2005. Segundo ano do colegial. 17 anos. Aula de literatura: grande professor Claudio. Em um aviso genérico, uma surpresa: haveria laboratório de redação para dois grupos de alunos: os que escreviam bem e poderiam desenvolver melhor; e os que não sabiam nada e tinham que aprender. Não era óbvio quem fazia parte de que turma. Não era obrigatório, mas talvez fosse interessante eu aceitar o convite. Fui escolhida, acho eu, por ser do grupo dos alunos que tinham que aprender. Tive uma surpresa positiva. Do meu jeito, eu sabia escrever. Foi aí que escrevi minha primeira crônica e quando surgiu a primeira categoria do meu blog. Histórias não-necessariamente-biográficas foram escritas com muito carinho e dedicação para os leitores do Gabitopia!

Gosto (gôsto) do beijo

O impressionante era como eles já se conheciam. Ela mais que ele. Eles estavam juntos fazia tempo suficiente pra isso. Talvez não muito tempo cronologicamente, mas momentos tão intensos vividos foi fazendo cada chamada perdida, tom de voz, olhar ou gesto acusar o que ele estava sentindo.  É o que eles diziam. Nesse dia estávamos todos em uma festa. Ela estava dançando e ele não. Ele puxou ela pelos braços e a beijou. Quer coisa mais normal que isso? Beijou tranquilamente passando a mão em seus cabelos ondulados e pretos. Ela sorriu e fechou os olhos de uma maneira delicada. Ela passou os braços pelo seu pescoço apaixonadamente. E ele em suas costas com alguma malícia. Foi aí que ela não sentiu o mesmo gosto. Parou de beijá-lo e no mesmo instante voltou. Continuava sentir algo diferente. O jeito era o mesmo. O que mudara foi o gosto. Abriu os olhos. Ao fazer isso viu que ele estava de olho aberto também. Ela parou. O olho dele não mirava para ela. Olhou pra trás. Viu aquela primeira troca de olhar entre nós...

Pensavam que era hippie, que estava protestando, sei lá.

            Fui pra Valencia no feriado de San José e parei para descansar. Perto de mim, uma menina sentada em uma toalha colorida, com a estampa do Senhor do Bonfim – da Bahia, por isso me chamou atenção -, com um casaco também colorido e uma mochila rosa. Não estava fazendo nada, só sentada ali, mudando de posição, uma hora sentada, outra deitada e às vezes de pé. Uma hora ela saiu, mas depois voltou. Um menino se aproximou dela e perguntou se estava tudo bem, ela disse que sim. Depois um grupo de adolescentes tirava fotos e quis tirar com ela, ela disse que não tinha motivo, que não havia motivo e os meninos foram embora sem a foto. Logo depois um homem se aproximou cauteloso: “posso te fazer uma pergunta?”, ela olhou pra ele sorrindo e ele continuou: “o que você quer transmitir? Paz?”, ela riu, disse: “desculpa, não entendi.”, e ele sorriu falando: “é que você ai sentada transmite muita paz, é isso que você quer transmitir?” e ela: “se eu transmito paz, melhor, mas na verdade eu só estou entediada esperando meus amigos chegarem”. O homem ficou sem graça e foi se explicando: “é porque você sentada e deitada assim, como você está parecia que queria passar algo e, sem vergonha de transmitir o que quer, uma paz, continue assim, viu, não mude!”, e saiu. Ela não estava entendendo nada, pelo o que ela disse só estava entediada e esperando seus amigos. Antes ela devia pensar que era mania de perseguição, porque achava que algumas pessoas a olhavam, mas depois dessas...

