Veja sobre o Gabitopia De 2005, quando eu comecei a escrever, até hoje, muitas ideias foram colocadas nesse blog. O conteúdo dos posts retratam minha caminhada, a passagem da adolescência para minha fase adulta. Alguns conceito mudaram, outros amadureceram e muitos novos estão por vir. O Gabitopia é um blog de crônicas, opinião, pensamentos, reflexões, debates, etc. Qualquer texto que me dá vontade de escrever está aqui. Hoje escrevo muito mais sobre espiritualidade, meditação, estilo de vida, relacionamentos, etc. O blog Já tem mais de 270 postagens e mais de 17 mil visualizações. Seja bem vind@ ao Gabitopia!

Mais “a favor”: sobre abordagens com amor e generosidade

Sou ciclista. Moro em numa cidade que tem bastante ciclovia, mas ando fora dela onde não há. A mobilidade é uma causa minha. Pense em uma bandeira que você levanta e faça a reflexão a partir dela. Veja abordagens possíveis pela causa do respeito no trânsito para com os ciclistas:

1) “Respeito ao ciclista! Todos juntos por um trânsito seguro!”

2) “Contra os desrespeito aos ciclistas! Todos juntos combatendo a violência no trânsito!”

Hoje fui almoçar em casa, de bicicleta. Pedalava numa rua sem ciclovia. Um/a motorista de carro me deu uma das maiores buzinadas que já levei, sendo que a rua era suficientemente grande para que eu, o outro ciclista que estava ali e o carro passassem tranquilamente.

Tendo praticado minha espiritualidade, estou muito mais amorosa e generosa. Tudo que eu senti hoje, quando me recuperei do susto da buzinada, foi compaixão. O que pensei quando meu coração voltou ao normal foi que deve haver alguma razão para essa pessoa ter feito isso e que com certeza ela não sabe o perigo que existe em buzinar para um/a cilista. Percebi também que, infelizmente pra mim, não são todas as pessoas que pensam como eu, que provavelmente @ motorista achou que os ciclistas estavam atrapalhando. Tive a certeza que era de amor o que ele/a precisava.

Eu sei que você deve estar pensnado: “você mandou amor, mas o que vai mudar? @ motorista vai continuar buzinando para @s ciclistas”. E se eu ficasse com raiva e irritada? Ele ia mudar? Eu apenas estragaria minha sexta-feira.

Se é de amor e respeito que precisamos, porque nossas bandeiras são, em sua maioria, baseadas em medo e intolerância? Vamos analisar as duas opções, relembrando:

1) “Respeito ao ciclista! Todos juntos por um trânsito seguro!”

2) “Contra os desrespeito aos ciclistas! Todos juntos combatendo a violência no trânsito!”

A segunda opção dá início de debates infinitos. Somos animais políticos. Queremos vencer. Queremos defender nossos pontos de vistas. Se eu falo para o individuo que buzinou pra mim que ele está cometendo uma violência contra o ciclista, ele simplesmente vai ignorar! Na visão dele, ele não está sendo violento, está apenas no direito dele de usar um item de fábrica do carro dele, e esse pensamento o fará ignorar a mensagem, julgando que ele não é o público-alvo dessa frase. E se insistirem com ele que ele está sendo violento, ele vai brigar.

A primeira frase, no entanto, é positiva e inclusiva. Abrange todas as pessoas e apoia que todas as pessoas devem colaborar por um trânsito seguro. Recebendo essa mensagem, @ motorista se incluiria pensando “também faço parte do trânsito! o que posso fazer para os ciclistas transitarem com mais segurança?” e eventualmente ele/a iria se deparar com a informação de que a rua é de todos, que foi feita para contemplar todos os seres com seu direito de ir e vir! Isso também inclui @s ciclistas, que passam a refletir o que podem fazer para colaborarem com sua própria segurança.

Além disso, se eu defendo essa causa pelo lado negativo, sem amor e tolerância, fico com as mensagens “violência e desrespeito no trânsito” no subconsciente e vejo tudo como uma ameaça. Dessa forma, acabo sendo hostil e me irrito com o motorista do carro que foi injusto, na minha opinião. Fico com medo, raiva e frustração e como, nesse exemplo,  pra mim, o problema está no outro, me dou o direito de ficar com raiva e atacá-lo***.

Solução do problema: educar com amor

Como eu poderia convencer o cara que buzinou fortemente pra mim que ele poderia ter agido de forma diferente para que eu e meu colega desconhecido não nos assustássemos? Educação para o amor, abordando com frases da primeira opção: “Respeito ao ciclista! Todos juntos por um trânsito seguro!”

Na minha opinião, portanto, todas as *causas* deveriam ter abordagens amorosas e generosas, porque não tem quem resista ao amor. Todas as pessoas, a não ser os criminosos sem coração, estão a fim de cooperar pela segurança no trânsito. Com educação, tolerância, amor, generosidade e leveza, todas as causas podem ser debatidas profundamente.

Em conflitos como “quem é o dono da rua”, as pessoas guiadas pelo amor sabem que têm que fazer seu melhor e que os outros também estão tentando dar seu melhor. As pessoas sem amor sempre acham que os outros estão atrapalhando ela, que ninguém tem esse direito – não sabem viver em conjunto. Pedindo que todos façam suas escolhas com amor e respeito, abre-se um caminho para autoconhecimento, como disse antes, “o que posso fazer para ser uma pessoa melhor?’.

Enfim… Muito além de nossas “causas”, pensar e agir sempre no amor, pra mim, é a saída para todos os nossos problemas. O amor é linguagem universal e qualquer coisa que fuja disso dá lugar ao poder, e todos parecem querer ter poder sobre tudo – até mesmo sobre a rua :(

E eu desejo, por fim, bastante amor e humildade por um trânsito seguro!

E porque a Madre Teresa na foto? Ela e outros pensadores que conhecem como as coisas funcionam me ensinaram bastante. Não sei se é exatamente essa a frase, mas finalizo com ela:

madre_teresa_de_nunca_irei_a_uma_manifestacao_contra_a_yymj36

Gratidão!

*** Sobre o direito que nos damos de ter raiva e atacar outras pessoas: Quantas vezes, no seu cotidiano, as pessoas foram injustas e você ficou com raiva e completamente irritad@? Pra você que leu até aqui, um segredo: A frustração que você sente não é com o outro, é com você mesmo. Essa raiva é apenas “projeção”. Se uma pessoa tem medo de algo, como de um acidente de bicicleta na rua por causa de um motorista desavisado, normalmente projeta esse medo no outro e isso causa os sentimentos negativos que provamos quando alguém nos incomoda. Ah, é tão mais fácil culpar o outro pelos nossos problemas! Veja esse vídeo depoisQuando culpamos o outro, paramos de olhar para nossos próprio defeitos. Esse é outro tema bacana, pesquisem sobre lado sombra e projeção!

Razões para não acreditar nos meios de comunicação em massa

(e preferir usar a internet a outros)

Este é um trabalho acadêmico de 7 de maio de 2012 para a aula de Estudos da Semiótica do meu curso de Jornalismo, 2012. Se você quer uma mensagem rápida, pule para a parte “conclusão”. Algumas atualização de hoje 07/06/2015 entrarão no texto como “2015: (…)”

 “Lembrando que tudo é uma teoria.”

Vídeo complementar:

Paranoia Tecnológica from Gabi Pagliuca on Vimeo.

Veja a crítica do professor nesse link.

 

Introdução

Uma marca de roupa quer vender sua nova coleção. Cria, então, toda publicidade para que todos desejem as roupas novas. É a nova estação, a cor da moda, a garota-propaganda é a modelo que está na mídia ou outra celebridade qualquer, etc. Passa a estação, a cor tem que mudar, a garota-propaganda não está mais na mídia, a celebridade é esquecida… muda a coleção, muda o desejo do consumidor, ou melhor, muda o que a publicidade quer que o consumidor deseje.

Uma marca de celular lança um novo produto. Cria, então, a publicidade desse modelo específico. As operadoras querem vendê-lo, dão descontos e fazem propostas mirabolantes, oferecem seus planos para o cliente conseguir desconto no aparelho da moda. As pessoas compram tanto que esgota. Logo todos têm o mesmo celular, e ele começa a ficar mais barato, mais banal, a tecnologia começa a não ser de última geração. O próximo passo é o lançamento de um novo modelo para o ciclo recomeçar.

O desejo do celular não é pela necessidade de um telefone. Se fosse por falar, para mandar mensagem, navegar na internet, usar o GPS e outros aplicativos interessantes, qualquer aparelho valia, bastaria fazer um upgrade no software quando viesse uma inovação de tecnologia, mas a indústria não funciona assim, não deixa. Ela convence os consumidores de que existe a necessidade do novo aparelho.

Com esse ciclo fomentando o desejo de comprar, as roupas e sapatos são deixados de lado, são considerados out, ou até mesmo quando uma roupa que acaba de comprar fica encostada, pois não caiu tão bem como experimentou na loja. Isso acontece porque “na verdade, o consumidor foi atraído pela relação do objeto com o todo dentro da loja: a música ambiente ‘techno’ e vibrante, a iluminação, o ambiente ‘fashion’.”[1]

A seguir, obteremos algumas explicações sobre este processo. A Escola de Frankfurt estuda a comunicação de massa e como os produtos passaram a ser considerados fetiches pela indústria, acelerando o consumo e gerando mais lixo, e como tudo isso foi um processo planejado e não aconteceu por acaso.

Escola de Frankfurt

A Escola de Frankfurt começa a estudar a comunicação e por que os meios de comunicação de massas (MCM) estavam tirando o poder das instituições antes concebidas como superiores – escola, família e igreja. Essas entidades tinham papéis fundamentais na vida das crianças, pois ensinavam os costumes, crenças e educação.

2015: Podemos visualizar também as entidades escola, família e igreja ignorando os preconceitos e pensando na essência dessas instituições: ensinar valores, artes, espiritualidade, ensinamentos técnicos e outros ensinamentos da humanidade.

Depois que os MCM, começando pelo rádio e logo o cinema, para mais tarde a televisão e hoje a internet, entraram em cena, passaram a transmitir o comportamento e os valores para as crianças, antes aprendido pelo pai, professor e padre.[2]

As crianças crescem e viram consumidores, pessoas que querem coisas, que desejam (2015: e desejo vem do ego, da necessidade de lidar com o mundo externo, de permanecer mais do “ter” do que no “ser”. O desejo não é necessariamente ruim, mas se torna maléfico quando esses desejos tomam conta de nós e benéfico quando nós tomamos conta, conscientemente, de nossos desejos, para que a gente não viva por eles.)

A escola de Frankfurt estuda a transformação de produtos em desejos e que o consumidor não compra o produto pelo seu valor de uso, mas pelo seu valor de troca. O valor de uso de um produto é tanto a utilidade dele como o prazer que ele proporciona. O valor de troca é seu valor econômico no mercado. Por exemplo, o aparelho celular. Seu valor de uso “corresponde à capacidade que propicia de nos comunicarmos a distância a partir de diversas localidades, sendo o aparelho facilmente transportado” [3], mas seu valor de troca pode ser R$ 100 ou R$ 3.000, dependendo da tecnologia e marca.

O fetiche, estudado por Marx e, portanto, pelos frankfurtianos, está vinculado diretamente com o valor de troca do produto, “correspondendo ao sentimento de fascinação experimentado pelos homens diante de um dado objeto comercial, o que os leva a idolatrá-lo”[4], neste caso, não proporcionado pelo produto em si, mas pelos comerciantes que fazem o uso de um discurso planejado e um grande marketing para convencê-los do seu valor de uso.

Os conceitos descritos sobre valor de uso, troca e fetiche, precisam ser compreendidos, pois, sem eles, “podemos interpretar erroneamente esse fenômeno como liberdade”[5], neste ponto de vista, o cliente estaria sendo manipulado a consumir e seu desejo não seria legítimo, mas induzido.

Portanto, a partir do momento que o produto torna-se um fetiche e não se compra mais pelo valor de uso, mas o valor de troca, a indústria consegue encontrar uma maneira muito mais fácil de vender seus produtos, pois passa a manipular os desejos dos consumidores e não vende mais por necessidade, mas por desejo, que não é natural 2015: natural do ser humano.

Teoria Crítica

Como demonstram diversos pesquisadores que seguem esta linha de pesquisa da Teoria Crítica, o fenômeno da sociedade de consumo baseia-se num jogo que jamais o desejo é satisfeito na plenitude.[6]

Os pensadores da Escola de Frankfurt, com ideias marxistas, foram os primeiros a estudar e refletir sobre a “dissolução das fronteiras entre informação, consumo, entretenimento e política”[7] ocasionada pela mídia e seus efeitos negativos na construção de uma sociedade crítica. A Teoria Crítica, portanto, é “pensar criticamente os meios de comunicação a partir de uma análise filosófica e econômica do capitalismo moderno associando à psicanálise profunda da cultura”[8].

A Teoria Crítica foi o primeiro estudo científico de comunicação, começando do zero, portanto seus pesquisadores tinham que consolidar a proposta a partir de conceitos de ciências sociais já estudados anteriormente, como a filosofia, economia e psicanálise.[9]

Depois da crise de 29, o comunismo pareceu que ia dominar os países como forma de salvar a economia, mas ocorreu o oposto, pois a população votou e escolheu os ditadores nos principais países europeus. A Teoria Crítica acreditava que a propaganda nazifascista teve muita influência para que isso pudesse acontecer, “o papel da propaganda política cientificamente organizada como fator decisivo como mobilizador das massas”[10].

A partir de então, a escola começou a estudar mais sobre Freud e elementos como o sado-masoquismo, presente no psiquismo humano, e foi explorado nas propagandas nazi-fascistas. “A propaganda nazista pregava ‘uma vida mais excitante’ ao mesmo tempo em que propunha ‘lei e ordem’, o que ressoava profundamente com o desejo e o medo daquelas pessoas. Isso revelava a genialidade de Hitler em lidar com a psicologia de massa e suas contradições”[11].

Indústria Cultural

A escola de Frankfurt desenvolveu a ideia de Indústria Cultural sendo a transformação de conteúdos artísticos ou culturais em mercadoria. Não se deve confundir esse conceito com cultura de massa, pois esta é a ideia de peças culturais feitas para o povo, assim como a cultura erudita é para elite.

No texto “Dialética do Iluminismo”[12], Adorno e Horkheimer escreveram que o controle social derivaria deste sistema político e econômico chamado “indústria cultural”, produtor de cultura transformada em mercadoria.[13]

A indústria cultural é definida por esta transformação de bens culturais em bens materiais, vendendo, por exemplo, uma música ou um filme da mesma maneira que se vendem sapatos ou bolsas. E, para Adorno, as pessoas que consomem seriam vítimas com gostos padronizados e induzidos a consumir esse tipo de produto.

Desta maneira, a indústria tira e coloca quem bem desejar para fazer sucesso. Não por acaso, as ‘divas pop’ têm vida curta e são esquecidas depois de certo tempo ou começam a aparecer totalmente diferentes do que eram, exemplos como Britney Spears, Lindsay Lohan e Christina Aguilera, que não estão mais na mídia como antes, depois de uma ter crises de loucuras, outra ir para a cadeia diversas vezes e a terceira aparecer mais acima do peso do que antes – e estar feliz com isso. Todas elas não estão mais lindas ou maquiadas suficiente para serem divas.

Obsolescência programada

Obsolescência programada é a diminuição da vida útil e do valor de um bem, devido não a desgaste causado pelo uso, mas ao progresso técnico ou ao surgimento de produtos novos.[14]

O documentário europeu Comprar, Tirar, Comprar[15], descreve que na crise de 29, completando o pensamento de Ferreira (2004), os Estados Unidos tiveram uma grande taxa de desemprego, “as filas não eram mais para comprar, mas para pedir trabalho e comida”[16]. De Nova Iorque surgiu, então, pela primeira vez por escrito, o termo obsolescência programada, como uma maneira de reativar a economia, Bernard London, um intelectual da época, sugeriu que ela fosse obrigatória, que todos os produtos tivessem uma data de validade e que os consumidores devolvessem o antigo e comprassem um novo, mas isso nunca foi colocado em prática desta maneira, a indústria aderiu à ideia com outras estratégias.

Depois de 20 anos, na década de 50, a obsolescência programada fazia parte do cotidiano, não por obrigar as pessoas a comprarem coisas novas e descartarem as antigas, mas seduzindo o consumidor para que o fizesse. Brooks Stevens, um designer americano que criou desde eletrodoméstico até carros de luxo, sempre se baseando na obsolescência programada, a define da seguinte maneira: “o desejo do consumidor de possuir algo um pouco mais novo, um pouco melhor, um pouco antes do necessário”[17].

Além da estratégia para vender mais, outro fator fez o consumo aumentar, pois “quando a produção em massa baixaram os preços e os produtos se tornaram mais acessíveis, as pessoas começaram a comprar por diversão e não mais por necessidade”[18]

No mesmo documentário, o filho de Stevens é entrevistado e diz que seu pai nunca desenhou nada que fosse quebrar de propósito e diz que “a obsolescência programada depende absolutamente do consumidor, ninguém o força a ir numa loja e comprar um produto, eles vão pelo seu livre arbítrio, é uma escolha deles”[19]. No entanto, o documentário A História das Coisas[20] argumenta de maneira diferente. Ele explica que existem dois tipos de obsolescência, a planejada que é a fabricação de um produto feito para durar pouco, mas que dure tempo suficiente para o usuário ter segurança nele e comprar novamente. A outra é a percebida, causada pela publicidade, que convence o usuário a trocar de produto mesmo o que ele tenha esteja em bom estado, por exemplo, vestuários ou aparelhos eletrônicos, que são deixados de lado só porque estão fora de moda.

Ou seja, de acordo com A História das Coisas, nos dois casos o consumidor é induzido a comprar novos produtos. Ou porque, no primeiro caso, o produto não tem mais utilidade, ou porque, no segundo, a publicidade o convence que precisa de outro mais novo, mesmo se ainda puder usar o antigo.

No site Administradores.com existe uma definição a mais, a obsolescência funcional que ocorre quando há no mercado um produto de tecnologia mais moderna, quando adquirir um produto novo é mais viável economicamente do que consertar o antigo ou quando nem ao menos existem novas peças a serem trocadas. A História das Coisas mostra o exemplo de um computador que, quando é fabricado um mais moderno, as peças que mudam são pequenas, mas não podem ser adaptadas na antiga máquina, pois são fabricadas para serem incompatíveis.

Para onde vai?

O documentário A História das Coisas mostra a estatística que 99% que um americano consome são descartados, ou seja, apenas 1% dos produtos adquiridos é realmente necessário e acompanha o consumidor por um tempo razoável.

Segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Brasil é o país emergente que tem mais lixo eletrônico por habitante, apesar de contestações dos órgãos público brasileiros, alegando que os dados são inconsistentes.[21]

Doar ou vender o equipamento antigo é uma solução viável, mas a maior parte das vezes o produto vai para o lixo, criando uma montanha de resíduos. “De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), o volume anual de eletrônicos descartados no planeta aumenta 40 000 toneladas todos os anos”[22].

Essa situação gera grande impacto ambiental, pois esses materiais contém metais pesados como chumbo, níquel e cádmio. Mas o compromisso deve ser de todos. Apenas 10% da produção está apta para reciclagem. Portanto, as indústrias deveriam começar a desenvolver produtos que possam ser recicláveis. Na mesma proporção, os consumidores devem começar a criar o hábito de descartar de maneira adequada o produto que não quer mais.

De acordo com um estudo divulgado pela Universidade das Nações Unidas, para a montagem de um desktop de 17 polegadas são usados cerca de 1.800 quilos de componentes. Somente de combustíveis fósseis são gastos 240 quilos, 22 quilos de produtos químicos e 1.500 quilos de água.[23]

Imaginamos, portanto, o quão maligno esses materiais são para o meio ambiente. Segundo o documentário A História das Coisas[24] se o mundo inteiro utilizasse recursos naturais como os Estados Unidos usam, seriam necessários vários planetas. Se com as novas tecnologias vem o inexorável dever de acompanhar o progresso, devemos fazê-lo com consciência, e tentar amenizar os impactos no Planeta Terra, por que só temos um.

Conclusão

A Escola de Frankfurt explica que a idolatração de mercadorias não são apenas consequências de desejos naturais do ser humano, mas uma maneira que as indústrias encontraram de fomentar a economia, usando do fetichismo que estudou Marx, mas que desde as sociedades antigas já existia, por exemplo, ao transformar um tronco de árvore em uma figura divina.

No começo do século XX, os produtos eram fabricados para durarem muito mais do que duram hoje, mas isso não seria vantajoso para um sistema capitalista, pois se o consumidor comprar apenas uma vez para durar para sempre, o consumo vai diminuir.

Embora isso pareça uma conspiração e que seja, para muitos, difícil de acreditar ou entender, pode se tornar fácil entendendo como a economia funciona e como os produtos que poderiam durar, tendem a dar problemas um pouco depois que acaba a garantia. Isso não é coincidência, pois os produtos poderiam dar problema antes, mas neste caso a garantia cobreira se fosse um problema fabricação. Mas normalmente um produto que é muito usado costuma perder sua utilidade depois de um ou dois anos.

Tudo isso foi um processo pensado e muito bem estudado, não existe por acaso. Os consumidores hoje são muitas vezes manipulados pelas publicidades que vendem ideias: estilos de vida, dinheiro, sucesso, beleza, família perfeita, felicidade; e não o produto em si.

2015: Para refletir – observando essas “realidades perfeitas” que fariam muitas pessoas serem felizes e estarem em paz por completo, me é claro que não são produtos que transformam nossa vida e que tudo isso começa com uma mudança interna. E para você? O que é realmente importante?

O consumidor, que muitas vezes não percebe que está sendo manipulado, acredita na sua liberdade de escolha, o que está correto até certo ponto. O documentário A História das Coisas ressalta que um americano está exposto a 3.000 anúncios de todas as formas e que “vemos mais anúncios em um ano do que pessoas há 50 anos viam durante toda a vida”[25], ou seja 3 mil anúncios dizendo que tudo está errado em nós, mas que isso pode mudar se fizermos compras.

2015: Ainda refletindo: E se você se preocupasse menos com a aparência e se aceitasse exatamente como você é, com qualidades e defeitos, tentando sempre melhorar em um aspecto? Será que você precisaria de tantos artifícios externos para simplesmente ser feliz e estar em paz?

Até mesmo um artista se torna obsoleto programadamente, pois cada artista tem seus minutos (dias, semanas, meses ou até alguns anos) de fama e são esquecidos como os exemplos já citados como as divas do pop e do cinema, tudo isso por causa da Indústria Cultural, que faz e desfaz divas e “novos Beatles”, que eles mesmos criam, como bem entender.

Todos os produtos que se tornam obsoletos, aparelhos celulares, máquinas digitais, televisores, roupas, sapatos, CDs, aparelhos de DVDs, etc, podem acabar indo para o lixo e poluindo o planeta Terra.

Para diminuir a poluição devemos respeitar o meio ambiente, reciclar, sermos mais conscientes na hora de adquirir novos produtos e, principalmente, tomar cuidado para não se deixar levar pela publicidade e marketing, pois são eles que nos fazem comprar, mesmo nós acreditando que não, que somos livres para fazermos escolhas, eles estão dizendo que nossa roupa não combina, já passou da moda, nossos eletrônicos são velhos, nossos corpos estão feios – e nós muitas vezes acreditamos nisso. A publicidade vende felicidade, mas seus produtos são programados para nunca nos satisfazer por completo. E ainda por cima, é um grande inimigo de um mundo sustentável.

2015: Essas são algumas razões pelas quais eu deixei de dar importância e acreditar nos meios de comunicação em massa. Troquei jornais, revistas, televisão e rádio pela internet. Na internet, eu checo se a informação tem mais de uma fonte e se elas são confiáveis, também sei onde estão as publicidades e editoriais com interesse, além, o mais importante, de eu mesma escolher o conteúdo e fontes que eu quero.

Não sou a dona da verdade, mas sei como as coisas funcionam para mim e para algumas pessoas que concordam comigo. Depois que passei a rejeitar esses meios de comunicação, comecei a descobrir algumas coisas muito importantes no ponto de vida de percepção. Acho que vale a pena refletir sobre tudo isso e começar a acompanhar os programas feitos para a massa com mais discernimento, crítica e desconfiança. Como disse Einstein, depois que uma mente se abre para uma nova ideia, ela jamais volta a ser do tamanho que era. Isso significa aumentar sua percepção, eu recomendo!

Referências

– Documentário A História das Coisas (The Story of Stuff),  Louis Fox, 2007. Hospedado em:  http://www.storyofstuff.org/movies-all/story-of-stuff/

– Documentário Comprar, Jogar Fora, Comprar (Comprar, Tirar, Comprar), Cosima Dannoritzer, 2010. Hospedado em: http://www.rtve.es/alacarta/videos/el-documental/documental-comprar-tirar-comprar/1382261/

–  Artigo “Escola de Frankfurt”, Ferreira, Wilson R. V., 2004

– Portal Secretaria de Educação do Paraná, consultado entre 4 e 5 de maio de 2012.

http://www.grugratulinofreitas.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/21/970/26/arquivos/File/materialdidatico/formacaodocentes/fundsoced/testo4.pdf

– Portal Laboratório de Prática de Ensino em Filosofia, consultado entre 4 e 5 de maio de 2012. http://www.laefi.defil.ufu.br/Arquivos/amercantilizacaodacultura.pdf

– UOL Educação, consultado entre 4 e 5 de maio de 2012. http://educacao.uol.com.br/filosofia/escola-de-frankfurt.jhtm

– Portal Libertas, consultado entre 4 e 5 de maio de 2012.

http://www.libertas.com.br/site/index.php?central=conteudo&id=2417

– Portal Administradores.com, consultado entre 4 e 5 de maio de 2012. http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/obsolescencia-entenda-o-que-e-e-como-funciona-o-motor-do-consumismo/43124/ (adaptado).

– Portal Jornal do Brasil, consultado entre 4 e 5 de maio de 2012. http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2012/04/29/descarte-correto-de-lixo-eletronico-ainda-e-problema-para-o-‘brasil

– Portal Info Abril, consultado entre 4 e 5 de maio de 2012.

http://info.abril.com.br/noticias/tecnologias-verdes/a-rota-do-lixo-28052010-13.shl

– UOL Tecnologia, consultado entre 4 e 5 de maio de 2012.

http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2008/02/26/ult4213u358.jhtm

[1] FERREIRA, Wilson, A Escola de Frankfurt, 2004

[2]http://www.grugratulinofreitas.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/21/970/26/arquivos/File/materialdidatico/formacaodocentes/fundsoced/testo4.pdf

[3]http://www.laefi.defil.ufu.br/Arquivos/amercantilizacaodacultura.pdf

[4] Idem 3

[5] Idem 3

[6] FERREIRA, Wilson, A Escola de Frankfurt, 2004

[7]http://educacao.uol.com.br/filosofia/escola-de-frankfurt.jhtm

[8] Idem 6

[9] Idem 6

[10] FERREIRA, Wilson, A Escola de Frankfurt, 2004

[11] http://www.libertas.com.br/site/index.php?central=conteudo&id=2417

[12]http://techne-episteme.blogspot.com.br/2006/10/dialtica-da-dialtica-do-iluminismo.html

[13]http://educacao.uol.com.br/filosofia/escola-de-frankfurt.jhtm

[14]http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/obsolescencia-entenda-o-que-e-e-como-funciona-o-motor-do-consumismo/43124/ (adaptado)

[15] Documentário Comprar Tirar Comprar, 2010, Cosima Dannoritzer

[16] Idem 15

[17] Idem 15

[18] Idem 15

[19] Idem 15

[20] Documentário A História das Coisas, 2007, Louis Fox

[21] http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2012/04/29/descarte-correto-de-lixo-eletronico-ainda-e-problema-para-o-brasil/

[22]http://info.abril.com.br/noticias/tecnologias-verdes/a-rota-do-lixo-28052010-13.shl

[23]http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2008/02/26/ult4213u358.jhtm

[24] Documentário A História das Coisas, 2007, Louis Fox

[25] Documentário A História das Coisas, 2007, Louis Fox

Meu filho me ensinou a perdoar

liberdade

Peço licença para contar uma história triste. Essa não é uma história real, mas sabemos que há milhões de casos como esse no mundo. O objetivo dessa estória é mostrar como utilizar o poder do perdão e da gratidão para viver melhor e trilhar o caminho do desenvolvimento espiritual.  

