2005. Segundo ano do colegial. 17 anos. Aula de literatura: grande professor Claudio. Em um aviso genérico, uma surpresa: haveria laboratório de redação para dois grupos de alunos: os que escreviam bem e poderiam desenvolver melhor; e os que não sabiam nada e tinham que aprender. Não era óbvio quem fazia parte de que turma. Não era obrigatório, mas talvez fosse interessante eu aceitar o convite. Fui escolhida, acho eu, por ser do grupo dos alunos que tinham que aprender. Tive uma surpresa positiva. Do meu jeito, eu sabia escrever. Foi aí que escrevi minha primeira crônica e quando surgiu a primeira categoria do meu blog. Histórias não-necessariamente-biográficas foram escritas com muito carinho e dedicação para os leitores do Gabitopia!

Me diz só a verdade

Eu não quero mais te ver,  eu não quero mais você. Estou perdendo tempo do seu lado, Então me diz que isso não é verdade. Me diz que tudo passa e que nada deixará de ser como era antes, que a vida inteira tudo é igual, só muda o nome e o sobrenome. Acho que quero te ver o tempo todo e que quero perder todo o meu tempo em você. Acho que estou querendo você. Me diz que é mentira aquilo tudo e só admita que está com medo. Diz que tudo é mentira e que você está fugindo de mim. Me diz, me diz que está correndo e morrendo de medo. Diz que não é verdade. Por favor. Admita, é só isso que falta. Me faça feliz, me faça sorrir, me faça fazer de você minha razão  que eu tinha perdido, por favor, eu quero que você seja minha razão pra tudo. Tudo o que eu senti naquela hora, é como se o tempo tivesse parado. Foi igual, ou melhor, como eu tinha imaginado.  Completa esse espaço sobrando dentro de mim. Por...

Estanho amor

  O reconheci em uma padaria, sentado no balcão, suas pernas estavam cruzadas e lia o jornal do dia. Esperava alguma coisa bem quente com chantilly esfriar e alguma coisa bem frita sair da chapa do garçom, parecia preocupado com o horário, mas discretamente. Quem diria que, depois de tantos anos, eu o reconheceria! Ele estava diferente, com barba, terno e gravata, me lembrei de quando ele dizia que quando se tornasse um adulto de verdade, ele ia ser “largadão”, só iria fazer o que tivesse vontade, não iria ser empregado de ninguém e nunca iria usar uma gravata por obrigação, e ele estava lá, diferente do que eu imaginei que seria. Nós nos conhecemos na quinta série, nossa escola era tradicional, nossos uniformes nos incomodavam, eram muito formais, calça e camisa social, saia e camisa social, e era por isso que ele dizia sobre gravata por obrigação. Isso faz muitos anos, quando nós éramos apaixonados, mas o que adianta ficar pensando nisso? Eram tempos mágicos, tudo parecia que ia durar para sempre e de repente a amizade acabou e nosso amor se confundiu com outros sentimentos. Ao ficar parada ali pensando nessas coisas, entre a prateleira de biscoitos e a geladeira, olhando para ele, percebi tarde que ele se virou e quase me viu, mas logo abaixei para ele não me reconhecer, continuei pensando que quando estávamos juntos ele me fazia feliz e eu nunca entendi o que aconteceu para o nosso amor acabar. Saí da padaria e comprei um jornal para passar o tempo enquanto ele não saía de lá, não era a primeira vez que eu...

Crônica

  Todos os dias ele tinha que falar do meu cabelo, ou era sobre eu ser parecida com a ex namorada dele, menos a parte do cabelo, ou que meu cabelo era feio, ou que ele era ruim, ou que ele não era feio nem ruim, só era curto demais, nunca era um elogio, mas na verdade não era uma ofensa, só era… A gente! E ele sempre dizia para eu tirar o cabelo do rosto. Conversávamos sobre tudo, principalmente sobre o meu cabelo, isso por que ele não tinha problemas com o dele, já que era sempre liso, comportado, macio e sem nenhum nó. Eu adorava quando ele deitava no meu colo e eu ficava horas acariciando aqueles montes de fios pretos, e ele sempre dizia para eu tirar o cabelo do rosto. O cabelo dele estava mais curto e mais bonito n uma tarde, ele disse que o estava assim por que ele não o penteou e agradeceu por que eu fui a única que percebeu que ele tinha cortado, ele dava importância para as coisas pequenas. Eu me lembro desse dia, eu tranquei a gente no banheiro, ficamos olhando no espelho um para o outro, eu queria arrancar informações sobre um amigo dele de quem eu gostava e ele ficou enrolando, enrolando, acho que era ciúme, alisando seus cabelos ainda mais, e ele sempre dizia para eu tirar o cabelo do rosto. Ele sempre me perguntava por que eu não fazia algum tratamento no meu cabelo, jogava alguma química por que eu poderia ficar… mais… bonita. Como a da ex dele, talvez? Depois que eu tirei...

