Fiquei muito feliz que o post das 6 músicas filosóficas teve uma repercussão linda no grupo Forfunáticos do Facebook. Um dos comentários foi pedindo pra analisar a música Cósmica, e outra pessoa comentou que não ia ler porque não tinha Cósmica. Então, aqui vai. Essa é uma das minhas músicas preferidas também. Amo muito, mesmo.

Essa é uma música MUITO filosófica, que daria pra falar muito mais coisa. Cada palavra escolhida está cheia de significados e dá pra conversar por horas sobre cada uma delas. Faço meu melhor abaixo, mas se eu esquecer de algo, não hesite em complementar.

Cósmica – Forfun

Cósmica
Eletromagnética

(Cósmica faz referência a tudo que tem a ver com o universo, da natureza. Eletromagnética faz referência a tudo que faz interação com campos eletros e magnéticos. As primeiras duas palavras dessa música já indicam que os caras estão falando sobre energias mais sutis, menos perceptivas a olho nu. Por estar no feminino, tenho a impressão de que eles estão falando de uma força feminina, como a Mãe Terra, ou alguma Deusa. Ou a própria Cósmica. No entanto, fica bem aberto para interpretações.)

Distribui sorrisos
Canaliza positivos ventos
Por onde passa

(Ah, essa parte é tão eu! Não que eu seja assim o tempo todo, mas é a frequência que tenho a intenção de manter. Distribuir sorrisos verdadeiros, ainda que a situação da vida não seja a melhor. Canalizar ventos positivos por onde passa é, na minha interpretação, vibrar nessa energia que a música bem explica e contagiar as pessoas ao redor com essa energia.)

Quântica, calma e dialética

(Quântica faz referência, na minha interpretação, ao campo de infinitas possibilidades, às energias sutis e às realidades paralelas que podem ser manifestadas de acordo com nossa vibração. A palavra dialética tem diversos significados, e ela é bem usada para indicar um discurso bom, de convencimento. Nesse caso, no entanto, achei mais a definição inicial da Wikipédia mesmo, que “é um método de diálogo cujo foco é a contraposição e contradição de ideias que levam a outras ideias e que tem sido um tema central na filosofia ocidental e oriental desde os tempos antigos. A tradução literal de dialética significa ‘caminho entre as ideias'”)

Ela olhou ele nos olhos
E virando o rosto ao vento que soprava

(Essa parte eu sempre imagino uma cena de um filme romântico alternativo, cheio de luz e amor.)

Em silêncio disse o que lhes era essencial

(Um olhar, um toque, uma vida de companheirismo valem muito mais que mil palavras. Em silêncio pode-se dizer muito mais do que se ficar falando o tempo todo.)

Beijando-o com a força de um amor atemporal

(Quando conhecemos o amor verdadeiro, incondicional, ele não tem data de validade. Algumas vezes encontramos pessoas que nos dão a impressão de que conhecemos há tempos. Esse é o amor atemporal, que vai com as almas)

Tântrica, natural e mágica
O sutil e o corpóreo

(Tântrica faz referência à prática hindu, que eu resumo como uma conexão intensa do corpo, mente e do espírito. É um tipo de meditação. Natural e mágica, como a vida é. O sutil, que são as coisas que não podemos perceber se não pararmos para notar, o metafísico; o corpóreo é o oposto, o físico, o que podemos ver.)

No eterno e transitório
Instante que se passava

(O AGORA é tudo que temos. Ele é eterno, porque só existe o AGORA, ontem foi agora, amanhã será agora também. É transitório porque a natureza é dinâmica e tudo que sabemos é que tudo passará.)

Em meio ao caos sublime da explosão sensorial
Surgiu a consciência de um amor impessoal

(Essa parte eu sempre imagino um orgasmo, que seria essa explosão sensorial, mas também pode ser qualquer momento em que vivemos intensamente de forma a ter êxtases. Esses momentos transcendentais, se bem aproveitados, nos ajuda a expandir a consciência e, dependendo do nível de consciência, quando o ego já está bastante dissolvido, conseguimos entender o que é esse amor impessoal: o amor por toda a criação, todo Universo. Não é amar uma pessoa específica, mas amar tudo e a todos. Não é amar por um momento, por uma condição, por um motivo. É amar intensamente, verdadeiramente. Quem conhece o amor verdadeiro, sabe que não se escolhe amar alguém, se ama e ponto. Todos os seres são dignos de amor para quem ama de verdade.)

Celebrando a vida e a infinita dança universal
Ela envolve a todos a envolvem
Encontrando a vida ao deixar fluir o curso natural

(Essa parte eu sempre imagino uma verdadeira festa cósmica, onde os espíritos humanoides e não humanoides se encontram no nascer e no morrer, na transição de todas as fases de toda criação. Imagino o universo cheio de energia da vida. Além disso, deixar fluir o curso natural é muito Taoista, filosofia milenar chinesa que me encantei ao ler o livro do Osho – Tao, super recomendado).

