Gratidão a minha mãe que, há 7 anos, mesmo sabendo que íamos chorar e ficar com olhos inchados e soluçando, aceitou conversar comigo sobre minha irmã que pouco conheci e que por não ter o mesmo pai que eu, fez nossos destinos tão diferentes.

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Em 1970, minha mãe, Lindaura Pagliuca, tinha apenas 19 anos quando se casou e virou Tedd. Engravidou e dia 5 de agosto do ano seguinte nasceu Christiane Tedd, de parto normal, minha primeira de sete irmãos. No ano que teve minha irmã, minha mãe fazia apenas o primeiro ano do colegial.

Infância

Tudo começou errado, de acordo com a minha mãe que diz: “A Chris não foi amamentada porque eu não tinha leite e ninguém insistiu, não tinha maturidade pra saber que era a coisa certa a fazer, como eu fiz com vocês”.
Chris foi criada em São Paulo, embaixo do Minhocão, com a poluição dos anos 70, brincou e aprendeu a andar no Parque da Água Branca, em Perdizes. Todos a mimavam muito, meu tio Néo, que se chama Flávio, e minha avó sempre faziam tudo por ela. Minha mãe aproveitou bastante enquanto Chris era filha única, e lembrou emocionada: “Mesmo sendo muito nova, eu a curtia bastante”.

Um ano e meio depois, nasceu meu segundo irmão, Alexandre. Minha irmã não teve muito ciúme, além de ser muito pequena, minha mãe a preparou bastante, dizendo que vinha um novo neném e pedia ajuda a ela. “Ela sempre gostou muito do Alê, era tipo mãezinha dele”, comentou.

Aos dois anos e meio, Chris começou a frequentar a escola, minha mãe fazia o curso Normal, a formação de professores, e não queria deixá-la o dia inteiro com a empregada. Meu irmão era tão apegado a minha irmã que mesmo não aceitando crianças muito pequenas na escola que frequentava, tiveram que abrir uma exceção porque ele chorava muito quando a Chris saía para ir pra escola.

Os pais saiam muito, minha mãe não gostava muito disso e revelou: “ele era muito estranho, gostava de sair muito, tínhamos que levá-la no cestinho ou deixar com a Vó Silvia”, a maioria dos finais de ano, ela passava longe das crianças e aquilo não fazia bem pra ela, isso durou muitos anos.

Todos os primeiros dias de férias, minha mãe pegava o carro e as crianças e as levava para o interior, ela se lembrou emocionada: “Um deitado atrás e outro deitado no meu colo, eles adoravam. Éramos muito unidos, acho que é por isso que até hoje o Alê é apegado a mim. O pai das crianças é bem mais velho, então não tinha muita paciência com elas. Éramos só nós três.”

Com seis anos e meio, Chris foi estudar no Colégio Rio Branco, em Higienópolis, e a diretora a colocou na primeira série, quando as crianças entram com 7 anos, e esse seis meses de atraso fez toda diferença, minha mãe me falou: “Ela era muito novinha e ficava andando pela classe, a professora me chamava pra conversar e quando me dizia o que estava contecendo, eu não podia fazer nada”.

Logo que fez sete anos teve catapora hemorrágica, ficou uma semana internada no hospital e perdeu um mês de aula, se ela já estava atrasada e não conseguia acompanhar, perdeu mais ainda, Minha mãe precisou ajudar para tentar recuperar: “Eu que praticamente a alfabetizei, eu ficava a manhã inteira estudando com ela para a tarde poder acompanhar na escola, à tarde”, me contou.

Sua carreira artística começou com sete anos com o balé. No ano seguinte, com oito, começou a manifestar a vontade de ser atriz. Fez a primeira peça, “Pássaro de Fogo”, como papel principal. Minha mãe me disse: “Ela descobriu o que ela queria e o que ela adorava”.