Já havia ouvido falar em mães que perdoaram as pessoas que tiraram as vidas de seus filhos, de propósito ou sem querer. Isso me deixava curiosa, pois embora espiritualizada, não sabia o meu estágio, meu nível de não apego aos sentimentos mundanos e às injustiças cometidas comigo diretamente. Acho que essa minha dúvida me deixou exposta a essa situação, para me testar.

Meu filho, Davi, de 13 anos, era muito mais avançado do que eu no quesito espiritualidade. Nascera assim, iluminado. Não se magoava com nada e não se sentia depressivo; para ele tudo tinha um lado bom, sabia perdoar e era grato como ninguém. Foi uma criança prodígio em vários aspectos, inteligente e tranquilo. Como adolescente, eu diria que vivia o presente, o agora. Sua missão sempre foi fazer eu e o pai dele felizes, agradecidos e nos lembrar de sempre seguir o caminho do desenvolvimento espiritual. Mesmo depois de sua morte.

Foi em um sábado à tarde que meu coração se sentiu apertadinho. O dia estava ensolarado, mas era como se estivesse nublado para mim. Algo iria acontecer. Meu sexto sentido materno me dizia para proteger meu filho. Eu ligava em seu celular, não atendia. Ele tinha saído de manhã para ir à praia jogar futebol e andar de bicicleta com seus amigos. Já havia passado a hora do almoço, e eu estava preocupada como nunca ficara antes. Chorei. Ligava em seu celular e nada.

Fomos procurá-lo, ligamos para seus amigos. Descobrimos que ele havia sido atropelado por um motorista bêbado enquanto atravessava a rua, na faixa, com o sinal vermelho para o carro e aberto para o pedestre. O carro não parou quando devia e atingiu meu filho. Davi não morreu na hora. Ficou em coma por três longas semanas.

Todos os dias, durante esse tempo, eu acordava no hospital e via meu filho me pedindo algo. Era sua alma falando comigo. Eu sabia que era uma escolha dela – da alma – estar ali ainda e que ele não estava mais em condições de permanecer aqui como ser humano. Sua alma estava pronta para deixar seu corpo, esperando apenas eu me libertar do medo e deixar a vida seguir seu fluxo.

A cada dia eu acordava diferente, mais preparada, mais forte, embora sentisse que a hora dele se aproximava. Era uma evolução intensiva, pois a cada momento estava mais próxima de atingir o perdão e de poder aprender uma grande lição dessa vida.

O bêbado que atingiu meu filho chorou como um bebê quando falou comigo pela primeira vez. Naquele momento, eu sentia raiva dele. Chorávamos os dois, ele pedindo perdão e eu desesperada. Para mim e quase todos ao meu redor, ele era culpado dessa situação, da minha dor. Uma atitude errada dele, proporcionou o inferno na minha vida, ao menos naquele instante.

Meu filho não voltaria, eu sabia disso. E, embora eu tivesse demonstrado a ele em vida, todos os dias, meu amor incondicional, feito meu melhor sempre como mãe e amiga, eu não tive tempo de me despedir. Os avôs e avós, não o perdoaram até hoje. Seus tios e primos não conseguem entender e sentem saudades de Davi.

Meu marido foi quem perdoou o motorista primeiro. Acho que veio dele as características avançadas de nosso filho. Ele dizia que não poderíamos carregar aquele fardo para sempre, que deveríamos perdoar e rezar para que a alma Davi estivesse bem, em paz, assim como ele era em vida. Meu marido já o considerava morto, pois as chances não existiam. Eu, ao mesmo tempo em que os médicos diziam isso, tinha esperança, pois ele estava vivo, respirando.

Comecei a sentir, aos poucos, o corpo de Davi sofrendo. Precisava libertá-lo. Do mesmo jeito que eu dei à luz a Davi, eu também o deixei sem amarras para que sua alma seguisse seu caminho. Eu sinto que fui, sim, de certa forma, responsável pelo começo e fim de sua vida – de uma forma positiva, pois ele se foi em paz, cumprindo sua missão de nos fazer felizes em vida e de nos deixar em paz no momento de sua perda.

Tudo aconteceu rápido. Em dois dias vi a necessidade de conseguir perdoar aquele rapaz e libertar meu filho. Comecei a buscar todas as respostas para meus sentimentos ruins. A raiva que eu tinha pelo motorista bêbado, a justiça que eu queria, a dor que eu sentia em todos os momentos dos meus dias… Nada disso traria de volta meu filho iluminado, meu bebê tão amado.

Primeiro de tudo, resolvi me perdoar por estar em um processo. Não me sentiria culpada por estar com raiva ou não perdoar, mas eu sabia que esse tipo de sentimento não era o que eu queria. No auge da minha dor, fui grata por todos os momentos que passamos juntos, desde o descobrimento da gravidez inesperada aos 17 anos, o aprendizado de como e o quê era ser mãe. Foram treze anos de felicidade plena, e eu era muito grata mesmo por tudo. Foi de repente que começou a chover aprendizados sobre o perdão e a gratidão.

Quanto mais eu lia e ouvia pessoas me aconselhando, mais eu era agradecida por tudo, e mais forte me tornava. Olhava meu anjo quase morrendo e sabia que eu tinha que perdoar aquele rapaz que cometeu um erro. Era algo que eu tinha que fazer por mim e por meu filho. Desconhecidos me falavam sobre perdão e meu marido reafirmava que já havia perdoado.

Em meio de tanta dor, encontrei o perdão ao ouvir meu coração. Ele dizia que tudo era uma forma de me tornar mais forte, de chegar mais próximo de minha alma. Eu ouvia meu coração dizer que o Universo é muito mais que isso tudo, ainda que nossa vida pareça limitada, nos encontraríamos de novo em outras existências, em outras dimensões.

Em poucos dias, os médicos me avisaram que não demoraria sua passagem. Foi nesse momento que perdi as esperanças de que as coisas pudessem ser diferentes, aceitei o passado, vi um futuro iluminado e perdoei o motorista que o atingiu. Em dois dias, meu filho desencarnou depois que me despedi dele. Sinto desde então sua alma nos protegendo, nos guiando e nos fortalecendo em todos os momentos.

Perdi a companhia de meu filho, mas jamais nos separaremos. Não porque é um apego meu, mas porque sinto que somos espíritos ligados, assim como meu marido e eu, eles dois e nós e nossa bebê Cristina que nasceu três anos depois que Davi morreu. Meu filho ficou em coma durante três semanas, o tempo necessário para que eu aprendesse a perdoar e que ele pudesse ir sem deixar nenhuma pendência nesse plano espiritual.

De fato, hoje, eu não vejo mais o rapaz que dirigia bêbado como alguém que me fez mal, ou a meu filho. Percebo-o hoje como alguém que e ajudou a chegar mais perto de meu coração, com amor. Amor pelas pessoas, pelo meu filho, pela minha família. Não ignoro o que aconteceu, Davi faz falta, choro de saudades. Mas o perdão não é ignorar tudo isso, é saber que o que aconteceu está no passado e devemos olhar para o futuro com outra percepção das coisas.

O homem que atingiu meu filho não teve má intenção. Foi algo que ele não imaginava que pudesse acontecer. Ele também aprendeu muito. A justiça terrena acabou sendo feita e sei que não deve ser fácil para ele carregar a morte de alguém e a dor de uma família ao perder um ente querido por sua irresponsabilidade.

Por tudo isso, por mim, por minha família e principalmente por Davi que eu o perdoo de verdade, com todo meu coração.

Aprendi que não estamos sozinhos. Os momentos de dor são chances de recomeçar, de aprender algo novo e superar limitações.

Sou grata por tudo isso.

É perdoando que nos livramos do fardo que carregamosIsabel Allende

“O perdão também exige uma mudança fundamental na forma de ver a pessoa a quem você poderá perdoar. Em vez de vê-la como alguém que o vitimou, veja-a como alguém que poderá ajudá-lo a chegar mais perto do seu coração”. Baptist de Pape

Essa história foi inspirada no relato de Isabel Allende, narrada no capítulo 15. Perdão, do livro O Poder do Coração, de Baptist de Pape. Este é um livro essencial às pessoas que procuram a evolução espiritual, recomendo. Além dessa leitura, recomendo “O Poder do Agora”, de Eckhart Tolle; e o documentário (ou livro) O Segredo e o livro A Magia, os dois de Rhonda Byrne, sobre a lei da atração.

Ela

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Havia se passado dois anos desde que sua alma gêmea desencarnara em um trágico acidente entre seu carro e um caminhão.

A saudade era o que doía, a vontade de tê-lo por perto, de que ele pudesse ver seu filho crescer, de poder dividir suas vitórias e alguns fracassos temporários com ele. Não podia mais. Mas sabia que era questão de tempo até se reencontrarem em outro plano, ou em outra vida.

Ela seguia sua vida aqui na Terra, mas não era tão alegre como antes. Não tinha o mesmo brilho no olhar. Às vezes passava horas chorando. Não era totalmente infeliz, mas sentia saudade. Lutava por sua felicidade. Tentava trabalhar, cuidar da criança de apenas 3 anos. Seguia firme, embora aquele caminhão tivesse levado uma parte de sua paz.

Resolveu, porém, numa tarde em seu escritório, aceitar o convite de uma amiga para seu aniversário. Seria uma festa em uma casa noturna, lugar que ela não ia desde que se tornara mãe. Pouco antes, ainda grávida, foi comemorar os trinta e dois anos do marido.

Ligou para sua mãe, pediu que ficasse com seu filho naquela noite. A mãe se animou, nem acreditava no que acabara de ouvir. Aceitou na mesma hora, pediu apenas que esperasse por confirmação.

Naquela noite foi quando se conheceram. O novo ele era divorciado. Ela sabia que podia que namorar e que estar com alguém não seria pecado, não haveria traição. Ele queria que ela fosse feliz. Ela queria ser feliz. O novo ele era interessante e logo teve vontade de conhecê-lo melhor, apenas aquela vozinha dizia que não deveria fazer isso. Besteira, ela sabia que era o certo a fazer.

Naquela noite, o novo ele conquistou sua simpatia e curiosidade. Passaram a maior parte do tempo conversando, rindo, contando suas histórias. Ela não tirara a aliança do falecido marido, então teve que dizer logo de cara que era viúva, pois ela queria que o novo ele soubesse da informação. Não entraram em detalhes. A noite foi agradável.

Nunca iria amar alguém como o amou, ela pensava. Nunca. Eles eram almas gêmeas, ela sabia disso. Ele também. Ele a amava profundamente. O amor deles era lindo, sereno, sincero. Não tinha cobrança, não tinha dúvida nem ciúme. Tinha brigas e muitas. Nunca amaria alguém como amava ele.

Mas o novo ele estava se aproximando. Depois da festa, a levou pra casa e trocaram telefones. Tinham muita coisa em comum.

Dias depois, mais um encontro tiveram e começaram um romance. Foi difícil para ela começar a se entregar. Não conseguia deixar de pensar nele e o novo ele estava tentando ser compreensivo – sinal de que o novo ele valeria a pena.

O filho deles gostou do novo ele. Passavam muito tempo juntos. Começaram a namorar. Assumiram nas redes sociais. As pessoas ficaram felizes por ela. E ela estava feliz. E o novo ele era realmente legal. Mas sabia que ela não o amava como amou o antigo ele. Mas ele não se importava, compreendia.

A mãe do antigo ele se surpreendeu positivamente quando ela entrou em contato para contar a novidade. Convidou ela para que o conhecesse, saíram todos para o teatro: ela, ele, o filho, a mãe e o pai do antigo ele, avós da criança. Ficaram felizes ao vê-la feliz. Mas sabia que o antigo ele não saía de seu coração e isso os deixava ainda mais feliz. A lembrança do filho único iria durar pra sempre. O neto não esqueceria do pai, ainda que não pudesse se lembrar.

Passaram muito tempo juntos, se descobriram muito afinados. Foram morar juntos e tiveram uma filha. Os quatro viveram muito bem, entre brigas e algum ciúme, existia amor, de ambas as partes. Mais dele. Menos intenso dela. O antigo ele nunca fora esquecido. Alma gêmea, eles eram. É o amor que transcende a matéria, o plano terrestre. Mas ela encontrou a paz novamente com o novo ele. E foi assim o antigo ele poderia, então, seguir em paz, esperando o próximo encontro entre as almas gêmeas.

“Foi ele que te colocou na minha vida, posso de novo ser feliz”, dizia ela em vida, “obrigada, meu companheiro terrestre”, disse para ele antes de desencarnar, já velha. E se encontraram, as almas gêmeas.

 

Gratidão

(atualização 17 de julho de 2015: ôba! mais uma etapa superada! pouco tempo depois de escrever esse texto, larguei os remédios!)

1462810_666767120020780_341551041_oEm 15 de novembro de 2013 tatuei a palavra “gracias” no meu pulso esquerdo, bem no meu campo de visão. Como sou canhota, utilizo muito meu braço esquerdo e quase o tempo todo estou olhando para ele.

 Há muitos anos, eu queria tatuar a palavra “grazie”, obrigada em italiano, em homenagem aos Pagliucas. Sempre senti vontade de agradecer ao Universo por ser uma moça verdadeiramente abençoada, não só por ter crescido com privilégios graças ao esforço e garra fora do comum dos meus pais, mas por ter nascido em uma família unida, superando as dificuldades e tristezas com muito amor, por ter amigos, por ter saúde, por ter escolhido aprender ao invés de ficar estagnada, enfim… por muitos motivos.

Decidi mudar o idioma depois de morar na Espanha, em 2010. Nunca fui pra Itália e não falo italiano. ‘Gracias’ me parece mais significativo. E eu acabei fazendo uma homenagem ao meu tempo de Madri, às minhas amigas amadas e às experiências incríveis que tive lá. Gracias, España! Te echo de menos!

A tatuagem não está nesse local a toa. Não é algo que quero mostrar para os outros, que apenas ilustra parte da minha personalidade. Quis fazê-la ali para me lembrar, constantemente, como tenho que agradecer.

Minha mãe sempre me perguntava, nas minhas crises de depressão: “o que te falta?” E eu respondia: “Nada! É só um vazio que sinto e me vem essa tristeza homérica”. Mesmo assim, sempre fui grata, nunca deixei de demonstrar isso para quem eu amo.

Mas agradecer e se revoltar pelo “vazio'” não bastava, sentia que era errado. Procurei ajuda. Há mais um de ano, tomo dois remédios diários para combater esse vazio. Depois deles, não tive mais crises, apenas sensações – motivo para meu médico não me dar ‘alta’ – e sigo tomando-os para controlar minha bipolaridade.

 E agradeço muito pela medicina me ajudar. Sem ela, não conseguiria estar em “equilíbrio químico” dentro de mim para conseguir atingir meu equilíbrio psicológico e espiritual. Coisas que só quem toma remédio e sente a diferença pode entender. Os demais, com todo respeito, não precisam perder tempo criticando aqueles que se medicam em busca de equilíbrio. Estamos melhores assim, cada um – e seu médico – sabe o que é melhor pra si.

Essa questão de equilíbrio tem tudo a ver com agradecimento. Não basta agradecer quem oferece ajuda, não basta reconhecer o gesto alheio. Precisamos encontrar a gratidão em cada momento da vida. Ser gratos pelo que nós mesmos fazemos por nós. Reconheça também a beleza no sol, na lua, na criança, no alimento, na planta, na saúde, na música… Seja grato por estar vivo: é um milagre!

Quando somos verdadeiramente gratos pelo que temos e somos, acabamos sendo automaticamente gratos aos que nos proporcionam ajuda – meu ponto é que não basta dizer “obrigada”. E a gratidão é uma das únicas formas de se conseguir ser realmente feliz. Ser grato é enxergar a vida mais bela, saber que iremos enfrentar dificuldades, mas é somente delas que vêm as conquistas. Quem disse que ia ser fácil? Sou grata por ser difícil. E por tantas outras coisas.

O que já tenho até aqui

Quando criei a categoria Avanços Espirituais, a intenção foi fazer o que estou fazendo agora. No entanto, não tinha uma linha de raciocínio na qual seguir, não estava partindo de um ponto para outro. As coisas estavam embaralhadas na minha cabeça. Eu, apenas, documentava minhas opiniões, sobre temas que poderiam se encaixar de alguma maneira nessa categoria.

Listo, aqui, alguns dos textos mais recentes e, talvez, mais interessantes que têm ligação direta com esta nova etapa da minha vida.

(Alguns posts podem estar desconfigurados, porque estou configurando aos poucos, dos mais novos para os mais antigos!)

O Poder da Mente Humana, de 19 de junho de 2014, é o último texto do blog que fiz antes de começar a categoria Novos Caminhos. Nesse texto, contei uma experiência que tive com “a lei da atração”, em 2012 – quando eu ainda não tinha percebido a importância de tomar cuidado com nossas intenções, pensamentos e atitudes. Absorvemos diversas informações durante nossa vida, mas somente conexões entre elas nos fazem entender alguma coisa importante. No meu caso, recentemente entendi como a lei da atração funciona e, assim como a gravidade ou a eletricidade, você pode ignorar como ela atua e deixar seus sentimentos descontrolados mandarem em você, mas ela existe e quanto mais rápido você souber controlá-la, mais rápido poderá utilizá-la ao seu favor. Vou falar sobre isso em algum post. Não é magia, não é autoajuda, não é loucura. É apenas usar as energias a nosso favor.

O Povo, do dia 21 de fevereiro de 2014, é uma crítica às pessoas que não querem evoluir, ou não conseguem. Além disso, faço uma distinção entre as pessoas. Existem os que estão conformados, que vão seguindo o fluxo como em The Walking Dead, atrás da “sobrevivência”. É um texto sério e um pouco triste, foi mais um desabafo, não acredito que tenha algo para ensinar nele. Afinal, como eu disse, não quero impor meu estilo de vida como o certo, mas tenho direito de criticar o que me incomoda.

O texto Sobrevivência Terrestre, de 2 de março de 2013, tem a ver com poluição e degradação do meio ambiente derivado do nosso estilo de vida. Nele, eu cito um link para meu board no Pinterest “Selva de Pedra”. Aqui, no entanto, levo você ao meu Pinterest “Paraíso Perdido“, muito mais positivo, jorrando energia positiva e gratidão.

Aceitemos, simplesmente, de 9 de outubro de 2012, é um texto sobre homossexualidade e a polêmica que esse assunto gera. Minha conclusão está no título: aceitemos, simplesmente. Toda forma de amor é válida, o amor é sublime e, quando todos nós formos embora desse plano terrestre, não haverá feminino e masculino como imaginamos, com pênis e vagina, peitos para amamentar ou outras partes do corpo. Simples assim.

Ó, liberdade, de 11 de setembro de 2012, fala sobre minha vontade de ser livre. Questiono o senso comum, o sistema, se somos livres de verdade. Esbocei, aqui, minha vontade de mudar de estilo de vida, para algo que eu realmente possa ser livre. Tá vendo como isso tudo não é nenhuma novidade pra mim? E você achando que eu estava brincando :)

E esse, então? Vou largar tudo e ser Feliz, de 22 de fevereiro de 2012, foi quando decretei que isso aqui aconteceria, mais cedo ou mais tarde! Eu estava em uma época feliz, estagiando, estudando e fazendo trabalho voluntário! Mas eu queria sair dali. Eu só não imaginei que fosse Santos/SP meu destino inicial!

E, finalmente, mas não menos importante, Leia Gênesis que você vai entender, de 31 de janeiro de 2012. Já faz longos anos que não acredito especificamente em nenhuma doutrina específica. “Minha religião é o amor”, disse uma amiga que está seguindo um estilo de vida muito bacana e que estou em contato com ela para saber mais! Esse post surgiu de um debate sobre ‘extraterrestres’ e uma pessoa lançou um “Leia gênesis que você vai entender”. Eu quase disse: “leia O Guia do Mochileiro das Galáxias que você vai entender”, mas não quis brigar, muito menos desrespeitar a religião da pessoa!

Agora que vocês estão um pouco mais contextualizados, podem fazer conexões entre o meu passado, meu presente e sobre tudo o que está por vir aqui.

Gratidão!

Novos caminhos perigosos

“Vá, mas não rompe”, me disse a entidade Ogum Beira-Mar, quando fui a um centro espírita de Umbanda, no final de 2012. Conversei com ela sobre minha vontade de sair da cidade em que eu morava, São Paulo, para ir morar na praia. Ela me disse que é onde fica quando não está atendendo no centro, onde ela trabalha.

Alguns dias depois, tive uma briga com alguém que amo muito e fiquei sem falar direito com ele durante uns três meses. No dia da briga, gritamos um com o outro e eu saí do local. Ao descer as escadas, senti meu coração dizer “vá, mas não rompe”. Nunca tinha entendido a expressão “ouvir a voz do seu coração”, mas, a partir dali, passei a entender.

Enquanto me resolvia com essa pessoa que eu amo muito, tive a oportunidade de sair de São Paulo, vim morar em Santos. Pensei: “não tem como eu romper morando longe, uma coisa não tem a ver com a outra. Distância é nada perto do amor que sentimos”. E assim estou há pouco mais de um ano, indo visitar minha família pelo menos uma vez ao mês, mantendo contato com meus amigos e seguindo minha vida.

As coisas começaram a mudar quando, nesse meio tempo, entrei em uma jornada de autoconhecimento da qual não pretendo voltar. Percebi que, talvez, Ogum Beira-Mar não estivesse falando apenas de “ir” para outra localização geográfica. Percebi que há lugares ainda mais perigosos a ir e que podemos dar margem para que os outros falem, julguem e tentem impedir. E se for alguém com importância na sua vida, ainda, poderá haver uma ruptura indesejável para ambos os lados. O caminho é perigoso a esse ponto – e olha que não estou fazendo nada errado, ilegal, antiético. Estou apenas querendo seguir um caminho pouco convencional.

“Vá, mas não rompe”, esse talvez seja meu maior desafio a enfrentar. A busca por um estilo de vida que eu sempre quis, mas nunca me dei o direito de ter, começou já há algum tempo. Tenho procurado me informar, conhecer, procurar, questionar e refletir sobre diversos modos de pensar e viver. Agora está na hora de colocar em prática o que eu tenho aprendido. E talvez isso não vá de encontro com o que algumas pessoas acreditam.

Não importa o que eu tenha aprendido… Tudo tem a ver com o que eu optei absorver, com que materiais me construo diariamente. Não quer dizer que eu esteja certa e os outros não. Ao contrário, isso tem a ver apenas com o estilo de vida que cada um escolhe.

“Vá, mas não rompe” não saía da minha cabeça. Mas algo precisaria ser rompido: a barreira do medo. Estou tão decidida a mergulhar de cabeça que não tenho mais medo. “Vá, mas não rompe” serviu de aviso e já está claro, não irei cometer esse erro.

Afinal, o caminho pode ser perigoso e arriscado, mas é cheio de amor. E quem tem amor no coração, não rompe com os entes amados. Estou livre, me sinto livre. Só espero que eles me compreendam e me deixem ir, sem romper comigo. Deixo isso na mão do Universo.

O Poder da Mente Humana

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De um tempo pra cá, tenho refletido sobre a tal Lei da Atração. Conhece? Bom, existe um livro e um filme sobre o assunto, que ficaram famosos há uns anos, chamado “O Segredo”. Parece autoajuda, porque na verdade é para as pessoas se “auto ajudarem” mesmo, mas é mais do que isso. É sobre essa lei que é, inclusive, estudada pelos físicos quânticos.

 O filme completo está abaixo do post. Se gostarem do tema, sugiro que procurem mais sobre ele. Tem muitas coisas sobre isso, diversos pensadores que desenvolveram, inclusive, metodologias para que se alcance o que se quer.

Minha reflexão é sobre o poder da nossa mente e o que ela pode fazer por nós. Ao refletir, lembrei de uma situação em que atraí exatamente o que eu queria, sem saber que eu estava utilizando essa Lei da Atração.

 Em 2012, eu tinha uma meta muito bem estabelecida. Eu sabia onde estava e onde eu queria chegar. Minha meta era tirar nota 10 no TCC. Eu fazia parte de um grupo de três meninas, eu, Dora e Paula. Nossa orientadora, a Cris, sempre muito legal, mas querendo ser realista, dizia: “Tirar 10 no TCC é praticamente impossível. Para ter nota 10, o trabalho precisa estar perfeito. Nenhum trabalho de conclusão de curso é perfeito”.

Eu não desisti, não. Dizia pra ela: “Ok, professora, mas qual é o caminho para a nota 10?”. Ela dizia que estávamos no caminho certo. Era sempre a mesma coisa: quando pedíamos orientação para alcançar o 10, ela dava o mesmo alerta. Insistíamos e tínhamos a mesma resposta: vocês estão no caminho certo.

No final do ano, quando ela fechou nossa nota, mesmo achando que o trabalho estava, de fato, perfeito, nos avaliou com 9,5. De acordo com ela, iria parecer arrogante ao dar nota 10 para suas orientandas. De certa forma, fiquei decepcionada. Mas continuei trabalhando firme para chegar ao 10. Afinal, a nota dela seria somada com a nota da banca final, o que nos daria uma média.

Ainda havia chance. E 9,5 não era uma nota ruim, levando em consideração tudo o que tínhamos escutado o ano inteiro. No dia da banca final, estávamos tensas, como todos ficam. Ao nos avaliar, a banca fez algumas considerações, mas observou que o trabalho estava ótimo.

 Ao receber o resultado, uma surpresa: a banca tinha nos dado nota 10!

E somando com a nota 9,5 da orientadora, ficaríamos com média 9.75 – e isso arredondou a média final pra 10!

 O que aconteceu? Alcançamos nossa meta!

Por quê? Porque eu tinha traçado um objetivo e todas as minhas atitudes correspondiam a ele. Por exemplo, engajei minhas colegas de TCC, a Dora e a Paula a terem essa meta também. Elas compraram a ideia, trabalharam tanto quanto eu para alcançá-la. Não poderia ter recebido o 10 sem a ajuda delas. Fizemos muito mais do que era esperado. Li mais livros do que o mínimo pedido para a parte teórica, conversei com mais pessoas do que eu precisava e eu e minhas colegas trabalhamos mais duro do que era necessário.