Acho que essa música é uma estória, não quer passar uma mensagem específica. Eles cantam sobre essa energia, sobre o universo, sobre a alegria de viver e a natureza. Para expansão da consciência, sugiro que busque entender essas palavras e expressões da música, porque se aprofundar nesses conceitos me ajudou muito no que vivo hoje.

E é isso o que eu penso sobre a música Cósmica.

Espero que a Júlia, a Mari e o Wallyson e tenham gostado, e não hesitem em abrir um diálogo sobre isso, porque é tudo tão complexo, tão lindo e tão profundo que só uma pessoa falando é muito pouco!

Gratidão! Sejamos felizes!

Atualização 12/11:

Hoje perguntaram no grupo Forfunáticos sobre a interpretação da música. Li umas respostas muito legais:

1) Sobre essa música ser sobre sexo: Pode ser uma interpretação. No caso da minha análise, eu prefiro pensar em cada parte de forma separada, para tirar o maior número de ensinamentos possível. Eu mesma falei de sexo na minha interpretação, mas sinceramente não consigo me limitar ao contato físico. Acredito que a interpretação vai muito da bagagem cultural de cada um. No meu caso, como respondi para a pessoa que comentou abaixo, “minha interpretação realmente transcende o sexo, indo para uma prática tântrica mais holística, que inclui o sexo, mas não se limita a ele”. E talvez fique mais claro sobre a forma que eu interpreto, que eu peguei desse site:

“O Tantra é um caminho que começa e termina com você, lhe dando “ferramentas” para que você atinja um novo estado de consciência. Um sentimento libertador de estar apaixonado por si mesmo, e à abertura ao amor incondicional pelos outros porque você vai entender e sentir o que é realmente a força da vida. O tantra nos liberta das ilusões, permitindo com que você saiba quem realmente é, saindo da dualidade em direção a Unidade! (…) E o sexo tântrico, onde entra nestes estudos e práticas? Eles começam da mesma maneira, pois sexo tântrico não está separado do Tantra, ele é Tantra. O que vai acontecer se você se prender somente às técnicas sexuais? Provavelmente você irá dominar muitas habilidades sexuais, e só.”

No entanto, uma moça comentou lá no grupo:

“Tem uma página que explica exatamente de acordo com as teorias hinduístas, onde todos os termos utilizados são os mesmos da música. Falam que é a dança universal, que deve ser mágica por ser um processo natural, que tem q ter olho no olho, e a explosão sensorial é quando atinge os finalmentes, e nesse momento o amor dos Deuses deve se espalhar entre as duas pessoas… “. Nathalia Felix.

Achei perfeito. Se eu encontrar algo dessas referências eu posto aqui. Por outro lado, ainda me mantenho na interpretação mais holística, que vai além do sexo, passando por ele, claro :)

2) Esse comentário eu adorei e me parece bem oportuno:

“Quando ouço a música rapidamente lembro-me da música “Cósmica” de Baby Consuelo, que fez parte do grupo Novos Baianos. Observo um forte elo existente no conteúdo delas, demonstrando foco no amor. Recentemente, fiz uma rápida leitura da obra “O Banquete” de Platão, que basicamente é uma série de discursos sobre a natureza e as qualidades do amor, encontrando também um forte vínculo entre as duas músicas e o livro. Principalmente, no discurso de um dos personagens da obra, o Médico Erixímaco que ratifica e retifica (acredito que seria o “Mutatis Mutandis”, fazendo um link com Tropicália Digital), concomitantemente, um discurso feito por Pausânias, sendo que este explicou a questão da duplicidade do amor, Urânia (Celestial) e a Pandêmia (pan = todos e demos = povos), e aquele tratou de expandi-lo ao cosmo, trazendo esta questão da universalização do amor, ou seja, o amor está em todas as coisas. A questão da filosofia comportamental tântrica também é bastante interessante, pois nos remete ao “Habeas Corpus” da prisão carnal, parodiando uma passagem de “Stoked”.” de Gabriel Mattos

 

Letra:

http://www.vagalume.com.br/baby-do-brasil/cosmica.html

 

3) Outro comentário: “No círculo mágico tudo fluiu naturalmente!! Corpo, alma, fogo e mente tudo em plena combustão. Surge a união do amor pelo amor, abdicando da matéria. Um amor que ultrapassa o tempo, e se converte em um sentimento atemporal, que une todas as coisas em um só ciclo. -Cósmica!” Deise F. Cerqueira <3