Com meu histórico de trabalhos sociais, fico bastante inquieta quando, nas comunidades espirituais, pouca gente fala sobre questões sociais, como se fossem tabu. A princípio, compreendo que a espiritualidade, por ser algo individual, tem uma abordagem para evolução pessoal. Porém, a sociedade é feita de grupos de pessoas e, por isso, proponho aqui um debate sobre questões sociais e políticas, no paradigma do amor.

Dia 8 de março é dia da luta pela igualdade e liberdade da mulher – e eu não poderia deixar de falar sobre isso.

nada contra, achei fofo

nada contra, achei fofo

Recebi muitas mensagens de “feliz dia da mulher” em grupos (graças as Deusas, nenhuma marcação de homens x) e, mesmo problematizando nas redes sociais, procurei agir mais pelo espírito do que pelo ego e procurei lições em quaisquer “provocações” que posso ter atraído para meu dia, com gratidão.

Então meditei sobre tudo que ando passando e deu nisso aqui, um manifesto sobre a importância da problematização de questões sociais para mudança, mesmo na comunidade espiritual.

Eu sou mulher e hoje, dia oito de março, venho pedir, “por gentileza” (se não ☆☆sou radical☆☆), alguns de meus direitos.

Eu só quero andar na rua sozinha sem que me assediem. Quero ter certeza que minhas manas vão voltar seguras para casa mesmo de shortinho (porque aqui tá quente pra porra) e que minhas sobrinhas não sejam objetificadas na rua só por existirem. Quero que a moça da loja não seja espancada pelo marido e que minha amiga engenheira seja reconhecida pela genialidade dela. E, pra fechar a lista de hoje, quero muito que a menina da favela possa fazer um aborto seguro se ela precisar/desejar fazer.

Só pra começar.

Mas, vocês devem estar pensando: “esse post foi escrito depois de meditar e você está exercitando energia negativa? Você tá fazendo alguma coisa errada”.

Não. Até Osho falava de opressão. Eckhart Tolle também fala do sofrimento feminino.

Jesus também.

Todos iluminados  (e Jesus salvador, de acordo com algumas pessoas,  vai saber, não duvido de nada ♡)

Isso só quer dizer que

♡♡♡ é preciso problematizar ♡♡♡

Já problematizamos o tempo todo, na verdade. Problematizamos o que a mídia propõe, porque não problematizar o que uma cidadã comum propõe, por exemplo? Só porque estou falando de feminismo? Podemos ter cada um sua luta pessoal, sempre conscientes e não manipulados por alguém ou algo. Isso é importante.

Precisamos problematizar seguindo nossos corações.

É possível meditar e problematizar essas e outras questões, mas não mais com nosso ego.

Podemos fazer isso TAMBÉM pelo espírito.

Mais uma vez:

PODEMOS PROBLEMATIZAR PELO ESPÍRITO!

Temos feito isso com ego há tanto tempo, estamos craques. Pode ser que eu esteja fazendo de forma errada, mas posso aprender se você me ajudar, e vice versa.

Podemos problematizar com o espírito, cada um fazendo sua parte, como funciona pra si e compartilhando para ajudar os irmãos e irmãs, se sentir esse chamado.

Porque agora está na hora de problematizar isso com nosso coração. Isso é estar enraizado, é estar conectado com a Gaia: fazer escolhas em prol das comunidades de seres vivos nesse lugar. Uma grande família. Estamos todos vivos: nós, animais, plantas, pedras, águas, tudo coisa viva e coisa morta, na verdade… tá tudo vivo!

Para expandirmos nossa consciência, podemos ter empatia e nos visualizar, literalmente, no lugar do outro ser, e decidir colaborar para que aquele sofrimento específico não aconteça mais e fazer de tudo para isso se tornar hábito nas nossas vidas.

Muitas vezes não conseguimos salvar o mundo, mas podemos ajudar quem está ao nosso redor, empoderando quem está ao nosso redor, ajudando na cura das feridas ao oferecer um colo, ajudando no desenvolvimento pessoal, espiritual e profissional dessa pessoa.

Como? Precisamos problematizar cada questão com amor.

Se há uma mulher sendo estuprada nesse momento, é essencial que todos paremos e olhemos para esse drama. Enquanto uma pessoa não tiver água para beber, todos nós devíamos nos mobilizar para fazer com que todos tenham água.

Como não podemos salvar o mundo sozinhos, então se cada um problematizar pela causa que sente mais empatia, juntos, finalmente, poderíamos fazer diferença no mundo.

Basta que todos, incluindo os que parecem estar excluídos, também se juntarem. São sete bilhões de pessoas, gente.

Basta usar UMA DATA para ser UM PONTA PÉ na luta.

Hoje foi o dia da luta da mulher, mas se você for simplesmente uma pessoa com todos os privilégios possíveis, lute ativamente por uma causa que tenha empatia. Sei lá, lute. Problematize.

Eu comecei a problematizar pra valer a pobreza trabalhando na ONG Teto, época da minha vida que ocorreu um grande despertar para a realidade. Não só vi a verdade da miséria material, mas a abundância espiritual.

E hoje estou problematizando o machismo e propondo o feminismo como EU enxergo, com mais consciência e no paradigma do amor.

Problematizar é diferente de exercitar energia negativa, pois assim podemos nos comunicar e chegar a consensos, como temos feito durante centenas de anos.

A diferença é que agora estamos problematizando com o coração, com Amor Incondicional. Não é mais com a luta do ego.

