A guerra como instinto humano masculino

A guerra como instinto humano masculino

De fato, há uma explicação sociológica* para alguns homens gostarem tanto de jogos de guerra. É o mesmo motivo que faz as mulheres também que gostarem. Por muitos séculos os homens tinham a função de prover e proteger, e guerras reais acabaram sendo necessárias para isso. O tempo passou e as mulheres lutam para que acabe esse negócio de gênero, lutam para que todas as pessoas tenham as funções que quiserem na sociedade. Não mais essa de nasceu homem tem uma função XY, nasceu mulher tem função XX. Todo mundo cuida da casa, todo mundo trabalha pra trazer recursos, todo mundo cuida dos filhos. Claro que, por uma questão biológica, algumas pessoas acabam engravidando e amamentando, outras não. O bebê é gerado em uma barriga apenas (por enquanto, né), e isso aparentemente não se pode mudar. Em regra, a pessoa que gera, amamenta. Mas é praticamente a única coisa que apenas uma pessoa pode fazer. De resto, todo mundo pode. E temos lutado por essa consciência. Portanto, está explicado porque alguns homens, pais de família, ainda gostam tanto de jogos de guerra. Imagina um casal heterossexual, com uma criança pequena, que ainda mama no peito. Em casa, existem roupas e louça pra lavar, neném pra trocar, pra dar banho, pra entreter, pra cuidar, casa pra varrer, uma pessoa exclusivamente pra dar de mamar no peito e, claro, uma guerra (no vídeo game) para se ganhar. Se o cara do exemplo não ganhar essa guerra virtual, como ele vai se sentir cumprindo sua função? A explicação está exatamente aí, nos resquícios dos nossos antepassados é praticamente não podemos mudar. Essa...
A sociedade opressora e sua responsabilidade nela

A sociedade opressora e sua responsabilidade nela

Eu não conseguia me sentir à vontade diante de algumas pessoas que, mesmo sendo apresentadas a fatos sobre nossa sociedade, ainda ignoram a estrutura em que vivemos e sua própria responsabilidade nesse contexto. Exemplificando, mesmo em situações de machismo, racismo ou homo e transfobia, algumas pessoas se recusam a admitir que essas opressões são comuns em nossa sociedade e estão em nosso inconsciente, preferem dizer que “nem todo mundo…” ou que “não existe sociedade, depende de cada pessoa”, ou ainda, dizem que alguns comportamentos são apenas brincadeiras e expressões são simplesmente forma de falar (não são realmente o que elas pensam). Muitas dessas pessoas realmente têm boas intenções, não querem fazer o mal. O problema de negar que essas atitudes são parte da nossa cultura e que podemos reproduzir esses preconceitos e opressões sem a gente perceber é que, bem… podemos reproduzir sem perceber. Podemos ofender sem perceber. Podemos magoar sem intenção de magoar. Podemos acionar gatilhos emocionais sem intenção. Podemos oprimir sem querer oprimir. Ou seja, quando uma pessoa não admite que pode ser opressora, mesmo que seja porque ela tem, no fundo, boas intenções, ela acaba agindo de forma tão cruel como uma pessoa realmente mal intencionada. Sim! Mesmo uma pessoa se considerando “respeitosa”, “gente boa”, “pessoa de bem”… Dizer que uma atitude opressora é brincadeira, forma de falar ou apenas costume, é tão cruel como se fosse uma injúria ou atitude intencional, pois a consequência é a mesma! E mais: ainda segue legitimando a violência sofrida pelas pessoas que são alvo daquela ofensa. Quando nós assumimos que nossa sociedade (leia-se sociedade como “grupo de pessoas que...
A ofensa da generalização

A ofensa da generalização

No meu trabalho como feminista, uma das coisas mais irritantes que tenho que encarar é o fato de que os homens não aceitam que eles, por mais gente boa que sejam, também podem agir de forma inadequada, falar coisas sem sentido para nós e deslegitimar nossa dor. O mais comum dos ataques histéricos dos machistas “gente boa” (às vezes esquerdo-macho) é que nós, mulheres, não podemos generalizar quando falamos de homens. “NEM TODO HOMEM FAZ ISSO, portanto sua fala não é válida”. “Generalizar está errado”  “você está errada em generalizar” e todo mimimi de macho oprimido Pois bem. Outro dia eu tive que ler que os caras não achavam adequado as rappers feministas falarem apenas de machismo, sempre cantar sobre como nós, mulheres, somos objetificadas e abusadas, afinal, para esse rapaz, todo mundo já sabia disso, não precisa falar mais sobre isso. Leia o comentário dele: “(…) (A rapper) perde muito tempo falando sobre estes mesmos assuntos, entendeu? Até nas letras agora só tem homem tem que respeitar mulher, mujer não é objeto e tal, como se precisasse dizer isso as pessoas.” Eu também queria que não fosse necessário, porém, na minha vivência – É NECESSÁRIO, sim. Talvez, a novidade PARA ELE seja que a gente sente a falta de respeito na pele, o tempo todo. E por que não “podemos” falar sobre isso? Quando eu disse que sim, precisamos falar sobre isso pois HOMENS EM GERAL ainda nos tratam com falta de respeito, ele deslegitimou todo meu comentário porque eu generalizei. Eu disse: “PRECISAAAAAAAAAAA!!! A gente tá BERRANDO isso!!! Vc ouviu minha letra (a Resistência das Minas)??? É a nossa vivência!!!! Como...
Ego Espiritual: uma santa nervosinha?!