Alguém para chamar de meu.

como eu queria ter alguém pra chamar de meu, dizer sim e não sem medo de que tudo se acabe, ser eu mesma, poder errar, ser quem eu quero ser. ah! como eu queria ter alguém pra chamar de meu! e que ele possa me chamar de sua! um alguém tão especial na minha vida  que não pudesse nem pensar em sair dela! ah, como eu queria alguém pra chamar de...

Primeiro Beijo

Esperando, procurando os olhos dele… Que cores são? Azuis? Verdes? Mel? É! Mel, acho que mel… Depois de tanto esperar ele chegou, as luzes bateram em seu rosto e eu pude vê-lo perfeitamente, era ele! Seus cabelos castanhos claros bagunçados e, olhos brilhantes fixando-os em minha direção, sorriu… Pegou uma das minhas mãos e a beijou, seguimos de mãos dadas para dentro do salão, ele olhava para as pessoas paradas e sorria cada vez mais, o sorriso mais perfeito de todos. Nossa música começou a tocar baixa, abafada, eu não via mais nada além dele, todas as luzes haviam sido apagadas, tudo ficou escuro, ficamos de frente, um para o outro, só enxergava a luz do seu olhar, pegou uma de minhas mãos com a dele, esticou, apoiou a outra na minha cintura, eu apoiei a minha em seu ombro, um passo para a direita, nos aproximamos mais, um passo para esquerda, mais perto, outro para direita, rodando, sua bochecha encostou na minha, um passo para trás e para esquerda, nossos lábios se aproximaram, minhas mãos tremiam, ele então escorregou sua mão para o meio das minhas costas, puxou meu corpo mais pra perto dele, sentiu que era aquilo que eu queria, um passo para direita, outro pra esquerda, mais perto do que nunca, nossos olhos se fecharam, rodando e dando passos para os lados, fomos parando de rodar, ele me beijou, fomos parando de dar passos pros lados, e paramos, nos beijamos em um beijo doce e que me aqueceu, o sinal tocou e nossos corpos se afastaram com um pulo, a música do Ipod no máximo de...

Congelados

De manhã tinha sido um dia normal, fútil, cansativo, mas consegui sobreviver, aprendi algumas coisas sobre filosofia, desisti de aprender física e matemática e a professora de português passou uma prova meio fácil, no intervalo tomei meu guaraná com um misto quente, e tocou o sinal e saí correndo da classe. Quando eu saía da escola, era um dia daqueles chatos, mas mal sabia eu que uma coisa inesperada estava pra acontecer, eu olhei pro outro lado da rodovia um pouco mais atrás, vi que meu ônibus se aproximava devagar, olhei pra baixo reclamando e chutando uma pedra, pensando que ia demorar uma hora pra ele passar de novo, quando eu ouvi um grito, olhei pro lado rapidamente e tropecei. Morrendo de vergonha olhei pra baixo de novo, dei uma risada amarela pra mim mesma, e quando eu olhei pra frente achando que iria ter alguém olhando pra mim e rindo, tudo havia congelado… menos eu! Todos tinham parado do jeito que estavam, os carros na rua que eu ia atravessar, os da rodovia logo em frente, os pássaros, dois vira-latas e as pessoas, todos estavam parados. Vendo aquilo tudo, o que parecia ser um sonho meio bizarro, olhei para todos os lados e todos estavam parados, nada se movia e não se ouvia barulho algum, o último barulho que eu ouvi foi a mulher gritando antes de tropeçar. Então eu percebi de onde veio aquele grito, era de uma senhora que tinha sido roubada. Fui me aproximando do ladrão passando entre os carros que estavam parados na rua que saía da rodovia, e pro meu espanto – não...