Soledad

Lendo um livro deitada na minha cama senti um coçar em minhas costas. Já estava me vendo mais magra nos espelhos, com calças largas e as blusas não marcavam tanto, mas quando minhas costas começaram a coçar, cocei. Senti minha pele. Deixei minha mão lá, parada, nas costas. Minha calça estava mais baixa por conta da magreza. Senti e senti pena do meu corpo. Não por nada, estava mais bonita, menos pesada, mais solta. Mas porque ele não pode ser de alguém? Ser tocado? Abraçado pelas cinturas? Porque tem que ser sozinho, não pode encaixar com ninguém? Porque tem que ser solto, sem molde, sem par, sem dono, sem sal, solto? Porque a busca por alguém é tão forte dentro da minha alma? Porque eu sempre tenho que procurar coisas que eu sei que não são importantes? Porque buscar um encaixe, um molde, uma alma gêmea musical e não só aproveitar o momento? Os momentos que eu senti minha pele, sozinha, tocada por mim mesma e senti pena de mim, queria aniquilar da minha mente. Queria sentir minha pele e ficar feliz por ser eu mesma, por me amar. Sentir minha pele das costas e sentir que não estou sozinha, que eu tenho eu, que eu tenho a mim, mas não consigo. Só consigo sentir que não tenho encaixe, não tenho conchinha, não tem ninguém respirando no meu pescoço, mas não consigo entender porque dói tanto....

Tentações da vida (para analisar).

(Considerações iniciais: Ok, eu amo escrever, mas já vi que a maioria das pessoas lê de forma linear (e isso me incomoda muito) e esquece que nunca é só um texto e sim, uma mensagem misturada com estética, estilo etc. Por isso, no final do texto tem algumas questões para a compreensão dele. Não existe “certo” e “errado”, cada um interpreta como conseguir. Não espere a resposta “certa” porque não vou “resolver” essas questões para você entender o que se passa na minha cabeça quando escrevo um texto, mas as questões são para você pensar mais sobre ele. A trilha sonora não é necessária, mas é legal. Divirta-se.)Sabe conversa de festa, de balada? O menino chega na menina, começa a conversar e papo vai papo vem, aparece até umas coisas inteligentes a serem ditas? Era mais ou menos esse os recentes assuntos de Diego e Andrea… Andrea era a mais nova da galera, não conhecia quase ninguém, a não ser um ex namorado e ela entrou na turma por causa dele, que era dele. Diego ficava com todo mundo, mas pedia sempre segredo, então era difícil alguém saber de alguma menina que ele ficava. Se todas já não tivessem sido, pelo menos, olhadas por ele, podiam desconfiar que era “conversa pra boi dormir“, mas se elas ainda não ficaram com ele, elas tinham certeza que um dia ficariam. Ele era bonito. Ela era bonita. Ele era confiante demais e ela de menos. Andrea já estava sem vontade de ficar em festas como aquelas. Para ela, todas as meninas se vestiam iguais pra tentar impressionar os meninos, para competir quem era a...

Mais um romance adolescente.

Consideraçõs iniciais: 1) leia até o final, ou o final. 2) você pode dar play aqui em baixo para ouvir a música, mas saiba que a música trilha sonora que eu escolhi dessa vez é “As cores” da banda Cine (super dedicado ao meu amigo @_jotaerre), portanto, só ouça essa música se você não é da turma do “ai, eu não suporto Cine” ou se você não for do gruppie “ai, eu odeio Cine” ou ainda “Ai, Cine? Que droga de música“. Não dê play se você não gosta de Cine – você vai ouvir Cine, e isso é um fato! Mas… Você pode também escolher uma música que você goste da sua playlist e deixar rolar, mas tem que ser romântica! Ou você pode fazer que nem meu amigo @IsaqueCriscuolo e ler sem música mesmo.  MixPod.com                   Ela estava sentadinha no ponto de ônibus, como de costume, foi ele que chegou pra converser com ela. Primeiro sorriu, como quem não queria nada, parecia querer só ser legal, e perguntou: “porque está aí ainda?” e ela, como se quisesse disfarçar a face vermelha de vergonha: “minha carona ainda não chegou… está atrasado mais de meia hora”… Ela já tinha falado com a carona, ele deveria chegar dentro de poucos minutos.                    “E você?”, ela perguntou “tá esperando quem?”… eles se olharam, ele se sentou ao lado dela, disse que não esperava ninguém e que ia ficar ali com ela enquanto o atrasadinho não chegasse. “porque você faz isso comigo?” ela sussurrou. “Isso o que?” ele perguntou rindo....

