Acabei de meditar. Quando estamos mais ansiosos, a tendência é a gente resistir a meditação (“não é pra mim”, “tô sem saco”, “não vai adiantar nada”), formando um ciclo vicioso. E, sabe, não tenho me sentido muito bem, sob minha pele, nos últimos tempos, então fazia algumas semanas que eu não fazia isso, de meditar. Não me sinto bem. Uma dor física, na carne, mas que vem da alma. Sinto que a resistência das minas e mines, cada vez que ficamos mais fortes, mais tem sido difícil. Claro, é como no jogo que o chefão fica mais difícil. Questão de lógica do game, fica mais difícil para ser “mais legal” – mais desafiador, é mais legal?

Como vocês sabem, eu sou dessas das técnicas de terapias holísticas (que NADA tem a vê com física quântica, se eu já falei isso, desculpe, errei), então me lancei hoje novamente no desafio de acordar cedo e fazer uma meditação. Depois, escrever. Faz parte do processo de se reconectar. Então escrevo. Escrevo porque não é apenas de um fulano safadão na rua que tenho que tentar desviar, diariamente, do meu caminho. O machismo e a misoginia são fortes inimigos que estão sempre me atacando, e me causam feridas enormes diariamente. Mesmo eu sendo forte, o machismo e a misoginia da sociedade me fere. O racismo e a transfobia, que não me atingem diretamente, também me causam feridas doloridas, porque minha capacidade de sentir empatia é muito grande, e sinto a dor do outro, que é meu ente querido. E estou aqui, na luta. Em coletivo às vezes, mas sempre comigo mesma. Sofrendo, ao mesmo tempo tentando curar a mim e o mundo.

Ao meditar, eu tive um esclarecimento. Meu ego, falador, tagarela, não queria ficar quieto. E minha mente superior, de forma branda, sabendo que estou ferida, disse a mim mesma: “se acalme, para conseguir se curar, é preciso se acalmar”. Meu ego, como um cachorrinho brincalhão que acaba de encontrar seu tutor, balança a cabeça em concordância, percebe a ansiedade e tenta se acalmar, mas se vê tomado de sofrimento. A sensação é que a ansiedade gera um desconforto que cobre o sofrimento. E, então, aos poucos, minha mente vai se acalmando. Tudo que tenho que pensar, não preciso pensar no momento de meditar. Posso deixar para depois. A mente vai se acalmando. E as feridas vão doendo mais.

Meu corpo está doente com essa sociedade tóxica em que vivemos. Rígido, sempre pronta pro combate. Doente, com minha falta de autocuidado por falta de motivação. Há algum tempo, eu não me alimentava bem, só besteira, uma forma de eu mesma me intoxicar, uma auto-sabotagem. Refrigerantes, doces, frituras e tudo que a industria vende como se fosse revolucionário. Não é!!! Orgânico é revolucionário – é um revolucionário caro, mas é revolucionário. Repensar na sua própria alimentação e ingerir cada vez menos produtos alimentícios e passar a ingerir cada vez mais alimentos, é revolucionário. Cuidar de si, é revolução. Posso ser, sim, apenas uma louca falando de sociedade tóxica e alimentação orgânica, mas eu sou uma louca consciente.

O capitalismo é o inimigo comum, e a nossa forma de consumir sem consciência, é um mecanismo do capitalismo para nos destruir, ao mesmo tempo controlar (vício). Comemos mal, compramos o que não precisamos de fato, não sabemos economizar produtos para durar, desejamos novos produtos por fetiche, perdemos dinheiro, pagamos JUROS PARA O BANCO por não ter autocontrole e organização!!!

Enfim, agora mais sobre a minha cura: ela vem diretamente da minha desintoxicação, de dentro e de fora. Ok, meu lema ainda é “quer mudança, comece por você”, porém também preciso me afastar de pessoas tóxicas, situações insalubres, hábitos auto-destrutivos. O sistema nos quer mortos, mas sobreviver a isso é um ato revolucionário. E, mais do que sobreviver, VIVER é a nossa próxima fase, depois de superar os chefões atuais.

E eu digo, sem medo de errar, que se conhecer é crucial no processo. Silenciar o ego tagarela, que precisa estar sempre com a TV ligada, ouvindo uma música, ouvir alguém falando ou a pessoa mesmo falando em voz alta, sempre pensando em algo, trabalhando, fazendo coisas mentais… procurar silenciar a mente é FUNDAMENTAL para perceber o seu corpo físico, sua respiração, sua energia, seus chakras, suas emoções, sua alma. A cura não está na apenas mente, mas no auto-conhecimento de todo seu corpo, de todo seu campo de energia: alma, espírito, emoções, mente (controlando ela e não sendo controlado), corpo e sociedade.

Ah, minha essência de índigo quer brigar, combater o tempo todo, tudo, mas minha consciência está passando de fase e estou disposta a novas estratégias de combate, que me deixem mais em paz (dicas?). Talvez eu fique apenas nas minhas love songs, talvez eu faça mais músicas comunistas, eu não sei ainda. Eu sei que a sociedade pode mudar, se a gente começar a mudar a nós mesmos, e pra isso, silenciar a mente e conhecer nossas próprias emoções. Eu quero viver num Novo Mundo, e não vou parar até chegar lá.

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