Só pra sentir

  Pare, conte até dez e ame… Ame todas as coisas em sua volta, tudo o que você já tem em sua vida. Dê valor, chore por quem merece, chore por estar feliz. Abrace a todos, fique bêbado e peça um grande amigo seu em namoro, vire melhor amiga do menino por quem você se apaixonou, mas não deram certo como namorados, fique com seu melhor amigo para vocês terem certeza de que é só amigos que vocês são. Nunca machuque quem gosta de você, não minta, só se for por uma ÓTIMA causa, faça músicas e dramas, faça tempestade em copo d´agua e chore em cima do leite derramado. Fique junto das crianças, faça poses esquisitas para fotos com seus amigos e as publiquem na internet. Tenha vinte anos para sempre, mas enquanto não faz vinte, mantenha os doze anos de idade. Não faça mal a ninguém, ceda seu lugar para os velhinhos no ônibus, aposto como eles estão muito mais cansados que você, qualquer hora e qualquer dia da semana. Leia muito, leia o que você quiser, livros, horóscopos, revistar, bíblia, receitas… Dê valor aos amigos presente e aos amigos de longe. Vá para o caminho do bem, chame o amor, as cores, o carinho, os abraços e os beijos. Faça o seu melhor sempre, se temos que viver, que vivamos o melhor possível,...

Naquela hora

Dois velhinhos caminhando de mão dadas em um dia de sol que faz muito frio, um grupo de jovens e um ônibus bem na minha frente, logo ao lado, um painel contando oito e trinta e um… oito e trinta e sete… oito e cinquenta… Muitas risadas e conversas, o vento gela todos os meus sentidos, muitos carros passando e eles traziam um vento mais gelado ainda para piorar o frio. Ninguém se importando com o cheiro de cigarro, ninguém se importando com os sentimentos alheios, mas de repente, um que merece atenção, o único que parece aquecer meu coração. Alto, loiro, olhos claros, calça jeans e casaco escuro, cabelo curto, mas o suficiente pra voar com o vento, mais sozinho do que acompanhado, passa por mim inúmeras vezes, brincando, parava, ria… sorria… Me passa na cabeça uns acordes e a melodia de uma música que eu gosto, desejo meu violão naquela hora, mas agora meus dedos estão tão frios que quase não consigo escrever, me faz pensar que seria impossível tocar aquela música lá, mesmo se meu violão estivesse comigo. Penso, então, na letra dela, de como se parece com o meu momento… Muita gente que passa por mim, quase não me vê. Tem uns que sobem na árvore que eu estou encostada e pulam na minha direção quase me acertando. Ele não virá me esquentar, pois não existo pra ele e pra quase ninguém naquele instante. Só o céu azul com as nuvens se movendo rapidamente, o frio, o vento e a luz que o sol nos tras pouco calor me faz saber que eu realmente estava...

Picles

(12 de janeiro de 2016: Obviamente eu estava projetando, eu era bem inconsciente. Hoje eu reli com vergonha de mim, mas a última parte valeu para eu ver meu processo, o que eu pensava na época. Desculpem pela grosseira. Meu Picles morreu há um tempo e preciso superar isso <3) * Os nomes foram trocados para preservar a identidade das pessoas   Se tem uma coisa que infelizmente todos nós estamos indubitavelmente condenados a ter, é um Picles na vida. É aquela pessoa adorável que faz tudo pra você até não aguentar mais… É! Exatamente! É uma pessoa que faz tudo, faz tanto, que só falta ela mastigar pra você (ecous!), o que chega a irritar! Ninguém merece uma pessoa assim, nem a pior pessoa do mundo, quer dizer, corruptos merecem, Hitler merecia, tá, pensando melhor, isso é um castigo legal pras pessoas do mal (eu não sou má, acho!).  Ele parece uma sombra, um espírito atrás de nossos ombros, que a cada espirro você ouve um desejo de saúde. Não que não seja legal ouvir saúde quando você espirra, mas se o Picles escuta você espirrando lá da cozinha, ele pode escutar você falando no telefone com seu namorado e com sua melhor amiga, ele sabe o filme que você está vendo, quem frequênta a sua casa, essas coisas. É claro que esse exemplo é para quem está na sua casa (e não é seu convidado).  Há Picles que entram no seu Orkut só pra saber da sua vida, se você está namorando, se você está brigada com alguém, se está apaixonado, mexe em todas as suas páginas SÓ...