Aquele reflexo…

A última imagem que eu tenho dele é seu reflexo na porta do meu prédio. Foi a última vez que chorei por ele, que me passou pela cabeça que podíamos dar certo e não demos por culpa… sei lá… minha, dele… nossa… Aquele seu reflexo era o que ele realmente era, que só pude ver agora. Nunca tinha o visto daquela maneira, canalha, mentiroso… para mim, era sempre meu par perfeito, com todos os defeitos de uma pessoa normal, mas não a ponto de me fazer sofrer daquele jeito. O caminho inteiro de lá pra casa só respirei, só pude chorar ao olhá-lo pelo reflexo, quiçá ele nem tenha percebido as lágrimas que estavam misturadas com o suor de uma janela num dia de frio, muito frio que fazia em Madri naquele começo de noite. Naquele dia, quando descobri as mentiras e histórias mal contadas minha reação foi “sorrir” apenas com a boca, sabe, aquelas risadas sem os dentes? E virar de costas. Andar muito, muito, muito rápido sem olhar pra trás… foi isso que me salvou. Se eu tivesse olhado pra ele teria dado de cara com o meu príncipe encantado. E foi a imagem do reflexo que ficou na minha cabeça, a imagem de quem ele realmente é. Sempre achei que íamos dar certo, sempre achei que íamos estar pra sempre na vida um do outro. Mas ainda bem que eu descobri a verdade logo no começo… Antes, quando eu olhava pra ele, era bom olhar pra pessoa que eu amava. Nunca mais quis olhar. Nem se eu quisesse, não teria força, mas tenho certeza que pra...

João

Aperta o play aí e começa a ler:         Estávamos deitados numa cama de solteiro, um pouco mais apertados do que o de costume, mas minha cabeça estava no peito dele, então nem sentimos a falta de espaço. “Essa semana nos vimos mais do que a vida inteira”, ele disse. E eu dei nos ombros, como se nem tivesse percebido. Não é só porque tenho o visto muito que vai mudar realmente o que a gente é um pro outro.            Acho que sempre pensamos as mesmas coisas, pro nosso bem ou pro nosso mal. Hoje estávamos mais quietos do que o de costume, mas a minha cabeça estava no peito dele, então nem sentíamos a falta de assunto. “Como está sua vida aqui, tá gostando?”, ele perguntou. E eu respondi com sinceridade, que estava boa, mas parecia que nada havia mudado.            O que eu não estava entendendo era porque tantas perguntas… era ele quem sempre contava as estórias e eu só ouvia, sem dizer nada. Recordo-me até de uma vez que ele estava mexendo nos meus CDs em casa e viu um de uma banda que ele também gosta, eu já sabia, ele não tinha nem ideia. “Nem sabia que você gostava desses caras…”, eu disse só “pois, é…”, como se eu já soubesse e fosse um absurdo ele não saber.             Quantas vezes já escutamos ou já mencionamos essa banda? Parece que quando eu falava, ele não me escutava ou já estava pensando no próximo assunto que ele ia falar. E...

Madri, 27 de janeiro de 2010.

Oi, demorou mas finalmente chegou alguma notícia minha. Deixei seu endereço pendurado na parede do meu quarto pra quando eu tivesse um tempo, lembrar de enviar essa carta. Mas realmente não foi preciso deixar esse papel para que eu lembrasse de você… Na minha cabeça você aparece sempre, as vezes porque eu penso em você e no pouco que passamos juntos, outras vezes minha cabeça transformava qualquer outro homem em você se ele tinha o seu tamanho, sua barba por fazer e corte de cabelo igual ao seu… Olhava apaixonada pra ele, devo até ter sorrido pra um, pensando que sorria pra você. Mas quais as chances de ser realmente você, eu pensava… Nenhuma! Então minha mente frustrada voltada a ver o rapaz que era realmente e em nada parecia você a não ser o tamanho, a barba por fazer e o corte de cabelo. Eu não sei como fui me envolver tanto com você em tão pouco tempo. Eu lutei contra qualquer coisa que eu pudesse senti por qualquer um, eu sabia que ia sofrer. Corri de homens charmosos e me escondi de alguém que disse que havia gostado de mim. Eu sabia que a separação ia ser dolorida. Apaixonada as coisas são muito mais difícieis. A separação é bem mais difícil. Ainda não entendi mesmo como é que pude me envolver tanto com você. Corri de amores possíveis que iam até ter futuro, mas hoje estou assim, desse jeito, pensando em você toda hora, no outro lado do mundo. Não importa quantos meninos bonitos ou interessantes que apareçam no meu caminho parece que sempre estarei esperando por...