Ou seja, primeiro passo para o sucesso é estabelecer uma meta, saber aonde se quer chegar. Além disso, é necessário acreditar. Não desanimei nem com as palavras da professora – ao contrário. Parecia que aquilo me dava mais força pra provar que ela estava errada, porque acreditava de verdade que podíamos tirar uma nota 10.

 Isso acontece porque nossa mente é mais forte do que imaginamos e quando desejamos muito algo, de verdade e do fundo do coração, superamos todas as barreiras e obstáculos, enfrentamos a todos para conseguir.

 Este é um exemplo simples que levarei para a vida toda. Convido você a fazer uma reflexão sobre isso e criar metas para sua vida. Depois que eu me lembrei dessa história, não tem como eu deixar de fazer a minha lista de desejos!

Casada

imageNunca havia pensado como seria estar casada. Dividir a rotina, o tempo livre, os problemas, as alegrias, o teto, a vida, tudo. Antes de casar, pensava em morar com amigos, namorar bastante tempo, de repente. Viajar e morar em vários lugares. Mas os planos não saem como esperamos, as ondas nos trazem surpresas ao longo do caminho. Mas tudo bem! No meu caso, eu poderia dizer que foram as ondas de protestos de junho de 2013 que o trouxeram pra mim.

Há exatos 9 meses, fiz a escolha mais certa que poderia ter feito na vida: dividir diária e constantemente a vida com meu marido. Muitos podem pensar que foi precipitado, que a gente foi rápido demais. Mas quando a decisão é a certa, não tem motivos para adiar.

Eu – com minhas carências psicológicas, mimos, manias, infantilidade, instabilidade, sonhos e preocupações desnecessárias – fui aceita (isso mesmo: aceita!) por alguém extraordinário que também aceitei. Por alguém que descubro a cada momento.

A vida prepara cada coisa. Nunca havia pensado como seria estar casada. Mas acho que assim é melhor, não crio expectativa e, então, aproveito tudo de bom que há por vir, e lido sem frustrações com o que acontece de ruim.

Obrigada, meu amor, por esses nove meses juntos (de novo)!

Te reencontrar nessa vida é a única coisa que não poderia jamais me escapar; o resto, a gente constrói.

O Povo

imageSomos todos o povo? O povo que reclama, fala mal dos outros e do sistema o tempo todo. O povo que se faz de vítima, põe a culpa sempre nos outros. O povo que ridiculariza o outro porque não aceita a individualidade e muitas vezes desrespeita o estilo de vida que o diferente escolheu pra viver. O povo que não aprende com o que o próximo quer passar de experiência, quer sempre impor sua verdade. O povo que ignora que o outro existe. O povo que se acha sempre tão educado e correto, sem muitas vezes perceber que a energia que recebe é a mesma que emana. O povo que ignora seus direitos e deveres como cidadão. O povo que sabe que algo está errado, mas nunca tem tempo para entender o problema. O povo que pede licença, mas nunca dá. O povo que reclama sobre a mediocridade alheia, mas não se preocupa com a sua. O povo que percebe como todos têm defeitos, mas nunca aceita uma crítica. O povo, de verdade, é mais robô do que cidadão; mais escravo do que crítico; mais conformado do que feliz. O povo, mesmo, é mais fruto de uma falta de vontade de viver civilizado do que refém do sistema.

Respondendo à pergunta inicial: não, não somos todos os povo. Eu, pelo menos, me considero única.

26 completos

euPercebi que estou para fazer 26 anos. De brincadeira, ia dizer: “para onde foram meus 26 anos? O tempo passa tão rápido”. Tenho um sobrinho 10 anos menos que eu. Comecei a reparar na minha idade, portanto, quando percebi como ele está enorme. Um verdadeiro homem. Então, comecei a prestar atenção em como está minha vida hoje.

Quase todos meus irmãos, estão casados – ou, pelo menos, com relacionamentos duradouros. Embora meu casamento tenha sido informal e, de certa forma, considerado um pouco rápido demais, estou vivendo com meu marido e nosso gato, em uma cidade que eu escolhi, longe da minha família. Meu irmão mais novo já está formado há mais de dois anos. Eu me formei há um pouco mais de um ano e logo já estarei pós-graduada.

Não imaginava isso há 6 anos. Eu era uma jovem, inconsequente, pensando na faculdade que cursaria, com pouca experiência. Como a vida mudou! Como minha família, meus amigos e eu estamos diferentes e, ao mesmo tempo, estamos tão os mesmos. Tanta coisa aconteceu. Minha vida não foi em vão. Diferentemente de algumas pessoas que veem a vida passar por elas, estou curtindo cada segundo dela.

Para onde foram meus 26 anos, então? Eles foram passadas em uma infância muito curtida, que durou até meus 14 anos, mais ou menos, quando eu ainda brincava de boneca (!!!). Eles se passaram pela minha rápida adolescência ingênua e pura, e depois por uma adolescência um pouco mais maliciosa, ainda inexperiente. Ah, e como é bom ser adulta. Poder fazer escolhas, ter liberdade, juntar dinheiro e viajar sem dar satisfação. Como é bom ser uma jovem adulta!

Passaram-se em parquinhos de areia, brincando com amigos e sozinha, brincando de casinha com minhas bonecas. Jogando bafo e futebol com meus irmãos… Em matinês, em pagodes (!!!) e em baladas. Solteira, ficando, namorando, de coração partido e finalmente casada (!!!)… Com amigas, sofrendo bullying, percebendo a força de uma amizade verdadeira e o vazio de uma amizade falsa. Passei errando, errando MUITO. Passei aprendendo, o que quase nada sei.

Meus 26 anos passaram-se online e off-line. Na Espanha, em Portugal, na Argentina, no Uruguai, nos Estados Unidos… Em Minas Gerais, em Goiás, em Brasília, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro. Em Andradina, em São Paulo, em Cotia, em Santos… De cabelo liso, cacheado, curto, longo, de dread…

Eu passei, esses 26 anos, aproveitando muito. A cada exemplo que dei aqui em cima, voltei à época, deu saudades, sorri… Percebo que o meu maior mérito até aqui é ter orgulho de ser feliz, simplesmente feliz. Percebi, também, que ainda há muito para aprender e para viver. Que venham os próximos 26 anos!

E você? Já parou para pensar nisso? Como tem aproveitado sua vida?

Beijinhos aos meus fãs – sou linda

fotoVocês já ouviram falar de uma campanha chamada “chega de fiu-fiu”? É uma campanha de conscientização sobre as cantadas que nós, mulheres, ouvimos O TEMPO TODO na rua. Pode ser um fiu-fiu, um “ô lá em casa”, um “noooossa”, um “que gostosa” ou apenas um olhar fixo em nossos peitos, bundas e coxas. Super apoio essa ideia, e luto para que os homens sejam mais conscientes sobre esse problema que atinge muitas mulheres – das mais lindas e saradas até as menos vaidosas.

De acordo com meu marido, que não é perfeito, mas é um homem extremamente educado, consciente, respeitoso e do bem, esse tipo de comportamento é de homem idiota e não são todos os homens que são assim. Saber disso me aliviou bastante. No entanto, percebi que os homens não entendem como nós nos sentimos quando somos consideradas pedaços de carne, como se nosso corpo fosse de propriedade pública e que simplesmente seríamos menos revoltadas se os homens guardassem a opinião sobre nós, para eles (ou só comentasse com os amigos, como nós, garotas, fazemos!) e só paquerar e abordar mulheres que estão querendo paquerar em situações adequadas para isso – bares, baladas, etc -, sempre com respeito.

Foi então que, semana passada, fui correr de top e shorts e – depois que eu reclamei dessa questão – meu marido me disse que não posso ficar indignada quando os homens idiotas agem assim e que eu não tenho controle sobre o que eles pensam e fazem. Meu pai já tinha opinado que não devíamos ficar bravas, e sim, agir como “obrigada, mas não sou mulher pra você”.

É um tema que me deixa muito revoltada, mas, ao mesmo tempo, reflexiva. Como devemos agir? Consigo colocar na gaveta positiva da minha cabeça essa falta de respeito dos homens?

Sabe como eu agia antes? Mostrava o dedo do meio, xingava, cuspia, fingia que vomitava… E eles ignoravam e continuavam olhando, agindo da mesma maneira. Não adiantava nada e, ao mesmo tempo, eu ficava nervosa, indignada.

Foi então que decidi que isso não iria mais me afetar. Ficou olhando? Vou dar tchauzinho. Mandou beijinho? Vou retribuir dizendo: “um beijo aos meus fãs”. Deu uma buzinada? Vou devolver com um positivo! Rindo, com muito sarcasmo. Ao mesmo tempo, me amando, me achando poderosa, dando beijinhos nos dois ombros, tendo certeza de que sou linda e de que aquilo foi um elogio – agindo assim, em algum momento vou parar de me importar com atitude ridícula desses punheteiros.

Acredito que, assim, vou eliminar mais um problema na minha vida. E, não importa o que eu faça, eles vão continuar agindo idiotamente, então, é melhor eu mesma não me afetar no momento em que acontece.

É difícil? Sim, muito. Ainda fico indignada? Sim, um pouco. Mas com o passar do tempo, estarei preparada para ignorar esse tipo de comportamento abusivo quando direcionado a mim.

O que me comprometo a lutar é pelo respeito para conosco e irei me manifestar nos momentos corretos e não deixarei que isso tire minha paz de espírito.

Gostaria me compartilhar esse pensamento para poder ser um feedback de outras garotas que passam por isso também e dos homens: o que vocês pensam sobre o assunto? O que é, pra vocês, essas cantadas e olhares com apelo sexual?

Livros que li em 2013

1495541_687929914571167_1318050332_nEm 2013 eu li, pelo menos, dez livros. Talvez eu tenha esquecido de um ou outro, mas aí vai a minha seleção, super eclética.

A Profecia Celestina, de James Redfield: depois de 3 anos na fila por indicação de um conhecido e começando 3 ou 4 vezes, em espanhol e em PDF, finalmente comecei e terminei. Este livro mudou minha vida, abriu minha cabeça em diversas áreas. Se você gosta de esoterismo e busca sua evolução espiritual, é muito indicado.

Putzgrila! Viagens e amores livros nos anos 80, de Lucio Martins Rodrigues: um livro inspirador sobre uma jovem adulta que faz diversas viagens, em diversos contextos. Seus amores e aventuras que aconteceram de verdade são descritos de uma forma leve e que prende muito o leitor. Fiquei com vontade de sair viajando por esse mundão!

My Life in Pink and Green, de Lisa Greenwald: esse livro, até onde sei sem tradução em português, foi escolhido por mim em 2010 para treinar meu inglês. Também deixei ele no armário e esse ano resolvi recuperar. Consegui ler inteiro (o primeiro em inglês que li completo), reforçando, pra mim mesma, minha fluência no idioma. O livro é uma história de uma pré adolescente que tenta salvar o negócio de sua família, uma farmácia/conveniência. A saída que ela encontra é transformar o ambiente em um lugar mais “verde”. É um livro do estilo O Diário da Princesa (Meg Cabot), facinho de ler, história pra adolescente, mas valeu a pena, pois também gosto de escrever esse tipo de história.

A Revolução dos Bichos, de George Orwell: mesmo autor de 1984, um dos meus livros preferidos. Essa clássica história conta a vida de animais em uma fazenda quando resolvem expulsar os homens e tomar conta do lugar. Fazem suas próprias leis e regras, estabelecendo um novo padrão de poder. É um livro tão sensacional que não dá pra descrever. É dele aquela famosa frase que todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros. É um livro extremamente profundo, uma verdadeira obra prima. No link acima, tem mais detalhes sobre o contexto histórico do livro.

Do Nicho ao Lixo – ambiente, sociedade e educação, de Francisco C. Scarlato e Joel Arnaldo Pontin: um livro básico sobre meio ambiente (acabei de ver no site que é indicado para adolescentes), que li para iniciar meus conhecimentos sobre o assunto.

A Culpa é das Estrelas, de John Green: um dos livros mais comentados desse ano entre os jovens adolescentes, destaque em todas as livrarias que entrei (não sei em números) e o livro mais fofo que li no ano. O livro conta a história de uma garota com câncer que está morrendo, mas conhece um menino que começa a frequentar o mesmo grupo de apoio que ela. Os dois passam a conviver e dividir suas aventuras, na medida do possível. Chorei litros com este livro, me tocou bastante, é muito emocionante. Super indicação.

Super Apresentações: como vender ideias e conquistar audiências, de Joni Galvão e Eduardo Adas: Um livro bem interessante sobre como fazer apresentações em power point (ou qualquer programa, na verdade), começando por um roteiro, os elementos de cada slide e a própria apresentação. Para quem quer surpreender em apresentações, livro super indicado.

A arte de argumentar, de Bernard S. Meyer: um livro sensacional que mostra bons caminhos para melhorar seus argumentos e detectar argumentos frágeis. Para quem está treinando sua dialética, é um livro super indicado. Pequeno, simples de ler, rápido e muito eficiente.

De onde vêm as boas ideias?, de Steven Johnson: um livro que abriu minha cabeça para novas ideias surgirem, se fundirem. Assista o vídeo, é mais legal do que ler o que tenho a dizer sobre ele.

Segue meu resuminho sobre os padrões que fala no vídeo (se você gostar, LEIA o livro todo!):

1) O possível adjacente: Boas ideias são como peças de quebra-cabeças e são formadas por peças e habilidades já existentes, que recombinadas expande suas possibilidades. Ou seja, tudo há um pré-requisito para existir. As inovações apenas são executadas se um conjunto específico de descobertas anteriores já existirem.

2) Redes líquidas: uma boa ideia é como uma rede. Não é algo isolado, parece mais um enxame. Essa rede precisa ser densamente povoada e ser capaz de adotar novas configurações. Essa rede deve fazer conexões e devem ser inseridas em ambientes que exploram o limite do possível adjacente.

3) A intuição lenta: uma ideia fica guardada na mente de alguém e precisa de outra para haver uma colisão e gerar uma boa ideia, realmente inovadora. As boas ideias levam tempo para amadurecer.

4) Serendipidade: um dado ou informação que colide com uma ideia inicial ou abre uma porta do possível adjacente para uma ideia realmente inovadora. Isso se dá quando passamos a ser mais multidisciplinares e nos informar sobre os mais diversos assuntos, para que as ideias se conectem de várias maneiras. Podemos encontrar conexão em informações que parecem não terem ligação, mas se ficarmos atentos, encontraremos o elo perdido. Podemos encontrar soluções onde nem imaginamos.

5) Erro: às vezes buscamos solução para algum problema e, por causa de um erro, descobrimos uma solução para outro problema ou uma solução diferente do que imaginávamos a princípio. O erro também é uma maneira de desviarmos de suposições confortáveis. Claro que o erro e caos completo não são positivos, mas devemos deixar um espaço seguro para cometer erros produtivos. A verdade é uniforme e estreita e só tem um caminho para encontrá-la. Mas com os erros podemos aprender muito mais, passando por diversos caminhos até chegar na mesma verdade.

6) Exaptação: É usar um objeto ou tecnologia já existente e reinventar com ela, transformando em uma nova ideia. Dificilmente começamos algo do zero. Normalmente, pegamos emprestadas tecnologias que já estão maduras para usar de solução para um problema. Ser ‘multitarefa’ abre espaço para a multidisciplina necessária para a exaptação.

7) Plataforma: as novas plataformas não só abrem uma porta para o possível adjacente, mas constroem todo um pavimento para novas ideias serem constituídas. Além disso, as mesmas plataformas podem utilizar as ideias para se transformarem. Ou seja, a cooperação entre elas torna muito mais produtivo.

8) Conclusão: então… de onde vêm as boas ideias? faça uma caminhada, cultive intuições; anote tudo, mas mantenha suas pastas em desordem; abrace a serendipidade; cometa erros produtivos; cultive diversos hobbies; frequente cafés e outras redes líquidas; siga os links; permita que os outros se baseiem em suas ideias; tome emprestado, recicle, reinvente; construa uma ribanceira de emaranhado”.

Inovação como rotina: Como Ajudar Seus Colaboradores A Transformar Ideias Criativas Em Realidade: Paddy Miller; Thomas Wedell-wedellsborg: tem bastante a ver com o livro anterior. Os autores mostram casos de sucesso  (e alguns de fracasso!) sobre formas de inovar dentro de organizações. O interessante desse livro é que o foco está em ensinar o leitor a fazer seus funcionários serem criativos, mas eu peguei as ideias pra usar pra mim (rs).

Acho que foram esses, se eu me lembrar de mais algum, eu faço um adendo. Fora os que eu comecei e não terminei :(

Não gostei dessa média, menos de 1 por mês (0,8/mês)… mas ainda assim me diverti mto lendo todos eles!

Espero elevar minha média em 2014.

Indicações de livros nos comentários.

Sublime

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Cheguei no prédio onde minha mãe mora há mais de 20 anos e senti um frio na barriga. Será que as lembranças ainda estariam vivas? Resisti por muitos meses visitar mamãe por causa dele. Mas a história teria que ser superada. Aliás, já tinha sido: eu tinha tido outros namorados, vivido outras histórias, sofrido outras decepções.

Ao sair do elevador, vi a porta do apartamento dele aberta. Eu já estava com a chave da porta na mão. Antes que eu pudesse encostar na maçaneta, percebi o elevador de serviço abrir. Escutei a voz dele dizer: “vou colocar essa mala pra segurar o elevador”. Olhei pra trás. Ele olhou pra mim. Parou sem dizer nada. Eu não conseguia abrir a porta: tremia e fiquei gelada. Respirei fundo. A voz feminina já conhecia dizia: “que foi, filho? Me ajuda aqui, está pesado”.

Esses poucos segundos se tornaram eternos. Estávamos nos encarando sem dizer nada e sem demonstrar nenhuma reação. Nem surpresa, nem alegria, nem medo, nem tristeza. A mãe dele saiu do elevador. Deixou uma caixa no chão. Olhou pra mim e abriu um sorriso.

“Olha quem finalmente veio visitar a mamãe! Dudinha, querida, quanto tempo!” e veio em minha direção. Aquela mistura de alegria e tristeza ao encontrar dona Amália e seu filho Antonio era a única coisa que tentei evitar durante todo esse tempo. Sorri. Ela se aproximou e me deu um abraço. Afastou seu rosto do meu, me olhando nos olhos, tocando em meu rosto. Ela me beijou a bochecha e disse: “como você está linda! Sua pele, seu cabelo!”.

Eu abri a porta de casa e deixei minha mala e bolsa no sofá da minha mãe. Voltei ao elevador para ajudar os dois com as coisas. Eu e Antonio nos cumprimentamos com um beijo na bochecha, apenas. Sem abraços. Com um sorriso sem dentes. “Ele está voltando pra cá por algum tempo, Duda. Não deu certo com a Gisele”, disse dona Amália. Antonio a olhou censurando-a. Ajudei a colocar algumas coisas dentro do apartamento. Duas mochilas. Poucas coisas.

O apartamento estava como eu me lembrava, a não ser pelo piso, que estava sem o carpete que dava alergia nele. Finalmente haviam tirado. Ele disse a mãe que já voltava, ia pegar o resto das coisas no carro.

Dona Amália me convidou para um café. Aceitei, sentei à mesa em que havia colocado as xícaras e um biscoitinho. Nela havia uma caixa semiaberta. Não resisti e olhei. Havia três montes de fotos antigas.

Comecei a olhar os montes enquanto a chaleira apitava que a água já estava quente na cozinha. Vi uma foto de quando tínhamos uns 5 anos, eu e ele. Ele de cabelo loirinho e eu era morena, os dois de cachos. Outra foto no colégio, lá pela segunda série. Um ao lado do outro, rindo.

Antonio entrou em casa com mais duas mochilas. Viu a lágrima que não pude segurar junto com um sorriso. O cheiro de café se espalhava pelo apartamento. “Você viu? Não são demais essas fotos? Eu me lembro de cada uma delas!”, ele disse. Sorri, apontei para uma das fotos e falei: “Eu não lembrava que éramos amigos há tanto tempo”.

Pegou outro monte e passou rapidamente até chegar em fotos da nossa adolescência. No colégio e no prédio. Época em que namorávamos. “Depois vieram outras namoradas, Vivian e Gisele. Mas é de você que sempre lembrei quando precisava de alguém realmente confiável”, ele desabafou. Pegou um porta-retrato vazio e colocou nossa foto da formatura.

Escutamos passos de dona Amália, o café iria ser servido. Só haviam duas xícaras. Dona Amália foi para seu quarto, deixando-nos sozinhos. Chorei. Ele me abraçou. Beijou meu ombro. “Estava com tantas saudades, Duda”. Eu também estava, mas não conseguia dizer. Só chorava. Ele passou a mão no meu cabelo.

“Eu não queria encontrá-lo, Antonio. Vim visitar minha mãe”, eu falei. “Eu sei, Duda. Eu também não queria encontrá-la por enquanto. Mas sempre que te vejo, parece que tudo faz mais sentido”. Ele se aproximou de meu rosto e me beijou. O beijo continuava o mesmo. Mas eu não podia fazer aquilo. Eu tinha um compromisso. Namorava. Eu gostava do meu namorado.

rafa ee euO beijo fez chorar ainda mais. Talvez de emoção. Talvez de tristeza. Dei um passo para trás. Disse não. Dei as costas para ele e saí. Entrei no apartamento da minha mãe. Chorei. Deitei no sofá até minha mãe chegar. Entrou com as compras e deixou ao lado da porta. Ela me acordou como sempre carinhosa. Eu estava com o porta-retrato com a foto minha e de Antonio. Ela percebeu o que tinha acontecido.

Mamãe e eu conversamos. Ela não entende porque não tínhamos dado certo. “Estávamos em fases diferentes da vida, mãe”, eu disse. “Não existe isso, o amor é sublime”, e eu chorava. Conversávamos ainda mais. Não tinha dado certo. Só o amor não tinha sido o suficiente. Existiam histórias, existiam brigas. Existiam mágoas e saudades.

Resolvi que terminaria meu relacionamento aquela noite. Mas não ficaria com ele. Ficaria sozinha. Respirei fundo. Terminei meu compromisso em um jantar. Ele ficou triste, mas já esperava. Já havia dias que eu estava fria.

Na manhã seguinte, antes do nascer do sol, fui para a orla da praia. Sentei a beira da praia. Senti uma mão quente no meu ombro. Olhei pra trás. Era Antonio. Sorrimos. Ele sentou ao meu lado e me abraçou. E assim ficamos. Porque o amor é sublime.

Razão ou emoção?

 

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Sabe aquele lugar comum: “pimenta nos olhos dos outros é refresco”? É clichê, mas não é mentira. Veja o que acontece entre minha melhor amiga e eu, por exemplo. Somos muito companheiras, ela sabe tudo de mim e eu dela (viver perigosamente!). Trocamos conselhos e experiências. Somos tão próximas que às vezes penso que ela sente as mesmas coisas que eu. Mas não tem jeito, quando é ela quem está sofrendo de amor, talvez eu dê conselhos que ela já havia me dado quando era eu a com coração partido.

A decepção amorosa de sua melhor amiga pode não fazer sentido pra você, que está fora. Você pode tentar consolá-la dizendo que o cara não a merece ou que eles já não estavam indo bem mesmo. Pô! E daí? Ela está sofrendo. Claro que isso não significa que você não se importe com ela ou que seus problemas sejam maiores. Não é isso! A questão é que a emoção cega, faz mesmo tudo parecer um monstro de sete cabeças.

A mesma coisa com a felicidade dos primeiros momentos de um relacionamento. Você acha que é um pouco perigoso sua amiga se iludir, pede pra ela tomar cuidado. Mas foi ela quem te disse isso há alguns meses, quando você conheceu seu ex, lembra? E você não acatou o conselho, do contrário, não teria sofrido com o rompimento.

Quando o negócio é com você, a história muda completamente e o conselho que você deu pra ela, não vai fazer sentido na sua própria cabeça… E ainda vai argumentar que a situação é diferente, o que pode até ser, mas todo conselho é adaptável.

Então, só porque a emoção nos cega e nos deixa loucos, não devemos fazer o que ele diz? De jeito nenhum. Eu acredito que não devo deixar meu coração frustrado e não fazer o que ele pede. Ele pode ser burro e inconsequente, mas sabe como me fazer viver cheio de emoções deliciosas e alegrias indispensáveis para um ser humano, e ele nos ensina a viver!

E os conselhos da sua melhor amiga? Sinceramente, às favas com a razão (só a razão, não ela, pelamordeDeus)! Principalmente quando se trata de sentimentos! Amar sustentado por razão? “Não pode existir (…)! Isso é uma contradição em termos” (Renato Russo).

Que beleza teria a vida se não deixássemos o coração comandar, deixar a razão amordaçada? Esqueça o medo de sofrer, entregue-se, viva intensamente, não diga não ao amor. Apaixone-se todos os dias, mesmo se for pela mesma pessoa. Use a razão apenas para coisas práticas do dia-a-dia – Claro, se você conseguir se concentrar!

Madri 1 / 2010

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2010

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2013

 Elas se conheceram por email. O único ponto óbvio em comum era que buscavam uma casa tranquila, para dividir com mais 3 meninas, no máximo. Talvez por vontade própria ou influência dos pais. Elas estavam para morar na Espanha, cursar um semestre da faculdade de Madri. Quatro meninas de 18, 20, 22 e 23 anos. A mais velha era casada e de Natal (RN). A outra tinha o cabelo todo de dread e era vegetariana. A segunda mais nova era do interior de São Paulo, mas já havia tido outra experiência no exterior. A mais nova, além de ser a mais nova, era a única loira. Uma fazia educação física, outra turismo, outra jornalismo e outra publicidade. Uma não parava de falar, as outras procuravam vácuos que pudessem se expressar. Uma segunda não passava um dia sem fazer as outras rirem das palhaçadas. A outra só escutava e observava, sempre com coisas inteligentes a comentar. A quarta não desgrudava da internet ou do telefone com os pais ou o namorado. Logo no início de começarem a se corresponderem por email, descobriram características comuns e diferenças. A priori, nada tinha para dar errado, tampouco tinha nada para dar tão certo. As três paulistas combinaram de se conhecer. A potiguar chegou chegando na primeira tarde – mas as outras a fizeram esperar algumas longas horas trancadas fora de casa porque foram explorar o bairro e foram ao mercado. Nem assim ela perdeu a graça. Fez um jantar especial, com comida vegetariana para a mais doidinha (que ainda reclamou e disse que não ia comer porque tinha caldo de galinha – e a amiga refez uma gororoba 100% vegetariana). De cara, harmonia. Regras, só as básicas. Cumplicidade total. Diversos segredos. Aprendizado. Champanhes. Vodkas. Sucos de laranja. Azeitonas. Doblons. Alcorcóns. Principe Pios. Compras. Passeios. Tres Águas. Batatas Lays. Chiclets. Crescia uma amizade. Crescia uma família. Ela cresceu ainda mais com um namoradinho de uma, a amiga de fora de outra… As baladas eram animadíssimas. Aproveitaram o máximo e ao mesmo tempo fizeram amizade entre elas. Como pode? Milagre? Sina? Quatro meninas que se juntam e se tornam tão amigas a ponto de poder confirmar o que o lugar-comum diz: não há preço que pague uma grande amizade. Sou a jornalista, dreadera, tagarela da história. Karina é a de Natal. Cami é a que lança comentários pertinentes. E a Rafa é a única loira.

