Irmã fura-olho

(desculpa, irmã, essa história tem que ser contada pelo bem da nação) Eu era apaixonada por um vizinho quando eu tinha quinze anos, mas ele tinha treze. Eu gostava muito dele mesmo assim e eu achava que ele gostava de mim. Certo dia, ele e outro amigo foram ver televisão lá em casa. O clima estava rolando, o filme começando e deixei minha irmã com eles e fui fazer sei-lá-o-que rapidinho. Quando voltei, estranhamente, ela tinha deitado a cabeça do menino em seu colo. Logo no começo do filme, ouvi uns barulhos de baba e quando olhei pro lado minha irmã e o menino – seis anos mais novo que ela – estavam se beijando. Fala sério, era o menino que eu gostava e era minha irmã lá, ela não devia ter feito isso. Levantei muito nervosa e expulsei os dois meninos de casa, estava incrédula. Fiquei me sentindo idiota. Eu devo ter ficado sem falar com ela por uns dias, enquanto tive que usar óculos de sol pra esconder o olho furado, mas depois simplesmente passou… Se não se pode brigar nem com amigas por causa de homens, imagina com...

Em outro país…

Conhecer os lugares mais inesperados é maravilhoso, conhecer outras culturas e parar para discutir nossa própria com desconhecidos também. Máximo é chegar num lugar onde você pode fazer o que você quiser sem medo de que as pessoas te julguem. Procurar a paz interior ficando em silêncio no seu canto e ouvir a conversa dos outros, não como fofoca, só para acrescentar seu vocabulário do portunhol e espanenglish. E não pensar no que poderíamos ter feito, o que não deu certo não deu e nada de ficar se remoendo. Legal é poder se conectar com cada lugar que você vai e poder se sentir parte de cada local que se passa, nem que for por apenas um...

O primeiro a gente não esquece

Eu tinha 12 anos e acabado de sair da “Fase do Patinho Feio”, meus cabelos já batiam nos ombros depois de uma temporada de “Joãozinho”. Nunca tinha ido às festas a não ser festas nos salões dos prédios das minhas amigas, que eram poucas. Quando quis sair pela primeira vez, foi num domingo, para uma matinê. Minha irmã, já com 16 anos, insistiu para que eu não fosse, mas minha mãe disse que ela só iria se eu fosse junto. O lugar aonde ela ia era num shopping (para os cariocas, devem se lembrar: rock in rio café no barra shopping) e ela me enxotou de lá e me mandou para a outra matinê do outro shopping (cariocas: Slávia no New York city Center) que eram vizinhos. Eu entrei pela primeira vez em uma boate de verdade. As pessoas estavam fumando e se agarrando, só que estava meio vazia. Eu e minhas amigas entramos e eu estava deslumbrada. Olhava para os lados, não via nada direito. Foi nesse clima que a primeira pessoa a pedir para ficar comigo na vida chegou. Ele era feio e o recusei. Olhei para os lados e encontrei o cara por quem eu tinha uma queda enorme. Felipe o nome dele. Então uma das meninas que estavam comigo chegou saltitante para mim e falou “ga-a-a-a-bi! o andréééé quer ficar com você” e fazendo aquelas dancinhas de quem consegue algo legal para outra pessoa. Só tinha um problema: André? Quem era André. Ah! O promoter bacana. Tinha 14 anos. Era mais alto que eu, eu era da altura do peito dele. Então a gente conversou...

