Ferdinando

(antes de ler esse post, leia o primeiro post da série) Ferdinando, ou Nando, era meu amigo fazia algum tempo já. Era três anos mais velho que eu e estava no último ano do colegial e só pensava em farra. Namorou uma amiga minha da oitava série até o meio do segundo ano e quando eles terminaram, ele decidiu “pegar geral”. O problema não era só esse. O problema era que todas as meninas com quem ele saía, ele tratava como brinquedos. Era um tremendo cachorro, mas comigo ele era tão legal! O melhor de tudo é que nós éramos muito amigos e nunca tínhamos tido nada. Eu achava errado o que ele fazia com as pobres meninas, mas não me agüentava de curiosidade e ria com as histórias que ele me contava todo entusiasmado. Um dia era de um beijo horrível. Outro era do assunto que não tinham. Outra história de um pum. Como moramos muito perto um do outro, sempre íamos e voltávamos juntos da escola, onde estudávamos desde pivetes. A gente conversava sobre tudo. Inclusive fui eu que tentei animá-lo depois do fim do namoro. Ele não falava disso com ninguém além de mim. Éramos do tipo irmãos. Depois que fez 18 anos e tirou a carta de motorista, passava pra me buscar todos os dias e me levava de volta da escola. Ele não conhecia minha família nem eu a dele. Não saíamos de final de semana por que todos os dias da semana já eram suficientes para enjoar, então éramos típicos amigos de escola. Em uma véspera de feriado estendido de sete de setembro,...

Oliver

(antes de ler esse post, leia o primeiro post da série) Era uma viagem longa de dezesseis horas de ida e outras de volta. Fui sozinha com minha melhor amiga e ficamos na casa de uns parentes dela numa cidade longe do centro. Ficaríamos uma semana, chegamos numa quarta na hora do almoço e iríamos embora noutra quinta à tarde. Tínhamos uns catorze anos e estávamos no auge do nosso espírito de aventura! No primeiro dia que chegamos, ficamos um pouco na rua ouvindo música e conversando. Estavam lá, na rua, dois meninos simpáticos que puxaram assunto com a gente. Chamaram-nos para ir a um bar e rejeitamos o convite. Conversamos muito e quando começou a ficar tarde resolvemos entrar para jantar e dormir. Tínhamos resolvido ir ao centro na manhã seguinte. No começo da noite seguinte eles apareceram de novo na rua e fomos andar com eles pelo bairro. Oliver estava encantado por mim, nas palavras dele, por eu ser diferente e descolada. Espantei-me pelo fato de ele ser assim também. Bem bonito, uma conversa bacana, gostava de algumas bandas que eu e minha amiga também. Ele se aproximou mais de mim e ficamos. Todos os dias sucederam assim: eu e minha amiga íamos para o centro de manhã, ficávamos lá o dia inteiro e quando voltávamos, não íamos para a casa direto, tinha uma praça onde passávamos o fim das tardes e à noite ficávamos na rua, em frente a casa. Depois de três dias, ficar com ele não estava mais sendo tão legal. Fui descobrindo que ele nem era tão compatível comigo e ele começou a...

Jamil

(antes de ler esse post, leia o primeiro post da série) Jamil era bonito, bem bonito. Mais alto que eu uns vinte e cinco centímetros. Arrumava-se tanto para ir à escola que faltava só passar batom. Egocêntrico, carente e narcisista, perfeito para ser personagem principal de uma paixão platônica e relâmpago. Tudo aconteceu tão rápido que eu nem sei por onde começar. Na verdade, o mais importante é que ele tinha namorada e que cada dia ficava mais lindo. Ele era meu colega de escola da sexta série, amigo dos meus amigos. A gente foi se descobrindo totalmente diferentes à medida que conversávamos. Para ser bem sincera, ele era até um pouco irritante. Mas a nossa relação foi fluindo e uma amizade sobressaltou. Papo vai, papo vem… Comecei a ficar cada dia mais interessada nele, mais precisamente na boca dele, a dele na minha e a minha na dele. Não que eu pensasse que ele quisesse, muito pelo ao contrário, a namorada dele era totalmente diferente de mim – inclusive, era uma chata – totalmente linda. Não iria trocar uma dessas por mim. Não à toa, a troco de nada, se não estivesse realmente apaixonado. Parecia que eu não fazia o estilo dele levando em consideração o fato de ele namorar alguém totalmente diferente de mim. É claro que no meu íntimo eu desconfiava que ele sentia atração por mim, culpa de seu joelho apontado toda hora para mim e o jeito que ele me olhava totalmente pedindo carinho. O problema é que eu não fazia o estilo dele e ele também não fazia o meu. Ele era mais...

Júlio

(antes de ler esse post, leia o primeiro post da série) Eu tinha acabado de fazer 13 anos e nunca tinha beijado ninguém e todas as minhas amigas da escola já. Não que fosse um problema pra mim, eu me preocupava tanto com meus estudos e não tirar nenhuma nota vermelha – para fazer jus a mensalidade altíssima que meus pais pagavam – que esqueci que estava crescendo. Fui perceber o quanto era inexperiente quando conheci Júlio, ele era mais velho e conhecia minhas amigas de classe. Nossas classes eram uma de frente para a outra e foi assim que nos conhecemos e me apaixonei. Ao dar o sinal das trocas de professores, eu pedi para uma amiga apresentá-lo para mim, sempre o achei bonitinho. Ela gritou “Júlio… Vem cá!”, arregalando os olhos três vezes para e apontou com o nariz na minha direção e eu morri de vergonha. Ele se aproximou e pegou na minha mão, passava tanta gente entre nós, dos nossos lados que nossas mãos se soltaram sem querer, o que não foi um empecilho para que, antes disso, ele me conquistasse beijando minha mão e falando que adorou me conhecer. Meus olhos brilharam e eu não ouvi mais nada, nem mesmo as minhas amigas falando comigo, flutuei até minha mesa e só voltei em mim quando eu vi as minhas cinco amigas em volta de mim. Foi uma sensação diferente de todas as outras que eu já tinha sentido. Beijando minha mão fez parecer um conto de fadas no qual eu era a princesa e ele o príncipe encantado. Ele era um pouco mais alto...
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