Obrigada pela amizade incondicional. Pelo amor construído. Pela dedicação em todos os instantes.

Que continuemos sendo companheiras para sempre, mesmo sem ser “de piso”.

 

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Viver

 

viver_1Mais que sofrer, é preciso viver a dor. Sofrer é ter certeza que estamos vivos. E nessa hora, todos os clichês são válidos. “O que não nos mata, nos fortalece” ou “valorizamos mais a felicidade quando sabemos o que é a tristeza” e por aí vai. Quem dera, não é mesmo, viver apenas os momentos bons. Pular os ruins. Enjoaríamos, será? Não ficaríamos mais frágeis? Não aprenderíamos menos? Então, vivenciando tudo isso com a maior intensidade possível, consigo começar a entender o que é amadurecer. Não é deixar de sofrer; não é, tampouco, estar infeliz por estar sofrendo. É aproveitar o momento de sofrimento e da angústia, mas mantendo-se equilibrado. Saber aproveitar uma oportunidade, uma volta no bairro, uma ida a um evento especial. Não é entrar em depressão, pensar que o mundo acabou. Sofremos porque perdemos. Perdas existem porque fazemos escolhas. Maturidade é aprender a fazer boas escolhas. Fazemos boas escolhas para o nosso bem.

Procura-se novo e grande amor

Quero alguém que eu possa ligar para compartilhar quando coisas boas acontecem, para me apoiar com as coisas ruins, e vice-versa – quero ser a primeira pessoa que ele pensaria em compartilhar. Quero um companheiro, e não vou deixar de buscar, mesmo que passe a vida inteira buscando.

Não vou deixar de me entregar pensando que posso me machucar. Vou amar intensamente, desde o primeiro dia, esperando que o outro também sinta o mesmo. Vou sofrer, sim, muitas outras vezes, mas não vou deixar de procurar meu grande amor.

Eu já pensei que tinha encontrado minha cara metade algumas vezes. Sofri, fui usada, até humilhada. Quem me amou, estava longe o bastante para me esquecer. Quem amei, me feri o bastante para esquecer. E talvez eu passe por isso, ainda, muitas vezes.

Todas as feridas se fecharam, e estou disposta a ter tantas outras, desde que encontre, em cada um que eu amar, meu grande amor. Tudo bem se for ilusão, se não for intenso por parte dele. Vou sempre dizer “pensei que fosse você, meu grande amor”, e vai passar. Vou seguir minha busca.

Não vou ser dependente, ele não tem que se preocupar, não sou assim. Não quero encontrar alguém que me complete. Já dizia Clarice, não? Alguém que me transborde. Quero que formemos uma superpessoa, que nos respeitemos e nos amemos até ficarmos velhinhos.

Não vou deixar de buscar o amor perfeito, mesmo que eu o busque pelo resto da vida e encontre mais de um, temporariamente.

Sobrevivência terrestre


7b9c5b53bde85ccef159b1f80c4834eeNosso estilo de vida vigente torna os bens de consumo obsoletos e acabam sendo descartados rapidamente em locais inapropriados e sem tratamento adequado. Para a fabricação de novos produtos, mais gases tóxicos e lixo são produzidos e liberados no planeta, armazenando-se na atmosfera, superfície, plantas e águas. A poluição gerada por eles é responsável por fenômenos como o efeito estufa e o buraco na camada de ozônio, aumentando o calor da superfície, causando, por exemplo, a mudança climática, doenças e até mesmo a morte.

4b3ae39c4e9504323e715b72a17f9d2cEmbora não possamos reverter as consequências de nossas atitudes até aqui, necessitamos mudar alguns de nossos hábitos para diminuir os estragos e preservar o que ainda nos resta. Se tomarmos consciência que podemos preservar a natureza com pequenas atitudes, amenizaremos os danos causados por nós, em nosso próprio planeta, otimizando nossa qualidade de vida. Proponho que coloquemos nossos pés no freio da destruição ambiental, pelo próximo, pelos nossos descendentes, pela Mãe Natureza ou mesmo por egoísmo, afinal, cada um de nós sente na pele as consequências dela.

Confira minha indignação com a cidade de São Paulo, no Pinterest Selva de Pedra

Crise existencial: desabafo

–> 3 anos passaram-se e hoje tenho certeza que encontrei meu caminho, mas isso foi o primeiro passo!
É por essas e outras que nossos irmãos 1) são os melhores amigos do universo 2) te acompanham desde sempre, então sabem que você não é doida, apenas diferente.
“Queridos irmãos, boa tarde.
Vim falar um pouco da minha crise existencial… De novo, esse assunto chato? Pois é… Me desculpem, apesar de ter meus amigos, acredito que meus melhores amigos são vocês, aqueles pra quem posso falar o que eu quiser…
Minha terapeuta da época do colégio disse que eu tenho problemas com finais de ciclos… falando nisso, já estou passando por uma psicóloga… Estou no fim de um ciclo, na verdade, deveria estar no começo de um, mas esse meu sofrimento, acredito, não me deixa andar pra frente….
Sabe, nunca minha vida foi feita de certezas. Vocês sabem que nunca me dei bem na escola… sempre de recuperação, apesar de elogiada sempre por minha boa conduta. Sempre fui encaminhada para terapia… Nunca me tive a sensação de pertencer aos lugares…  Gostava de brincar com os meninos, mas eu era menina. As meninas gostavam de fazer umas coisas que nunca gostei muito: fofocar, se maquiar, se arrumar… Na adolescência tive minha fase de patricinha, mas durou pouco porque não gostava (lembra que eu usava boné? patricinhas não usam boné!).  Eu nunca aceitei os chefes das turmas, meninos chatos que praticavam bullying com quem era diferente (ou seja: todos), não ficava quieta e acabava arrumando encrenca. Foram anos terríveis, se vocês lembram.
Quando chegou a hora de eu escolher uma carreira, não sabia, mesmo. Decidi pelo Jornalismo. Dentro das possibilidades “normais”, para mim, era o melhor que pude pensar. Decidi, então, que eu queria mudar o mundo e que poderia fazer isso dentro da área escolhida. As organizações que bem cumprem seus papéis na sociedade podem se tornar melhores a partir de uma comunicação bem estruturada… Por isso, quando eu resolvi que eu deveria continuar estudando, optei pelo curso de pós graudação em Marketing e Comunicação Integrada. Dentro das carreiras normais, foi essa que eu mais me identifiquei…  Afinal, gosto de redes sociais, me dei super bem no meu TCC….
Mas…. quando eu paro, fecho os olhos e penso o que eu gostaria de fazer… não me vejo trancada em uma sala de escritório, fazendo estratégias de marketing para as empresas venderem… Então me pego em uma emboscada. Com 21 anos achava que o Jornalismo ia me satisfazer porque eu gosto de escrever, contar histórias…. Com quase 25 eu vejo que não sei o que eu quero.
Eu gosto do Jornalismo, eu gosto sim! Não me arrependo de ter me formado nessa faculdade… O problema é que o Jornalismo não é tão amplo como pensamos, não para pessoas jovens, sem experiência…  Existe o Jornalismo Hard News, aquele jornalismo que pega as notícias e vão abordar personagens e lançam na internet, TV, rádio… Mas não gosto. É muita tragédia, é muita guerra, muita ganância, pouco amor. Existe o Jornalismo cultural, esportivo, gastronômico… Mas eu não gosto de nada específico :(
Por isso que pensei que talvez esse fosse meu destino, sabe, trabalhar com comunicação organizacional, para tentar mudar o mundo…. Mas eu estou errada, isso não vai acontecer. Não posso mudar o mundo se eu mesma não estiver feliz, se eu não melhorar o meu mundo. Eu não quero me acostumar com a vida assim, eu ficando trancada em uma sala na frente do computador mexendo em redes sociais, planos estratégicos e lidando com competição, dinheiro, etc…
Vocês percebem que não me destaco em nada? Vocês sabem disso. Não adianta falarmos que sou boa com computador, porque não sou destaque. Não adianta falar que sou boa em redação, porque não sou destaque.
Eu acredito que me destaco, sim, em tudo que me disponho a fazer. Isso sim. Mas não me destaco em nada que eu tenha paixão, tesão…. simplesmente porque ainda não sei o que me faz ter isso.
Neste momento que lhes escrevo, na verdade, estou lendo um artigo que me interessa muito. Pode parecer loucura, e na verdade é. Trata-se de comunidades alternativas. Lugares em que se vive com pouco – material -, mas com muito. Eu já havia conversado com uma pessoa que conheci sobre esse estilo de vida.
Aqui está o link completo, mas eu copio aqui umas partes mais interessantes que encontrei. Não preciso explicar, são auto-explicativas, com certeza vão me entender.
Acreditamos que um dos maiores motivos de formação comunitária se deve ao “inconformismo”com o sistema vigente em seus múltiplos aspectos: social, econômico, religioso, educacional, cultural e espiritual. Quando vemos que um sistema já não nos satisfaz mais, criamos um sistema paralelo para substituí-lo e é que o que denominamos de “alternativo”. A revolta interna em relação ao que acontece externamente, a busca de soluções, a experiência com o sistema vigente conhecendo suas deficiências, a injustiça social e econômica, a educação intencionalista para o sistema consumista, etc. A pressão familiar, das religiões e da sociedade, as escolas, a necessidade econômica, a pressão comercial e industrial, a poluição em todos os sentidos, a falta de humanismo, de espiritualidade, a falta de tempo útil para as artes, a cultura e o desenvolvimento interno; enfim, uma série de razões fizeram e fazem (e farão) com que surjam sistemas alternativos.
Também não sei se é isso que quero, mas pelo menos trata-se de pessoas como eu, inconformadas com o sistema vigente e que não querem a solução mais fácil: aceitar.
Realmente, é muito difícil para mim. Eu não sei o que quero, o que preciso, quem sou, para onde vou. Só sei que viver dentro desse sistema “normal”, não quero, não posso. Gostaria de poder fazer algo não tão radical, mas que não seja isso que sei que não quero.
Algo que eu faria, se eu pudesse, é sair pelo Brasil e pelo Mundão escrevendo o que vejo… Mas é isso que digo dos jovens, sem experiência: necessidade de patrocínio, e só os tem quem gera confiança, normalmente com carreiras sólidas…  Isso sim é uma possibilidade para mim. Fazer alguns projetos e sair pelo mundo. É um plano dentro da área de escolhi para mim… lógico que dá medo. Vou viver do que se não encontro patrocínio? Como vou viver? Com quem? Longe de todo mundo? É, né… Portanto, o que parece uma decisão fácil, não é.
Como vou viver, e não apenas existir, ocupando meu tempo integral com coisas superficiais (para mim)? Como vou encontrar minha paz, sem tempo de pensar, porque a sociedade existe no lema “viver pra trabalhar e trabalhar para viver”?
Também sei que vocês provavelmente não podem fazer nada para me ajudar, mas gostaria de compartilhar minha dor, meu sofrimento, minha crise espiritual… por que “alegria compartilhada é alegria redobrada”, já sofrimento compartilhado, é sofrimento minimizado. Acho. É mais um desabafo. Não sei o que faço :(
Amo vocês.
saudades.

Nova fase, novas dúvidas

Primeiro mês da faculdade de Jornalismo. Eu tinha todas as certezas do mundo em mim. Para um exercício em classe, algo sobre “por que escolhi jornalismo”, em 3 de março de 2009, neste blog, escrevi o artigo Pensando Jornalismo:

“O principal objetivo do Jornalismo é informar e essa é a forma de as pessoas saberem o que acontece no mundo. Ninguém poderia saber o que acontece em um lugar onde não está se não existisse a mídia para apurar e passar as informações mais importantes – de acordo com o que o veículo considera prioridade – para as outras pessoas. Uma boa maneira de se atualizar é lendo jornais como O Estado de São Paulo ou a Folha de São Paulo, por conter várias notícias em um lugar só.

É sempre bom procurar várias fontes de informação, ao fazer isso descobrimos que se nos basearmos somente no jornalismo, por exemplo, da Rede Globo, corremos o risco de nos prender no ponto de vista do interesse deles. Não que seja exclusividade da emissora, mas ela joga com os fatos de acordo com o que quer passar para o público, principalmente em relação à política.

Mesmo parecendo que fazer jornalismo é só resumir as notícias e apurar os fatos do nosso cotidiano, não é. É preciso ser muito imparcial, o que é muito difícil fazer por sermos todos humanos e querermos ter sempre opinião sobre tudo. Um fato sempre tem mais de um lado, às vezes, mais de dois, mas para fazer um bom jornalismo não devem existir interesses pessoais na notícia e que nem todos os cidadãos têm o mesmo ponto de vista que nós, tentar, ao máximo, passar a notícia por ela mesma.”

Hoje eu sou profissional da Comunicação, sou Jornalista. Acabo de saber que fui aprovada com nota 10 no meu Trabalho de Conclusão de Curso. Foi bem emocionante porque o ano todo foi deixado claro que era algo muito difícil, quase impossível, de se conseguir.

E foi muito difícil mesmo, deu muito trabalho, horas e horas de pesquisas, aprendendo sobre o que não havíamos estudado, correção do próprio texto, reformulação de ideias, debates, aperfeiçoamento, brigas, madrugadas, sábados e domingos das 6h30 às 23h na frente do computador…

Até o dead line, corrigimos estruturas de texto. Foi muita dedicação. Um DEZ merecido!

Descobri que a Comunicação é muito mais do que o Jornalismo em si. Estudei Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo. Sou Jornalista, profissional da Comunicação.

Eu poderia tentar refazer o exercício proposta em sala de aula, mas provavelmente responderia com uma citação.
betinho

Sempre ouvi falar dele pela minha mãe. Essa frase foi epígrafe do meu TCC. Obrigada, Betinho, por me inspirar.

Viva a liberdade de expressão, a verdade, a ética, o novo, o inusitado, a História, as estórias… Viva a comunicação!

Último mês da faculdade de Comunicação Social – Jornalismo. Eu não tenho nem noção do que é certo, que vai dar certo, mas agora tenho Ensino Superior Completo!

Preparada e determinada!

Sustentabilidade é moda e é falsa

sacolamofficerSerá que empresas como a M. Officer podem mesmo ter a imagem lavada aos olhos de defensores do meio ambiente e animais? Ontem passei pela loja M. Officer e a olhei com cara de nojo, como sempre faço. A loja vende algumas roupas feitas de pele. O dono, Carlos Miele, não demonstra nenhuma compaixão pelos animais. Ele deu uma entrevista, em 2011, dizendo que os animais de cativeiro são criados para isso e que devem ser consumido por completo, até o osso. Disse ser contra uso de animais selvagens para esse fim e que “se não podemos usar peles de animais de cativeiro, temos de discutir se podemos continuar comendo peixes e carnes”. (peixe é carne, mas ok, ele deve comer só as escamas ou as espinhas, sei lá.)

Percebo que a única motivação dele é a lei. Não é questão de poder ou não, senhor Miele. Podemos usar pele e comer carne, mas será que devemos?

Pior ainda é trecho do comunicado oficial sobre esse assunto, pois senti que eles fizeram o público de idiota. “Somos absolutamente contra qualquer tipo de maus-tratos aos animais e apoiamos incondicionalmente qualquer solução inteligente, mudanças, leis e órgãos oficiais de controle para as questões que afligem o meio-ambiente e a vida no planeta”. Eles apoiam incondicionalmente mudanças porque sabem que uma mudança mais radical está longe de acontecer.

Isso foi ano passado (2010), mas, para mim, nunca vai passar. Foi então que ontem, quando passava pela loja, uma mocinha saiu de lá com uma sacola bege com um grande símbolo de reciclável ao lado: “nossa! que loja sustentável, heim, usando sacolas recicladas!”.

Que grande hipocrisia que virou esse lance de sustentabilidade! A loja quer se fazer de sustentável por usar uma sacola reciclável, mas usa roupa de pele de animal. Eu imagino em relação à coisas simples, do dia-a-dia, por exemplo, separar lixo reciclável ou economizar energia e água. Não aparece na mídia e nenhuma lei obriga, será que cuidam disso? Essa loja até tem parceria com uma cooperativa, mas porque isso valoriza a marca, as pessoas veem, tá na mídia. Para mim, isso é apenas um planejado e grande greenwashing.

moda-ecologicamente-corretaVirou moda parecer sustentável. Infelizmente, percebo que essa sustentabilidade é falsa. Eles dizem apoiar mudanças de lei, mas, cara, a MUDANÇA começa com CADA UM DE NÓS. Começa em cada atitude nossa e de nossos negócios. Fazer a parte deles, espontaneamente, eles não fazem. Até quando vão nos enganar? Empresa sustentável é empresa que tante ao máximo estar em harmonia com o natureza, e não empresa que só segue moda… Mas o que poderíamos esperar de uma empresa como essa, não é mesmo? Nada contra moda em si… Minha revolta se estende a todas as empresas “greenwasheras”!

Aceitemos, simplesmente

size_590_casamento_gay_homossexualOntem (08/10/2012) vi um vídeo que me deixou extramente emocionada. Pelo amor paterno incondicional. Pelo amor verdadeiro entre duas pessoas. Pelo casamento não tão comum… Por tudo. Era um vídeo sobre a viagem de um pai até o casamento de sua filha com uma pessoa do mesmo sexo.

Compartilhei no Facebook dizendo que não queria criar polêmica, mas recebi um comentário que me fez pensar (e escrever). O comentário tinha a seguinte passagem: “para mim [a homossexualidade] é biologicamente não natural”. Simplesmente não acredito que esse argumento seja adequado para o nosso tempo. Com tanta tecnologia, fecundação in vitro, cirurgias e tratamentos para prolongar a vida… O que importa ser ou não ser biologicamente natural? Atualmente, mais do que nunca, nada vale se é natural ou não!

A gente precisa parar de ficar tentando rotular se as coisas estão certas ou erradas. É difícil simplesmente aceitar? Tantas coisas que a gente aceita… Aceita trânsito, preço alto, trabalhar o dia todo, que tudo tem um preço, poluição, gente chata, gente feia… E por que diabos não podemos simplesmente aceitar que existem pessoas que amam pessoas do mesmo sexo?

A gente não sabe o sentido da vida. O que é certo? O que é errado? O que é justiça? Todas essas perguntas não podem ser respondidas com certeza de que a resposta esteja correta. O “certo” e “errado” são acordos sociais. Nós apenas entramos em um acordo em relação a coisas mais “óbvias” (tipo ‘matar é errado’).

Só estou querendo dizer que não importa se a homossexualidade é certo ou errado. Se não houvesse intolerância, amar alguém do mesmo sexo não mataria, não machucaria, não seria certo ou errado, seria apenas mais uma forma de amor.

Apesar de sempre estarmos querendo fazer papel de Deus, não o somos. Na minha opinião, a polêmica é ridícula, temos que aceitar, simplesmente: eu gosto de garotos e sou uma garota e ele gosta de garotos… Quando o amor bate na nossa porta, não importa se é bonito, feio, homem, mulher. Você, hétero, escolheu amar quem ama? O gay também não! A lésbica também não. E você não é ninguém pra dizer que eles escolheram e “optaram” por ser “promiscuo” (é um argumento que já ouvi) e amar alguém do mesmo sexo. Eu não sei, só imagino, a barra que é ainda hoje assumir ser homossexual. Se não fosse natural, você acha que eles não prefeririam ficar com uma pessoa do sexo oposto? Aceitemos, então.

Chega de polêmica, intolerância, preconceito. Homossexuais são tão legais como os héteros legais. Homossexuais chatos são tão chatos como héteros chatos. E por ai vai em relação à honestidade, bondade, inteligência e todos os adjetivos que costumamos definir as pessoas. E tem mais: ninguém é só bom ou só mal e TODOS têm defeitos. Ser gay, pra mim, não é um defeito. Ser intolerante e ter preconceito, sim, são defeitos.

Temos que parar com essa mania de “tá certo” e “tá errado”. Minha opinião é essa, que devíamos aceitar o que é. Se é natural, se não é, se é certo, se é errado… Nunca vamos saber. Eu menos ainda, na minha humilde carcaça de Gabriela.
Agora, se você é o Deus criador de todos os seres vivos e não vivos, com sua inteligência e bondade infinita e dono da verdade e está lendo esse post, SÓ você tem direito de dar uma resposta final sobre o assunto. Se você não é esse Deus, só tem direito de dar sua opinião, correndo o risco de estar errado, assim como eu.

vídeo inspiração:

ó liberdade….

“Art. 5º da Constituição Federal:  Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heroico o brado retumbante, E o sol da liberdade , em raios fúlgidos, Brilhou no céu da pátria nesse instante. Se o penhor dessa igualdade Conseguimos conquistar com braço forte, Em teu seio, ó liberdade, Desafia o nosso peito a própria morte!”

bicicleta-horizonte-liberdade Ando sem pressa esses dias, tudo ao meu tempo e sem correria por causa de atraso. Eu me dei ao luxo de usar chinelos e ficar ouvindo reggae, o que diminui ainda mais meus movimentos e me dá mais tempo de refletir…

Percebi como nós somos escravos de relações interpessoais; redes sociais; trânsito, seja ele em nossos carros ou em ônibus apertados; emprego que não gostamos, mas precisamos deles; cidades poluídas, sem nenhuma qualidade de vida; comportamentos que não gostaríamos de aceitar, mas é preciso; sentimentos e vontades reprimidos…

Somos livres? Ou simplesmente acostumados?

Tenho visto como as mulheres, inclusive eu, em outras circunstâncias, vivem presas: calças apertadas, blusas tão justas que nos obrigam ser mais magras, sapatos incrivelmente desconfortáveis, maquiagens, cabelo, sorriso, postura… Ahhh…

Comprar, hoje, é sinônimo de lazer. Felicidade é adquirir, adquirir de novo e depois comprar o mais novo ainda. Compramos porque queremos ou apenas somos livres para escolher o que comprar?

Confundimos liberdade com rebeldia, com malandragem, esquecemos que muitas vezes ficamos presos em nossas casas com medo da violência lá fora.

Somos livres de verdade?

Podemos pegar hoje, se quisermos, nossas bicicletas e pedalar até uma praia do Espírito Santo? Ou estamos contando os dias para o próximo feriado prolongado? Ótimo pra você se respondeu que pode ir à praia quando quiser. A maioria das pessoas que eu conheço responderá que não, não pode. Então não somos livres.

Admito que me senti egoísta por desfrutar minha parcial liberdade, quase descalça e de shorts, enquanto os outros ferviam em seus ternos, gravatas, casaquinhos sociais e até botas… debaixo do maior sol do meio dia! Moda? Aceitação social?
puntaEstá calor, meu Deus, muito calor! Tenho vontade de gritar: “tirem essas roupas desconfortáveis, mostrem suas pernas brancas, usem chinelos ou fiquem descalços, tirem essas meias-calças coloridas e calorentas, façam algo que os deixem realmente contentes, parem já com a infelicidade!”.

Mas as pessoas estão satisfeitas assim, elas gostam… Ninguém quer mudar, se não, já teriam mudado.  Esses pequenos probleminhas é parte de “o preço que se paga”.

Eu não gosto e não quero trocar minha liberdade por esse estilo de vida… que nem sei ao certo qual é.

Estilo de vida pobre, louco, burro…

Quero sair daqui, encontrar uma saída, ser feliz de verdade, mesmo que não seja o tempo todo.

Infelizmente temo que minha liberdade tão querida vai durar muito pouco. Vai durar até o limite, até que eu não consiga mais deixar que roubem meus sonhos e vontades e que me encaixem no meu lugar da engrenagem do sistema…

A não ser que eu encontre uma alternativa.
(novidades 27/01/2014 – estou vivendo em Santos/SP e isso é uma coisa maravilhosa que me aconteceu, pois aqui sou muito mais livre que em Sampa)

Atualização 18/07/2016

A VERDADEIRA LIBERDADE ESTÁ EM NOSSA MENTE ♡

Muito menos por muito mais


image02Para mim, o maior defeito do ser humano é acreditar em sua superioridade perante a toda a natureza e não considerar a existência de outros seres e planos invisíveis e como energia.

Usamos e abusamos dos recursos naturais por pensar que eles estão lá para o consumo, simples assim. Simples egoísmo, loucura e burrice, na verdade.

Não percebemos que estamos a dois passo do colapso. Quer ver só exemplos do dia-a-dia que nos mostra isso? Eu fico furiosa com o cheiro de poluição, cigarro e do Rio Pinheiros. Fico muito irritada com barulho de máquinas, veículos e de tanta gente em praças de alimentação. Não sou diferente, muito menos melhor que ninguém: também poluo, faço barulho, faço parte do sistema… E fazer parte disso me incomoda ainda mais. Isso sim me diferencia da maioria das pessoas, para o bem ou para o mal.

Devíamos, já há milhares de anos, estar em harmonia com a Natureza. Retirar apenas o que fosse necessário para nossa sobrevivência. Mas a nossa inteligência se voltou contra nós. Inventamos formas de ficar mais confortáveis, sermos sociais, globalizados. Competir entre nós para ver quem tem mais riqueza. E já podemos sentir o começo do fim: doenças respiratórias, vírus e bactérias novas, alergias, câncer, depressão, estresse, guerras, violência. Tudo novidade, causadas por frustrações, sofrimentos, vaidade, luta pelo poder, estresse e mal uso dos nossos elementos naturais. E o pior ainda está por vir.

Cosmos-2Somos parte do ecossistema, mas agimos como se o ecossistema fosse de nossa propriedade. Eu tenho certeza que não é assim e uso a lógica como argumento. Temos noção do que significa o Planeta Terra no Sistema Solar? E o que esse Sistema Solar significa na Via Láctea? E o que a Via Láctea deve significar, então, no resto do Universo? Egoísmo achar que nós, seres humanos da Terra, somos superiores em tudo. Duvido! Somos menos que um grão de areia em comparação com toda a imensidão do Cosmo!

Ciente disso tudo, fico a pensar: “O que nos resta a fazer agora?”… E minha frustração vem a obter a resposta de que só podemos tentar converter essa situação horrível em que nos metemos. E que qualquer bem que fizermos para o Mundo hoje é o mínimo que devíamos fazer mesmo. Sei que receberemos muito menos em troca por muito mais esforço.

Fim do Intervalo

318737_438309196199908_292642026_nAgora, por favor, de volta ao futebol.

Engraçado que quando eu decidi me afastar um pouco do futebol, dar um tempo, as pessoas começaram a pensar que eu era fanática. Bom, nunca fui. Só que eu sentia incompatibilidade entre meu sentimento perante ao futebol e o que eu tenho buscado na vida.

Depois de 6 meses e 2 campeonatos afastada, aprendi a lição! Do mesmo jeito que eu decidi dar um tempo, volto com toda vontade ao mundo futebolístico, afinal, EU ADORO FUTEBOL! Adoro ir ao estádio, gritar, torcer. Não preciso mais passar vontade!

Foi interessante essa minha experiência, valeu a pena, não me arrependo de não ter assistido os jogos. Fiquei ansiosa nos jogos decisivos, igual. Chateada quando não rolou o Paulista, igual. Feliz no jogo contra o Palmeiras, igual.