Contos do mar

  Parte das horas que estamos felizes, está relacionada com aquilo que sempre sonhamos e se tornou realidade. A gente ouve música e assiste vídeos e pensa que nunca vai acontecer com a gente. É… talvez não aconteça porque “felizes para sempre” às vezes pode ser muito chato. Na ficção, também, não sei porquê, os meninos e as meninas nunca têm muita personalidade, só fofura e beleza. Pra que queremos isso pra gente? Não sei, mas a gente quer. Um dia eu parei de querer isso, fui muito mais feliz a partir daí. Estava pensando nisso tudo enquanto eu andava pela praia no fim do ano. Passeava sozinha ouvindo músicas quase na hora pôr-do-sol. Como toda vida real, nada parecia acontecer. Enquanto o vento batia, eu sentia meus cabelos enrolados voando, algumas vezes eu até esquecia dos nós que tinham neles. O sol batia fraco, fazendo as marcas de espinha no meu rosto não aparecer tanto. Isso tudo me fez me sentir bonita, o que pouco acontece. Fui pro mar molhar meus pés. Deixei meus irmãos lá na casa pra andar, pensei que podia encontrar alguém pra conversar, alguém da minha idade pra indicar músicas ou dar um beijo no pôr-do-sol, mas a realidade era boa, mas não era perfeita. Foi aí que eu percebi que não tinha problema não acontecer. Eu estava feliz, me sentindo bem e o que tem de mal não ter uma história romântica pra contar? Eu me sentia bonita e feliz de verdade. O que mais precisava? Então, resolvi sentar pra ouvir o mar e a música e ver o sol indo embora dormir....

Compreensão

                  Compreensão. A minha palavra do ano é compreensão. Estamos vivendo em tempos em que todos são tão diferentes que as coisas, para dar certo, precisam ser diferentes. As pessoas deveriam escutar mais, tudo o que o outro tem a dizer, os interlocutores têm mania de entender o que quer e o que realmente se é proposto pelas pessoas desaparece nas interrupções que geram falta de compreensão. Nem toda hora somos felizes, mas também não somos sempre infelizes, temos que compreender os momentos bons e ruins de cada um. Com essa simples palavra, minha palavra do ano, a inveja, o orgulho e outros sentimentos ruins vão embora, porque nos tornamos mais tolerantes, muitas vezes nos colocando no lugar do outro. Com a compreensão, as pessoas ficam mais em sintonia, podemos ser felizes sem culpa e todos passam a aproveitar seu momento de “altos” na vida e aprender mais com os “baixos”. Vamos, então, ser mais compreensivos com as decisões, os sonhos, os desejos, as cautelas, ousadias e as realizações de nossos amigos, parentes, conhecidos, desconhecidos e também com o Universo (muito importante lembrar dos últimos dois).  Se não for pelos outros, faça por você: amanhã pode ser quem precisará de compreensão de...