Eu sei que problematizar com as palavras fortes como

Opressão
Assédio
Shortinho
Espancada
Aborto

podem “emanar” alguma “energia ruim” – falando em co-criação e vibração. Pode ser que sim, mas pode ser que não, depende da nossa intenção e do significado que damos a uma coisa. Se a gente desconstruir os tabus e reconhecermos a importância de falarmos em aborto e outros temas, podemos problematizar e propor soluções com o coração no coletivo. Afinal, para qu estariamos encarnados na Terra, se não para colaborar com a elevação da energia dessa realidade física?

Posso ser mais uma feminista falando de “fatos terríveis que acontecem todos os dias”. Ou posso ser uma trabalhadora da luz que quer defender direitos sociais, sejam eles quais forem.

Como atualmente só sou protagonista da luta das mulheres, hoje, por exemplo, fiz minha parte para o coletivo. Fiz muitas sessões de thetahealing em mim e uma delas foi me conectar com o sofrimento do coletivo feminino do campo em que eu estava (um ônibus). Senti a dor desse campo e me visualizei emandando luz para a situação. Luz, amor incondicional, compaixão…

Imaginei muitos thetahealers fazendo o mesmo e pensei que seria por isso meu interesse em problematizar, para encontrar uma solução. Já que problematizei sozinha, encontrei minha solitária solução, e foi bem eficaz (♡♡♡), além de que sei que outras terapeutas também fazem frequentemente isso, o que ajuda na egrégora.

Emanei luz para qualquer situação de opressão feminina que havia ali. Está tudo relacionado a intenção.

Então, entenderam que não sou mídia sensacionalista apenas porque eu problematizo?
Eu só estou, assim como todas nós, expondo o que já acontece na sociedade e propondo um olhar mais amoroso.

Estou há tempos tentando falar isso, mas hoje finalmente consegui.

No dia da mulher, a luta pelos direitos das mulheres segue mais pulsante do que nunca em mim.

Por um lado espiritual, de cocriação, será que nosso coletivo atraiu o que carrega? Sim, talvez, mas já que o antepassado de todos está atrelado, quem sabe todos nós nos unimos para eliminar essas crenças? Todos nós somos netas e netos de bruxas, que foram queimadas vivas por simplesmente serem sábias.

Já disse antes que nem todas minhas manas possuem paz de espírito para alcançarem a vibração de gratidão e amor, atraindo as pessoas certas, as situações certas. Mas também sei que a consciência pode vir da difusão desse conceito, pois quanto mais mulheres tiverem acesso a informações que será útil para a pessoa ficar emocionalmente estável, melhor. Quanto mais poder as mulheres tiverem, melhor. Isso que a problematização propõe: fazer as mulheres receberem a informação de que não precisam ser oprimidas, basta iniciar uma busca por paz inteiror que pode significar, inclusive, o despertar de muitas delas.

Infelizmente, há pessoas que ACHAM que não ganham nada com o feminismo, querem difundir que o feminismo é uma “onda do mau”, que quer “oprimir os homens”. Justo, cada um crê no que quer – mas resistir é pior, o machismo já não é politicamente correto.

Ainda assim, estou em busca de permanecer no “feeling place” da seguinte afirmação:

Eu agradeço a oportunidade de ser mulher e ter grande liberdade e segurança. Agradeço as conquistas de minhas ancestrais. Sou grata por haver igualdade e respeito, e por todos os gêneros serem vistos iguais perante a todos, além de a sociedade incentivar cada indivíduo a florescer o gênero que deseja.

Agradeço por todos os homens nos respeitarem como merecemos, sendo seres humanos e seres infinitos sem gênero, mais genericamente falando: sem ego. Seres de luz.

Seria lindo, foco nesse feeling place.

Voltando ao tempo presente, desse mesmo lugar-sentimento, com amor e gratidão, exercito a compaixão e sei que nem todas as mulheres são iluminadas e sabem o que fazer sobre seu medo. Eu não canso de falar sobre isso. Não são todas que estão conectadas com o amor incondicional e simplesmente ignoram que isso pode ser fundamental – reagem, e não respondem com consciência a esses medos.

Eu mesma, sou dessas. Ainda não me iluminei.

Um dia, espero poder ver como Gabi, todas as mulheres consigam simplesmente ignorar cantadas e prepotência masculina. Um dia, quem sabe, todas as mulheres saibam escolher seus companheirxs. Mas até esse dia chegar, podemos educar nossas crianças a respeitar e libertar as mulheres.

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Deveria ser algo natural do “homem civilizado”, do “homem consciente de seus hormônios em desequilíbrio”.

Deveriam, os homens, aprender a não assobiar para a garota na rua ou não persegui-la de carro, assim como aprendemos a não matar uma pessoa na TPM. Questão de cultura, aprendizado.

Sabemos que homens possuem “aquele instinto”, por conta da testosterona descontrolada que faz “não conseguir ver um rabo de saia”, mas nós, mulheres, somos forçadas a tentar lidar com isso durante nossa vida inteira, todo mês, tenho certeza que podem também segurar seus hormônios e parar de assediar.

Vocês conseguem, basta problematizarmos no espírito. Praticar a empatia.

As regras já existem, basta quererem entrar no jogo. Todos somos do mesmo time.

O caminho que EU escolhi, foi me conectar com a energia do meu divino, meditando e praticando preceitos como não-julgamento, compaixão, desapego…

Quando me conecto com meu Sagrado Feminino, há uma cura intensa, encontro formas de honrar meus hormônios e natureza, sem precisar passar por esse período projetando nossas sombras nos outros.

Nem todos concordam com o que eu falei até aqui. Nem todas concordam com a ideia do feminismo. E tudo bem.

Só estou fazendo meu manifesto do dia da mulher, finalizando trinta minutos antes de dar meia noite.

Quem sabe um dia podemos viver nessa utopia sem brigas de gêneros e classes.

♡♡♡♡

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