Agora me sinto mais madura em relação a esse tema, mais consciente, mais preparada pra encarar, sem gastrite nervosa, talvez não deixando em paz apenas minhas cutículas! Estou conseguindo até rir das piadas e brincar com os outros times também.

Isso não é um conselho para os loucos por futebol, não. Para mim, funcionou assim. Vi que preciso estar de fora para refletir sobre algumas situações específicas da minha vida. Estou compartilhando minha experiência porque comigo foi o futebol, mas pode ser relações, opiniões, escolhas… Elas não precisam mudar, acredito que apenas serem mais conscientes!

Educadores Sem Fronteiras

img_quemsomos3Estou fazendo um trabalho sobre o Instituto Educadores Sem Fronteiras, uma escola de ensino complementar para jovens que vivem em vunerabilidade socioeducacional, que não dá diploma e o principal requisito é querer estar ali. Os professores, chamados de Educadores, amam ensinar e aprender também, têm uma disciplina e um plano de aula principal, mas navegam por inúmeros temas até entrar no assunto planejado. Os alunos, chamados de Educandos, têm prazer em conhecer e a presença beira no 100%. Só pode faltar por um motivo muito justo, pois existem muitos jovens interessados.

Para vocês entenderem um pouco mais sobre como os alunos se sentem lá, segue um manifesto escrito por eles mesmos.

Manifesto dos Educandos Sem Fronteiras

1. Não queremos entrar no labirinto sem paredes, caótico e sem governo onde nos encarceram por seis horas de gritarias;
2. Abrimos mão da nossa condição de robozinhos insubordinados para romper os horizontes da matemática e do português a favor da nossa revolução sem armas;
3. Chega da obrigação das horas trabalhadas e das horas estudadas que nos causam o sentimento de insatisfação e de dor no momento de aprender;
4. Não queremos mais a tecnologia e os livros duelando conosco em salas sem uso, cheias de fantasmas do desejo de conhecer que já não nos motiva;
5. Aqui encontramos a liberdade de exercer nosso direito de dizer: “Sim! Desejo aprender!” ou “Não! Ainda não estou pronto”;
6. Na convivência diária, brilham as estrelas nossas porque já não há distâncias entre educando e educadores. Somos uma comum-unidade dentro de uma sala repleta de possibilidades;
7. O mundo é nossa sala de aula! Não existem paredes entre nós, nossos sonhos e o conhecimento despertado em nossa alma e
8. Sejamos todos, então, exploradores do conhecimento. Aprender aqui não é ser mais um aluno, é ser cidadão do mundo.

Autores: Bruna, Gabriel, Janaína, Jéssica e Thawane, educandos do Ensino Médio / Aula de Arte e Cidadania (18/11/2011) – Unidade Raposo Tavares

Saiba mais em: www.educadoressemfronteiras.org.br

O empurrãozinho que faltava

Viver melhor e ter mais liberdade andando da bicicleta

Vá de Bike!
Imagine a mesma cidade de São Paulo de hoje, a megalópole que você adora por sua diversidade, demanda, serviços 24h, cheia de gente diferente, opções e… sem trânsito, com o ar menos poluído, mais tempo para o lazer!

Isso mesmo! A cultura da bicicleta nos levaria a uma cidade menos caótica. Você está cansado disso tudo? Pois é, eu também! Quem se lança nessa aventura passa menos tempo dentro do carro ou transporte público, aproveita mais a hora de lazer e descanso, gera menos poluição, fica menos estressado e ainda se exercita… Tudo melhorando sua qualidade de vida. Maravilha, não? Mas as vantagens não param por aí, não. Você acha tudo isso impossível de acontecer? Que nada! Cidades como Amsterdã vive sobre duas rodas, lembra da novela? 
Mas não se preocupe, por que no Brasil isso pode acontecer, e acontece! Em Sorocaba, localizada a 92 km de São Paulo, existe uma grande tendência ao uso da bicicleta. A cidade possui a segunda maior rede de ciclovias do país e a população é incentivada por parte da prefeitura a aderir. Um dos incentivos é o projeto IntegraBike, que está entrando em vigor e disponibilizará bicicletas de graça para a população, com o objetivo de conscientizar que o veículo em ascensão é viável. Mais de 60km de ciclovia está disponível para os que querem mudar seus hábitos!
Claro que não é um milagre. As coisas não mudam de uma hora para outra, o automóvel continua e vai continuar soberano por bastante tempo.  Se você acha que mudar seus hábitos, diminuir o uso do automóvel pode parecer que será impacto pequeno, não se subestime.  Se muitas pessoas pensarem de uma maneira positiva para o uso das magrelas, o resultado a curto prazo será visto com a diminuição do trânsito, ou seja, menos estresse pra você!

Para o meio ambiente, as vantagens também são grandes. Menos poluição sonora, emissão de gases, calor, combustível queimando. O impacto no solo é menor. O espaço usado também, o que diminui o desmatamento. A manutenção é muito barata, em alguns casos de graça.

De qualquer maneira, aderir à prática é uma vantagem que será realmente percebida aos poucos, mas seu corpo sentirá assim que começar. Exercitar-se ao invés de ficar parado sentado, sem fazer nada? É como se você levasse sua bicicleta da academia para dentro do seu carro.
E sabe o que dizem sobre endorfina, né?! A droga da felicidade, quanto mais você a tem, mais você a quer. Corpo enxuto, saudável, você mais feliz!


Se você é como eu, que tem pais que não patrocinam uma bike para por que têm medo dos perigos que São Paulo oferece, vai ficar na vontade… Ou juntar dinheiro pra comprar uma pra você (minha opção!).  


Pai, me dá uma bike dobrável?
O que a gente precisa, agora, são ações de incentivo por parte do governo, consciência dos motoristas e ânimo da população e educar-se para um pedalar seguro, o ciclista deve ser consciente também. 

Migrando do carro para bike, todo mundo ganha. Quando a cultura estiver implementada, vamos nos dar conta de que já poderemos andar sem rodinhas em uma cidade cheia de qualidade de vida.

Paranoia Tecnológica

Semana passada entreguei um trabalho sobre obsolescência programada e, para complementar o teórico, tive que fazer uma peça audiovisual.

O tema foi escolha minha, ou seja, algo que eu sabia que me interessaria. Fui pesquisando e a cada descoberta me deixava agoniada. Eu me sentia cada vez mais fraca, mais impotente. Mais sem nada a fazer. Fui escrevendo palavras que me deixavam nervosa, angustiada.

Olhei ao meu redor, vi que as coisas haviam se tornado mais importante do que deveriam.

E depois de 3 latas de energético 2 pacotes de pipoca,  misturando escola de Frankfurt com meu TCC, tive um insight……

….o resultado vc confere a seguir:

Sociedade de Consumo from gabi pagliuca on Vimeo.

Sedução da tragédia

Semana passada resolvi que eu deveria voltar ler notícias, ver telejornal… Há meses me desvio desse tipo de informação. “Que menina chata”, pensei certa vez, “não sei dos assuntos atuais para conversar com meus amigos”. Então, apesar de ter sempre opinião sobre tudo [hehe], achei que poderia ser legal entrar num site jornalístico.

Acessei um portal de notícias e variedades, daqueles conhecidos, com muita coisa escrita, publicidade, cores fortes… As notícias que me chamaram atenção foram o filho do cantor Leonardo gravemente ferido e cinco jovens que haviam morrido, os dois casos por causa de acidente de carro.

Li a notícia do cantor e pensei, meio triste, “espero que ele esteja bem, que ele se recupere”. Abri a notícia sobre os jovens. Chorei. Fiquei nervosa. Tremi. Pensei que podiam ser meus amigos. Fechei sem ler até o final, eles tinham morrido, não era novela ou outro tipo de ficção, para esse tipo de coisa não existe “Ctrl+Z”. Fechei o navegador depois de me arrepender de ter aberto.

Isso sempre acontece comigo. Não sou a mais informada da turma, por que odeio ficar vendo notícia ruim, lendo coisas sobre famosos, assistir programas de TV e me dá agonia de ver como o jornalismo é.

Agora pouco cheguei em casa e sentei na sala para carregar meu celular, na TV passava o ex-gordo zoando um gordinho [eufemismo] que havia caído de cara num carro, no quadro de cassetadas. Uma, ao meu ver, sacanagem que já dura décadas [pelo menos umas duas, né?!]. Nunca vi graça nesse quadro, acho que isso é rir da desgraça do outro e muita falta de coisa pra fazer.
No momento estou na cozinha enquanto passa o programa dominical das 21h na TV Plin Plin, realmente é um programa como o nome descreve… Fantasticamente pesado, como todos os outros do canal, concorrência e outros veículos. Apesar da racional vontade de não ver e lutar contra isso, eu passo pela sala e fico olhando, começa a me dá agonia e volto pra cozinha. Isso aconteceu umas 3 vezes. Ou seja, eu tenho que lutar conscientemente para não ficar ali, porque toda aquela linguagem realmente seduz.
Não só me incomoda pela parte fútil, pela parte que as pessoas trocam bons momentos de leitura por momento de estupidez, isso eu já me acostumei e não tenho nem vontade de convencer ninguém do oposto [fora que sei do potencial que eles – a Tv e o telecpectador – têm é de fazer algo fantasticamente bom].

O que me incomoda é a parte da tragédia, do drama. O programa de TV também falou sobre o filho do cantor, eu estava colocando meu celular pra carregar e nesse meio tempo minha cunhada entrou na sala perguntando “ele morreu?”, e apesar de ter sido bem legal a TV ter feito essa matéria ele estando vivo, é também muito chato pensar que esse tipo de matéria costuma ser feita quando a pessoa bate as botas.

A sedução da tragédia me incomoda fortemente. Eu não consigo ficar leve com esse tipo de notícia ao meu redor. E é só tragédia ou besteira. Fico com meu coração e meu estômago apertados, tenho vontade de chorar, me arrepia.

A gente aprende que as notícias vinculadas nas mídias [devem] ter relevância e ser interesse público… mas sei lá, se alguém me perguntasse, isso seria totalmente irrelevante para mim. Se não fosse o costume, aposto que as pessoas não gostariam também.

Pior que essa cultura faz que as coisas do dia a dia que são esfregadas na nossas caras passem despercebidos. Quantas vezes passamos por gente dormindo na rua e nem vemos? Não dá pra saber, eles costumam ser invisíveis aos que já estão calejados com tragédia.

Eu concluo, portanto, que apesar do meu pequeno esforço de querer me manter informada, como eu tenho o livro arbítrio e “os incomodados que se mudem”, eu posso sim ter a escolha de ser ou não [esse tipo de] informada e não me sentir mal por isso.

Novo e de novo

 

flor

Eu só te vejo de longe, de longe, de muito longe. Percebo quieta suas expressões. Se olha na minha direção, não me vê. Desvio o olhar, pra não correr o risco de cruzar com o seu. Disfarço, finjo mexer no cabelo. Meu sorriso te dou de graça, mas você não aceita, nem percebe. Fujo, fujo, me aproximo, nem percebe. Tento chamar sua atenção que estou olhando para outro lado, para outro sorriso, sem sucesso. Nem percebe, é distante. Nunca ouvi sua voz, que agonia em não saber seu tom de voz ao falar… principalmente se for comigo. Entre nossas listas de interesses, os suficientes para nos completar, justo na fronteira de compartilhar a diversão e conhecer a novidade, certeza. Mas como perseverar, convencer? Que argumentos? Já tentei de tudo. Até que comecei a sentir arrepios ao saber que algo inesperado havia acontecido. E decidi sumir, antes de aparecer, por assim dizer. Nunca vou saber se iria ou não. Desaparecer é fácil, basta que eu pare de insistir com você.

Vou largar tudo e ser FELIZ!

FUIIIINo dia em que eu largar tudo e for morar em São Miguel dos Milagres, minhas amigas do colégio que diziam que eu vivia em outro planeta, em um mundinho perfeito só meu, não vão estranhar e dizer “eu disse”.

No dia em que eu largar tudo e for morar em Alto Paraíso de Goiás, meus colegas que me criticaram, tentando me ofender, dizendo que eu vivia em um mundo utópico, que eu mesma criei, vão ficar de queixo caído.

No dia em que eu largar tudo e for morar em Belém do Pará, vai ser pra me afastar do caos, do aperto diário nos transportes públicos, do medo da violência urbana e da falta de solidariedade…

No dia em que eu largar tudo e for morar em Madre de Deus, não vou estranhar se eu não me adaptar no começo, mas vou me martirizar se eu tiver vontade de voltar.

A gente já está mais do que acostumado com essa loucura e eu simplesmente não consigo entender. Como podemos nos adaptar a um sistema que só nos quer mal?

O que são as coisas? Ter, não ter… Trabalhar pra ter, descansar para o outro dia voltar a trabalhar. E ter, comprar, ser melhor que o outro “tendo”.

Um dos motivos que eu não largo tudo e vou para Oiapoque ou pro Chuí hoje mesmo é porque ainda não consigo ser egoísta assim… É egoísmo, mesmo. Não tem outra palavra pra descrever o que seria largar tudo e tentar a simplicidade de ser feliz.

Egoísmo com quem precisa de mim aqui.

Mas seria também egoísmo com o sistema e ele bem que merece que eu, ou melhor que todos nós fizéssemos isso, sabe, simplesmente ser feliz.

Esse sistema que nunca se importou se estamos ou não, bem. Que nunca perguntou se precisamos de algo mais para ser feliz.

Ele simplesmente impõe estilos de vida suicidas, regras para que nos tornemos maus e nos enfia na cabeça desejos que, na verdade, são frutos da propaganda e não do coração.

De que vale a vida se a gente quer só ter e esquece de ser? Afinal, nosso único e maior desejo é ser feliz.

Beijo na Boca

beijoOntem puxei assunto com um colega que faz trabalho voluntário comigo, não somos amigos, mas ele me desperta simpatia. Fiquei sabendo que ele estava em uma vibe muito louca. Fui falar com ele, me disse que estava na vibe de meditação, respiração e boas vibrações… Depois que voltei de Alto Paraíso ando meio querendo virar hippie, mesmo não conseguindo me desapegar de tecnologias, ainda. E comentei isso com ele, trocamos algumas ideias, poucas.

Comentei da minha busca por um curso de yoga e eu disse que enquanto não encontrava, (bomba:) eu ia dar um beijo na boca dele para pegar um pouco daquela energia. Ele não disse nada, apenas me ignorou. Pensei em dizer “tô brincando”, ou algo do tipo, mas resolvi ignorar também. Resolvi deixa-lo pensar o que quisesse de mim, e refletir e escrever sobre o que eu disse. Aqui estou.

Por que as pessoas relacionam beijo na boca ou qualquer tipo de carinho e manifestação de afeto como algo pesado, como se eu estivesse convidando ele para sair, pedindo pra namorar ou morar junto? E eu nem gosto dele desse jeito, eu disse aquilo porque no momento me identifiquei com a vibe…

Não era um beijo social, cara, era um beijo espiritual.

O que eu quero dizer com esse lance do beijo é em relação a compartilhar as vibrações. Quando duas pessoas estão se beijando, elas trocam energia. E eu gosto da ideia de trocar energia com pessoas de vibrações positivas.

Mas não um beijo social, um beijo espiritual, mesmo que consumado em um ato físico de troca de saliva.

Para o beijo ser bom, tem que haver sintonia, não é? Então, além da sincronia do corpo, os espíritos devem estar também em harmonia.

Beijo, sexo, dança… Para mim não é social, é espiritual. Espiritual, mas não religioso. Espiritual de tal forma que não é necessário estar apaixonado por alguém para trocar energia com o outro ser, mas se estiver, a sensação é mais forte, e se for correspondido, então, a troca é ainda mais intensa.

O beijo na boca foi instituído como algo político. “Se eu beijar esse cara gato minhas amigas vão morrer de inveja”, “vou pegar aquela gostosa para os caras pagarem um pau…”, “vou namorar essa pessoa porque meus pais vão sentir orgulho de mim” ou “vou namorar essa pessoa porque meus pais vão ficar com raiva”. Ah, acontece, uai!

E quando não é político, é instinto, químico, sabe o lance do feromônio? E também não está entrando em harmonia com o outro ser, e está apenas querendo satisfazer uma necessidade fisiológica.

E isso se replica ao sexo… e a dança. A sociedade meio que impõe que você deve beijar quem mantém o seu status quo, mulher que faz sexo casual é julgada vadia… e dançar? Por que tem gente que não consegue se soltar e deixar levar?

Os meninos só querem beijar meninas bonitas, por status. Os homens só querem beijar mulheres gostosas por status. As meninas só querem beijar os meninos bonitinhos por status, as mulheres só querem beijar os gostosos por status. E quanto mais o homem beijar, melhor ele é. E quanto mais a mulher beijar, mais galinha ela é. Encontra o social aí? A regra é clara…

Para mim, é muito estranho tudo isso.

E não precisa entender, porque é bem difícil entender, esse foi um dos textos mais difíceis de escrever, de longe.

Essa reflexão tem mais a ver com sentir. Se você nunca parou pra pensar nisso e resolver não pensar, não significa que você não age, agiu ou agirá assim. Afinal, é espiritual, não racional. Está além desse plano aqui.

Concluindo:
O beijo é quântico, assim como a dança e o sexo…

Leia Gênesis que você vai entender

A questão foi levantada por um contato meu do Facebook, que sempre traz questões interessantes a serem debatidas. Não coloco a postagem nem as opiniões se não teria que postar tudo, por causa do contexto. Mas foi interessante. A não ser porque fiquei pensando… E pensar é ruim (brincadeirinha!!!), por que quero respostas que nunca terei.
Era um papo sobre religião, Deus e extraterrestres. E aí, se Deus e Anjos são seres extraterrestres, será possível haver outros, tipo alienígenas? Acredito que o objetivo era dar mais a opinião mesmo, nada científico. E uma das opiniões foi que Deus não ia deixar seres espalhados ou “esquecidos” pelo Universo, então pra ela não existia.
Apesar do respeito que tenho pela opinião, vejo um buraco nessa explicação, “Leia Gênesis que você vai entender” por que essa resposta me parece muito artificial, mecânica. Acho que não é o que essa pessoa acredita, para dar seu ponto de vista, argumentar e por isso só tem uma resposta, que não vem do raciocínio, sensibilidade e reflexões próprias e sim de terceiros.
Acreditar na Bíblia… Se você acredita, faça um esforço a mais para entender o que vou dizer agora: qual é a diferença concreta em acreditar na Bíblia ou em qualquer outro livro, de ficção (mesmo sabendo que o autor escreveu fantasias de sua mente) ou de Ciências (tão bem argumentados)?
Acredito tanto em Deus que fico com pena de dizer isso, principalmente por que há chances de ser verdade, da mesma maneira que há chances de não ser. Mas o Deus que eu acredito não me julgará por desconfiar, pois ele me fez assim.
Talvez eu leia Gênesis, mas o quanto vou confiar nele? Aí está o ponto. Eu já li o Guia do Mochileiro das Galáxias, ele faz sentido pra mim e pelo menos eu sei quem o escreveu. E eu escuto músicas que traduzem minhas dúvidas e agonias e tentam me dar algumas respostas e me dão paz interior… Ah, sei lá, em que acreditar? Só por que algo é super antigo, tem uma grande tradição, uma grande parte das pessoas acreditam… não quer dizer que seja a resposta da Vida, o Universo e Tudo Mais, é?!
“É fé, Gabi, é tudo fé”. Se você pensa assim, não me daria uma resposta “Leia Gênesis que você vai entender”, por que não vou entender só de ler esse tal Gênesis, preciso acreditar. Se é questão de fé, o argumento deveria ser algo como: “se você tiver fé, se acreditar, você entenderá.” Ler Gênesis vai me fazer apenas conhecer a estória, e não a História.
 
 
 
Sei que é um assunto delicado, respeito todas as religiões e crenças como eu gostaria que respeitassem a minha, portanto, o objetivo aqui não é brigar, desrespeitar, nem bater de frente com sua religião, mas é questionar, refletir, sobre valores que já tive um dia, mas a vida foi me provando que não fazia sentido pra mim.

Planos…

Imagine você daqui 10 anos…

Você consegue? Bom, eu nunca consegui. Na verdade, não consigo até hoje. Quando penso em 10 anos, é tanto tempo pra frente, que não é algo tangível. 34 anos, eu posso até estar casada e ter um filho, ou dois. Mesmo que hoje maridos e filhos não estejam nos meus planos para daqui 10 anos. Há 7 meses eu não imaginaria que estaria onde estou hoje, em todos os sentidos que não convém citar, mas 7 meses? Quantos 7 meses há em 10 anos?! Uns 17,142, aproximadamente. Então como posso fazer planos para 10 anos – e não ficar frustrada se o fizer?

      Vou vivendo assim, dia após dia, avaliando com cuidado, mas entrando de cabeça em tudo. Aprendendo com os erros, aprendendo a ouvir os mais experientes dizerem “você pode estar indo para o caminho errado”, e pensar mais em cada movimento, mas dizer sim, sim, siiim a tudo. Planos para hoje, amanhã e talvez para o final de semana. Planos para 10 anos? Só se eu puder ir mudando toda hora, só se o único plano for o mesmo que tenho hoje… ser feliz!

“…e se nada der certo a gente vira hippie…”

Todos os sonhos do mundo…

Admito que sou uma estudante de jornalismo relativamente desatualizada. Não que eu não saiba realmente o que está acontecendo, mas tem coisa que eu prefiro não saber em detalhes. Quero que saiba que esse primeiro parágrafo está sendo escrito apenas para me desculpar, verdade.
Ontem me arrepiei ao ver uma foto. Sou sensível demais e ler “desocupação” “milhares de familias” já me faz chorar. Então prefiro não saber. Li (chorei) um pouco sobre o assunto, e não tenho propriedade para falar dele aqui, por isso, procurem no Facebook artigos sobre isso. Aqui falo mais de um sentimento estranho esse que está dentro do meu coração. Vamos lá, é um desabafo.

A Foto que me Fez Arrepiar – Ainda não sei o Autor

 O mundo é dos ricos, as pessoas que vivem a margem da sociedade e são esquecidas, apenas lembradas para serem acusadas, linchadas. Invasores, marginais, traficantes, violentos, resistentes, nunca seres humanos… Aquela máxima de que ‘todo mundo é igual’, só funciona com aquele complemento famoso ‘mas alguns são mais iguais que os outros’ (George Orwell).

Em minhas visitas às comunidades carente com a ONG Um Teto para meu País é unânime a falta de atenção dos nossos ‘representantes’ para com a sociedade. Minha última visita, no sábado, olhei uma pasta com entradas de pedidos não atendidos, e talvez alguns que jamais serão. A representante, eleita com mais de 240 votos, que faz vários cursos, queria fazer faculdade de direito (eu e meus colegas ficamos positivamente surpreendidos) e nos disse que a comunidade está organizada, que as famílias comparecem em todas as reuniões, pedidos e mais pedidos… E nunca têm respostas: “e eu vou falar o que pra eles se eu também não tenho resposta?”, nos disse Jo, da associação do Jd. Isildinha, em Guarulhos.

Alguns barracos – e algumas casas de blocos também – destruídas pela Ambiental no Jd. Pantanal… Enquanto isso, todo mundo viu no jornal, eu vi ao vivo: inundação, crianças brincando na água, casas que eu tive certeza que assim que chovesse ia alagar… E diante de tudo isso, a polícia vem derrubar casa?


Eles querem fazer um PARQUE!!!!!! A população não precisa de Parque, precisa de moradia decente, infraestrutura de qualidade, educação e saúde, não de um parque no lugar de suas casas!

Tenho medo de polícia… Ela não deveria zelar pelos nossos direitos? E o direito a moradia? E o direito a uma vida digna? Ameaçam os moradores, oferecem R$ 300 (TREZENTOS!!!!) de bolsa aluguel. Sr. Kassab, Sr. Alckmin, Sra. Dilma! Onde vocês encontram um aluguel de R$ 300? Vocês conseguem viver em um apartamento digno com R$ 300 de aluguel? Onde? Quanto custa o aluguel do seu? Aceitariam se oferecessem R$ 300 para alugar um apartamento? Com esse dinheiro só é possível alugar um barraco, em outro lugar. E quando menos se espera… Esse outro barraco vai abaixo porque é irregular, também. Porque é o que se tem com R$ 300. Isso e promessas de projetos que nunca ficam pronto!

Tudo isso só me faz pensar mais ainda sobre a falta de vontade… dos políticos, dos ricos donos desses lugares, da mídia, dos formadores de opinião. Falta de vontade das comunidades, dos moradores? Falta de vontade de que? De ter uma vida digna, de viver sem doenças? Dar educação e saúde para os filhos? Falta de vontade deles? De ter mais liberdade, de não ter tantos problemas primários? Falta de vontade de trabalhar dignamente? Falta de vontade de ser olhado com mais respeito? Falta de vontade de saber que os filhos estão bem, que eles estão seguros e longe de drogas e álcool?

Não. Eles não têm falta de vontade! Alguns já estão acostumados, sim; outros já estão de saco cheio; alguns não aguentam mais correr atras; mas o problema é que todos estão sem esperança. Culpa de quem não faz o que deveria fazer. Culpa de vocês, sim, senhores políticos e caras que querem seus terrenos de volta só para ficar vazio, mais bonito ou para investir $.

Organizar é muito mais fácil que desapropriar. Mudar o problema de lugar é fácil – e literalmente mudar, porque nada será resolvido, para onde vão essas pessoas? Esconder o problema é fácil, é só jogar pra longe, como lixo. Ou melhor, nem como lixo, vide Rio Pinheiros e Tietê, tão próximo a cidade.

É, meus caros leitores, se as pessoas não têm um teto para morar, o que é o mínimo, quando vão poder se organizar para conseguir água encanada, saneamento básico, ruas asfaltadas, luz elétrica, escolas para seus filhos e hospitais públicos? Como eles terão tempo para superar tanta burocracia para os problemas maiores, com medo diário de perder o teto que têm, onde criam seus filhos? Se eles não tem um teto digno para viver… Onde vão poder cultivar seus sonhos?

Violência e tráfico de drogas

“Então… A culpa é de quem? Eu canto em português errado. Acho que o imperfeito não participa do passado…” (Meninos e Meninas, Legião Urbana)
“Em menos de duas horas, tudo será queimado num forno de alta temperatura”, um camboio que transporta toda droga da delegacia no Rio entra em um ferro velho no Caju.  Atrás daquelas latas-velhas, chega um calor mesclado pelo sol e o incinerador. Desfazer-se dessa droga significa mais do que simplesmente dar um fim a ela, pode significar salvar vidas, já que “a expansão do tráfico de drogas a partir da metade da década de 80 é diretamente responsável pelo crescimento de número de homicídios”, frase tirada do documentário Notícias de uma Guerra Particular. Esse cenário descrito é um dos fins para esse causador de tantas mortes. Tem traços de Counter Strike, um polêmico jogo de tiro. Essa batalha tão violenta entre traficantes e policiais no Rio de Janeiro não é muito diferente das batalhas entre terroristas e exército, inspiração para esse jogo. Só que tudo que poderia, se vivêssemos em um mundo perfeito, ser ficção, se baseia em uma grande realidade. “Não penso em fazer maldade com ninguém”, mas em Terra sem Lei, ou que as leis são as dos mais ricos, qualquer um teme ser excluído “primeiro eu fiz isso para me alimentar, comprar comida; depois para me manter, andar arrumado”, diz Adriano, traficante, 29 anos, no mesmo documentário. A culpa é de quem? A culpa é do cara humilhado e considerado marginal desde criança, quando nem ao menos tinha consciência do que é certo e errado? A culpa é de quem? Do garoto que é deixado sozinho na favela porque os pais tinham que ir trabalhar e não tinham onde e com quem deixar? Não. A culpa não é deles.  A culpa, acredito, que é dessa competição sem fundamento por ter mais coisas de valor. Por quê? Não entra na minha cabeça, já que no fim, todos nós deixaremos de ter, para apenas ser… Ser lembranças dos entes queridos que ficaram, ser espírito. Certa vez li pixado no banco do ônibus que “o mesmo cara que me prende por roubar, é o cara que me incita  a comprar”, agora me diz você… a culpa é de quem?

