que outras pessoas tentem praticar também, se tocar o coração de alguém. A cooperação está em quem não quer competir, porque sabe que cada um procura fazer o seu melhor, sempre, com o que tem de bagagem. O sentido do coletivo é, pra mim, a ideia de que todos somos um, de novo, e que precisamos nos doar, servir, colaborar e aprender com os outros.)

Por isso eu sempre tô com a minha rapeize
Fazendo um som, queimando um base
(As vibrações mais elevadas estão na alegria, na gratidão, na risada sincera, na diversão – a melhor forma de fazer isso é se reunir com quem vibra na mesma frequência que nós, nossos amigos e amantes! Nem entrarei no mérito do baseado, porque cada um deve procurar sua maneira de elevar sua frequência e, fazendo tudo com consciência, pela busca e não pela fuga, todos possuem o direito de ser livres para elevar sua frequência.)

Get up, stand up y arriba
Cause you know it’s all about the vibra
Cause you know it’s all about the vibra
Don’t you know it’s all about the vibra?
(Apenas conclui o que eu disse: tudo é vibração, a frequência que estamos vibrando. Acho que cada um deve procurar o que faz feliz e seguir o coração com a intenção de elevar a frequência. Ainda eles fazem uma pergunta, então, sempre parto dessa questão quando eu vou pensão nisso: “você sabia que tudo é sobre a vibração?”. Física quântica explica para os mais céticos,  espiritualidade explica para os menos!)

A Vida me chamou e eu vim
Avisa que eu só vou no fim
( \●/ )

E vim determinado, imaculado, imantado
Pra pagar e cometer pecado
(Eu amo essa parte. Determinação para viver os desafios que vierem, incluindo assumir responsabilidade por todas as escolhas; imaculado no sentido de que todos são puros, não existe o bom e mau absolutos e, quando uma pessoa faz as coisas com consciência e sabendo que tudo são escolhas, sem se fazer de vítima, as escolhas são pro bem. Imantado é muito usado em religiões como Umbanda para indicar algo ou alguém magnetizado com energias positivas, seguro, protegido por forças astrais. E como estamos na vida pra errar e aprender, interpreto exatamente a frase de O Viajante “quero servir, quero ensinar, eu vim pra aprender”)

Ardendo e salivando, vim correndo e sangrando
Eu estou nu
E como sou macaco, às vezes meto o pé na lama
Eu vomito, eu rasgo a carne
Me exorciso, eu vivo o drama
Eu estou nu

(Acho extremamente intensa essa parte e me identifiquei porque sempre fui bem intensa. Todos os dias, sinto que aprendo muito, me jogo, passo perrengue, me arrisco, vivo meus processos, racionalizo minhas emoções e, no fim do dia, aprendo muito. Estar “nu”, é se abrir, estar vulnerável, mostrar suas fraquezas também, não apenas as forças. É ser inteiro, mergulhar em si, no autoconhecimento.)

A Vida me chamou e eu vim
Avisa que eu só vou no fim
(\●/)

Essa música é muito foda, desperta muita coisa que já existe dentro de mim e me faz perceber que não sou louca, que existem pessoas que pensam assim como eu.

Como sempre digo, essa é a minha interpretação, adoraria ler mais pontos de vistas :)

Gratidão pela leitura,

Sejamos felizes 😀

Quadro que fica no meu altar,  pra lembrar das premissas básicas do ser humano vivo :)

Quadro que fica no meu altar, pra lembrar das premissas básicas do ser humano vivo, a vida me chamou :)