A ofensa da generalização

A ofensa da generalização

No meu trabalho como feminista, uma das coisas mais irritantes que tenho que encarar é o fato de que os homens não aceitam que eles, por mais gente boa que sejam, também podem agir de forma inadequada, falar coisas sem sentido para nós e deslegitimar nossa dor. O mais comum dos ataques histéricos dos machistas “gente boa” (às vezes esquerdo-macho) é que nós, mulheres, não podemos generalizar quando falamos de homens. “NEM TODO HOMEM FAZ ISSO, portanto sua fala não é válida”. “Generalizar está errado”  “você está errada em generalizar” e todo mimimi de macho oprimido Pois bem. Outro dia eu tive que ler que os caras não achavam adequado as rappers feministas falarem apenas de machismo, sempre cantar sobre como nós, mulheres, somos objetificadas e abusadas, afinal, para esse rapaz, todo mundo já sabia disso, não precisa falar mais sobre isso. Leia o comentário dele: “(…) (A rapper) perde muito tempo falando sobre estes mesmos assuntos, entendeu? Até nas letras agora só tem homem tem que respeitar mulher, mujer não é objeto e tal, como se precisasse dizer isso as pessoas.” Eu também queria que não fosse necessário, porém, na minha vivência – É NECESSÁRIO, sim. Talvez, a novidade PARA ELE seja que a gente sente a falta de respeito na pele, o tempo todo. E por que não “podemos” falar sobre isso? Quando eu disse que sim, precisamos falar sobre isso pois HOMENS EM GERAL ainda nos tratam com falta de respeito, ele deslegitimou todo meu comentário porque eu generalizei. Eu disse: “PRECISAAAAAAAAAAA!!! A gente tá BERRANDO isso!!! Vc ouviu minha letra (a Resistência das Minas)??? É a nossa vivência!!!! Como...
Somos malandras

Somos malandras

Passei o dia todo lendo e xingando homens em debates superficiais sobre o clipe de Anitta e toda hora me vinha na cabeça: o verdadeiro empoderamento não é midiático, é nosso trabalho diário. É isso eles nunca vão entender. Principalmente se ninguém pegar na mão e explicar. A maioria desses homens vinha com questionamentos do tipo “por que a Anitta pode rebolar a bunda e se objetificar no clipe dela e a gente não pode objetificar vocês numa propaganda de cerveja?” Resposta: EU QUERO Típico argumento de quem realmente finge que se importa com objetificação feminina só pra bater de frente com as feministas nessas horas. Pois bem, homens não sabem um doze-avos do nosso trabalho de base, como feministas. E o machismo deles nos julga HIPÓCRITAS porque defendemos a não objetificação da mulher, mas aplaudimos a Anitta na laje de bunda pra cima. “Vai malandra” é só um hit de verão. Uma polêmica e passa, como tantas outras. Serviria pra eles fazerem autocrítica, mas preferem pegar no nosso pé. Serviria prs eles refletirem sobre como ELES nos objetificam e como ELES querem o protagonismo SEMPRE. Só que eles não sabem como a gente se alimenta de empoderamento 24/7 – independente de Anitta. Não sabem o que significa sororidade, não sabem nossas conversas, nossas reflexões, nossas pautas. Um deles disse que o feminismo “está fracassando”. Muitos dizem isso. Coitados! Isso é o que eles, no fundo, queriam. Isso é o que eles pensam ao ver nossa sociedade fazendo escândalos moralistas. Questionamos, então, “ó sábio feminista” o que devemos fazer para nosso movimento dar certo. Claro, bostejou um pouco mais e se...
Ego Espiritual: uma santa nervosinha?!

Ego Espiritual: uma santa nervosinha?!

Nos últimos tempos, algumas pessoas questionaram se eu ser “espiritualista” e “feminista” ao mesmo tempo não seria uma contradição. Bem… Sim! Talvez, aos olhos treinados, condicionados e cheios de esteriótipos, seria uma contradição eu ser alguém que “odeia homens e acha que as mulheres devem dominar o mundo” versus uma “Santa que aceita tudo o que lhe acontece, incluindo agressões físicas e psicológicas, com extrema paciência”. Para essas pessoas, por eu ser espiritualista, deveria ser imune de opressões e sofrimento, e apenas ficar rezando por melhorias e agradecendo meus privilégios. Enquanto uma feminista sairia às ruas pedindo morte a todos os homens. Mas não, por incrível que pareça, eu me dou o direito de ir contra os esteriótipos que querem perpetuar dessas duas características que nessa vida me faz ser o indivíduo que sou. Sou feminista, sim. Sou espiritualista, também. Uma coisa não anula a outra, ao contrário, me fortalece e eu sou livre pra viver a vida como quero e, mesmo que questionem a legitimidade disso tudo, eu sou livre pra ser quem eu quero ser – mesmo que, para preconceituosos, eu pareça hipócrita. Então, resumindo: não! Não é contradição ser espiritualista e feminista ao mesmo tempo. Bem, na verdade, ser feminista só significa que eu percebo (na pele) a opressão que mulheres sofrem diariamente, percebo que existem atitudes que fazem com que as mulheres sejam diminuídas perante a sociedade e entendo que isso tudo é uma construção muito sutil, embora estrutural. O feminismo me faz enxergar tudo isso com muito mais clareza e também me traz a possibilidade de trabalhar em cima disso por uma mudança, ainda...
Feminista também erra

