Por que pessoas brancas ficam falando de racismo reverso; homofóbico fala que sofre heterofobia; e homens reclamam do feminismo? Egoismo. Só o egoísta na situação não vê.
Já errei como branca, ainda erro. Cuido muito pra não fazer papel de opressora, tenho medo de magoar e ofender, estou trabalhando em deixar fluir, sem medo, essa consciência… a questão é…. Se você nega seu egoísmo, se usa uma lógica reversa pra tirar seu cu da reta, meu amigo, se enxerga. Vai procurar se informar. Ouve essas pessoas que estão berrando para serem escutadas e você ai, querendo se defender, sempre querendo que sua fala seja a que prevalece. Discurso de ódio não é opinião, é egoísmo, silenciar a pessoa oprimida também.
Quem é você na fila do pão pra querer ser sempre mais importante e sempre o certo?
Opressão = sufocar = tirar o ar = metaforicamente ou não = violentar e em seguida silenciar com mais violência = das micro agressões à tragédia = o que sofrem grupos chamados de ‘minoria’, mas que é a maioria.   
Alguns tão acostumados a não estarem errados nunca. E eles vão sempre ter esse privilégio, achando que sempre podem silenciar e deslegitimar a causa dos outros porque… sim.
Nossa resistência é diária e existe uma coisa chamada de microagressões que sofremos todo dia. Somos fortes, aguentamos, mas queremos que pare a violência – das micro agressões à tragédia. Queremos que pare.
Alguns dizem que sempre foi assim, sempre vai ser.
Será?
Se a gente veio aqui pra falar…
Sacudir as estruturas e garantir a liberdade das gerações futuras…
Será que iremos silenciar agora?
Infelizmente esses textos não atingem as pessoas que realmente precisam absorver tudo isso. Mas podemos nos empoderar e criar fundamentos pra ir comunicando na convivência diária, em estratégias diferentes pra cada situação.
Precisamos falar com as pessoas sobre esse assunto, de preferência na hora do problema.
Quando há opressão ou reprodução do discurso não é hora de passar pano só porque é tal pessoa, e quem tá no papel de opressor não pode querer negar até o fim que tá sendo egoísta sem demonstrar o próprio egoísmo. Você nega, deslegitima, chama de louca. Mas só tá sendo mais um Agente Smith, de Matrix. Você tá sendo mais um programado, automático, que a sociedade ensinou muito bem. Ela ensina egoísmo.
Não tente anular a existência de outrem, apenas porque a sua pode ser insignificante pra você. Vá atrás de ser o melhor que pode ser, descubra sua essência, entre em contato constantemente com ela. Eu mesma creio que todes têm potencial pra amar. Abre-se para amar os outros também, amar e respeitar nos termos de cada um. O egoísmo, é óbvio, só pode ser percebido quando afeta negativamente as pessoas ou o meio ao redor, pois quando estamos em harmonia com o restante da natureza, tudo flui com leveza, há união, não egoismo.
Se você já tem essa consciência amorosa, já respeita o outro ser na lógica dele, é importante CUIDAR do que PENSA, DIZ, ESCREVE. Tudo que dizemos de forma automática é um perigo, é o que a sociedade programou a gente. Pode ofender. E muito. A sociedade brasileira hoje é fascista, fundamentalista, segue uma lógica cristã hipócrita que nos dá nojo, que nos oprime. Queremos nos livrar disso e quando reproduzimos preconceitos em nosso cotidiano, domingo de dia dos pais ou no whatsapp, estamos contribuindo para as opressões. É o racismo/machismo institucional. A opressão institucional. Ou, ainda, o racismo / machismo velado. Vá atrás de informação.  Saiba diferença de preconceito e racismo. Vá entender o que é machismo e porque todos os homens podem cometer erros machistas e porque mulheres podem reproduzir. Não cabe eu entrar em detalhes sobre esses temas, você precisa fazer um esforço também. Não dá pra pegar na mão de todos. Por mais que vocês tenham sido ensinados assim e acham que é normal uma  mulher / pesoa negra sempre te servir, não, você mesmo precisa ir atrás do que quer. Não vamos mais te servir. Lide com isso.
Exemplo… Quando um homem segue questionando o feminismo usando sua própria lógica machista originalmente questionada no diálogo, sem considerar a lógica da mulher, ele está sendo egoísta, pois não está respeitando aquela pessoa – por mais que ele tenha absoluta certeza que não desrespeitou, que teve boa intenção. Pense de novo: se ela tá reclamando, algo tem. O machismo pode ser finalizado aí, basta a pessoa no papel de “opressora” tomar consciência do outro ser humano ali.
A prova final se existiu ou não falta de respeito é a fala da pessoa desrespeitada, porém também precisamos considerar que essa pessoa oprimida não consiga falar por ter perdido sua força após muitos anos de opressão.
Se alguém chama atenção para um ato que reproduz a opressão, é recomendado não questionar se houve ou não desrespeito em sua defesa (ego) e refletir pra tomar atitudes melhores depois, mais respeitosa.
Sempre PERGUNTE se tiver dúvida.
A opressão se dá, na maior parte dos casos, inconscientemente, pessoas que nos ferem constantemente normalmente estão inconscientes de seu egoísmo. Menor parte são aqueles que fazem de propósito, esses estão no poder,  no controle social. Nós, pessoas comuns, normalmente reproduzimos sem intenção de ofender e oprimir. Assim fica mais fácil consertar, afinal, não é índole, é apenas um erro.
