Sonho em Andradina

Eu e meu irmão estávamos voltando do trabalho meia noite e meia ou mais, tínhamos levado a namorada dele em casa e estávamos cansados, estava pensando em alguém que tinha acabado de estar junto, quando eu olhei por trás do farol do carro, pisquei meus olhos três vezes, e o vi sentado no meio fio, desci do carro, meu irmão disse para eu não demorar, concordei com a cabeça mesmo ele já tendo subido as escadas pro apartamento. E o garoto se levantou em um salto.                 Não fazia nem uma hora que tínhamos nos despedido, parecia mentira, eu não pude acreditar, cinco minutos antes eu estava pensando nele, então, sem mais nem menos, meus olhos se encontraram com o os deles… Fiquei estática.                 Perguntei o que fazia ali, pois nem imaginava que era eu (ah, não, logo eu?!) que ele procurava. Pensei que pudesse estar procurando nossa amiga que estava com a gente há meia hora, mas não! Ele procurava por mim… Ele respondeu todo sem jeito, todo fofo, sorriu com aqueles dentes brancos e alinhados que combinavam perfeitamente com seus olhos castanhos escuros.                 Ele me disse, olhando pro chão e com as mãos para trás, que estava passando e resolveu parar para conversar. Achei fofo, levando em conta que quando estivemos juntos só eu falava (e como falava!!!!!) e ele só escutava… E ria… Fofo, mais que fofo. Sentamos na calçada e só pra quebrar o gelo (do fato de ele ter aparecido de surpresa sem eu ter tempo de pentear o cabelo entre outras coisas) do meu machucado de mais de um palmo (um...

Noventa e Oito Reais

“É uma daquelas duas…” eu disse. “São as duas lindas, qual você acha mais bonita?” Perguntei. Não dava para saber, a morena era a Mariana e a ruiva era a Natália, não dava para saber quem era a mais bonita. Mariana usava roupas coloridas e descoladas e Natália era elegante com roupas de camurça preta, as duas de salto alto. Elas estavam uma ao lado da outra, encostadas na parede, tinham um metro e tanto, eram magras e com cabelos soltos sobre o ombro. A ruiva de preto chamava muito mais atenção, mas a morena tinha uma alegria estampada em seus olhos. Mariana tinha olhos mais puxados e Natália, mais redondos. A boca das duas eram carnudas, e cada uma um nariz perfeitamente diferente.  Respondendo minha pergunta, ele que era sério, disse que achava a morena descolada mais bonita, meio sem paciência com minha dúvida com quem ficar. Mesmo com a opinião dele, que talvez até tivesse importância, ainda preferia a beleza da Natália. Olhei de novo para as suas mãos, seus cabelos, seus lábios, era exatamente o que eu sempre quis, desde a primeira vez que eu a vi eu soube disso. Atravessamos as estantes, esbarramos em todas as loiras, morenas, ruivas, baixas, altas, crianças, mães e pais que estavam por ali. Cheguei perto das duas, olhei para Mariana de novo com aquelas roupas iguais das outras meninas tentando ser diferente, mas Natália me ganhou. Ao olhar para os olhos de Natália, vi um olhar vazio, triste e melancólico. Um olhar sem vida, mas não tinha problema, pois não podia existir vida em uma boneca. Peguei a caixa...

Escolaridade: Ensino Médio Completo

É, acabou… Acabou a escola, acabou o sonho, levantar as seis e meia e ir para um lugar onde você sabe que todos os problemas serão resolvidos no fim do ano, quando passar de ano (ou não), quando não encontrar mais os inimigos e quando aquele carinha vai sentir saudades de você por que ele está realmente apaixonado mas você não sabia se era verdade ou galinhagem. Não é como se fosse terminar o ano, se afastar dos professores chatos e ano que vem começar tudo de novo com a mesma promessa: esse ano eu vou estudar! Por que é claro que você não vai estudar, é mais do que óbvio se você nunca estuda.  Não, na verdade, nada vai ser igual, afinal de contas, você já teve todos esses anos para aproveitar, e se não aproveitou: o problema é todo seu! É, por que agora, você vai ser praticamente ser tratada assim. Sabe do que estou falando? Mundo real. Acabou o mundo mágico porpurinado e cor-de-rosa!  Vamos relembrar? Um pouco de nostalgia não faz mal a ninguém. Você se lembra de algum acampamento? Ah, eu me lembro. Lembro de um salão, eu e mais duas amigas com nossos doze anos, todos se divertindo dançando e nós envergonhadas em um canto, quando eu vejo a cena mais triste da semana: o garoto que eu tinha uma grande paixão de mãos dadas com outra. E das brincadeiras? Eu sempre ficava por último em provas físicas e nunca conseguia raciocinar para conseguir montar quebra-cabeças, mas nunca me diminuíram por causa disso.  Amores? Não… Não adianta dar um exemplo, afinal de contas,...