Separação dos pais, um padrastro e novos irmãos

Minha mãe se separou de seu primeiro marido quando minha irmã tinha 10 anos e meio. Ela até que aceitou bem a separação dos pais, achou até melhor. Quem não aceitou muito na época foi meu irmão Alê, mas as crianças eram muito pequenos para a Chris tentar convencê-lo de alguma coisa, ele sempre foi bem mais revoltado, minha mãe falou: “Ele me deu trabalho, mas ela era tranquila, não me dava nenhum.”

No ano seguinte foi para a quinta série e minha mãe ainda lembra: “O primeiro semestre foi terrível. Para ela era um absurdo aquilo tudo. Ela não estava preparada psicologicamente para a quinta série”, e no meio do ano minha mãe a transferiu para o colégio Santa Marcelinha, mas a freira não a deixou ficar na quinta série por não achar que poderia acompanhar, propôs que fosse para a quarta e disse que iria ser ótimo para ela, todos concordaram e a partir daí começou a ter rendimento na escola.

Na festa de final de ano dela, minha mãe conheceu meu pai, que tinha duas filhas estudando no Santa Marcelinha. Quando eles começaram a namorar, em um primeiro momento meus irmãos não aceitaram, mesmo minha mãe tentando conversar com eles sobre isso. Depois de voltar de um fim de semana com o pai, minha mãe lembra: “Eu não sei o que aconteceu, talvez o pai deles tenha contado algo sobre a mãe dele morrer de solidão depois que ficou viúva, e dizendo como eu era nova e tinha a vida inteira pela frente, eles foram convencidos e ‘deixaram’ eu namorar seu pai”, obrigada aos meus irmãos, assim eu pude nascer.

No ano seguinte, minhas duas irmãs por parte de pai e ele foram morar com minha mãe e os meus dois irmãos. Chris gostava muito. Os quatro se davam muito bem. Eles brincavam muito e ficavam muito juntos. Em uma excursão para Disney, todo dinheiro que ela levou, trouxe tudo em materiais para efeitos especiais para teatro, e em mais uma manifestação de seu dom artístico, ela organizava todas as noites teatrinho para meus pais.

Depois que minha mãe se separou, o pai deles os levava para passear todo final de semana, mas na opinião dela, foi só para provocá-la e não porque realmente sentia falta, foi um ano de solidão: “Eu ficava só trabalhando”, lembra.
Mãe e filha eram muito amigas, conversavam sobre tudo, mas mesmo assim, com catorze anos a freira chamou minha mãe na escola, e lembra com tristeza: “Ela queria morar com o pai dela, mas não sabia como falar para mim, então a freira que chamou para conversar sobre isso. Foi a primeira vez que ela foi morar longe de mim”.

Em um dia das mães, uma prima do Alex tentou alertá-la que ele queria tirar seus filhos, mas ela não estava fazendo nada de errado para ele tentar conseguir a guarda das crianças. Ela conta: “Eu acho que com a idade que eles estavam, eles poderiam escolher com quem queriam ficar e eu nunca quis ser egoísta e obrigá-las a morar comigo e as deixarem infelizes, tanto é que quando ela quis ir, eu não pude fazer nada”, foi o primeiro dia das mães depois de se separarem, ela ficou arrasada.

Pré-adolescência e Adolescência

Ela era uma adolescente tranquila, não saía muito, mas tinha amigos e gostava de um menino, minha mãe disse: “Sabe aquelas pessoas que a gente gosta, mas não gostam da gente? Eu falava que ele era bonito, perguntava porque não namoravam, mas ela dizia que era ele que não gostava dela. Ela sempre tinha esse problema, gostava de quem não gostava dela.”

Mas minha mãe perdeu a maior parte da adolescência dela. Elas adoravam conversar, se trancavam dentro do quarto porque ela disse que nós não deixávamos que conversassem. Mas ela vinha para falar mais de seu pai. Como ele reclamava muito dela, dizendo que ela estava gordinha e queria que ela emagrecesse e que não deixava fazer as coisas que ela queria e ela se incomodava muito com isso.