Feminista também erra

Tudo começou porque ele disse: “acho bom você…” qualquer coisa. E eu quis apontar que discurso de um homem para uma mulher “acho bom você fazer…” era bem escroto para mim. E aí a coisa se agrava, porque “as pessoas estão tão loucas que não conseguem fazer nenhum tipo de reflexão” . Mas e aí, será que eu não posso tá errada e realmente ter errado com ele? Não sou uma feminista perfeita, mas sou a melhor que posso ser. Recebo muita crítica de macho #chateado com meus posts, mas nem percebem que estão manifestando seu machismo, porque eu estou sempre fazendo um trabalho consciente e fundamentado, e eles não ligam, só querem estar certos – quando atinge o ego deles, eles não gostam, são duros comigo. Os machistas estão tão loucos que não conseguem fazer nenhum tipo de reflexão sobre o que uma feminista diz. Mas…. Porque enquanto eu tô falando sobre feminismo num ponto de algo que eles se “beneficiam” gostam (liberdade sexual, por exemplo), mas quando vou falar da atitude machista ou da reprodução do machismo deles, eles não gostam? Visto que recebo muito Feedback do público, notei um padrão. A maioria das pessoas que reclamam da forma que eu luto, são as pessoas que eu acho que deveriam avaliar o que eu digo. São pessoas inconscientemente machistas, e são elas as que têm grandes problemas com meus posts… Já pessoas mais maduras, conscientes, empáticas… respeitosas… pessoas que se assumem ser potenciais machistas e, portanto, aceitam com coração aberto a expressão da feminista… essas pessoas costumam debater de forma coerente e chegarmos a expansão da mente....
Reflexões matinais sobre a humanidade

Reflexões matinais sobre a humanidade

Por que pessoas brancas ficam falando de racismo reverso; homofóbico fala que sofre heterofobia; e homens reclamam do feminismo? Egoismo. Só o egoísta na situação não vê. Já errei como branca, ainda erro. Cuido muito pra não fazer papel de opressora, tenho medo de magoar e ofender, estou trabalhando em deixar fluir, sem medo, essa consciência… a questão é…. Se você nega seu egoísmo, se usa uma lógica reversa pra tirar seu cu da reta, meu amigo, se enxerga. Vai procurar se informar. Ouve essas pessoas que estão berrando para serem escutadas e você ai, querendo se defender, sempre querendo que sua fala seja a que prevalece. Discurso de ódio não é opinião, é egoísmo, silenciar a pessoa oprimida também. Quem é você na fila do pão pra querer ser sempre mais importante e sempre o certo? Opressão = sufocar = tirar o ar = metaforicamente ou não = violentar e em seguida silenciar com mais violência = das micro agressões à tragédia = o que sofrem grupos chamados de ‘minoria’, mas que é a maioria.    Alguns tão acostumados a não estarem errados nunca. E eles vão sempre ter esse privilégio, achando que sempre podem silenciar e deslegitimar a causa dos outros porque… sim. Nossa resistência é diária e existe uma coisa chamada de microagressões que sofremos todo dia. Somos fortes, aguentamos, mas queremos que pare a violência – das micro agressões à tragédia. Queremos que pare. Alguns dizem que sempre foi assim, sempre vai ser. Será? Se a gente veio aqui pra falar… Sacudir as estruturas e garantir a liberdade das gerações futuras… Será que iremos silenciar agora? Infelizmente esses...
Somos Maioria

Somos Maioria

Em 2017 ainda precisar dizer que machismo e outras opressões existem, é uó.  É um ponto pacífico, embora não seja senso comum, que oprimir, desrespeitar, machucar, ofender ou atacar o outro ser humano não é benéfico pra uma sociedade.   Tu deve tá pensando: “Mas o que tem? Até aí, eu trato todo mundo bem…” Ok, acredito nas suas intenções… mas será mesmo? Hoje, a sociedade está caminhando pra uma mudança, mas ainda existem os que oprimem, desrespeitam, machucam, ofendem e atacam mulheres, negros, trans, gays… só porque o opressor se sente superior a qualquer pessoa que não “pertence” ao grupo dele. Como Hitler, sabe? Mas ele é um exemplo extremo que, inclusive, é devidamente criminalizado (acho?!).  No entanto, muitas vezes fazemos isso SEM QUERER. Nem imaginamos, mas fazemos isso sem querer em nossas relações, tanto com pessoas próximas como com pessoas que passam rapidamente por nossas vidas.  Reproduzimos preconceitos diariamente de forma inconsciente e achamos que tá tudo bem, mas se a gente escuta a dor da outra pessoa, percebemos que talvez também podemos machucar, sem querer. Acredito que todos, sem exceção, devam fazer uma auto-análise sobre seus próprios preconceitos, mecanismos de defesa, gatilhos e se perguntarem como podem melhorar seus relacionamentos.  Percebo que o ideal de sociedade é aquela que ninguém fica enchendo o saco de ninguém, tipo OPRIMINDO, o tempo todo.  Te parece muito distante? Que tal tentar aplicar diariamente? Sociedade, por Gabitopia: Mídia Igreja Escola Família Redes Sociais Etc São fontes de experiências e informação, por essas instituições que conhecemos a vida. O que eles nos oferecerem desde criança, é como viveremos.   Mas não...
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