Ego Espiritual: uma santa nervosinha?!

Nos últimos tempos, algumas pessoas questionaram se eu ser “espiritualista” e “feminista” ao mesmo tempo não seria uma contradição. Bem… Sim! Talvez, aos olhos treinados, condicionados e cheios de esteriótipos, seria uma contradição eu ser alguém que “odeia homens e acha que as mulheres devem dominar o mundo” versus uma “Santa que aceita tudo o que lhe acontece, incluindo agressões físicas e psicológicas, com extrema paciência”. Para essas pessoas, por eu ser espiritualista, deveria ser imune de opressões e sofrimento, e apenas ficar rezando por melhorias e agradecendo meus privilégios. Enquanto uma feminista sairia às ruas pedindo morte a todos os homens. Mas não, por incrível que pareça, eu me dou o direito de ir contra os esteriótipos que querem perpetuar dessas duas características que nessa vida me faz ser o indivíduo que sou. Sou feminista, sim. Sou espiritualista, também. Uma coisa não anula a outra, ao contrário, me fortalece e eu sou livre pra viver a vida como quero e, mesmo que questionem a legitimidade disso tudo, eu sou livre pra ser quem eu quero ser – mesmo que, para preconceituosos, eu pareça hipócrita. Então, resumindo: não! Não é contradição ser espiritualista e feminista ao mesmo tempo. Bem, na verdade, ser feminista só significa que eu percebo (na pele) a opressão que mulheres sofrem diariamente, percebo que existem atitudes que fazem com que as mulheres sejam diminuídas perante a sociedade e entendo que isso tudo é uma construção muito sutil, embora estrutural. O feminismo me faz enxergar tudo isso com muito mais clareza e também me traz a possibilidade de trabalhar em cima disso por uma mudança, ainda...
Poema pronto para piadas infames

Poema pronto para piadas infames

Já sei que serei chamada de dramática Mas hoje ouvi que mulher é igual a matemática: tem muitos problemas, tem suas regras e ninguém entende mas é claro que apenas brincar é o que se pretende Estamos cansadas. Cansadas de após toda piada dar o mesmo aviso: cuidado quando se expressar a fim de arrancar riso. Pra quem tudo isso tem graça? Só pra quem não tem medo de no escuro andar na praça. Todos possuem feridas emocionais E mesmo como seres racionais, tem vezes que não podemos evitar, dá vontade de gritar: ELEMENTOS EXTERNOS ACIONAM, SIM, NOSSOS GATILHOS! É difícil amar ao próximo como uma mãe ama a todos os seus filhos? Pra quê cutucamos tanto a ferida de terceiros se nem ao menos nós estamos inteiros? Pra que ainda geramos tanta dor, se sabemos que a resposta é sempre o amor? Palavras podem parecer nada, passar quase despercebidas mas são elas que validam a violência e tornam as mulheres coibidas. Dizem que hoje a opressão é inexistente, sim, verdade – mas só pra quem insiste em ser prepotente. Ou pra quem está inconsciente – basta despertar! Não há razão para essa bobagem continuar. Pra quem tá cego realmente não existe a opressão não culpo, não julgo, apenas peço mais luz no coração Saiba que ela está ali, qualquer uma pode sentir basta observar esse meu desabafo que não me deixa mentir. Pra quem não conhece a empatia, pequenas doses diárias funcionam como homeopatia. O que parece uma fala inofensiva é apenas uma reprodução bem intensiva De que as nossas características não são bem vindas na sociedade, mas...
Resistência

Resistência

Não me considero mais RESISTÊNCIA. Já me considerei resistência política, já não sou mais. Acredito que quem resiste são eles – resistem à mudança, mais direitos, mais liberdade, menos opressão. A primeira vez que pensei sobre isso foi ano passado, quando uma amiga me perguntou se eu, deixando de lutar “na resistência” (ou sair na rua e militar), estaria aceitando a opressão? Não. Hoje eu me considero PERSISTÊNCIA. Persistência de que as ideias novas que estão por aí são, definitivamente, um caminho possível e com paz para toda a humanidade. Direitos iguais, preservação do meio ambiente, autoconhecimento, tecnologia e acessibilidade de recursos para todos. Ideias novas, rejeitadas por quem ainda ganha oprimindo alguém, em alguma parte do globo, por razões que ninguém em sã consciência entende – muitas vezes de forma inconsciente, mas sem julgamentos, pois cada um possui um nível de consciência e está fazendo o melhor que pode, com o que tem. Tudo me parece tão simples Basta que nos esforcemos para, ou nos adaptar a essas novas ideias (afinal, não importa sua idade, você pode evoluir sempre), ou ainda PARTICIPAR tentando melhora-las em comunidade. Acha que uma ideia não é boa? PARTICIPA. Manda contribuições que realmente some, não apenas critique (haters – o pior é que eles acabam não sendo ouvidos). Não fica aí só reclamando, dizendo que não vai funcionar, sem acrescentar nada. Tenha humildade em admitir que você também não sabe todas as respostas, assim como todos os seres humanos vivos e não vivos. E se for mesmo humilde, junte-se a quem está fazendo tentativas. Quem sabe vocês se complementam a mudam, pra valer, o...
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