Triângulo amoroso, criado por mim

“Ah, Lucas! É melhor eu ir embora… vou deixar vocês sozinhos! Vai que eu me apaixono, não vai dar certo…” eu disse. E ele sorriu, assim, como se eu não estivesse falando sério. “Você acha que é mentira?” completei. E ele só sorria. Aquilo partiu meu coração, porque não poderia ser sério? Ele era bem bonito, me interessei por ele na hora que eu o vi. No meio de tanta gente, ele não só me chamou atenção, mas também me acelerou o coração. Fazia tanto tempo que isso não acontecia comigo. O irritante era a diferença de idade… Ele tinha 17 e eu 22. Eu que cheguei pra falar com ele, mas como eu ia imaginar que ele era tão mais novo? A festa até que estava animada. Meus amigos eram poucos, mas conseguimos conhecer mais gente ali. Uns carinhas até chegaram em mim, eu acho, não estava prestando muito atenção. Eu queria bem o no-vi-nho, e nada tiraria ele da minha cabeça, sou assim. Nem sei por que existe preconceito. Eu já tinha me prometido que não ia ficar mais com menino tão mais novo, mas dessa vez eu podia ter aberto uma exceção, mas meus amigos vieram com um papo de que ele era muito novo, que tinha carinha de criança… eu fiquei pressionada e lancei logo um “é pra Fernanda, é pra Fernanda! Arrumei alguém da idade dela pra ficar com ela”. A Fê tem só 17 anos e ficou a festa toda num canto, no meio de um povo mais velho, então achei que ia ser uma boa saída para minha situação delicada, com meus...

Sei que assim não pode ficar.

faça um esforço para ler com a música, ela dá o ritmo ao texto.dê play e quando a música começar, comece a ler =] MixPod.com            Quietos e parados, Mateus e eu, em frente ao elevador do nosso andar. Eu estava com as chaves na mão e ele me olhando como se quisesse dizer algo. Parecíamos dois estranhos, esperando para nos cumprimentar. Aqueles poucos minutos me pareceram uns dez. Parecíamos dois desconhecidos. Não éramos.            Depois daquela noite, parecia que não íamos nunca dar certo. Nenhum de nós dois tinha coragem de dizer alguma coisa primeiro, então como sempre, ele foi o mais forte e disse: “odeio gritar com você”, e eu só chorei, por ser a mais fraca.            Eu não entendo porque tornávamos a brigar sempre que alguma coisa não saía como queríamos, e daí se as coisas não corressem como o planejado? A gente não pode ter tudo que quer, o tempo todo. “porque brigamos tanto?”, perguntei.           Sem respostas girei minha chave para abrir a porta, sabíamos que logo minha mãe chegaria e eu o deixaria ali como se nem o conhecesse. Ou ele fazia alguma coisa rápido, ou vai saber quando íamos poder falar disso de novo, a sós.            Se não fosse pela vontade dele repentina de me beijar, eu teria entrado em casa, ligado o chuveiro e o rádio e tudo daria certo, não iria mais chorar. Mas ele veio até mim e apertou minha bochecha como fazia quando queria me fazer rir. Mas não sei...

Sophia e Pierre… Pierre?

(ligue a caixa de som, dê play e stop quando sugerido, vamos tentar algo novo. dica: se você conseguir só escutar a música sem prestar atenção nela,  melhor)            O show ia começar logo que lotasse a balada. Para esperar, sentei no puff verde limão num canto da pista. Minha amiga estava no banheiro e para não perder o lugar, fiquei. Eu estava bem em frente ao palco e da pickup, Fred e Marcelo já a assumiam, deixando um som ambiente com o estilo da banda deles.            Eu estava distraída, lendo meus e mails no meu smartphone, meio sem prestar atenção, mas de repente senti um vento, ouvi um murmurinho e umas risadas… era ele, tinha certeza! Pierre havia chegado! As risadas eram dos amigos que conversavam algo que eu não podia ouvir e  o murmurinho de algumas meninas que como eu, ficaram felizes ao vê-lo. O vento eu não sei, acho que foi coincidência.            Eu o via sorrindo e me peguei sorrindo junto, sem motivo. Meu coração batia acelerado e me veio aquela vontade espontânea de ir falar com ele. Não fui. Tinha medo. Não sei do que, mas eu tinha. Eu nem percebia as coisas que aconteciam na minha frente: as meninas abraçando os meninos da banda; Tomás, o vocalista, chegando; mais murmurinhos; os staffs  arrumando o palco e muita gente entrando na minha frente…            Quando dei por mim, eu já estava de pé tentando seguir Pierre com os olhos, não conseguia pensar em outra coisa, nem sei como meu celular...