Esperança Para Meu País

Quando eu conheci a ONG Um Teto Para Meu País, não tinha nem idéia do que esperar. Uma ONG de jovens universitários, como eu, que constrói casas de emergência e denunciam a cruel realidade de pessoas que vivem abaixo do nível de pobreza, era o que eu sabia.
Fui para minha primeira construção sozinha, conhecendo, de vista, meia dúzia de pessoas que interagi em outros eventos do Teto. Não importava, eu estava fazendo o que meu coração mandava.
Passou a primeira, foi a melhor sensação possível. A equipe da logística, da qual eu fazia parte, ficou bem unida. Pouco conheci as famílias, mas eu sabia que meu esforço tinha valido a pena.
Um mês depois rolou a segunda, foi minha primeira, de fato, construção. Foi difícil, choveu, fez frio, ajudei uma equipe que ainda estava nos pilotis e no barro as 20h do sábado.
Mesmo com toda a dificuldade, CEM casas foram construídas naquela ocasião. Mais do que isso, CEM famílias não dormiriam mais no frio, na chuva, com animais perigosos e nojentos entrando em casa.
Depois veio setembro I e logo chega setembro II e a cada construção fico com vontade construir de novo. Não estou copiando nem citando ninguém, é que realmente a sensação é essa, para a maioria das pessoas: o dever cumprido, a felicidade das famílias que merecem e trabalharam para conseguir essa oportunidade, vale MUITO a pena.
Acho que o voluntário ganha tanto quanto a família. Ou mais… Você não consegue sair de lá e continuar pensando igual quando entrou, seja lá o que pensava antes. Você entra de um jeito, e sai de outro, mesmo que seja difícil de perceber.
O Teto não soluciona o problema da família, mas melhora sua auto-estima, faz com que eles se sintam lembrados e amados novamente, traz a sensação de viverem com mais dignidade, sem medo de perder o barraco por qualquer chuva e ventania.
A verdade é que o Teto sobe mais do que uma casa para algumas famílias, ele nos traz a esperança que falta em nosso País.
Para saber mais:

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Futebol: por mim e por todas as minhas companheiras

 Palmeirense: “Brother… Tô ficando com uma mina… mas ela é corinthiana!” 


Já foi o tempo em que as meninas ficavam em casa reclamando dos namorados fanáticos por futebol. Será que a essa altura do campeonato ainda é feio e meio masculino uma menina apaixonada por esse esporte? 

Um belo dia, meu ex casinho me disse, desdenhando: “eu não converso com menina sobre futebol”. Choque. Quando o Corinthians caiu pra 2ª divisão, meu ex namorado riu de mim. Enquanto eu chorava e ele ria, lhe dei um tapa na cara e eu disse: NUNCA MAIS FAÇA ISSO. 

Que ódio tenho desses dois… Palmeirense e são paulino, respectivamente.

No primeiro jogo da final do Paulista, contra o Santos, olhei nos olhos do meu irmão e do meu pai que iam comemorar um gol do Santos, salvo pelo zagueiro corinthiano, e gritei: CHUPA! Choque deles. “Que horror, tsc, tsc.”, é o que escuto até hoje por causa desse episódio inédito.
Bem mais me conquista um torcedor, seja de qual time for, que respeita, conversa de igual pra igual, sabe brincar e, mais importante, não desvaloriza minha paixão só por que eu uso calcinha! 
Sou apaixonada sim. Mas futebol não é a minha maior paixão: sou bem mais apaixonada por pessoas. O Corinthians não vem na frente dos meus outros amores, minha família e amigos. Mas sou louca por ti, sim. Sou mais fanática que muitas pessoas (tipo meninas) e bem menos que outros (tipo meninos).
Homens, conversem com a gente! Compartilhem suas dores, raivas e alegrias com suas namoradas. Não fique em um silêncio súbito fazendo as meninas pensarem que vocês têm outra. Compartilhe o futebol com a gente que também gosta. Pra que separar as coisas? Seu melhor amigo não torce pro time rival? E daí que sua namorada também? Melhor, mais emoção. 
Gosto mais do Inter (RS) porque meu pai são paulino é Gremista. Gosto do Boca e do Atlético de Madrid por que eu tremi quando ouvi as torcidas cantarem. 
Conheço o Olímpico, o Palestra, o Morumbi, o Maracanã, o New Meadowlands, o Bernabeu, o Camp Nou e o Vicente Calderón… La Bombonera só não conheço por falta de pesos. 
Já fui em jogo do São Paulo e Flamengo, do Palmeiras e São Caetano, Estados Unidos e Brasil… Botafogo e Corinthians, no Maracanã, quando eu tinha, nem lembro ao certo, uns 10 anos? E que decepção: 6 a 1 pro time carioca. 

  Fui a esses jogos, os nacionais, antes começar a frequentar jogos do meu Corinthians no Pacaembu, sozinha, em 2009. Por que tão tarde comecei, devem estar me perguntando. Por que meu pai e meu irmão nunca tiveram coragem de me levar em um jogo do Corinthians. E baseando-me nisso, te pergunto, palmeirense, quantos jogos do Corinthians você já foi? Fala sério… Ir em jogo de futebol do seu time é fácil demais.
Aprende uma coisa: também não grito gol antes de ver a bola balançar a rede e, definitivamente, adoro de xingar a mãe do juiz.

Aproveitando…
Parabéns, Corinthians!
Parabéns por 101 anos de puro tesão!

De, Para…

eu que desenhei no paint!



Encontrei essa carta em uma garrafa PET rosa na marginal do Rio Pinheiros ontem e tive que posta-la. Nós nunca saberemos qual o final dessa história, se Lívia entregou ou não essa carta a Vitor, ou se ele recebeu. Ou ainda… se foi ele quem jogou… 


“Vitor,

Tô com saudade de tomar sol e ficar com aquela marquinha de biquíni que você acha linda. Tô com saudades também do meu cabelo grande que sei que você gosta. Eu gosto de ouvir Nirvana, Titãs e I Gotta a Feeling e pensar em você. Queria te encontrar muito chapado de novo em uma balada e ter certeza que você está com vontade ficar comigo, mesmo disfarçando – você pode não lembrar, mas eu sei que isso aconteceu – apesar de, claro, você ter mais opções e prioridades.

Eu disse que não gostava, mas nunca pedi pra você parar de me ligar de madrugada, a verdade é que eu queria ouvir sua voz o tempo todo.  Você é a única pessoa que eu quero procurar e conversar muito sobre futebol, principalmente quando eu tô brava porque o Corinthians perdeu.  Mas ok, você deve achar que eu não sei nem o que é impedimento, o que na verdade eu sei sim e sei desde meus 11 anos de idade. Sério, tem vezes que eu sinto que nenhum corintiano me deixaria mais animada do que você depois de uma eliminação na Libertadores ou 1ª derrota no brasileiro. Como no domingo, que foi o meu 1º brasileiro dessa temporada. E olha… Eu não gosto que me zoem, mas mesmo assim eu tive uma vontade enorme de te ver no domingo. Futebol é só um dos motivos pra eu curtir a ideia (eu+você): Imaginar (e só imaginar!!!) que esse assunto podia ser um tema que rendesse entre nós.


Enfim… Eu gosto de ficar com você porque você eh o único (ÚNICO) que consegue falar mais que eu e isso não me deixar entediada, embora eu sempre esteja louca pra falar, não consigo parar de te ouvir e de querer te ouvir. Não gosto de pensar que, por causa disso, eu gosto de ficar com você de uma maneira diferente que você gosta de ficar comigo, por que eu sinto que te conheço muito (você pode dizer que não, se quiser, pode ser que eu não conheça mesmo, só sinta isso), mas tenho certeza que você só conhece meu lado fraco e submisso.

Eu me sinto meio (muito) babaca quando eu cedo as suas vontades, quando eu sou exatamente isso, fraca e submissa. Eu achava que não tinha problema eu ser assim às vezes desde que eu soubesse que era apenas com o meu consentimento e sob meu controle. Só que eu não sou assim, queria que você soubesse, nem fraca, nem submissa (uma das provas é essa carta, que eu tive que juntar a maior força do mundo – e um pouco de hormônios alterados – para ter coragem pra dizer tudo isso).


Só te chamei pra ir ao cinema 1 vez e foi porque você estava ali online, conversando comigo, na hora em que vi o trailer do X Men que minhas amigas não iriam comigo. Nunca quis sair pra jantar, não queria sair de mãos dadas por ai com você, não, por que não tenho esse tipo de expectativa. Eu só queria ter certeza que não é possível só eu curtir tanto a gente junto, só juntos, tipo você com a cabeça na minha barriga falando sobre suas experiências ou eu deitada no seu peito ouvindo você respirar.

Não tenho intenção de te namorar, nunca tive, não queria que pensasse que estou envolvida emocionalmente, apesar de, claramente, estar. Eu me sinto muito idiota em te dizer isso por carta e não na cara, mas tenho alguns motivos pra isso… Eu nunca consigo falar o que sinto, já tentei, mas você me apavora. E por que… Eu nunca quis perder o único tempo que a gente passa juntos (o pouquíssimo tempo) estragando tudo… “Tudo” eu quero dizer o que a gente vem tendo nesses últimos meses: amizade colorida.


Mas o difícil de ter esse tipo de amizade é que alguém sempre se envolve, e nesse caso – obviamente – não foi você. Não foi sempre assim, não, viu… Durante os primeiros meses, pensava um pouco mais em você normalmente nos 3 dias de TPM e acaba rápido assim como veio, eu acho que era meio carência –  também não era todo mês, às vezes eu pensava em outros caras, ou eu tava com outros caras.

Ah, e uma vez morri de ciúme quando vi você e sua namorada no ônibus, vocês subiram no ponto que eu desci… Mas senti ciúme, mas nada de mais… Quer dizer, eu desci do ônibus na chuva e quase escorreguei, mas acho que a culpa foi do chão, é, acho que foi.

Mas aí, nas últimas semanas, admito… Tá difícil… De um tempo pra cá você foi o único que eu fiquei e talvez seja por isso que eu faça tanta questão de não desperdiçar seus convites pro role.

Agora que você já sabe de tudo e que provavelmente eu estraguei qualquer chance ficar com você da maneira que costumavamos ficar, quero dizer que eu sinto muitíssimo por termos começado como começamos. 


Eu não sei se você sabe, ou lembra, que nos reencontramos depois de tanto tempo logo depois que terminei um namoro longo. E eu terminei meu namoro (não foi por causa de você), engatei outro, e terminei com esse outro no dia em que saímos pela 1ª vez… Desse dia algumas impressões de mim ficaram em você: que eu sou fácil e burra.

Fácil por que eu fiquei com você logo de cara. Burra por que eu demorei 3 horas pra encontrar o ponto de ônibus mais próximo. Só faltava eu ser gostosa pra completar o “fácil, burra e gostosa”, mas fico devendo essa.

Só que o lance é que eu não sou fácil nem burra. Gosto de sair e beijar quando eu quero, ou quando tô podendo, mas não dou mole pra qualquer um. Por isso evito ficar bêbada, eu gosto de fazer o que eu faço consciente. Eu gosto de lembrar depois do que eu faço.

E burra, ah, nem entrarei no mérito. Só que já sei, já sei que você me vê como uma amiga colorida. Eu queria continuar te vendo assim também, como antes. A verdade é que desde que não namoro mais, eu sinto vontade de ter um amigo colorido, alguém que fosse legal suficiente pra eu não enjoar e que nos dessemos bem suficientemente pra querer de novo – e alguém para NÃO me envolver.

Então, já que me envolvi e isso tá me fazendo ficar chateada, eu resolvi abrir meu coração, dizer a verdade e tentar seguir em frente, mas que você saiba de tudo… Peraí… Tuuuuudo não, por que tem mais coisa, mas não quero dar uma de maníaca stalker.

Enfim, é isso. Sei que a gente tinha que só ficar e ser amigo pra sempre, mas sei que um dia você não vai mais me querer de qualquer maneira, então é melhor que eu seja sincera e ponha um ponto final nisso antes que você o faça e eu fique mais triste.

Se eu pudesse escolher, escolheria não ter me apaixonado no meio do caminho.

Beijos, Lívia”



queria saber como foi o 
FIM
dessa história.
Se você conhece a Lívia e/ou Vitor, comente nesse post.

Fogos de artifício

Helena abriu a porta e deixou cair seu copo d´água. Fazia uns dias que não o via. A visita não a poupou e disse: “se quebrar um copo a cada convidado que chegar, não vamos ter copos para brindar”, enquanto ela entrava na sala de mãos dadas com seu namorado, Helena continuava a olhar pra fora e encará-lo como que quem diz “vai embora daqui, Marquinhos”, mas ele não ia embora, não enquanto morasse ao lado.
Helena juntou os cacos de vidro que pôde com as mãos, ainda de porta aberta, enquanto o casal comprimentava alguns amigos que estavam sentados no sofá marrom em frente à televisão, ligada na programação especial de ano-novo. Ela levantou olhando para ele, que estava falando ao telefone de porta aberta, nem a notou ali. Ela continuou encarar. Cortou a mão com um dos cacos. “Que desastre de ano novo”, pensou.
Fechou a porta fazendo barulho e chamando atenção de todos. Correu para a sala e pediu que seu irmão ajudasse com o copo quebrado da porta. “Ele voltou, tá na casa dele”, ela sussurrou. “Não esquenta, ele não vai incomodar”, ele respondeu. “Talvez eu queira que ele me incomode”, pensou. Helena subiu até seu quarto para cuidar do pequeno corte. Iria ser uma boa desculpa para se isolar um pouco daquela festa estúpida de ano novo que sua mãe havia preparado para suas velhas amigas com novos namorados. Ou suas amigas velhas e namorados mais novos.
“Talvez eu queira que ele me incomode.” É tudo o que ela pensava enquanto deixava a água cair sobre sua mão. Desde a véspera do Natal que não o via. E da última vez não foi uma noite muito divertida. Ela tinha chorado e os dois tinham dito coisas que não se dizem na véspera do Natal. Helena foi procurar um curativo no quarto de sua mãe que, por coicidência ou não, era uma das partes da casa que dava de frente com a casa de Marquinhos, pela varanda.
Ela saiu pela porta da sacada e ficou olhando para o lado. Não demorou muito, deu de cara com ele, também na varanda de sua casa. “Não perderá nunca o hábito de se machucar?”, ele disse, vendo o curativo em sua mão. “Meus piores machucados são por sua causa”, ela respondeu, entrando de volta para o quarto. “Helena!”, gritou em vão. Ele pensou em pular para a sacada da vizinha, mas da última vez que ele tinha feito, tinha caído e se machucado. “Eu gosto de você, Helena, só não posso admitir”, sussurrou para si.
Helena sabia que era isso que ele precisava: um gelo, uma grosseria, uma falta de atenção, um pouco de não importância. Ela queria muito ficar ali e conversar, mas sabia que aquilo só o faria ser mais convencido da fraqueza dela. Ela subiu mais um andar de sua casa de 3. Ir até o 3º andar seria, sem dúvida, a pior e melhor coisa que ela podia fazer. Já era mais que 23h do dia 31 de dezembro e logo seu irmão ia procurá-la, se os vissem juntos, tudo iria piorar, se ela não falasse com ele, seu mundo acabaria. Se ele não subisse na insistência de encontrá-la, tudo estaria melhor impossível. 
Quando chegou no terceiro andar não encontrou nada, nenhum sinal dele. Ele não a procuraria, ainda mais depois de não atender suas ligações por uma semana e ter saído daquele jeito da varanda. Para ela, ele só se aproveitava de sua fragilidade, de sua ingenuidade. Isso fazia mal a ela e quando ele não tinha mais nada pra fazer ou ninguém pra ligar, ele sabia que a encontraria em casa, então tocava a campanhia. Mas para ela já era suficiente, não aguentava mais ser segunda opção.

Seu telefone tocou no bolso. Era ele. “Você tá olhando para o lado errado”. Ela desligou sem dizer nada, olhou pela outra janela e o viu sentado na escada que levava para o telhado de sua casa. “oi”, ele disse. “oi”, ela respondeu, “não aguento mais”, pensou. “Vou mudar, prometo”, ele disse. “Posso ir aí?”, ela perguntou. “Vem. Mas… Promete que não vamos brigar?”, ele disse. “Não…”, ela respondeu, os dois sorriram. 
Ela desceu correndo, “não preciso disso, não, mas quero muito.”, pensava, teve que sair pelos fundos para não ser vista por alguém da família ou as amigas chatas da mãe. “Que ele pense que sou fraca. Ai dele se não mudar…” Ele a esperava no pé da escada, nos fundos da casa dele, onde nada estava acontecendo. A festa da mãe de Helena era a única da rua. Ou as pessoas estavam lá, ou as pessoas não estavam em casa. Ou então as pessoas estavam como Helena e Marquinhos, que subiram no telhado da casa dele e ficaram esperando deitados dar meia noite e o céu se iluminar com os fogos de artifício.

Quando a gente se apaixona por quem não está nem aí por você

Ontem foi dia dos namorados, hoje é dia do santo casamenteiro e aqui escrevo um  fato: percebemos que estamos no fundo do poço do amor quando temos certeza que a intensidade e regularidade que a outra pessoa pensa em nós é exatamente inversamente proporcional ao mesmo que pensamos nela.
Todo mundo já gostou ou vai gostar de alguém que não tá nem aí pra você. Não importa a quantidade de livros de auto ajuda você já leu ou de vezes que você já sofreu de amor, gostar de alguém que não gosta de você é dolorido até o dia que você perceber que está em outra (que provavelmente te fará mal também) e sempre é o mesmo.
Não adianta ouvir conselhos, fazer promessa, chutar o balde ou enfiar o pé na jaca. Amar desse jeito é um saco e parece eterno até finalmente passar. Você pode se fazer de vítima e tudo que sair errado, coloca a culpa na fossa. Use a mesma desculpa para fazer seus amigos te jogarem confete sem sentir culpa (para quem não sabe o que é isso: ficar te elogiando exageradamente), você pode ouvir muitas músicas bregas e não ligar para o que os outros pensam sobre isso, afinal, você está na fossa.
Esses são apenas alguns exemplos de como usar a dor ao seu favor, use sua imaginação. Minha função aqui é compartilhar esse sentimento, assim você vai ter certeza que não está só nessa. Milhões de pessoas como você passa por isso todos os dias. Por que você acha que tanto sertanejo, Justin Bieber e músicas antigas de Sandy e Júnior e Backsrteet Boys são baixadas da internet?

E lembre-se (palavras de minha melhor amiga): ‘ele não vai ser a última pessoa que você vai amar.’

Amor proibido

Julio,

Agora, toda vez que eu começo a viajar em meus pensamentos vem você. Apesar de já ter te visto em foto e meio de longe, nunca tinha reparado o quanto você é lindo e nem sabia que seus olhos são verdes.

Você nem precisou dizer nada, chegou, sorriu, passou a mão no meu cabelo, sorriu mais, e… lembra? Você ia me beijar, eu que não deixei. Você perguntou “o que foi?”, mas já era tarde demais.

Respondi que não era nada e quando você segurou meu rosto para me beijar, já era, eu não aguentei. Não foi por mal, você é irresistível. Só sei que percebeu que alguma coisa estava diferente depois que nos beijamos porque você se afastou em um pulo. Eu já nada poderia fazer: me apaixonei.

Você deveria saber que a Luisa não ia ter coragem de cortar o cabelo assim curto, como é o meu. O erro foi seu, na verdade… Errou em não ter visto a pinta de baixo do meu olho esquerdo que, até muitas vezes para nossos pais, é a única maneira que saber quem é quem.

Vocês que se entendam, tô pulando fora da responsabilidade.

Agora não dá mais pra mentir ou esconder. Amo você.
Beijos, Laura

Relâmpago (culpa dele)

        De fato, ele sempre mexeu comigo, desde que a gente se conheceu há uns seis anos. No começo eu não sabia muito bem o que era, pensei que fosse só curiosidade. Todo mundo sempre contava uma história que ele estava envolvido e todo mundo falava das coisas que ele fazia. O motivo para ele não estar mais na escola, sem que eu saiba detalhes, é expulsão. Mãe e pai separados, duas casas, praticamente duas vidas. Pelo que escutei eram três namoradas… ao mesmo tempo.  Claro que esse último fato não me animava muito em pensar nele como um potencial namorado. Mas a mulher tem aquela mania irritante de pensar “ele vai mudar”… Mas nunca vai. Por que estou dizendo isso? Ele me despertava curiosidade.

        Depois de um tempo e um pouco mais maduros nos encontramos em uma balada. Eu estava com um menino e ele chegou na minha amiga, que não estava interessada. Eu que o reconheci, larguei o menino e fui falar com ele. Ele me reconheceu assim que me identifiquei “sou amiga do Carlos, do América!!! Vocês iam jogar bola lá no meu prédio…” e ficamos conversando por alguns minutos, o que chateou minha amiga e o cara que estava comigo, que foi embora.

        Trocamos telefone e MSN, descobrimos que morávamos perto e estudávamos na mesma faculdade, mas em turnos diferentes… Eu não acreditava no que eu estava vendo. Ele tinha passado de um garoto fofo para um homem maravilhoso. Jamais ele olharia para mim, uma mulher tão sem sal. Ele estava tentando ser legal, reencontrar os amigos de antigamente.

        Mas ele olhou. Olhou, ligou e deu uma insistida de leve, depois que eu fiz um doce. Queria me ver, marcamos de jantar. Coitada. Eu achava mesmo que ele estava interessado. Mal sabia eu que ele só queria uma companhia para suas refeições solitárias. O tempo foi passando e eu estava me apaixonando por ele de maneira lenta e dolorosa. Matias era adorável, não tinha papas na língua, gostava de conversar, era meio maluco. Eu sentia que ele era o cara da minha vida. Conversávamos muito, além de umas pizzas, fast foods e sushis, conversávamos muito pela internet e telefone.

        Apesar de trocarmos várias ideias, sentia que ele não me conhecia o suficiente para gostar de mim. E eu não o conhecia o bastante para deixar de gostar dele.  E um dos meus defeitos é forçar a barra e insistir até que não dê mais, até todas as alternativas se extinguirem. Até que um dia, quando eu menos imaginava, ele me beijou. Ele me beijou sem nenhum precedente, inclusive naquela hora, já apaixonada, achava que eu estava sonhando. Ele chegou a se desculpar, disse que foi sem querer, mas que não resistiu. Não pude falar nada, não tive coragem de estragar o momento, foi tão lindo ele ali, frágil, se desculpando. Éramos tipo amigos. E nos beijamos. O que ia acontecer? Detalhe: o beijo me fez bem mais apaixonada. Maldito seja lábios nos lábios.

        O que acontece quando um homem “daqueles” beija uma menina sem sal como eu? Já vi homem feio pegar bonitonas, mas ao contrário é raridade. “precisamos conversar”, ele disse. “manda…” respondi o SMS dele. “vamos sair? Passo ai às 19h, pode ser?”, de duas uma: ou era um pé definitivo ou um pedido de namoro – o que, pelas circunstâncias de beijos sem graça, pedidos de desculpas, grandes momentos de silêncio e nenhum sinal de amor, a primeira opção parecia mais provável.

        E era mesmo, o pé na bunda aconteceu. Embora tenha sido mais um ponto-parágrafo-travessão do que na realidade um ponto final, o final foi triste e doeu muito. Fiquei dias arrasada, todo mundo percebeu, até meu irmão menor perguntou qual era o problema comigo. O final de uma amizade que vinha crescendo, um amor tão ingênuo que não queria ir embora. E mesmo depois de ele tentar um afastamento, ele me procurava. O que era estranho e me incomodava por ele manter contato nos primeiros dias eu não conseguia simplesmente esquece-lo.

        Depois ele achou melhor se afastar, percebeu que algo estava errado. E mesmo depois de meses sem ele me procurar, a não ser esporadicamente pela internet, já tinha se tornado muito forte o que eu sentia por ele. Era um misto de amor, saudade e amizade. Meu coração batia mais forte quando eu escutava falar dele e a voz dele ao telefone para perguntar como eu estava me fazia perder o controle das pernas e meu sangue circulava com mais dificuldade.  Fora o estômago e coração que ficaram apertadinhos ao saber de uma nova namorada e depois de saber o fim do relacionamento.

        “Agora é minha vez”, eu pensava. “não nascemos para namorar… eu e você, Dani, estamos bem como amigos, não acha?”. Ele disse isso naquela ocasião que me buscou às 19h. E eu responderia o quê? Ele comentou isso quando eu disse que ele namorava a todas, menos a mim. Consegui dizer: “podíamos tentar, quem sabe…”, ele mudou de assunto “só vamos saber se tentarmos”, eu continuei e ele ignorou.

        Eu já tinha começado inventar defeitos para conseguir esquece-lo, tive que perder forçadamente a minha mais interessante companhia, já estava cansada de tentar. Resolvi colocar tudo a perder, de propósito e de uma vez por todas. Eu queria, de certa maneira, me machucar profundamente para tentar dissimular para mim mesma que eu já havia esquecido.

        Cheguei em seu apartamento dizendo ao interfone que tinha algo sério a compartilhar. Quando ele abriu a porta e sorriu, conferi se não havia alguém não desejável no recinto visível e mandei um “estou apaixonada por você, seu idiota”, junto com um empurrão. Eu juro que fiz isso sem pensar. Quem falava por mim era meu corpo e meu coração batendo. Ah, isso sem contar com um quase acidente que causei enquanto dirigia até ali.

        Ele estava com uma cara de “e precisa esse escândalo?”, mas ele não disse nada. Ficou em silêncio. Depois de um tempo perguntou: “me acha mesmo um idiota? Como pode estar apaixonado por um idiota?”. Não sabia o que dizer. A mais idiota era eu por ter dito aquilo. “não acho você idiota.”, respondi sem jeito. “ótimo, Dani… eu não sei o que dizer. Não sei o que você quer ouvir, não sei o que devo fazer… o que você quer?”. Ele realmente parecia perdido.