Como é bom ter os irmãos em casa

Eu posso dizer com toda a certeza que é, na maioria das vezes, um saco ter irmãos. No meu caso, ter os dois no meu ouvido o dia inteiro me dizendo o que fazer ou pior, o que NÃO fazer, é simplesmente o inferno! Aquele jeito de irmãos mais velhos que eles têm, só que detalhe: nenhum dos dois é realmente mais velho. Um deles é meu irmão gêmeo e o outro é meu irmão caçula, sim, ele é mais novo e pensa que é mais velho (claro que pensa, todo mundo sempre me tratou como a caçula e ele se acostumou com isso – estou querendo tirar a culpa do meu irmãozinho -, mas quando os meninos queriam me bater na escola, ele era apenas meu irmão mais novo e não podia fazer nada!) Eu sei que é difícil, mas eu levo nossas diferenças pelo lado positivo, por exemplo, seria muito chato se, quando eu começasse a chorar, eles ficassem tristes junto comigo, só que o que eles fazem é exatamente ao contrário: Eles me olham com cara de quem não tá gostando nada nada de me ver em lágrimas e solta alguma coisa do tipo “tá chorando por quê? Alguém morreu?”, o que eu morro de raiva quando eles falam esse tipo de coisa, afinal de contas, todos deveriam ter o direito de curtir sua dor em paz sem amolação de irmãos insensíveis que não choram! Detesto quando essas coisas acontecem, mas sabe de uma coisa? Tudo isso vem acontecendo há tanto tempo que eu já tenho todo o tipo de anticorpos que eu preciso pras ações...

Rótulos

Foto: Gabriela Pagliuca Sexta feira fui à Galeria do Rock com minha melhor amiga retocar a minha tatuagem e de repente eu pergunto: “Cadê os “EMOS” que você disse que estariam aqui de sexta feira?” Pééé, errado! Eu quase me joguei da escada rolante nesse momento! Por que logo eu, que não acredito (ou acreditava) em rótulos estava perguntando sobre aqueles tais emos?! Sinceramente, minha amiga, se fosse nela colocada um rótulo, ela seria emo, mas, desde sempre, ela manda você a @#$%* quando você diz isso, então prefiro simplesmente dizer que ela tem um estilo próprio. Estilo próprio é o rótulo que todos esperam receber, ninguém gosta de ser mais uma “patricinha” no grupo, ou mais uma gótica, por que afinal de contas, não somos todos diferentes dos outros?       Eu gostei e vou adotar a teoria de organizar as pessoas em grupo para não causar uma pane na nossa mente, e também, para que podemos ser reconhecidos pelas pessoas com quem nos identificamos mais rápido, não podemos julgar as pessoas pelo tipo de roupa que ela usa, mas podemos ter uma idéia bem clara do tipo de vida que ela leva. Julgando uma pessoa que se veste toda de preto, com maquiagens muito fortes em plena luz do dia, ouvindo seu Ipod, ou em outros casos seus radinhos de R$ 1,99. Eu diria que ela é anti-social, que não gosta de dar risadas, que ouve músicas tristes, não ta nem aí com o que os outros falam e por aí vai, mas depois que a conhece, descobre que o único problema dela usar roupas pretas é...

Eu sinto o que digo

Eu sinto o que digo, e não digo o que eu sinto. Sinto amor, não quero dizer amor, sinto-me feliz, não quero contar felicidade. Digo ódio e digo palavrão. Não, minha mãe não quer ouvir de mim palavrão. Não… Eu sou a boa moça de sempre! Não digo o que eu sinto, Por que eu não sinto nada. Se as palavras me pegam de repente a escrever simplesmente rimar ou não rimar coração com coração boca com boca tanto faz. Não! Eu sinto o que eu digo. E se não me faz bem, eu não digo assim eu não sinto, e sinto, sim, o que eu quero. Amor… Amor é a única coisa que não dá pra dizer, somente sentir. De resto, eu sinto o que eu...

sem nome dois

Ser exceção não todos te entenderem e quererem ser iguais a você Não é todos gostarem das merdas que você diz só por que são fáceis de ser entendidas. Ser exceção é ter voz e não ser entendido Ter voz e dizer o que pensa, aceitar de cabeça levantada o que  pensam sobre você mas nunca se importar com as pessoas pequenas Ser exceção é pra quem não é simplesmente igual, ser exceção é brilhar com uma luz própria e poucos não se incomodarem com esse brilho. Ser exceção não é só ser especial, e sim lutar pelo o que você acredita, sempre, mesmo quando ninguém te apóia, ser exceção não é ter apoio dos excluídos, dos rejeitados, e sim manter o nariz empinado, e mesmo assim conseguir ver as pedras no...