Marina

Há alguns anos, conheci uma menina que considerava perfeita. Ela era quatro anos mais velha que eu. Estava terminando o colegial enquanto eu ainda estava na sétima série. Ela se chamava Marina. Ela era considerada, na escola, a menina mais bonita, desejada e invejada. Tinha cabelos lisos e pretos até o meio das costas, olhos escuros, pele bem branca e corpo perfeito. Podia comer batata frita chocolate, sorvete e pizza que continuava perfeita. A sua turma era a mais animada, os amigos mais descolados e os namorados mais bonitos de toda escola. Ia às melhores festas. Fazer parte desse circulo era ter status. Nessa época, andava com a Irmã dela, freqüentava sua casa, ela me contava as coisas, eu pedia conselhos pra ela e nos tornamos amigas. Considerava isso o máximo porque mesmo ela sendo quem ela era não deixava de ser humilde, ajudar e conversar com os outros. Eu era totalmente sua fã e queria sempre ser igual a ela, mesmo que as condições não permitissem. Eu sempre a defendia quando falavam mal dela. “É inveja”, eu sempre repetia. Ela era tão perfeita que até os defeitos dela eram tranquilamente superados pelas qualidades. No fim de semana passado, recebi um recado no celular falando que ela tinha bebido muito na festa de 15 anos de sua prima e desmaiou, entrando em coma alcoólico. Aquilo foi um susto para mim. Corri ao hospital que ela estava internada. Recebi informações que ela já tinha acordado do coma, que só estava dormindo. No quarto, não estavam seus pais nem seu namorado, apenas sua irmã mais nova, a que era minha amiga....

Érica

Apresento-te: Érica. Érica significa sempre forte, como ela sempre foi. Não é perfeita, mas é interessante. Érica nasceu de um casal de adolescentes em 25 de fevereiro 1988. Pisciana. Louca de vontade de viver a vida a flor da pele. Consciente mais do que, talvez, suas amigas por seus pais serem tão jovens, sua mãe hoje com 35 anos e seu pai com 37, separados desde 1991. Kaká, como gosta de ser chamada foi aprendendo com seus erros e foi estabelecendo regras para ela mesma com o intuito de ser mais justa e correta com ela e as pessoas com quem se envolve. É carente, como todo pisciano, mas não faz questão de namorar alguém só por carência. Algumas aventuras e outras desventuras provaram que o ditado está certo “antes só do que mal acompanhado” e está começando a descobrir, relatando todos esses fatos, que talvez o problema não seja os meninos, mesmo. Talvez falte ela descobrir o seu ponto forte e suas qualidades antes de procurar isso em outras pessoas. Já namorou uma vez mais de um ano e meio. Nunca mais namorou, mas sempre tem pequenos relacionamentos. As 10 regras de total boa convivência com o mundo Érica Martins 1. Não sair com homens comprometidos. 2. Não cobiçar as coisas alheias. 3. Nunca mentir sobre sentimentos quando perguntarem. 4. Honrar pai e mãe – e os outros legítimos superiores 5. O que acontece entre amigos, fica entre amigos. 6. Não matar – nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo 7. Sempre que quiser fazer, desde que não quebre as...

Humberto

(antes de ler esse post, leia o primeiro post da série) Falar de Humberto é muito difícil. Impossível falar que o conheço bem, mesmo achando que sim. Nem sei se tenho muito a dizer sobre nossa relação de amizade e/ou amorosa – se é que existiu alguma amorosa–. Há dois anos nos conhecemos. Fomos apresentados por um amigo, sua namorada e sua irmã. Os três viviam falando que nós dois combinávamos, éramos parecidos, nós íamos nos dar bem etc. e tal. Um dia o amigo me passou o MSN e Orkut dele e começamos a conversar. Ele ia à mesma festa que eu no fim de semana. Estava realmente animada e aqueles meus amigos ficaram falando dele a semana toda. E o grande dia chegou e nos conhecemos. Ele estava lá. Lindo, solteiro, com os amigos, se divertindo e bêbado. Muito bêbado. Tanto que quase não se lembrava de ter nos conhecido no dia seguinte. Mas não faltaram oportunidades de estarmos juntos outras vezes, nós sempre nos encontrávamos e uma amizade sincera, de ambas as partes, foi surgindo. Como imaginei pelos relatos de meus amigos, éramos muito parecidos mesmo e nos dávamos muito bem. Mas uma coisa eles me avisaram: se eu quisesse ter algo a mais com ele, não poderia conhecer a ex-namorada dele, pois era excepcionalmente fantástica amiga essa Madalena, meiga, sincera, carinhosa, atenciosa. E ex-namorado de amiga, vocês sabem que é pra sempre namorado. Na semana em que eu conheci Humberto, conheci também Madalena. Ela veio como quem nada quer se apresentando, dizendo que era amiga de alguns amigos meus e que era ex de Humberto....
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