As lembranças da casa de madeira

Nick… Tá acordado? Nesse momento em que lê minha mente, se puder ler, não estou dormindo porque o cheiro do cigarro é muito forte e meu olho arde. Fiquei olhando ao redor do quarto, as coisas continuam no mesmo lugar, as mesmas bagunças e a mesma decoração. Só a TV que ficou maior… A casa de madeira me traz boas lembranças… Costumávamos frequentar há uns 4, 5 anos. Era sempre o mesmo cheiro, a mesma atmosfera, mas agora não é mais. Agora seu quarto cheira cigarro, algumas mulheres já passaram por aqui, a sua cama virou de casal e os livros de escola foram substituídos pelos da faculdade. Estamos mais velhos. Quando éramos mais novos, Nick, não nos desgrudávamos, éramos muito amigos e já brigamos muito, se lembra? Por qualquer motivo, alguns bestas, outros não. O que faltava entre nós era mais tolerância, porque amor sempre teve… Inclusive era um amor que eu nunca entendi. Amor de amigo, amor de irmão. Andávamos de mãos dadas, em baixo das cobertas nos beijávamos algumas vezes e depois era como se nada tivesse acontecido. Com você foi que eu descobri a amizade colorida, aquelas que é mais que amigo e menos que namorado. Depois dá uma olhada embaixo da TV nova, vou deixar meu colar com um pingente pra você não se esquecer de mim. Notei que de todos os amigos de antes, eu sou a única que não tem uma foto grudada na sua parede. Antigamente me interessava pelo seu jeito, era um misterioso fofo que se abria comigo de vez em quando, me fazia até pensar que eu era especial,...

Escolha Saudável

A festa começou. Já havia tomado dois energéticos lá fora, a final, sabemos que dois fora da balada é o preço de um, dentro. Depois de me dar asas, é impossível ficar desanimada, mas minhas energias estavam se acabando na pista, ao dançar. Putz, putz, putz, putz, pá, pá, pá, pá, pá… Uma e quinze da manhã, bateu a primeira sede, comanda na mão? Sim! “Uma coca, por favor? Não, melhor, pode ser um guaraná!”, geladinho e refrescante, tudo o que eu precisava para repor as energias.Tsááá. Glup, glup, glup, Aaaaah! De volta à pista. Lá pelas três horas, o calor estava de matar, algumas pessoas já estavam bêbadas e outras desanimadas. A sede se acumula de novo – não podemos beber em balada SEMPRE que dá sede, é muito caro tudo -, o bar estava próximo. Vamos lá, uma coca? Um guaraná? SEIS reais? E a água? Aquela coisa insípita, inodora e incolor?! Ah, vai água mesmo, levando em consideração que estava com sede e refrigerante é caro. Ao pegar na mão aquela garrafinha gelada senti algo diferente: era mais forte, mais pesada. A sensação foi ainda melhor quando abri a garrafa e não saiu gás como os refrigerantes. O primeiro gole veio sem muita vontade, mas em seguida os goles ficaram mais saborosos. “Dizem que a água é a origem da vida”, pensei. O consumo adequado de água ajuda a controlar a temperatura do corpo, nos mantém hidratados, equilibra a quantidade de sódio no corpo, ajuda a digestão, reduz o risco de infecções, ajuda a evitar dores no corpo, etc. Além do biológico, a água tem significado...

Felicidade

Nessa semana, vi uma cena peculiar: um senhor e uma senhora de idade sentados na calçada da Av. Rebouças entre a Av. Faria Lima e o shopping Eldorado – zona oeste de São Paulo – eles eram muito simples, estavam sentados num pedaço de pano no chão, as árvores serviam de varal e estavam tão a vontade que desconfiei se aquela não era mesmo a casa deles. O que mais me chamou atenção não foi apenas um casal de mendigos morando na rua, mas foi a felicidade que ela aparentemente estava. Algumas pessoas ao meu lado do ônibus comentaram sobre estarem bêbados. Eu não acredito, é uma hipótese, mas não é que necessariamente estavam. O homem estava deitado de lado, apoiado em seu braço direito, e ria com a mulher que estava sentada na direção de sua barriga, apoiada nele. Eles estavam dando gargalhadas, ela apontava pra algum lugar, estavam se divertindo de alguma coisa que não cabia a nós, do ônibus, entender. Sorri. Pensei no velho clichê das coisas simples. Eu que estava ali dentro cansada, com fome, sendo esmagada pelas outras pessoas que estavam sendo esmagadas por mim e outras também, com calor humano quase insuportável, eu não desejava mais nada além da minha casa, parei para refletir onde está a felicidade, que tanto buscamos. Lembrei de uma propaganda clássica que ficou por muito tempo na Av. Paulista, até a lei da cidade limpa, da Trip. A pergunta era: “você é feliz?” e tinha a foto de um senhor sorrindo bem grande, sem alguns dentes. Era uma propaganda linda, sempre me fazia pensar… Isso me faz pensar...

