Você também é oprimido, ser humano que me lê. Vamos de autoconhecimento!

Todo esse papo de feminismo é porque eu sinto, todo dia, a todo momento, uma PRESSÃO da sociedade por ser mulher. Vocês me tratam diferente por ser mulher.

Outro dia um homem me disse que ~tem medo de me tratar como uma mulher; falar de homem pra mulher~, pois acompanha meus posts feministas. O que isso significa?

Ele estava tentando ser carinhoso, eu não levei como assédio – no contexto ele parecia querer dizer algo legal. Mas ele disse isso – o que significa um medo de me tratar como um homem trata uma mulher? Como ele trata? Assediando? Toda hora querendo contato Romântico?? Eu só quero ser tratada como um Ser Humano – disse isso a ele.

Uns dias antes, um outro me disse que EU tinha que tomar cuidado pra ELE não se apaixonar. Igualmente, acredito que ele estivesse sendo carinhoso, dizendo que eu era apaixonante – mas eu disse a ele que não, que quem tinha que tomar cuidado era ele de não se apaixonar, e estabeleci um limite, pois estava falando com ele sem essa intenção. Parece que sempre estamos na pista pra ser arrematada por um macho, que sempre preciso estar fazendo minha dança sensual do acasalamento. Sempre a disposição pra ser “conquistada”. É uma sensação horrível.

Eu preciso sempre deixar claro e mesmo assim tem homem que se ilude com seus próprios desejos e fantasias e já chegam achando que estou garantida pra ele.

Eu só queria ser tratada como um ser humano na sociedade, mas eles me veem como um objetivo sexual a ser alcançado.

E isso cansa. Desgasta. Eu já não tinha dado papo de paquera com os dois caras citados, fui clara desde o início.

Acontece o tempo todo essas coisinhas. E isso é apenas no âmbito de relacionamentos, fora toda questão política, econômica, violência que nem vou entrar no mérito.

Homens tratam as mulheres de forma ofensiva (mesmo tentando ser gentis) o tempo todo e nem percebem. Meu pai mesmo, por eu ser a mais nova de 5 filhas, mesmo tendo um irmão gêmeo e um irmão mais novo, ele ainda me trata como
Pequenininha
Mais novinha
Mulherzinha

Sim, ele diz essas coisas. Que vergonha alheia! E me diminui – sem perceber.
Eu tenho a mesma idade de um dos filhos e sou mais velha que outro. E ele me diminui, sei lá porque – pra alegrar o Ego dele. E me ofende, não sei porquê. Sem perceber. Um machismo tão forte e tão nas sombras ainda (inconsciente) – que mesmo com tanta luz do feminismo, as pessoas preferem dizer que eu estou exagerando :)

Mulheres também tratam outras mulheres diminuindo-as e tentando coloca-las em um lugar de recato o tempo todo sem perceber. Certa vez uma mulher mais velha comentou comigo que as meninas estão erradas em querer ser tratadas com respeito quando usam shorts curto. Ela não percebe que a roupa é indiferente, eles são ofensivos com todas, o tempo todo. As mais ousadas estão apenas na linha de frente, falando mesmo.

Eu disse a essa mulher que eu e ela não nos ofendemos e nos impomos porque alcançamos um grau de cura emocional que não dispara gatilhos toda vez que uma pessoa nos trata mal ou um desconhecido mexe com a gente. Eu e ela somos energeticamente protegidas, temos sorte. Somos privilegiadas, disse a ela. E disse que sou feminista, que pratico empatia e a comunicação não violenta – e que estou aqui nesse Mundo pra quebrar padrões estruturais da sociedade.

E já faz tempo que tomei consciência disso tudo, dessa opressão, dos meus gatilhos. Desde então, um processo lindo de autoconhecimento e reconexão com meu Sagrado Feminino me ajuda a curar, a todo momento, feridas do machismo. Essas coisas, hoje, não me desgastam como antes – eu perdia as estribeiras. Agora não, procuro impor meu respeito sendo eu, dialogando.

Cansa, mas persevero: tenho que dizer sempre:

“Eu não admito falta de respeito, se você me desrespeitar eu vou reclamar e se você continuar excluindo meu sentir, minha fala, eu vou usar meu livre arbítrio pra sair da conversa e do relacionamento.”

“O meu sentir importa mais que sua lógica”…

Eu sempre tenho que dizer, de alguma forma, isso.

Hoje, por ter me desenvolvido, eu me sinto, ao mesmo tempo que pressionada pela sociedade, cada vez mais livre.

O que eu não consigo é ignorar quando olho ao meu redor e vejo tanta mulher oprimida pelo machismo. A maioria das vezes as pessoas envolvidas estão inconscientes. Apenas não são felizes, mas nem sabem porque… Há mulheres acomodadas na dor da opressão, por não ter fala, não ter espaço ou ainda por acharem que merecem o sofrimento. Por isso o feminismo é tão importante, aliás, mostra para a mulher que ela é importante. Que o que ela sente pode não importar para o pai, para os irmãos, para o namorado/marido, mas pra todo o resto importa, e ela pode ser livre das garras desses homens que atrapalham a vida dela.

Mas sim, não são apenas nós, mulheres que se sentem oprimidas. Homens também sentem sua opressão, em seu papel social.

Enquanto houver uma pessoa se sentindo oprimida, todos nós estaremos nessa frequência. Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar a nós mesmos, pra procurarmos ser cada dia nossa melhor versão.

Aqui estou compartilhando minhas vulnerabilidades com vocês, pra iniciar uma reflexão de autoconhecimento. Em que momentos a sociedade me pressiona pra eu ser quem eu não quero ser?

Consciência é tudo – em que a sociedade te pressiona? Liberte-se!

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