Ela foi terminar o colégio quando eu e meu irmão gêmeo nascemos, quando ela tinha 17 anos, e como estudava perto de casa, resolveu voltar morar lá e acabou ajudando minha mãe com a gente. O pai dela não queria mais ela na casa dele, também, porque depois de dar toda liberdade que ele deu, ele disse que não a queria mais ela lá porque ela chegava tarde e não tinha limite. E lá em casa, ela voltou a ter essas regras.

Minha irmã ajudou muito a cuidar da gente. Quando percebeu que minha mãe não dormia a noite e estava muito cansada, elas começaram ah fazer um rodízio: minha mãe ficava com a gente até ela chegar da escola, e passava a noite com a gente, eu em um quarto e meu irmão no escritório, para um não acordar o outro ao chorar e ela ficava correndo pra lá e pra cá, nos olhando. Quando minha mãe acordava, ela ia dormir.

A doença: Cardiopatia Congênita

O pai dela sempre escolheu datas especiais para arruinar. Quando minha irmã tinha apenas catorze anos, eles foram viajar e no dia aniversário de minha mãe, ele ligou para ela e disse que estavam no hospital e que ela havia desmaiado, disse que os médicos detectaram um problema muito sério no coração e que ela podia morrer naquele momento. Ela não sabia o que fazer e ficou desesperada. E ele ainda não deixou que minha mãe fosse visitá-la, e como estavam na casa da família dele, no interior, não podia fazer nada, a não ser esperá-la em São Paulo. Ela me disse emocionada: “Ele me ligou e eu disse que iria para lá, mas ele não deixou, disse que não precisava e que ele já estava cuidado dela. Ele estava dizendo que minha filha estava internada e poderia morrer e achava que eu ia ficar aqui, sem fazer nada? E ainda disse que o problema tinha sido porque eu havia derrubado do balanço no parque, nem lembro disso acontecer. Mas a doença não tinha nada a ver com isso, era cardiopadia congênita e vinha dos pais”.

Na ocasião, o Alê insistiu em tentar ir para onde ela estava internada e conseguiu, mas minha mãe não. Eles iam apenas para viajar, mas como haviam descoberto a doença, decidiram passar um tempo lá, já que aquele era um ótimo hospital. Quando todos voltaram, depois de um mês, minha mãe a levou para fazer exames aqui na cidade.
Descobriu exatamente o que ela tinha. Ela lembrou: “Como é congênito não sabemos se é do pai ou se é da mãe, e eu fiz o exame e eu não tinha nada. O exame deu negativo, então mesmo sendo por parte do pai, fizemos em todos vocês os exames para tirar isso da cabeça e não deu em nada, mesmo”.

O médico explicou para minha mãe que ela podia viver mais 100 ou 10 anos, que ela precisava se cuidar: não podia fumar nem beber, não deveria praticar exercícios físicos pesados, tinha que viver tranquilamente, tinha que controlar o peso e não podia ter filhos..

Carreira de atriz

Em 1992, Chris esteve em cartaz com a peça infantil “Draculinha, a Vida Acidentada de um Vampirinho”. Com 23 anos, foi escalada para fazer a novela A Viagem, e foi morar no Rio de Janeiro, em 1994. Seu papel era da roqueira Bárbara, ela começou como um papel pequeno que logo foi crescendo, até que no último capítulo, sua personagem ganhou de presente a locadora de vídeo, que pertencia a personagem principal, Diná, representada por Christiane Torloni.

O amor de sua vida, Beto

O pai dela tinha um amigo, o Beto. Ele é 10 anos mais velho que ela. Quando visitava seu pai nos finais de semana o Beto estava sempre por lá. Foi quando começou a gostar dele. Na opinão de minha mãe, Chris foi morar com o pai por causa desse amor, mas quando seu pai descobriu os sentimentos dela, ele não gostou e pai e filha brigaram. E Beto quem eram tão amigos, brigaram também.

Um dia minha mãe perguntou pro Beto sobre os dois, ele disse que sempre gostou dela e ela dele, mas não podiam namorar porque ela era muito nova. Quando ela tinha 17 anos eles tentaram, mas por causa do pai, não podiam ficar muito juntos. Ela foi morar no Rio de Janeiro para fazer a novela e não se viram mais.
Depois do fim da novela, ela voltou a morar com a gente e trabalhar com a minha mãe fazendo e vendendo tortas, foi quando eles tentaram ficar juntos de novo, ela falava: “mãe, vou lá na casa do Beto, se meu pai ligar, fala que eu fui entregar torta”.

