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Esse é um texto com foco em relacionamento heterossexual, porém eventualmente pode haver essa dinâmica em uma relação homo.

O machismo nas relações privadas não precisa ser explícito ou violento, mas desgasta bastante para a mulher. Quando as tarefas ficam todas concentradas em só uma pessoa, fica nítida a sobrecarga: não só a carga física, mas a mental também.

Quando uma família sai de casa para um passeio, seja um simples dia no parque ou uma viagem de férias, uma série de tarefas deve ser pensada e executada.

É muito fácil pegar a carteira, celular e fone de ouvido e sair de casa, mas não é assim que se sai quando se tem um filho pequeno, quando se tem uma família.

Quando se tem um filho ou filha bebê, é preciso pensar primeiramente nas necessidades básicas da cria, depois nos detalhes específicos daquele momento e, em seguida, nas necessidades dos adultos.

Vou dar o exemplo do meu dia a dia: quando vou sair com meu bebê, preciso organizar roupas, itens de higiene, fralda, comida, água, leite (que ainda é peito).

Pra ter roupa no armário pra sair, no entanto, alguém teve que colocar pra lavar, estender, guardar. Quem fez isso anteriormente? Não apareceu sozinha.

Itens de higiene deve estar ali disponível, quem organiza isso?

Fraldas: no meu caso é de pano, mas poderia ser descartável: alguém precisa providenciar, caso contrário, não vai ter.

Comida, alguém precisa fazer. Ir às compras, processar, cozinhar, preparar a marmita.

Água, até isso é preciso que alguém encha a garrafa, pois sozinha ela não vai ser enchida.

E leite, último item do meu check-list aqui improvisado, no meu caso ainda é peito, portanto eu mesma preciso estar nutrida, hidratada e descansada pro leite fluir com qualidade.

Só depois que penso em tudo isso, pro meu filho, que eu penso em tomar banho, me arrumar. Às vezes me alimento antes, às vezes depois ou as vezes não me alimento como eu gostaria. Mas pq a cria é sempre prioridade.

Não é simplesmente pegar a carteira, o celular, o fone de ouvido e sair: é preciso uma organização prévia. Estar sempre de olho nessa organização. É uma tarefa que nunca acaba, literalmente. E, infelizmente, ela é constantemente deixada para a mulher.

Queria lançar um desafio aos pais, aos homens: quantas vezes vocês já saíram de casa em família e teve apenas que providenciar se arrumar, pegar a carteira, celular, fone de ouvido e chave, enquanto a mulher providenciou todas as coisas da criança?

E se ela esqueceu a touca, como você reagiu? Com compreensão “afinal, ela pensou em todo o resto” ou com indignação “caraca, tu esqueceu a touca do moleque”? Quantas vezes você já criticou a forma que ela faz algo, sem se dar conta de que era a melhor forma que ela conseguiu fazer com o escasso tempo e disposição que tinha?

É muita coisa pra se pensar e executar, criticar é a parte mais fácil.

Quando se é mãe (ou pai) não podemos simplesmente dizer “agora não to a fim” de fazer tal coisa. Se tem um bebê com necessidade, uma louça pra lavar, uma roupa pra estender, um banheiro pra limpar, etc, não deveria ter a opção “não to a fim”. Infelizmente, em casos frequentes, a mãe é a pessoa que não tem a opção e o pai aproveita que a mãe não tem opção, pra fazer a egípcia e fugir que não tem nenhuma tarefa, assim pode dormir ou ir jogar a porra do lolzinho.

É bacana o homem que “ajuda” em casa. Queria ver se a mulher “ajudasse” em casa. Se a mulher fizesse uma coisinha ou outra, pra “ajudar”. A diferença é que a gente sabe que não tem essa escolha. É uma questão de responsabilidade – já somos criadas / formadas pra assumir bem mais responsabilidades que o homem e isso desgasta muito.

Isso quando o homem não trabalha fora e a mulher não, é a mais simples desculpa pra não fazer nada mais que uma ajuda. “Eu estou mto cansado, o dia no trabalho foi foda. Me traz uma cerveja!?” – vc acha que isso é muito anos 60? Não viu nada.

Trabalhar fora, para muitas pessoas, é um descanso da rotina da casa. É quando se pode respirar aliviado. Ser mãe e pai não é uma tarefa meio período, mas infelizmente ainda há muitos pais que querem só a parte boa de ser pai, a parte da brincadeira, dos passeios, do crescimento. Mas não dá pra comprar esse ingresso se não for pra aproveitar todo o evento, precisa ser uma tarefa 24 horas. 7 dias por semana (24/7).

Na minha humilde opinião, a sobrecarga na mulher se dá quando o homem simplesmente segue dando prioridade a si mesmo, enquanto a mulher prioriza a família. É sempre o sono dele que importa mais. É sempre o banho dele que importa mais. É sempre a alimentação dele que importa mais. É sempre o cansaço dele que importa mais. Tudo bem se a criança precisa de algo, afinal, a mãe tá ali pra sanar essa necessidade. Isso quando o pai não tá com a criança e deixa pra mãe dele, vó da criança.

Mas, ao contrário do que vão dizer muitos homens que vão vestir a carapuça e se sentir ofendido, eu não sou a favor da mulher se tornar assim egoísta, meter o foda-se e o homem ficar sobrecarregado, não. Sou a favor de que os dois se ajudem, até que a última tarefa da família esteja realizada e os dois possam descansar para o próximo dia de atividades.

Legal “ajudar” em casa, mas já pensou se a mulher também só “ajudasse”?
Quando o homem “ajuda” em casa, ele parte do princípio que a responsabilidade é da mulher e ele tá dando uma mão, quando, na verdade, a responsa é dos dois.

SEM DESCULPAS, ou não passará de um trouxa, um moleque… literalmente apenas um escroto.