        “Nada… Não quero nada… Digo… Quero sim… Quero que você me prove que não fomos feito um para o outro, por que meu coração acha que sim. E ele acha que você está desperdiçando o amor. Ele acha que nos daríamos bem assim como nos demos nos últimos meses, saindo para comer e conversando tanto” Respirei. Ele não dizia nada… Eu não sabia que isso podia acontecer comigo, como se o coração falasse por mim… Eu me aproximei e puxei a gola de sua camisa social e disse, quase implorando: “Prova pra mim, então, prova… Mostra por que não nascemos para ficarmos juntos. Mostra que somos diferentes, que não queremos o mesmo. Namora comigo… Mostra que tudo o que estou sentindo é falso e que é passageiro. Me namora e me prova que tudo não passa uma grande fantasia sem nexo, e que não fomos feitos um para o outro!!!“

        Ele se afastou, virando de costas. “Dani eu…”, gaguejou “eu… eu não sou apaixonado por você, Dani”. Ok, e onde está a novidade nisso? “você não deu oportunidade de sentir nada pra dizer que não está apaixonado” você nunca olhou para mim como uma potencial pessoa por quem se apaixonaria… O tempo todo fui a amiga, a confidente, a companheira de sushi”, “conheço o suficiente quando gosto de uma menina. Meu coração bate mais forte, minhas mãos suam, meus joelhos não reagem e minha voz fica trêmula. É paixão, é algo repentino, não preciso de muito tempo para saber que eu estou apaixonado”– é tudo o que eu sinto na presença de Matias. como ele sabia bem me descrever… “é isso que eu sinto quando você está aqui na minha frente… e você? Não sente NADA por mim?”, perguntei, esperançosa. “Eu… Ah… Dani… Eu sinto um grande carinho misturada com uma grande vontade de beijar.” 

 
        Isso não tinha nenhum significado, eu era tipo a irmã dele com vontade de beijar? Ficamos em silêncio. Eu já não entendi nada. Será que eu nunca tinha mexido nem um pouco com ele para ele me dar uma chance?

        Logo ele fechou os olhos e respirou fundo. “Dani… Vou te provar…” ele vai me provar?! “sem precisar de…” o que??? “desculpa ter te iludido tanto, criado tantas expectativas em você.” Tá, mas desculpas não vai arrancar o que eu sinto por você. “desculpas não vão arrancar o que eu sinto por você, Matias”, eu disse, quase chorando. “e você acha que me namorando isso vai mudar?”, ele perguntou, virando de costas. “talvez, se você falhar.” “se eu falhar? Como eu falharia?” “Sei lá… você não pode me desanimar, me mostrar que você é bobo e que eu mereço algo melhor? Só um palpite” “Desanimar? Ahn… e se eu disser que eu sou gay?” “não vou acreditar” cruzei os braços.  “E se eu tiver namorada, e se resolvo casar?” “pode não durar pra sempre”, rebati.

        “Dani… você não pode fazer assim. O que eu sinto por você é diferente de tudo o que eu sinto por outras meninas. A gente ficou, eu gostei. Não, melhor, eu adorei. Você é maravilhosa. Mas eu não posso ficar com você, sei lá, não é o momento… Quem sabe um dia eu…” “Pode ser tarde demais. Tranquilo, entendi.”, eu disse. “Sabe o que eu gosto mais em você? Gosto que você tente mudar as coisas mesmo que não esteja ao seu alcance.” Cheguei perto dele. Acariciei seu rosto com as costas da minha mão. Fiquei nas pontas dos pés e dei um beijo no canto da sua boca. Virei. Ele me pegou pelos braços e me beijou a boca… me  afastei, com lágrimas nos olhos, eu estava pronta para entrar em prantos.

        Peguei a bolsa que havia jogado no sofá e fui embora. Enquanto eu esperava o elevador ouvi uns barulhos estranhos em seu apartamento: vidros quebrando, uma criança chorando e gritos… E a voz de Matias dizendo “Calma, Pri, calma… eu posso explicar!”. Tinha uma mulher em seu apartamento e uma criança! “Seu idiota!!! Por que você não falou que a gente estava aqui?” “Pri, ela é minha amiga de anos, é minha melhor amiga”. “Sua melhor amiga? Sua melhor amiga e nem sabe dos seus rolos paternais?” – ELE TINHA UM FILHO?

        Ouvi mais gritos e a porta se abriu. Pela voz dela achei que fosse uma menina maravilhosa, bem estereotipada, loira, talvez morena, alta, magra, com um sorriso perfeito, que faz ficar ainda mais bonita quando está nervosa e de estilo patricinha. Mas para minha surpresa saiu de lá uma menina normal, não tão bonita, não tão feia, mas enfurecida. E com um neném no colo.

        “Você…” apontou com o indicador pro meu rosto e caminhou até a minha direção, respirou fundo e disse “…não tem nada a ver com isso.”, acalmou-se, ufa, achei que ia ficar sem meus dentes. Virou para Marias que estava parado na porta do apartamento. “você sim é um idiota, UM IDIOTA! Como pode mentir para todo mundo? Pra essa menina que não tem nada a ver com seus rolos?”, o neném chorava ainda mais forte. Eu não sabia o que fazer, se ficava com ela e o bebê, se descia correndo pela escada ou esperava o elevador chegar e deixar que ela fosse sozinha com o filho. Fiquei estática.

        Quando o elevador chegou ela entrou e foi sozinha, mas não sem antes prender o elevador e desabafar, chorando “ele não é um babaca completo, ele é um babaca por que não diz o que sente. Desculpa fazer você passar por isso. Já faz meses que estou forçando a barra com ele por causa do nosso filho. A gente ia casar, mas definitivamente não posso força-lo a gostar de mim. Do meu filho ele já gosta, mas é suficiente. Não basta para ficarmos juntos… Você é Daniela, né?! Ele está sim apaixonado por você. Ele mentiu por mim, por ele.” E apontou para a criança que já estava mais calma.

        Chorando, ela deixou a porta do elevador fechar enquanto abraçava o neném. “A Pri é uma babaca, sem noção, não sabe controlar os nervos. Ela não sabe o que diz… desculpa.” “vou embora. Depois você me explica o que acabou de acontecer…” “quer mesmo explicação? Posso te dar uma agora.” “vai continuar mentindo? Acho melhor eu te dar um tempo para inventar uma história…” “não preciso inventar nenhuma história. A Priscila acaba de desmoronar minhas desculpas, eu estava tentando ficar com ela pelo meu filho. Não tenho mais motivo pra mentir, já que meu motivo acaba de descer o elevador e usa fraldas tamanho M e engatinha”.

        Sorri. Ele sorriu desconfiado. “estou desculpado?” “não sei. Você me faz parecer meio babaca de ter vindo aqui te implorar um amor que já tinha guardado pra mim”, “eu achei lindo tudo o que você disse. E agora estou com medo de falhar… de te provar que seu coração estava errado em sentir que somos feitos um para o outro e tal…” ele disse. Ficamos em silêncio.

        “Gosto de você desde nosso primeiro sushi. Lembra?” “Lembro. Por isso você tava com cara de bobo? Achei que não tinha gostado da comida”. “é… mas Léo já existia, já estava na barriga…” “então você gosta de mim?” “não tenho tanta certeza… talvez… talvez a gente tenha que tentar… Por você meu  coração bate mais forte, minhas mãos suam, meus joelhos não reagem e minha voz fica trêmula quando qualquer coisa tem a ver com você.” “Podíamos tentar, então…” ele se aproximou de mim e me beijou. Ouvi o “pliiim” do elevador e era Priscila que entregou Léo em minhas mãos e disse “esse final de semana ele fica com vocês… vamos ver se o amor de vocês resiste.” E foi embora. E eu que achava que ia fazer papel de doida indo até lá… “Maluca!!!” dissemos juntos.

Para relembrar os velhos tempos (sempre há uma razão)

Foto: Gabriela Pagliuca – “Bolsa de menina”

Eu estava usando uma camiseta preta e um short jeans, fui até a casa dele de chinelos simplesmente por que não deveria existir formalidade entre nós. Lembro-me da primeira vez que eu o vi, estávamos no colegial, devíamos ter uns 16 anos, foi olho no olho, um sorriso e depois de uma semana já estávamos aos beijos pelos cantos.

Quem atendeu a porta foi a irmã mais velha dele, muito simpática, mas um pouco desconfiada. Apesar de ter ficado com todas as meninas do colégio, ele não era considerado o bonitão da classe, ele era mais legal e charmoso do que o estereotipo de bonito.

A irmã disse, virando as costas, “Por que meninas bonitas procuram meu irmão? Ele nem é inteligente. Você é da faculdade?” Ele costumava ser um mau aluno no colégio, mas passou em uma faculdade difícil. Por que meninas bonitas não podem procura-lo sem interesse?

E quem eram meninas bonitas no plural? “Eu sou amiga dele da época do colégio, não da faculdade. Posso entrar?” “Pode, senta aí.” E me apontou um sofá. Até parece que eu não conhecia esse sofá, já que era nele que estávamos deitados quando demos nosso primeiro beijo.

Como ela sempre foi meio estranha, não me importei com seu comentário, apenas me sentei no sofá bege e fiquei esperando que ele aparecesse. A primeira vez que nos beijamos estávamos deitados aqui mesmo, assistindo um filme qualquer que ninguém sabe até hoje qual era.

“Quem?” o ouvi perguntar “uma tal de Clara, sei lá”… “não acredito!” em sua voz se ouvia um sorriso e ele se apressou para chegar na sala. Eu estava deitada na frente dele, sua mão acariciava meus cabelos. Na época, eu tinha um cabelo grande que ia até depois do ombro, hoje está um pouco acima.

Abriu a porta que dividia a sala e o corredor, me viu e parou. Sorriu. Abriu os braços e veio até mim, que já estava levantada. No meio do filme, naquele dia, estávamos só abraçados, mas ele beijou meu pescoço, beijou minha bochecha, me abraçou pela barriga e esperou eu virar.

“Clara! Quanto tempo”, e me abraçou, levantando meus pés do chão. Ele me abraçou tão forte que não pude quase respirar. Coloquei minha mão na sua nuca e acariciei seu cabelo fino e mais cumprido que o normal. Depois que ele me beijou meu pescoço e a bochecha, resolvi virar-me para ele. Nos olhamos e ele tirou meu cabelo do meu rosto, foi quando me beijou a boca. Só ele me beijou desse jeito na vida.

“Vitor! Que saudades tinha de você!”, disse quando ele me soltou  e nos sentamos no sofá. Eu em uma ponta, ele em outra, virados um de frente pro outro. O que eu mais gostava dele quando nos conhecemos era a maneira que me fazia rir e de como ele era inteligente. Enquanto nos beijávamos aquele dia, estava tão feliz que uma lágrima caiu, ele a secou, mas não entendeu, tão pouco perguntou.

Conversamos sobre assuntos randômicos, contei pra ele dos trabalhos que eu ando fazendo, das pessoas que tenho conhecido, dos programas que eu tenho participado com a minha banda, do último clipe que gravei. Antes de beijar o meu pescoço, naquela noite, me disse bem baixinho que minha voz o fascinava, que ele ficava louco ao me ver cantar.

Ele me contou como andava a faculdade, os trabalhos que tinha pra fazer, as aulas particulares de física e química para pessoal do colegial que dava para ajudar em suas despesas. Eu me arrependo até hoje não termos continuado juntos. Se bem que nunca estivemos juntos oficialmente, éramos melhores amigos oficiais, mas apenas ficávamos não oficialmente, quando ninguém estava vendo.

Cruzei minhas pernas em cima do sofá, ele cruzou as dele, ficamos em silêncio por um tempo. “Vi, posso não ser a oficial, mas jamais serei a outra”, eu disse pra ele quando soube que ele estava ficando “sério” com uma vizinha dele.

“Você tá namorando?” ele me perguntou. “não tenho tempo, e você?” eu disse, “também não.” Rimos. Depois que eu admiti fazer questão de não ser a outra, não dissemos nada mais, levantei da poltrona de seu quarto e fui embora. Era a verdade, se ele não me queria desse jeito, eu também não ia querer da maneira que ele propunha.

Eu vim entregar um CD especial. Eram as músicas do meu CD e uma gravação especial para ele. Era a nossa música. Todas as músicas que escutávamos juntos nos marcava por algum motivo. E a Boys Don´t Cry era uma delas, que, escutando, deitados na minha cama enquanto estudávamos física, demos nosso último beijo, definitivamente.

“Quer que eu coloque pra tocar agora?” ele perguntou, “não, vou morrer de vergonha”, eu respondi. Mas não adiantou, ele colocou mesmo assim. A primeira faixa era uma dedicatória especial. A segunda era eu e meu violão mandando um “boys don´t cry”. Ele também se lembrava de nosso último beijo. Quase nos beijamos em umas outras oportunidades, mas não aconteceu.

Ele sentou no sofá ao meu lado, apoiou os cotovelos nas pernas e começou a chorar. Não chorar de soluçar, mas eu vi umas lágrimas. “Por que faz isso comigo?” ele disse meio bravo. Eu não fiz nada, ele sabia disso. “Eu preciso ir. Desculpa te incomodar”. Levantei, não queria vê-lo daquele jeito.


Misjudged your limits pushed you too far

Took you for granted I thought that you needed me more

Abri a porta esperando que ele fizesse alguma coisa. Parei por uns minutos enquanto minha voz na sala ecoava. Chorei, bem pior que ele, por que o meu sim veio com soluço. Boys don´t cry… Quando eu virei para falar alguma coisa, ele já estava caminhando até mim e me beijou da mesma maneira que me beijou no primeiro dia.

Acho que não importa quanto dura o amor ou quanto duas pessoas que se amam fiquem separados, sempre é ainda a mesma coisa quando elas se reencontram.

Um olhar diário pela cidade de São Paulo

No meu caminho diário pra faculdade encontrei uma caçamba de entulho da prefeitura… Um pouco cheia, um pouco bagunçada…

Mas tudo bem, né?!

mas e aí…?

Foto: Gabriela Pagliuca

um dia depois, tiraram a caçamba e o entulho…
quer dizer…
mais ou menos…
Foto: Gabriela Pagliuca

E aí, pessoal?
Como fica?


(obs.: às 18h já tinham feito uma limpeza, mas ainda tinha algum vestígio de sujeira)

Não somos mais amigos

trilha sonora aí pra quem curte 😉

Getty Images
– Hum… E quem é Henrique? – ele me perguntou, com um pouquinho de ciúme, enquanto esperávamos nosso lanche, sentados na mesa.

– Ah… O Henrique? Puxa… Como você sabe dele?

– Ouvi por aí… – deu nos ombros.

– Ah. Bom, ele era, ou é, meu melhor amigo. – falei colocando os cabelos atrás da orelha, enquanto colocava minhas pernas de índio em cima do banco estofado – Ele é o único que me entende, algo que a maioria das vezes minhas melhores amigas não conseguem fazer. – disse sorrindo, relembrando.

– Ele é gay? – perguntou curioso.

– Poderia ser, mas não é. Aliás, todo mundo pergunta por que a gente não namora. Não sei, na verdade. Eu tenho medo de perdê-lo e costumava ter  certeza de que se ficássemos, o encanto ia acabar. Mas parece que já acabou… – desabafei.

– Por quê? O que aconteceu? Onde está ele agora?

– Não sei, ele não me atende mais, fala pouquíssimo comigo quando nos encontramos na escola e no MSN. Acho que ele ficou com ciúme de alguém, ou eu fiz algo para ele.

– Ele pode ter ficado com ciúme de mim, não? Estamos tão próximos…

– Não tenho tanta certeza… Mas depois que você apareceu, eu tenho tido menos tempo para os amigos, inclusive pra  ele. – eu disse um pouco confusa.

– Nem adianta tentar, não vou me sentir culpado. – disse ele preparando-se para comer seu hambúrguer que acabava de chegar.

– Não precisa, é uma escolha minha estar com você – estendi minha mão para encontrar na sua – acho que foi o curso da vida, sabe, a gente nunca sabe para onde a vida nos levará. E outra, ele já estava estranho antes de você aparecer na minha vida.

– Porque você não tenta se aproximar dele?

– A verdade é que eu já tentei. Já tentei de todas as maneiras, mas ele sempre diz o mesmo, que está ocupado, que está isso, que está aquilo. Outro dia ele mentiu pra mim e disse que estava ficando com uma menina da nossa classe.

– Mas por que mentiu? E como você sabe que era mentira?

– Eu descobri mais tarde, alguém me disse, sei lá. E fui sacanear ele, perguntando por que havia mentido pra mim e ele me evitou.

– Mas que chato, desencana dele. A verdade é que eu fico feliz por você não ser mais amiga dele.  – ele disse, virando os olhos e com um sorriso sarcástico.

– Qual o problema? Você nem o conhece. – respondi incomodada.

– Bom… Vocês são tão próximos que eu certamente ficaria com ciúme. – tentou se explicar, tomando um gole de guaraná.

– Duvido. Eu sei separar os amores da minha vida. Amigo é amigo. Família é família. Namorado é namorado. Todo mundo tem lugar no meu coração – eu disse, roubando uma batata do prato dele.

Ficamos em silêncio. Comemos um pouco mais de nossos lanches. Enquanto nos olhávamos, pensei em todos os momentos que havia passado com Henrique e como nós nos gostávamos. Comecei a perceber que sempre que eu fecho os olhos, eu penso nele, em mais ninguém, por mais que eu tente. Quando algo novo e bom acontece, é com ele que eu quero compartilhar.  

Lembrei-me da vez em que nos conhecemos e que ficamos amigos. Lembrei-me de todas as vezes que ele foi assistir filme de mulherzinha comigo por que eu não queria ir com a turma assistir filme de terror. Era ele quem ficava comigo quando eu ficava pra trás, sempre. Quando nos metíamos em confusão, um livrava a cara do outro, um fazia companhia para o outro na sala da diretora, mesmo se o outro não tinha culpa. A gente sempre passava os recreios juntos desde a 5a série. E ele me fazia muito bem. Comecei a pensar na possibilidade de beijá-lo e mesmo assim não estragar nossa amizade. Fiquei vermelha, ele percebeu.

– A verdade é que eu sinto muita falta dele, ele é um grande amigo – eu disse, quase chorando.

– Você nunca sentiu vontade de beijá-lo, Ana? – ele me perguntou tocando minha mão, praticamente lendo meu pensamento, o que me arrepiou.

– Acho que não quero falar disso com você. – eu disse embaraçada, olhando para os lados.

– Desculpa a insistência, mas acho que você devia escutar seu coração. Não ficar com quem você acha que deve ficar, mas com quem você realmente quer ficar. Ouvi dizer que a pessoa que devemos ficar para sempre é aquela com quem conseguimos conversar sobre tudo, que tenha interesses iguais aos nossos e que consideramos uma pessoa amiga. Sabe como é, quando você ficar velha, não vai querer alguém bonito para passar o resto da vida, vai querer alguém interessante.

– Eu tenho você para passar o resto da minha vida…

– Ahh, Ana, eu? A gente não…

Quando ele estava falando, o interrompi com uma cara de susto por que aconteceu algo que eu achava simplesmente impossível de acontecer. O Henrique entrou no restaurante procurando alguém, e esse alguém era eu. Quando me viu, veio na direção de nossa mesa.

– Oi Ana. Estou atrapalhando alguma coisa? – Perguntou ele, olhando direto para minha companhia, que logo reagiu.

– Não, você deve ser o Henrique, né. – Ele respondeu, com a classe que tinha e estendeu a mão para cumprimenta-lo. Rique o ignorou, afobado.

– Posso falar com você, Ana… Sozinhos? – Ele me disse, em voz baixa.

– Rique, acho que não seria adequado… – nisso entrou também no restaurante Brenda, minha melhor amiga, que veio direto à nossa mesa e se sentou ao meu lado.

– Oi, gente. O que estou perdendo? Ana! Vai falar com o Henrique que eu faço companhia para o cavalheiro que está com você. – e os dois sorriram um para o outro, como se já se conheciam.

Ele me puxou e ficamos de pé, em um canto, afastados de todos.

– O que está acontecendo, Rique? Você e a Bre vieram juntos?

– Ana. Eu… Eu sei que eu ando estranho ultimamente…

– Eu estava pensando agora mesmo em você. E nisso. Na nossa amizade, eu queria que voltássemos a ser amigo, Rique, a gente se gosta tanto.

– Eu não posso Ana. Não posso ser mais seu amigo.

– O que eu te fiz para você não querer ser mais meu amigo? – eu disse, com lágrimas nos olhos.

– O que você me fez? Bom, você nasceu… – eu estava confusa –… com esse cabelo marrom claro maravilhoso cheio de ondas. – Ele acariciou meu cabelo, eu congelei. – Você nasceu com esses olhos esverdeados que eu me perco sempre que te encaro. Quando algo te faz chorar e inunda seu olhar, eu morro afogado. – Desviei o olhar – Você nasceu com essa pele morena que me enlouquece sempre que aparece depois de tomar sol. – voltei a encará-lo, encabulada. – Você nasceu com esse sorriso maravilhoso que me deixa querer fazer piadas só para você rir – sorri – tá vendo, esse seu sorriso faz eu não querer mais ser seu amigo… Eu estou apaixonado por você, Ana. – e sorriu de uma maneira que eu nunca tinha o visto sorrir.

Eu não sabia o que fazer. Ou o que falar. Fechei os olhos e comecei a chorar de verdade.

– Você está chorando? Por quê? Já sei você está chorando porque não me ama de volta e sabe que isso vai me magoar. Não precisa chorar, se você não me quer tudo bem, é só dizer. – e me abraçou, me envolveu em seus braços e me beijou a cabeça – não chora, por favor!

 – Rique, eu… – ele se afastou, eu olhei para a mesa que estava sentada antes.

– Você…? – ele olhou pra lá também. Os outros dois estavam olhando para nós.

Como eu não disse nada e só saía lágrimas dos meus olhos, ele suspirou, virou as costas e foi andando em direção da porta.

– Eu… Você também Rique amo – ele parou de andar e virou, confuso.

– Oi? – perguntou.

Droga, eu falei tudo ao contrário.

– Eu também amo você, Rique. E amo faz muito tempo.

Ele sorriu, veio caminhando até mim, pegou meu rosto e me beijou. O beijo mais gostoso que eu já tinha experimentado. Mas fomos interrompidos por um “ahahn” conhecido. Paramos de nos beijar e demos as mãos.

– Acho que meu almoço foi arruinado pelo verdadeiro amor. – ele disse, sério.

– Ah, nem vem, amigo, que você ajudou nisso tudo. – disse a Brenda, se aproximando e entrando na roda, dando cotoveladas nele.

– Como assim? – eu perguntei.

– Bom… – sorriu – Eu já sabia que vocês iam estar juntos, mas não sabia onde, então eu enviei um SMS para ele perguntando onde vocês estavam para poder trazer o Rique. Assim, ele se declararia e tudo ficaria bem. –  explicou Brenda.

– E tudo funcionou exatamente como o planejado. – ele disse.
– Impressionante! – eu disse.
– Pois é, Ana, eu posso ser velho, mas os avôs também sabem usar o celular, ainda mais por uma boa causa.

– Vovô! Bre… Obrigada! Estou muito feliz que você voltar para minha vida vida, vô.– E abracei os dois.

– Voltaram a ser amigos, então? – perguntou o vovô.

Olhamos um para o outro e ele respondeu:

– Não… Somos bem mais que amigos, somos namorados. – e ele me beijou mais – só uma coisa, Ana… Quando a gente for se beijar, tenta não comer carne antes… Lembra, né? Vegetariano! E me beijou mais e mais…

A autora é vegetariana e super a favor de amigos ficarem.

Moradores de rua

   
  Sempre achei interessante as coisas que percebo ao ver um morador de rua. Bem, na verdade, a gente nunca pode ter certeza se ele vive mesmo na rua ou não. Uma vez, há 1 ano e meio mais ou menos, fui conversar com uma senhora e ela me disse que tinha uma casinha bem simples, mas que preferia comer na rua (com a comida que as pessoas doavam) e viver com o dinheiro que ganhava na frente da igreja. Cada dia da semana ela ia em uma diferente.

  Eu já vi (potencias) moradores de rua levando carrinho de super mercado com cobertor, colchão, toalhas etc, já vi morador de rua com cachorro, já vi morador de rua filosofando e já vi, até, quem morava na rua por que queria, e não por que precisava. 

  Mas uma coisa muito me chamou atenção, estava passando de ônibus – por isso não tive oportunidade de parar para conversar com ela – uma senhora lendo, ou talvez folheando, uma revista. Primeiro pensava que era uma revista dessas de fofoca, pela capa percebi que podia ser essas tipo de comportamento para mulheres mais velhas, mas depois deu pra ver certinho que era uma revista de noivas.

Foto: Gabriela Pagliuca

  Pois bem… Não sei o motivo pelo qual essa senhora (a da foto) estava lendo/vendo essa revista, mas se pode pensar em diversas razões, reais ou não. Pode ser por tédio, por curiosidade, por não ter nada para fazer… Mas o que eu quero acreditar, e vou acreditar, é que ela tem um sonho. Todos têm um sonho! Ai, que  vontade que eu tive de abraçar essa senhora!

Viver com dignidade: uma reflexão histórica e cultural

Porque muitas vezes não sentimos que estamos gozando de todos os recursos para viver com dignidade, para sermos pessoas melhores?
Não sou especialista em política (estou muito longe disso), mas de acordo com meus conhecimentos acadêmicos e empíricos vou lançar mais uma reflexão, dessa vez baseada nesse tema. Todos nós queremos crescer, sobreviver, evoluir, ter uma vida digna e uma expectativa dela. Mas por que muitas vezes sentimos que isso não está presente no nosso dia-a-dia?
Alguns países vêm de uma formação organizada, têm histórico de luta pelo nacionalismo, guerra entre reinos rivais e alianças entre os que poderiam se ajudar. No nosso país, isso não aconteceu. O Brasil não foi descoberto como muitos dizem e muito menos planificado, ele foi explorado e covardemente dominado, formando-se, assim, de uma maneira mal organizada, com uma cultura patriarcal e cada um pensando no seu próprio interesse e não pelo bem da coletividade.
E talvez o sentimento de falta de dignidade em nosso país venha desse crescimento e formação política sem planejamento. E o pior… Muitos enxergam o problema, mas não querem abrir mão do que é seu para tentar mudar em prol da sociedade.
E o que podemos tentar fazer para tentarmos melhorar nossa qualidade de vida? Temos que conhecer nossos direitos de cidadão (muito mais do que apenas de consumidor), ser mais politizados (apesar de haver muito preconceito em relação a esse tema), tentar obter o máximo de conhecimento sobre o mundo e não se conformar com o que aparentemente é normal, ainda que seja ruim.
Para mim, normal é a gente ter uma vida digna, poder se relacionar de forma saudável com os outros, ter as mesmas oportunidades e poder lutar pelos nossos direitos. Mesmo que seu conceito de “normal” seja diferente do meu, fica aqui uma reflexão sobre a vida e de como viver melhor.
 
(sei que dignidade é uma palavra um pouco geral e relativa, mas pode entender como quiser, esse é o objetivo, você interpretar se acordo com sua realidade)

Perder de um lado para ganhar de outro.

     Depois de muito refletir sobre as “injustiças” da vida e sobre perdas e aprendizagem, resolvi fazer esse post apenas como uma reflexão. Por que temos a impressão que sempre que vem algo bom, perdemos outra (s) coisa (s)?