Sedução

Hoje estava eu sentada no ônibus lá pelas 16h, saindo de uma aula chata de química.. Não tinha muita gente, todos estavam sentados. Tinha acabado de brigar com o menino que eu estou ficando por telefone e estava escutando Across the Night do Silverchair, quando o menino mais gato de todos os ônibus da cidade de São Paulo naquele instante entrou no que eu estava! Aquilo foi muito excitante e em câmera lenta… Primeiro vi a cabeça dele no penúltimo degrau e logo depois ele pisou no último, já olhando para o fundo do ônibus, na minha direção. Gelei. Ele colocou a mão no bolso e tirou a carteira preta, relou no leitor e o aparelho amarelo apitou… Até o apito foi um apito longo e baixo, então ele passou pela catraca fazendo o barulho trec, trec, trec. Ele era realmente lindo e olha que eu já conheci meninos de alto nível de beleza. Ele era moreno, com cabelos lisos meio jogadinho na testa (não emo, mas jogadinho), alto, braços fortes suficiente pra me fazer sentir protegida sem ao menos saber seu nome. Além de lindo, se vestia bem. Ele estava com uma blusa azul marinho, com desenhos brancos e calça jeans. Olhou nos meus olhos enquanto guardava sua carteira no bolso. Contei 3 segundos. Desviei. Contei mais 5 e olhei de novo. Ele estava ainda olhando, indo se sentar lá trás. Tremi. Sorri, ele sorriu. Só que sou atrapalhada e deixei cair as coisas no chão. E o vi sentando quase atrás de mim. Tinha que me recompor e não deixar que a primeira impressão ficasse. Aquele dia...

Assunto: 6/9 dia do sexo

Por favor, se você for criança, não leia esse texto. (USE CAMISINHA) (Legendas: @verde- rubricas / @vermelho – Antônia / @vermelho entre parêntes – pensamentos de Antônia / @azul – Ivan / @azul entre parêntes – pensamentos de Ivan / Considerações iniciais: não medi as palavras nos pensamentos porque.. gente… em pensamentos não medimos nossas palavras) Antônia e Ivan na mesa de trabalho em pleno sábado de manhã, lá pelas 10h, tendo que trabalhar até as 16h daquele dia. Os dois sem planos pro feriado de 7 de setembro. Antônia, bem bonitinha, mas nada segura de si, e seu amigo Ivan, sanguinário conquistador de mulherzinhas desavisadas e uma companhia nada agradável longe do escriório, são colegas de trabalho, nada mais. Nunca rolou nenhum clima até que… – (O gato do Ivan e eu sozinhos em nossa mesa, é agora) Ivan! Sabe que dia é amanhã? É dia da conjunção carnal! (estou me oferecendo em termos jurídicos, como sou otária!)… – (Conjunção carnal é sexo em linguagem jurídica? Por quê?) É mesmo, não é? (é hoje, meu querido, é hoje) [Aproximando-se de sua colega com a cadeira, falando baixo.] Antônia, eu sei que amigo é amigo, companheiro sexual é companheiro sexual, mas estou sem planos pra hoje, não quer comemorar comigo? (se ela disser não, falo que estou brincando. Não vou perder nada mesmo, ela nem é tão bonita assim) – (nossa, achei que ele ia ser mais sutil… gostei!) Ah, poderia ser até… (hora do cu doce) [Se afastando] se você conseguir me seduzir, tô dentro. – (não, eu que estarei dentro) Ótimo, mas você não quer esses negócios românticos, né?! – (que otário, sexo...

