Ângelo chegou (12/04/18)

Ângelo chegou (12/04/18)

A data provável do parto era dia primeiro de maio, quando minha gravidez completaria 40 semanas. Por alguma razão, Ângelo Gabriel veio quase 20 dias antes, embora já não fosse prematuro, por estar com 37 semanas e 2 dias. Não veio de parto normal, como eu queria, mas veio completamente saudável – era só isso que eu desejada do fundo do meu coração. Há 19 dias eu tive meu bebê. Minha vida mudou. O primeiro clichê real: nasci de novo. Últimos dias de gravidez Dia 07 de abril aconteceu o chá-rau, em Santos, em que tive a última experiência fora de uma “internação” (em fases: casa, hospital, maternidade, casa, hospital, casa), com amigos. Comi muito, conversei muito, fiquei muito de pé. Cansei bastante. Dormi em Santos, domingo voltei pra minha casa, exausta, porém muito feliz. Domingo, pouco antes das 4h da manhã, comecei a sentir fortes dores no estômago, como as dores que sentia no carnaval – diagnóstico na ocasião: pedras na vesícula. A dor aumentou bruscamente e vomitei. Dor diminuiu. Partiu pronto socorro. Liguei pra família e pro meu médico. 4h30 da manhã estava chegando no pronto atendimento. Medicada, exames feitos: tudo bem com o Ângelo, ele não estava com sinais que iria nascer. Tudo bem comigo, minha vesícula não estava inflamada. Fui liberada, direto pra casa dos meus pais. Segunda feira em repouso, ainda muito debilitada. Consulta do pré natal, mal sabia que seria a última. Terça feira, ainda dores e enjoos, mais uma vez pro pronto socorro, sem nenhuma alteração nos exames da vesícula. Quarta feira, seguiam os sintomas – dores e enjoos. Meu médico preferiu me internar pra tentar resolver...
Lembranças da Gravidez do Ângelo

Lembranças da Gravidez do Ângelo

Me lembro do dia que eu descobri que estava grávida. Foi dia 26 de agosto de 2017. Naquela semana, peguei uma doação de roupa de bebê em um terreiro de Umbanda que gosto de ir. A roupa era pra uma moça que ia ganhar neném e não tinha nada. Na gira, em consulta, se não me engano, passei com uma criança. A Pombagira estava lá também, me pediu um abraço, me deu um conselho e fui embora. Eu já tava grávida, apenas não sabia. Soube no sábado, fim de tarde. Falava com as amigas pelo whats: “Vou fazer o exame de farmácia” “Deu positivo” “Estou grávida” E o medo, cara? Falei com algumas manas que já eram mães e isso me tranquilizou. Fui pro pronto socorro fazer exame. Mesmo sendo de urina, era mais certeza. Positivo. Já no caminho liguei pro meu irmão gêmeo e minha cunhada: põe no viva-voz aí, Rafa, quero contar uma coisa para vocês dois juntos: estou grávida. Meu gato, Viky, tinha sumido. De manhã ele já não tava mais em casa, fiquei preocupada com ele. Mas à tarde, quando me veio a consciência de que talvez eu estivesse mesmo grávida, acabei esquecendo dele. Quando cheguei do PS, com a certeza que Ângelo estava comigo, fui falando com ele desde a rua: “será que o Viky voltou? Será que ele tá em casa de novo?”. Não estava. Sentei no sofá, respirei. Ele começou a miar na porta de casa, pra entrar. Sapequinha, saiu pra dar um role e voltou pela porta da frente. Dormimos agora com a novidade de que tinha um neném se formando na barriga....
Estamos quase lá!

Estamos quase lá!