A geração a partir de 1970 vem com essa consciência mais amorosa, é parte do que chamamos da mudança de Era, transição planetária. Vamos aproveitar para TODOS e TODAS combatermos a opressão com amor,  com consciência. Nos defendendo sempre que necessário, lutando e resistindo, porque tudo compensa.
Mas vamos preservar o diálogo, priorizar a expansão da consciência.
Preservar nossa paz interior (sério,  eu tô ligada que é bem difícil).
Tudo que você chama de mimimi e piada para uma feminista deve ser analisado e considerado. Só é mimimi e piada porque você, mano, não entende. Se você não entende e ela sim… qual o certo? quem senta, cala a boca, escuta e melhora tem que ser você, parça.
Somos pessoas de boa, mas não temos que ser tranquilas. Se um amigo seu se sente ofendido por vc, ele te  quebra e vcs acham normal… eu sei que existem cada vez mais homens preocupados com a cultura da não-violência, mas fomos socializados assim, é uma cultura. Apenas para fins de comparação: por questão de honra, os homens brigam. Por questão de honra, a mulher NÃO VAI MAIS SE CALAR PRO MACHISMO. Por questão de ética, não iremos bater e matar, oprimir os homens,  mas vamos falar, mesmo vocês mandando a gente se calar. Vamos gritar e brigar se vocês não cederem. É guerra? Não. Mas se quem só entende essa linguagem, acaba sendo estratégico.
Temos sido silenciadas por tanto tempo, mas tanto tempo (inclusive mortas por falar), que isso segue na nossa cultura muito forte, só percebe quem se sente oprimida, quem tem os privilégios acha que a opressão já acabou.
Mas não… Somos silenciadas e as coisas que ouvimos no nosso dia a dia é, por exemplo, “ai,  não é pra dizer que o marido tá errado”. Oi? Sim, é pra dizer,  sim. Se o marido tá errado é pra dizer.
Eu ouço essa e outras pérolas muito piores (e não apenas relacionadas ao machismo), há 29 anos, e nada muda. Escuto isso na casa da minha própria família, pois nós estamos tentando manter a paz “no matter what” e, obviamente, as vezes rola umas coisas dessas escrotissimas e não podemos nem falar, afinal, “não é lugar pra ativismo na hora de lazer”.
Na verdade, família seria lugar de respeito e amor. Então seria, sim, saudável as pessoas apenas ouvirem com gratidão pela orientação do que não fazer para ser menos escroto, mas o que é de praxe: a mulher tá de mimimi, não vamos incomodar os homens.
Porque?
Bem, são homens.
Homens cis, brancos, heteros, classe média pra cima… melhorem-se!!!!! Vão atrás de informação. Vocês são os mais privilegiados então são sempre o que correm mais risco de serem idiotas, ignorantes, ofensivos e maldosos, mesmo sem saber. Eu como branca tento me informar, ouço e absorvo o que as outras pessoas têm a dizer sobre mim, sobre meus preconceitos e programações egoístas, porque sozinha eu não consigo entender, pois usamos de mecanismos de defesa do ego.
Mas o que fazer?
Você pode esperar até que você seja avisado de ter sido preconceituoso e ofensivo, alguém se ofender ao você reproduzir um discurso de opressor (que sufoca, tira o ar) ou fascista  (querendo anular o outro ser seguindo sua lógica egoísta) e lidar com a resposta atravessada da outra pessoa e também com o fato de você ter magoado a pessoa. Você pode nem perceber, pois a pessoa com quem você tá sendo ofensiva pode não estar pronta pra se manifestar, sem poder. Você e a sociedade podem ter tirado todo o poder dela. Então isso seria uma atitude passiva a ser tomada: aguardar que alguém te avise sobre seu egoísta.
Ou você pode ser ativo, percebendo sempre o que você fala, questionando-se sobre a origem da sua fala. Porque dizer, por exemplo, para uma pessoa que é sexualmente livre, que uma mulher que se preserva é “outro nível”? Basta a pessoa ter empatia e consciência do outro para perceber que isso não se faz. Isso é opressor, porque estabelece um padrão a ser seguido. É reprodução da opressão, mesmo que sem intenção de desrespeitar. O problema se agrava quando o opressor insiste que não está oprimindo, transformando a oprimida em ou vítimista mimimi, ou em uma pessoa louca, que surtou e está precisando de acompanhamento profissional. Haha, normalmente eu sou a louca. Rs nervosas***.  Então, só de você não transformar esse diálogo em uma briga por conta da chamada de atenção da pessoa oprimida, você já está ativamente participando.
Você para e pensa: se a pessoa tá reclamando, algo tem. Pergunta, se não sabe. Seja humilde, seja amoroso com a pessoa, você não sabe quantas vezes essa pessoa já ouviu aquilo, ou ouviu que outras pessoas iguais foram oprimidas pelo mesmo motivo.
 E, a todo momento, podemos ser buscadores ATIVOS. Eu vou atrás de vídeos sobre racismo, pra entender o ponto de vista do povo negro. Para homens e mulheres não feministas, indico os links no final.
A informação e o diálogo são as bases. Isso é a EDUCAÇÃO. Vamos seguir nessa cultura de informação sem discurso de ódio, que só tende a crescer.
Não somos MINORIA, somos maioria.
Uma playlist que carinhosamente nomeei de “Revolução feminista”: http://www.youtube.com/playlist?list=PLTXNRIck2L1Ah_IqbMRkc01I6iH7o5Mfj
Documentário Precisamos Falar com Homens?