Eles resolveram morar no Rio juntos depois. Mas quem ajudava financeiramente minha irmã era o pai dela e não minha mãe, porque nessa época estávamos passando dificuldades, por isso, as roupas do Beto ficavam em uma mala, sempre que o pai ia visitá-la, ele vinha pra São Paulo. Eles ficaram assim durante muito tempo.

Meu irmão Alê e minha mãe eram seus cúmplices. Eram os dois quem ajudavam a manter segredo e avisar quando o pai ia fazer uma visita surpresa. Até que um dia meu irmão ligou para minha mãe e disse: “mãe, meu pai quer que você dê um recado pra Chris. É a última chance de eles ficarem juntos em paz, ele quer que o Beto vá pedir desculpas para ele.” Minha irmã ficou contente, mas o Beto não, ele achava que não tinha nada que pedir desculpas.

Para eles poderem ficar juntos em paz, Beto decidiu, depois daquele dia, fazer a vontade do sogro. E então, a vida podia seguir o curso que era programado. Eles viveram juntos até que a morte os separaram.

Morte, ou como preferimos dizer: a viagem.

Em 1995, meu pai teve oportunidade de trabalhar no Rio, onde ela morava. E no início do ano seguindo, estaríamos morando lá. No meio de outubro, minha mãe estava lá procurando casa para morarmos e escola para estudarmos, e ela estava ajudando.

No dia 19 daquele mês e ano, minha irmã buscou minha mãe cedinho no hotel em que estavam. Tomaram café da manhã e almoçaram juntas. Escolheram uma escola para nós no Recreio dos Bandeirantes, com uma estrada para chegar lá parecendo caminho de bosque de conto de fadas com plantas, flores e animais, principalmente borboletas azuis.

Nesse dia, elas conversavam bastante, Chris pediu desculpas para minha mãe por não ter casado oficialmente, não ter filhos e uma porção de outras coisas. Minha mãe a lembrou que ela não podia ter filhos e que se fosse o caso, ela poderia adotar uma criança em alguns anos. Ela pediu para cuidar do Alê, já que ela morava longe e ele só tinha as duas. De alguma maneira, ela sabia que ela iria embora. Quis terminar a passagem por aqui sem culpa nenhuma, sem ressentimento… em paz.

“Isso foi na quinta feira e eu tinha lavado todas as roupas de seu pai para a casa dela e eu ia passá-las. Ela disse para deixar que ela mesmo passasse, porque assim, fingia que o marido dela era um executivo. Disse-me que era um sonho, mas eu ainda brinquei que era um sonho bobo e que eu passaria na casa dela no domingo, mas no dia seguinte eu fui recolher as roupas para vir embora com a maior tristeza da minha vida. Entrar na casa dela foi horrível.”

Isso porque naquela sexta feira, dia 20 de outubro, a tarde, meu pai recebeu uma ligação enquanto esperava minha mãe chegar no carro com a corretora que ia mostrar uma casa para eles. Quando elas chegaram, meu pai se desculpou com a mulher e disse que havia acontecido um imprevisto e tinham que ir. Meu pai já havia recebido a notícia, mas não contou para ela naquele momento. Foi conversando com minha mãe, disse que a Christiane havia desmaiado e que estava no hospital. Ela estava tranquila, pensando que ela já estaria melhor e que já estava voltando para casa. Mas meu pai sabia muito bem o que estava acontecendo. Naquele dia estava chovendo muito e tiveram que atravessar a cidade do Rio inteira. Estavam na Barra da Tijuca e tiveram que ir para o Botafogo, onde ela morava. Ao chegar no hospital, uma mulher que minha mãe não tem certeza quem era, mas acha que é a esposa do médico veio abraçá-la e meu pai não deixou, a impedindo. Minha mãe estava tranquila e pediu para a recepcionista onde estava sua filha que gostaria de vê-la e a mulher sem saber o que fazer, mas sabendo que a notícia que viria não seria boa para a mulher que pedia informação, chamou o médico.