Oi, meu amor!!! Você está quase chegando! Entre 2 a, no máximo, 5 semanas você estará aqui nesse lado do mundo. Por favor, não tenha medo. Sabemos que você, assim como outras crianças da sua geração, está vindo pra iluminar esse Planeta. Nós te protegeremos e incentivaremos a cumprir sua missão da melhor forma possível. Sem pressão, hehe. Sua chegada será muito especial. É um amor genuíno envolvido. Não consigo pensar em outra coisa. Seu pai está ansioso pra sua chegada. Eu, sua avó e a tia Aline estamos deixando tudo pronto; seus tios e tias estão fazendo até aposta pra que dia você chega – apostas baseadas nas mudanças de Lua e tudo. Tá todo mundo felizão! Nessa semana gravamos um clipe (da minha música Sob Minha Pele) pra guardamos de recordação da nossa gestação. Espero que você goste, você foi a estrela mais brilhante das cenas todas. Você é muito privilegiado: tem dois berços (um aqui e um na casa da vovó e do vovô – esse a vovó já tinha desde muito tempo, à espera do próximo neto), um carrinho com bebê conforto (pra passeios de carro), uma banheira, um Wrap Sling pra andar grudadinho em nós, fraldas ecológicas (porque, fala sério, um bebê usa de 5 a 6 mil fraldas descartáveis e elas demoram 450 anos pra se decompor na natureza) e roupinhas estilosas e confortáveis. Nosso quarto está decorado com notas musicais e seu nome em PVC brilhante. Eu mesma fiz algumas com base nas que a tia Lucia tinha feito pra decoração do seu chá – tudo lindo. Vamos dividir o quarto, eu...
Uma nova Eu

Uma nova Eu

Não tem sido fácil encarar uma nova Gabi. Uma nova Gabitopia. Uma nova Gabriela Pagliuca. Tenho 30 anos, não sou uma menina. Engravidei porque eu quis, consciente das minhas circunstâncias de vida. “Se elas conseguem, eu também consigo”, pensava olhando pra todas aquelas mulheres maravilhosas pelo mundo da maternidade. E o desejo ardente de viver essa experiência de gerar uma vida. Perto ou longe do pai, em Santos ou em São Paulo, sendo uma menina ou um menino – eu sabia que eu daria conta. Aqui estou, com quase 8 meses de Ângelo, com uma alegria enorme por sentir ele dentro de mim, chutando… de preparar tudo pra ele, por saber que ele tá nascendo de mim, do meu corpo vegetariano, e, ao mesmo tempo sentindo um grande desespero porque ele só depende de mim, e por algum tempo eu serei toda pra ele, já que ele vai depender de mim pra quase tudo. Mas como vou dar conta? Se eu não dou conta nem de mim? Se eu nem sou auto-suficiente, se sou dependente de outras pessoas. Sou só uma menina… ou não! Sou mãe. Tenho 30 anos, mas mais do que isso, sou mãe. Não sou criança. Sei que muita coisa vai mudar, vem meus medos. Minha insegurança. Se eu interajo com pessoas quase 100% do meu dia, que é sempre cheio de coisas a se fazer, pensar e elaborar – não posso parar. O show tem que continuar… ou se adaptar às novas circunstâncias. Estou em uma nova cidade, grávida tendo que arrumar tudo do Ângelo. Por isso, meus projetos estão lentos, ainda não me acomodei...
É um menino!

É um menino!

Ângelo vai saber que é um menino, que por ter os órgãos que nascerão com ele, tem privilégios na sociedade. Vai saber como é ser tratado como um menino, embora eu mesma me proponha a tratá-lo apenas como um bebê, por ora. Ângelo vai ser encorajado a abrir mão de qualquer privilégio por ser um menino, estimulado a não querer perpetuar esteriótipos opressores e pensar além da caixa. Vai entender as diferenças e respeitar. Vai aprender a tratar as mulheres. Ângelo vai usar cores de criança, não cores de menino. Brinquedos de criança, não de menino. Atividades de criança, não de menino. “Coisas de menino” me feriu tanto, mas tanto, que jamais deixarei isso ferir meu filho. Ele é um menino livre! Fundamentalmente, Ângelo vai ser estimulado a meditar (no tempo certo), se conhecer e descobrir com o que se identifica, quais características masculinas fazem sentido pra ele, quais não. Ângelo vai ser ensinado que todos possuem energias femininas e masculinas – da criação (podemos simplesmente nos lembrar que somos “óvulo e o espermatozoide”) – e que cada indivíduo se manifesta, a partir disso, como seu coração deseja. Ângelo será estimulado a seguir sua própria forma de Ser, criar a sua forma de viver, pra cumprir sua missão. Vai poder fazer o que sentir vontade com sua própria masculinidade. Será estimulado a manifestá-la da mais nobre forma que puder, fazendo seu melhor. Será estimulado a ser um menino/homem bom. E ele será livre, inclusive, para negar essa masculinidade. Livre, inclusive, pra não se identificar como um homem. Será livre e saberá que corpos humanos são diferentes, que funcionam de...
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