O quanto amo minha cachorra.

Ela chegou em casa dia 25 de setembro de 2003. Claro que eu lembro, é a mesma coisa de aniversário de nascimento. Ela foi encontrada na rua por veterinária amiga da minha família que ia ficar com ela até perceber que, até então, “Tati” não conseguiria dividir atenção com outros animais da casa (3 cachorros, 4 gatos, 3 periquitos, 2 galinhas… casa de veterinária). Cocker ciumenta e carente, encontrou o lar certo. Não tinha animal em casa desde 1999 quando mudamos para o primeiro apartamento, no Rio, antes eu tinha um casal de rottweiler, mas me lembro de sentar na rede, em frente à piscina e a Chéri (Querida, em francês! Chique, né?! J) vinha até mim e colocava o pescoço na minha mão, daí eu ficava conversando com ela. E o Argus, um mulecão, vinha atrás me derrubando da rede. Era uma festa, lembrando que eu tinha 10, 11 anos e era menor do que sou hoje (sim, isso é possível). Mas esse texto não é sobre eles, mesmo sendo maravilhoso lembrar deles! A veterinária apresentou a ‘Tati’ pra mim e pros meus dois irmãos, eu tinha certeza que eu ia gostar dela, mas não fazia ideia que ia me apaixonar. Chegamos na casa dela e ela veio correndo, serelepe! Pulou na minha perna, como se dissesse “boa tarde, Gabi, me dá amor?” pulou na perna dos meus irmãos com a mesma expressão. Paixão à primeira vista. E levamos pra casa. O problema ia ser convencer meus pais. Ela entrou e a minha mãe foi conquistada de primeira. Quando meu pai chegou, ficou um pouco inseguro, mas ele...

Pedros

Eu não sou muito de me apaixonar, me envolver… Sou carente, mas não desesperada. Tenho alguns pretendentes, mas um tem namorada, o outro 16, um outro, ainda, não dá seta e me leva pro pagode. O único que é mais normal, é o da farmácia, mas ele já me vendeu absorvente. Esses Pedros me deixam louca. Eu tinha que ser três ou quatro Thaís pra eu poder dar conta de tantos. O único que corre atrás de mim e quer me ver, estuda aqui na cidade, mas tem uma namorada na cidade dele, no interior. Conheço faz um tempão, já tínhamos tido um caso antes de ele aparecer com essa namorada estranha. Eu não tenho como negar que ele mexia totalmente comigo, as vezes estou pra ceder, mas me seguro! Não sou nada mais além do que um brinquedo, um passatempo pra ele. A namorada mesmo, pra casar, é aquela lá do interior. E ainda palmerense! Ah, Pedro, só vou atender mais seus telefonemas se largar aquela lá e me valorizar, se não vai continuar sendo mais um Pedro na minha vida. O mais gracinha é o Pedro que tem 16 anos. Ele fala que 5 anos de diferença nem é tanta diferença… se você tiver 50 e eu 55 não faz diferença, mesmo! Ele não corre tanto atrás de mim, mas conseguimos nos divertir juntos. O problema é que não daria certo nunca essa diferença idade estranha. E ainda palmerense! Então, Pedro, eu vou esperar até quando você tiver mais velho (e virar corinthiano) e você ainda me quiser, a gente pode tentar. Mas por enquanto, você vai...
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Gabriela Pagliuca

aka/vulgo Gabitopia

Sou artista e facilito processo de autoconsciência. Alimento o Gabitopia, esse blog, há mais de 11 anos. Estudei e sigo estudando comunicação, facilitação de grupos e técnicas de cura a partir de manipulação de energia (holística).

Meu blog é onde está quase todo meu trabalho como escritora, para saber mais clique aqui. Para saber mais do meu trabalho como facilitadora de processos de autoconhecimento, acesse aqui.

Meu propósito é amar, dar amor e estar em paz. Aqui é meu lar virtual, uma ferramenta para eu cumprir meu papel!

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