Quando o médico apareceu, junto estava seu ex marido, pai de Chris que disse: “Porque você está desesperada assim? Sua filha está morta. Não adianta chorar”. Ela não sabia de nada antes, não estava nervosa e nem desesperada como ele dizia. Foi dessa maneira que recebeu a notícia que sua filha mais velha havia falecido.

Não acreditava, quis ver minha irmã. Não se lembra quanto tempo ficou ali, parada. Ela se lembra que quando virou para sair dali, escutou ela chamando, mas quando olhou pra trás, era apenas o Beto chorando ao seu lado.

Uma das piores partes para minha mãe foi contar para gente. Eu e meus irmão gêmeo tínhamos 7 anos. O meu irmão mais novo, 6. A mais velha tinha 10 anos. Minha mãe disse emocionada: “vocês gostavam tanto dela, não viam a hora de morar perto dela, nós tínhamos sonho de morar perto dela e na hora que acabou tudo, foi muito difícil falar para vocês”. Ela dizia que ia levar a gente nas gravações da Globo. Ela queria nos levar nos programas da Xuxa. Ela fazia planos.

Foi tão difícil falar para gente que um padre, amigo da família, veio nos ajudar. Lembro-me de ele começar mais ou menos assim: “Alguém que a gente gosta muito não está mais aqui com a gente.” Pensei que ele falava da minha avó, afinal, para uma criança da minha idade, as pessoas mais velhas eram as primeiras a morrer, nunca imaginei que podia ter sido minha irmã de apenas 24 anos. Depois que eles nos contaram, fomos passear no shopping para nos distrairmos. Minha mãe a via em todo mundo.

Viver sem a Chis

De todos que sofreram com sua morte, a que mais sofreu e sofre até hoje é a minha mãe. Mesmo que meu tio e meu irmão não consigam falar sobre ela, mesmo que todos nós ainda nos emocionamos a falar dela, o sofrimento maior é dela.

“Acho que filho nunca devia ir antes dos pais, primeiro era eles que deviam ir, depois ir os filhos” confessa. No ano seguinte, minha mãe teve um câncer no intestino. Dizem que a maioria das pessoas que têm câncer já teve algum trauma muito forte.

Ela ficou sonhando com minha irmã durante meses, até que um dia, em sonho, ela veio se despedir e minha mãe pediu para que ela a levasse junto e ela foi conhecer onde Chris estava morando, um lugar cheio de flores, com muita paz e beleza. Depois desse sonho, nunca mais apareceu da mesma maneira.

Minha mãe é espírita, o pai de meus irmãos também. Um dia meu irmão gêmeo viu nossa irmã perto da geladeira da cozinha. Ele não se assustou, mas sabia que ela não estava mais viva e contou pra minha mãe. Algum tempo depois, se encontrou com o ex marido e ele disse que a Chris vinha falar com ele, e que estava muito preocupada com minha mãe, já que ela estava sofrendo muito e comentou meu irmão ter visto ela.

Já se passaram 14 21 anos e ainda é triste e emocionante falar dela, minha mãe me disse: “É como se tivessem tirado uma parte de mim. Eu sinto muita falta dela”. Ela acredita que um dia vão se encontrar de novo, e é assim que ela vive melhor. “Ter alguma esperança nessas horas é o mais importante, se não fosse isso, não teria porque viver”.
Mesmo quando juntamos a família toda, ela faz mais falta ainda. Não falamos muito dela, mas não há necessidade. Todos guardam alguma lembrança dela. Nós a amamos muito.

Nos últimos anos de sua vida, ela realizou seus dois maiores sonhos e só foram realizados porque foi morar na cidade do Rio. Ter ficado com o Beto e ter feito a novela. Minha mãe se emociona ao falar: “Ela só foi feliz porque conseguiu ficar com o Beto quando ela quis e fazer novela na Globo, que era o sonho da vida dela”.

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