sem nome um

Foto: Gabriela Pagliuca eu sou mais do que posso ser, eu sou bem mais do que eu pareço ser, eu sou mais que eu achava que consiguia ser, sou mais do que eu aparento ser. não sou poeta nem revolucionária, não sou a poesia nem sei rimar, não sou perfeita, mas sou romântica, e uma romântica que se orgulha do que faz. não estou esperando que me entendam, estou esperando respeito, não me venha cobrar o que eu não sou capaz, sei até onde posso ou não chegar. Deixem que falem besteiras, sobre besteiras ditas por você, não se importe com essas besteiras, mesmo não sendo besteiras pra você se essas besteiras te fazem seu  caráter e se são o que você acredita. Já passei da fase de me importar  com aqueles que cobram sem poder ao menos fazer. Você cresce e muda sua opinião, se permite ter novas informações, não seja conformado num mundo  em que você não pertence, nem tente viver num mundo que aparenta  ser de rosas e nuvens brancas! Pare de tomar conta da minha vida, arrume alguma coisa pra fazer, dance! pule! mude o mundo! você pode! deixa a música ser cantada. faça a sua parte  que a música faz a...

Abraçar

Foto: Gabriela Pagliuca Seis e quarenta da manhã, eu saía de casa como quase todos os dias, meio distraído, pensando nos acontecimentos da última semana. Foi enquanto eu brincava com a chave do portão em minhas mãos que eu a percebi. Linda, ruiva, um terço da sua perna aparecendo por causa de sua bermuda, uma camiseta da nossa banda preferida, em sua orelha direita, a que dava pra enxergar, duas argolinhas iguais, suas unhas estavam pretas e feitas, lindas como sempre. Demorou um momento pra ela me perceber ali parado atrás do portão, ela estava chorando com sua agenda aberta no dia do aniversário dele. Quando me viu, colocou a foto dele dentro da agenda e a fechou, a colocou em cima de sua mochila vermelha, levantou e colocou uma carta com a letra dele dentro do bolso da bermuda.  Veio até mim, com seu all star vermelho sem meia, seus cabelos lisos presos em marias-chiquinhas, ela era baixa, então, ficou nas pontas dos pés e me deu um abraço. Pude sentir aquele perfume só dela, suas mãos macias em volta do meu pescoço, tudo passou muito rápido, mas pra mim não, parecia uma eternidade, meu tempo parou e só voltei em mim quando senti uma lágrima dela molhando meu ombro, mas continuou aquele abraço tão aconchegante.  Ela tinha completado dezoito anos fazia três dias, estava quase terminando o colegial, estudava na escola desde a quinta série, ela adorava ir pra escola, todos seus amigos estavam lá, mas agora ela nem se importava com sua formatura ou vestibular.  Ela estava linda, mais linda do que todos os dias desde...

Congraçando

Estava sentada num banco de plástico, esperando por minha mini-pizza de mussarela quentinha, com minhas unhas roídas e óculos fundo de garrafa, falando com dona Maria, a mulher da pizza, sobre o calor do dia, entre meu escritório, de um lado da rua, e uma escola de desenho no outro lado. Deparei, então, com uma menina, com seus 16 anos, ruiva, com o cabelo solto que brilhava com o sol forte, óculos de sol, lindo sorriso, magra, baixa, com uniforme de uma escola, cortada na gola e na barra, com a calça de moletom baixa aparecendo suas covinhas nas costas, colares e pulseiras, munhequeira e um all star vermelho, ela estava andando naquela rua pouco movimentada de um lado pro outro, pisando nas folhas secas do chão, então um menino saiu da escola de arte, ela o chamou e tirou os óculos e minha pizza chegou. O menino tinha, talvez, um ou dois anos a mais que ela, cabelos muito lisos e pretos, bem penteado, uma camiseta verde um pouco mais escura que seus olhos, bem arrumado, com roupas legais e tênis. Ele não sorriu quando a viu, ele disse que precisava ir embora, mas que ele tinha gostado de vê-la, disse pra voltar outro dia para eles conversarem melhor. Ela se sentou no meio fio e pediu cinco minutos para ela tentar entender o que estava acontecendo e ele se sentou ao seu lado. Ele pediu desculpas e disse que não poderiam se ver mais, ela que estava abraçando seus joelhos e de cabeça baixa, levando seus olhos verdes furiosos, aliás, essa era a única semelhança externa que...
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Gabriela Pagliuca

aka/vulgo Gabitopia

Sou artista e facilito processo de autoconsciência. Alimento o Gabitopia, esse blog, há mais de 11 anos. Estudei e sigo estudando comunicação, facilitação de grupos e técnicas de cura a partir de manipulação de energia (holística).

Meu blog é onde está quase todo meu trabalho como escritora, para saber mais clique aqui. Para saber mais do meu trabalho como facilitadora de processos de autoconhecimento, acesse aqui.

Meu propósito é amar, dar amor e estar em paz. Aqui é meu lar virtual, uma ferramenta para eu cumprir meu papel!

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