A Mosca e o Diogo

   Estávamos sentados esperando, em fileiras, era eu, ele do meu lado, na frente dele uma cadeira vazia e na minha um outro qualquer. Rodava por ali uma mosca assanhada, ela gostou da mesa vazia, acho que ela queria fazer a prova e achava que aquele era seu lugar  Diogo, essa era o nome dele! Não, não o da mosca, do menino da mesa do meu lado. Percebi Diogo inquieto desde quando ocupou seu lugar a carteira, ele parecia ansioso, afinal, íamos fazer uma prova muito importante em alguns minutos, ele se esticava, colocava os pés na cadeira da frente, batucava alguma coisa com a mão, e eu, mais ansiosa ainda, sussurrando algum emocore barato não aguentava aquela espera. Até então, movimentos normais pré vestibular, ansiosidade, inquietação, silêncio e suor frio… Então ela apareceu! Sim, a Madalena, a mosca! Enquanto Diogo estava sentado com seus pés apoiados na carteira da frente, a mosquinha indefesa pousou na beiradinha, e ele não hesitou: deu uma batidinha no encosto da cadeira. Madalena, ou Madá, para os íntimos (é claro que eu que dei esse nome para ela!), voou assustada, passou pela orelha do garoto e voltou pousar na mesa, e de repente ouvi um “toc” na cadeira, Diogo de novo, era somente um toque na cadeira, mas ela ficou meio tonta, para mim, aquele pequeno impacto é muita coisa para um inseto tão pequeno. Ao voar, deu uma volta no mesmo lugar e voou para a direção do garoto na minha frente que a assustou com aquelas mãos gordas. Coitadinha! Sim, eu sei, coitada! Tá, eu sei também que é só uma...

Vida

É só uma metáfora, quando eu digo que eu te amo. Não é como se eu não te quisesse mas somos diferentes. Cuidadosos, soterrados até a alma, mas com cuidado. Cuidado que me faz usar frases feitas, poses preparadas, olhos pintados e cabelos presos. Para que tanto querer, se somos diferentes se somos o que somos, só por ser e não por ter que ser. Talvez o azul nem seja azul, só nós dois achamos que é, ou talvez… só eu penso assim. Mas como o preto e o branco será pra sempre preto e branco, nisso podemos concordar. Somos tudo complicado por que somos dois, podíamos ser um, somos dois só por que você quer,  por que se você deixasse tudo isso não ia ser mais apenas uma metáfora para poder dizer nisso tudo de palavras sem sentido… o quanto quero você.   ...
Para o Rafa

Para o Rafa

Eu me lembro das nossas festas de aniversários, a minha era em um dia e a dele era em outro, o que fazia a cabeça de nossa mãe dar milhões de voltas, nos últimos anos ela não teve o mesmo pique de ficar montando festas, não que agora nós precisássemos dela, afinal de contas, depois de certa idade, os aniversários são comemorados cada um por si ou uma comemoração simples em família. Esse ano nosso aniversário foi na semana do carnaval, foi uma comemoração emocionante, foi como um evento “o aniversário dos gêmeos, não posso faltar”, todos os irmãos presentes, música e conversas, presentes, ganhei uma guitarra de presente, azul, uma das minhas cores preferidas, eu não me lembro o que meu irmão ganhou, mas deve ter sido algum acessório pra guitarra dele. De presentes mesmo eu só me lembro desse ano e quando nós fizemos oito anos. Ganhamos, os dois, um vídeo game, minha mãe me chamou de canto e disse que tinha um presente especial para mim, por que sabia que meus irmãos não iam deixar eu curtir o presente dos dois, o tal vídeo game. Então, quando abri o embrulho vi o presente mais lindo de todos, um fogãozinho que ligava a luz, fazia a água borbulhar, foi perfeito. E realmente, como meus pais imaginaram, meus irmãos não deixavam muito eu jogar o vídeo game, então ia sozinha brincar de casinha com meu fogão a pilha. De todos esses anos, desde que nascemos, estamos morando longe somente esse ano, e há uns anos que ele foi morar no Canadá. Quando ele estava morando no exterior, nós...
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