      Será que tudo isso faz parte da nossa evolução? Eu acredito que sim… Como pessoa, como espírito, para ter mais maturidade e poder superar os problemas com cada vez mais facilidade.

      Eu sei que é difícil, mas no fim entendemos o por quê das coisas. Eu estou falando desde as pequenas perdas até as grandes, desde as de nossa escolha ou das que não temos opção.

      E por que isso? Para evoluirmos, simplesmente? Crescer aprendendo que não temos tudo o que queremos, para deixarmos de ser seres humanos mimados. E quanto mais isso acontece, mais fortes ficamos.

      Por isso temos que, na minha opinião, dar muito valor as coisas que temos, as nossas conquistas, e temos que tentar esquecer um pouco as coisas que abrimos mão, principalmente das que não tem mais volta. Será que esse é o caminho? Não sei, mas ninguém sabe essas coisas, temos que agir como cremos ser certo e justo.

      OBS.: não estou dizendo que devemos deixar pra lá tudo que não deu certo, sou super a favor de correr atrás do que desejamos, ok? estou falando naqueles casos que não há nada para fazer!!

Jantar com a família diminui o risco de envolvimento com drogas entre os jovens.

         Um estudo mostra que os adolescentes que jantam com mais frequência com os pais têm menos risco de fumar maconha, tabaco e consumir álcool. O estudo foi realizado pelo Centro Nacional de Dependência e Abuso de Substâncias da Universidade de Columbia (CASA) e aqui tem um artigo em inglês Family Dinners Reduce Teen Drug Use que vocês podem também dar uma olhada para saber mais.
         De acordo com essa reportagem sobre a pesquisa, mais uma vez se provou que manter o diálogo com nossos pais é a melhor maneira de eles nos ajudarem a mostrar o caminho certo. As vezes pode ser um pouco entediante e queremos fazer nosso próprio horário e planos, mas a verdade é que eles, geralmente, são bons orientadores pelo simples fato de quererem nosso bem.

         “A mensagem para os pais não pode ser mais clara, com o aumento de americanos de 12 anos ou mais usando drogas, é mais importante que nunca sentar para jantar e conversar com seus filhos sobre suas vidas, seus amigos, escola. Apenas conversar”, diz a diretora de marketing da insituição que foi feita a pesquisa, Kathleen Ferrigno… Meu objetivo aqui é aconselhar que você contribua para que esses jantares aconteçam, não custa nada tentar e pode ser muito legal.

Os fantasmas do passado e o futuro Bicho-Papão

29 de janeiro de 2011

Ultimamente tenho pensado no meu futuro. Meu maior medo, na verdade, é que ele seja um reflexo do meu passado. Por que eu tenho medo? Bom… eu não era uma pessoa muito brilhante, talentosa, não deixava meus pais muito orgulhosos e muito menos servia de modelo para ninguém. Apesar de sempre ter sido uma “boa menina”, não era, por exemplo, uma aluna nota 10 (nem nota 7, nem nota 6), sempre começava as coisas e não continuava e me sentia mais imatura do que deveria ser.

“Ótimo”, vocês devem estar pensando, “agora que você não é mais assim, não precisa temer”. Eu sei. Mas apesar de eu entender que hoje eu faço o que eu gosto com amor e dedicação, trabalho e estudo duro, amadureci bastante, tiro notas boas na faculdade e tenho alguns prêmios (ainda que não sejam tocáveis) porque eu sei que mereço, eu ainda tenho medo.

O problema é o fantasma do passado me assombrando. Por isso escrevo esses quatro parágrafos. É porque eu descobri algumas coisas que não podem ficar só para mim, são totalmente compartilháveis.

Descobri que não importa mais o que eu tenha sido no passado, eu evoluí. Se eu era daquele jeito, paciência, já foi, sofri, decepcionei pessoas que eu amo, mas eu tentei consertar o erro e acho que consegui, porque agora tudo é diferente.

Descobri no que eu sou boa, que eu posso mudar o mundo – pelo menos na parte que me toca – e que algumas pessoas realmente acham que eu mereço uma honra ao mérito.

Se você também passa pela mesma situação que eu, só posso sugerir que fique tranquilo e que tudo vai dar certo. As coisas se ajeitam no seu devido tempo, o que temos que fazer é continuar lutando e cumprindo nosso papel. Não podemos deixar a peteca cair, nos valorizar mais do que ninguém (para ambos os casos que esse duplo sentido sugere) e sempre acreditarmos em nós mesmos.

Nunca é tarde, você pode começar agora mesmo! Caso tenha algum medo como esse meu medo do futuro, compartilhe aqui nos comentários.

 

14 de janeiro de 2016

Medo do futuro porque refletirá um passado sombrio.

É muito apego, resistência e ansiedade junto.

Esse texto me mostra os sinais do começo da consciência de preceitos que hoje levo para o meu dia a dia de forma automática: me perdoar, perdoar os outros, desconstruir crenças e valorizar o presente, pra construir um futuro belo. Sou grata!

 

 

As publicidades dizem que sim.




         O objetivo desse projeto é mostrar como a publicidade nos faz acreditar em tudo que querem, mas não percebemos quanto lixo e infelicidade estamos criando pouco a pouco. Pensamos que agimos e pensamos por nossa conta, mas não. Ainda que sejamos inteligentes e com estudos, há algo no nosso subconsciente. Não nos damos conta de pequenas coisas. E assim vamos vivendo controlados por uma indústria que cria pessoas e coisas perfeitas que quase não podemos conseguir, e gera muita dor e poluição. É assim sempre: tudo é perfeito e nós somente seremos melhores se adquirirmos isso e quando podemos comprar, não está mais na moda e voltamos a ser os imperfeitos e infelizes de antes.

      A música (El Pescao – El Canto del Loco, em espanhol), como quase todas, é aberta para distintas interpretacões. A minha interpretação e a que eu deixo parecer no vídeo é que temos que evoluir e que não temos que ser alguma coisa por ter coisas e temos que tentar melhorar sempre. Talvez nem todas as pessoas vejam a música dessa maneira, mas com um pouco de atenção e imaginação, entenderão quando digo que essa canção tem muito a ver com o significado desse vídeo.

A imprensa espanhola baseada na entrevista com Josu Mezo


    
Conversei com o espanhol Josu Mezo, editor do blog Mala Prensa (em espanhol) e descobri coisas interessantes sobre a imprensa espanhola. Se nós tentarmos, conseguiremos melhorar a imprensa no nosso país. Leia e aproveite as dicas do professor.
Quem é Josu Mezo?

Ele é licenciado em direito, mestre em ciências sociais, doutor em ciências políticas e professor na Universidad de Castilla-La Mancha, em Toledo, Espanha. Em 2004, criou sua página web para o público que se interessasse por atualidades, notícias, informações, meios de comunicação. De lá pra cá, foi percebendo que quem lê e participa mais ativamente são jornalistas ou pessoas relacionadas profissionalmente aos meios de comunicação.

Sobre o blog

O blog comenta e denuncia erros que o editor e seus colaboradores encontram ao ler um jornal ou ao assistir um noticiário. A ideia surgiu, de acordo com a descrição da página, por uma obsessão pessoal, que compartilhava com seus amigos, sobre a baixa qualidade da imprensa.
Mas não aquela qualidade inferior relacionada à manipulação proposital motivados pela política. Mas sim aqueles erros que os jornalistas não percebem por ignorância, a falta de tempo ou recursos, pela maneira do sistema de produção ou como estão organizados seus meios. Seu blog é composto por detalhes. Pequenos erros da imprensa que dão menos credibilidade ao que deveria ser um serviço público.


Manipulação proposital e erros que não deveriam existir

Ele me disse que a manipulação proposital é um tema muito discutido e, ele espera, que a maioria das pessoas tem consciência dela. Esse tipo de erro é realmente muito grave e existe muito. Mas há também outros erros importantes, como os que ele aponta no blog, que passam despercebidos pelas pessoas.

Aparentemente há uma consciência do público, mas ele acredita que seria melhor se as pessoas soubessem da capacidade que tem para entender as notícias. Nós deveríamos nos armar com certas ferramentas críticas para sabermos do valor que cada informação tem ao lermos uma notícia científica, social, alguma estatística ou comparações de fenômenos.

Isso porque há certos casos que falta um pouco de conhecimento de mundo, em matemática bem básica ou de lógica para perceber que alguns números são apenas variações normais, de por exemplo, ano a ano, e não significa quase nada. Por isso tem que haver o espírito, a mentalidade, a ideia e conhecimento de como funciona os meios de comunicação.

Ensinando os jovens como a imprensa funciona.
Ele comentou que deveriam ensinar aos jovens como é essa dinâmica da imprensa. Para eles saberem que, por exemplo, os meios dependem muito de informações que foram elaboradas por outras fontes, algumas vezes, uma única. E que esses meios não têm muitos recursos para reelaborar ou analisar esse dado, vinculam da maneira que foi entregue, sem verificar. Temos que desconfiar quando a notícia vem de apenas uma fonte, como uma nota à imprensa de uma multinacional, por exemplo.

Censura, auto-regulamentação e punição pelo cliente

Sobre punição para os erros flagrados na mídia, ele acredita que o melhor “castigo” para o meio que publicou o erro seria o expor um pouco ao ridículo e perder clientes, no caso, espectadores, ouvintes ou leitores.

Ele disse que tenta fazer sua parte comentando e divulgando os erros que encontra, mas pensar que a televisão vai deixar de mostrar gráficos de uma maneira ou de outra só porque o público se incomoda, é muita ingenuidade. Até porque se eles não se importam em preencher sua programação com lixo, ninguém vai pensar que estão dando estatísticas erradas. No entanto, “pôr uma autoridade para colocar uma multa econômica ou algo, seria um disparate”, ele diz. O que poderia haver é uma sanção moral ou conselhos que os meios aderissem voluntariamente e que tenha que seguir as regras aceitas de antemão. No Brasil há o FENAJ e na Espanha a FAPE.


Estudantes de Jornalismo

Como nós, novos jornalistas, podemos atuar com ética se dependemos da linha editorial para mantermos nosso emprego? Quando eu perguntei isso, ele disse que, francamente, não tinha uma resposta. Disse também que é uma situação muito difícil e delicada e que não gostaria de estar nela. Mesmo que nosso meio exija que sejamos antiéticos de vez em quando, temos que tentar ganhar pequenas batalhas dentro do jornal, para tentar fazer as coisas mais certas. E também quando não estamos na “linha de fogo”, quer dizer, se não escrevemos as matérias de capa ou editorial, talvez possamos usar uns critérios mais decentes, quando escrevemos notícias que não tem tanta inclinação política. Josu comentou ainda que, por causa do blog, acabou conhecendo jornalistas e que são pessoalmente muito honestos, mas têm que cumprir algumas ordens. Só que eles mesmos têm consciência disso, até riem e zombam de seus próprios chefes.

Credibilidade

Não é porque Mezu é advogado, mestre, doutor e professor de universidade que as pessoas param para ler seu blog. A internet é um meio muito democrático, segundo ele. Nela não é preciso estar vinculado a grandes jornais, editoras, grandes marcas, quem lê e gosta do que ele escreve, não precisa saber antes qual é sua formação. A pessoa simplesmente gosta do conteúdo. Ele começou do nada, não tem formação na área da comunicação e mesmo assim existe público, que ele diz não ser grande. E algumas pessoas até colaboram. O que muda por sua formação e por ser tanto tempo como professor é a forma que ele pensa, expressa e forma o conteúdo de sua página.

Sendo assim, noto que qualquer cidadão interessado ou que sinta necessidade de começar um espaço para discussão e análise de qualquer tema, até mesmo relacionado a isso, poderá ter sucesso. Ele me contou que começou do nada, comentando nos blogs de outras pessoas do mesmo tema, fazendo parte de discussões e sempre assinando com seu link, para que os outros passassem a conhecer. Ou seja, se cada um fizer sua parte, se conscientizar e colocar em prática, pode ser só um grão de areia, mas já é uma grande coisa.



Espanha e Brasil, alguma semelhança?


A imprensa espanhola realmente tem muito erro de todo tipo. Mas o que isso tem a ver com nosso país?

Meia hora de jornalismo na TVE, no Telemadrid, no Telecinco ou fazendo uma leitura crítica dos jornais  em destaque daqui como ABC, El Mundo ou El País me fez valorizar muito a imprensa brasileira que, para mim, na forma, tem uma qualidade superior.
Mas qualidade da forma não garante qualidade no conteúdo. Isso não significa que a imprensa não erra. Mas o ponto positivo é que os erros cotidianos por falta de atenção, ignorância ou apenas falta de tempo, não acontece com tanta frequência como aparentemente acontece aqui. O ponto negativo é que os erros de propósito por inclinação política estão estampados em cada capa de revista, jornal ou no tom de voz da apresentadora do jornal das 20h… E muita gente não percebe isso.

Josu Mezo comentou que aqui na Espanha ele acredita ter mais conscientização sobre a manipulação proposital do que sobre os erros cotidianos. Deve ser porque os erros são tão escancarados que se percebem mais.

No Brasil não. Os erros parecem que não estão ali. O dito parece ser única verdade e que não existe parcialidade por que não deixam explícito. Claro que quando o apresentador é grosso com a candidata do partido que a rede não apóia desde quando Collor foi eleito, as pessoas percebem e comentam, ainda mais hoje com as redes sociais a flor da pele, mas não é a mesma coisa.
No Brasil se percebe os erros pequenos, mas não se percebe o jogo de interesses. Levam como verdade a capa da Veja, da Folha e do Estado e tudo o que se diz no Jornal Nacional é a realidade.
Temos que conhecer nossos meios de comunicação para entender que não é assim. Todos têm seus interesses. E a desculpa, o que é também a solução, é: o conteúdo é o interesse do público e não interesse público.

Continue lendo sobre a manipulação da mídia nos links Manipulação Midiática  e Como a mídia desvia sua atenção dos assuntos importantes

Dia da Proclamação da República



15 de novembro é dia da Proclamação da República. 

          Você que vai ficar em casa, tranquilo, no sofá, poderia parar para pensar um pouco no que isso significa. Há 121 anos o Brasil instaurou o regime republicano. 67 anos antes o Brasil havia se tornado independente. Isso é, antes de 1822 o país era dependente de Portugal e até 1889, éramos governados por monarcas. 
         De um tempo para cá, muita coisa mudou. Passamos por crises, quedas, ditaduras, cruzeiro, cruzado, novo cruzeiro, Collor, impeachment, FHC, Lula e esse em 2010 acabamos de eleger nossa primeira presidente mulher e a 36a pessoa a assumir esse posto. O Brasil é feito POR NÓS, cidadãos. Vamos trabalhar e tentar agir honestamente para poder cobrar daquelas pessoas que nos dizem representar-nos. 
          O Brasil foi e é explorado por países mais ricos, mas ainda assim, há esperança em cada olhar honesto e humildo do povo brasileiro. Vamos levantar nossa bandeira, com ORGULHO e não com vergonha. Vamos mostrar a beleza do país mais bonito e rico do mundo.
           Vamos nos preocupar com problemas realmente importante e tentar investir força e dinheiro em resoluções e não em distrações. Tem coisa que não é da nossa alçada, não podemos fazer nada. Mas essas são as grandes decisões tomadas por pessoas mais poderosas que nós. Mas mudar o nosso cotidiano já é muito, e isso nos faz ser muito mais poderosos do que pensávamos.

Orgulho e sempre em frente, povo brasileiro.

FELIZ 15 DE NOVEMBRO, DIA DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA, PARA TODOS!

Hipocrisia, homobofia e (falta de) bom senso no julgamento.

Jovem de 18 anos é preso por beijar garoto de 13 em cinema de shopping

  De acordo com lei, o simples fato de um maior de idade beijar um menor de 14 anos está cometendo um crime, o de estupro. Ainda que o menor tenha consentido porque ele não pode responder pelos seus atos. Agora o estudante é criminoso por beijar um menor de idade… Ou será que todo escândalo gira em torno do fato de se tratar de dois homens?
  Quando Ana Borges* (22) tinha 13 anos, era uma criança, em contrapartida, suas amigas eram todas ‘mocinhas’. Ana não ficava com meninos mais velhos, suas amigas sim. Ela se considerou “criançona” até seus 18 anos. Segundo ela, depois que entrou na faculdade que começou a amadurecer. Mas suas amigas que eram desenvolvidas não viam problema em sair com caras mais velhos, incluindo maiores de idade. Como a menina amadurece mais rápido que o menino, elas não queriam ficar com meninos mais novos, por serem infantis. Ainda assim, a idade é a mesma “13 e 18”.
  O estudante de 18 anos foi preso e, de acordo com essa matéria, acusado de estupro, pode pegar 14 anos de prisão. O rapaz agora é um criminoso. Estuprou o menino quando o beijou no cinema do shopping. Não foi no carro em um terreno baldio e a força, foi em lugar público e com o consentimento do menor. De acordo com a discussão que eu vi no Orkut, o maior foi acusado de estar cometendo ato libertinoso com um menor de 14 anos, que não responde pelos seus atos. E as meninas de essa idade, respondem?  
  De acordo com o portal da Band, o delegado Natanael da Silva Abreu, responsável pelo caso, afirmou que o caso “é grave mesmo, o legislador fez essa lei com muito rigor, pra ver se inibe essa prática delitiva”. Eu não teria coragem de dizer isso diante desse caso. Não porque as leis às vezes não fazem sentido, mas porque eu sei que as amigas de Ana não viram seus namorados irem presos? A lei existe e se vai  ser cumprida, que seja cumprida em casais heterossexuais também. Mas ninguém fica na porta do cinema pedindo RG para o casal hétero. Chama muito menos atenção, principalmente, quando a menina de 13 anos já tem o corpo desenvolvido.
  Conheci meninos que com 18 anos pareciam ter 15. Conheço hoje de 20 e poucos que parecem ter 18. Porque o acusado, por ser maior de idade, não pode ser imaturo como esses meus amigos? Porque ele tem que ser tratado como “homem” e os namorados das amigas de Ana eram tratados como “moleques”?
  Onde está a sociedade não preconceituosa, não machista, moderna, cabeça aberta e igualitária que eu pensava que existia? Onde está o direito de amar e ser amado com liberdade? Para mim essa atitude foi mais homofóbica do que simplesmente cumprimento de lei. Se fosse um casal hétero não ia ter problema. Casos assim têm que ser tratados com individualidade, não podem deixar o moço passar (que seja) 2 meses na prisão por beijar o garoto.


  Eu espero, de coração, que responsáveis por esse caso tomem a decisão correta baseada não só na lei, como no bom senso.
*Ana pediu para mudar seu nome para não expor sua vida pessoal.


Olha que legal o link que eu achei: MOVIMENTO DA DIVERSIDADE SOCIAL (MDS) do Rio de Janeiro.




obs.: Eu não acredito 100% nos portais do G1 e da Band, mas se vocês ignorarem a maneira que a mensagem é passada e pegar só as informações (e se quiserem procurar outras fontes sobre esse caso), vão ter apenas o ocorrido, incluindo os dados e falas dos envolvidos, com o delegado.

Pela voz e bem dos brasileiros

Bras1Em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, eu só tinha 14 anos. Não sabia muito de política, mas eu sabia de algo importante: o Brasil é só um, todos iam ter o mesmo presidente e as conseqüências de um bom ou mau governo iam ser para todos, e não só para quem havia votado nele.

Quando somos crianças reproduzimos o que ouvimos dos adultos. Ouvia de pessoas da minha idade: “espero que agora o Brasil se “perca“, para esse povo parar de ser burro”. Mas espera aí… Se o Brasil se “perder”, vocês não vão se “perder” também? Se a esperança do país ir pra frente não existia dentro do pensamento dessas pessoas, eu fico pensando, será que não seria melhor rezar, pedir a Deus um milagre do que ficar rogando praga?

Posse_Dilma_2010_8Em 2010, Dilma Rousseff foi eleita. E não posso negar minha satisfação de ver uma mulher, finalmente, no topo. Eu preferia que fosse uma mulher mais preparada, mas tudo bem, ainda é mulher! Eu tive aquela vergonha alheia quando vi uns vídeos de entrevistas e de discursos, mas Lula também nos fez pagar alguns micos e ainda assim, eu vi Lula segurar a barra em 2008 quando todos os países, inclusive os Estados Unidos, estavam em crise e sem emprego.

Eu tenho medo de que ela não saiba dizer não aos chefões (porque vocês não acham que são os presidentes realmente que governam, né?!), que ela fique amiguinha de Hugo Chávez e que haja uma mudança grande na maneira que dizemos o que pensamos (sim, estou falando de censura). Tenho medo que ela não saiba governar para nós.
No entanto, ainda tenho esperança pelo simples fato de que ela é gente e eu acredito em gente. E não foram só pessoas pobres e sem educação que votaram nela. Conheço pessoas inteligentes, formados em universidades, pensantes, formadores de opiniões que deram seus votos de confiança à eleita. E por isso que eu não acredito que ela seja de todo o mal.

Somos apenas um país, a partir de 2011 governados por Dilma Rousseff querendo ou não. E no fim das contas, como eu disse no começo, todos nós vamos sofrer as consequências. Então, nada de pensamentos negativos! Não é só de um presidente que um país é feito. Não quero ver ninguém de luto, ninguém dizendo que agora o Brasil já era. Não quero ouvir ninguém desanimado! Vamos continuar lutando todos os dias, fazendo nossa parte, trabalhando como nunca, estudando bastante para não nos deixar levar por manipulações de gente e mídia medíocre.

E assim como existirá uma só conseqüência para todos os brasileiros, todos nós temos também o direito de exigir que ela governe bem e para nós. Quem votou ou não nela. O Brasil inteiro. Somos nós que temos que ficar de olho!
Eu estou com muita esperança de que tudo vá bem e que seja quem estiver governando – seja Dilma ou seus companheiros – que façam o bem. Porque ela foi eleita presidente, e como tal tem que representar os direitos dos brasileiros e não os seus próprios. E vamos cobrar. E se depois de tudo minhas esperanças forem embora e eu passar por uma iludida, ingênua e infantil por ter escrito essas palavras, estarei preparada com minha tinta verde e amarela para sair nas ruas de cara pintada.

Manipulação midiática

Quando o governo alemão começou a matar os judeus, a imprensa americana não noticiava como uma história importante e de interesse público. De acordo com o documentário Holocaust: The Untold Story (eu assisti no Newseum), as mortes eram noticiadas em pequenas notas nas páginas de dentro dos jornais. Quando já era tarde demais, os jornais importantes começaram a fazer desse assunto, primeira página. Motivo? Interesses pessoais.
O que aconteceria se colocassem assim que soubessem nas primeiras páginas de seus New York Times e Washigton Post? Moveriam a opinião pública e poderiam ter conscientizado os cidadãos que algo não ia bem? Isso poderia mudar a política do governo? Poderiam ter evitado mortes e tanto sofrimento? Poderiam ter mudado o rumo da história mundial?
Se você pensa que está muito longe da nossa realidade e que isso não vai se repetir porque foi há muito tempo e que hoje a comunicação e a tecnologia fazem as informações serem mais certas e que não dá para esconder nada… Está enganado. Por exemplo, durante 12 anos a rede CNN monopolizou as imagens da Guerra do Golfo e o mesmo aconteceu na guerra do Iraque (isso se não está acontecendo também nesse momento, o que não duvido). As guerras, para os americanos, são como seu governo quer que seja. Muita glória, poucos soldados mortos e nenhum civil afetado. E a realidade não é essa. Isso porque estamos falando de uma guerra! Imagine qualquer outro assunto que quiser, a facilidade que um canal de televisão tem para esconder um escândalo, por exemplo.
Saber disso tudo te faz sentir uma vítima? ( ) sim ( ) não ? Se não, ótimo. Se sim, não deveria. Admito que a mídia tem sua parcela – alta – de culpa sim. Mas nós espectadores também. Nós somos os consumidores dessas informações e deveríamos escolhê-las bem, mas não fazemos isso. É muito mais fácil quando consumimos só o que nos oferecem, sem que seja feito um esforço para refletir ou buscar mais além do nosso jornal preferido. Então, considero o consumidor como cúmplice da manipulação da mídia. Se ninguém deixasse ela nos manipular, isso não aconteceria.
Ok, nem todos têm instrução para saber disso, então o que fazer? Nós, que somos conscientes e buscando algo mais (atualizado 10-11-15), deveríamos começar a mudar um pouco. Se informar com mais de uma linha editorial (o que é isso?), duvidar de tudo o que dizem, ter sua própria linha de pensamento lógica e não fazer da opinião de um jornal, revista, político ou qualquer um, o seu ponto de vista.
Cúmplices sim, vítimas não. Você pode escolher. Não podemos fazer a mídia ser totalmente imparcial e independente, mas podemos nos adaptar a ela. Como países democráticos, de certa maneira, é bom ter dois jornais concorrentes falando do mesmo assunto sob pontos de vistas distintos. Assim podemos compará-los e decidirmos, por nós mesmos, o que é certo e o que não é. O que é verdade e o que não é. Já que a parcialidade existe, ainda bem que há vários de vários pontos de vista. Imagina se tivéssemos apenas um jornal com só um ponto de vista, o do governo, por exemplo?
Ficar parado, de braços cruzados, pensando na novelinha de hoje à noite e quem vai entrar no próximo BBB não é a melhor maneira de fazer o mundo andar pra frente. E se você realmente pensa isso importante e que você já faz sua parte, acho que se chegou até aqui é porque sabe que pode fazer melhor! Então FAÇA!!!Nesse blog há artigos relacionados com essa linha de pensamento. Se ficou interessado, vai descendo e olhando para ver o que te interessa.
Como exercício, analize essa capa de um site de notícias, com o público alvo de homossexuais:

Como a mídia desvia sua atenção dos problemas importantes:

Uma tarde na frente do computador….

Você vai lá e clica ou no “beleza e motor” ou no “ator de ‘Força Tarefa’”… Ficha limpa? O que é isso?

Aí, você achando que vai tá informado por entrar no terra.com.br vai lá e clica nas 100 namoradas e mulheres de personalidades… 


Eleições no senado do Pará? Pará? Onde fica isso? E o que diabos é Senado?
Aí você continua nos sites jornalísticos…
Daí você pensa um pouco e… Olha!!! Eu quero saber o que vai acontecer mais tarde na minha novela… Depois eu volto e leio sobre a Ficha Limpa…
Mais tarde…
 
Depois…
 
Depois você vai dar uma olhadinha o que tá é TT no twitter de hoje…
 

E a Ficha Limpa? Ah, esquece… Vai começar minha novela na televisão, por isso vou ter que desconectar! Beijos…



Sou maduro?

Para você que acha que é grande ou que sabe que não é, mas gostaria de ser, esse texto é para você. Às vezes pensamos  que estamos completos e que somos maduros para nossa idade, mas na verdade, o que é ter 18, 19 ou 20 anos? Se cada um, com essa idade, está em uma fase diferente, como definir o que é ser um jovem adulto? Que tipo de responsabilidade nos cabe?

Nascemos na era digital e tudo o que precisamos é que alguém faça algum upload das informações necessárias. Por isso nossa geração pensa que sabe demais.. Enquanto as gerações passadas têm uma boa bagagem de assuntos específicos, nós temos conhecimento superficial de uma grande quantidade assuntos.

Mas e no fim, o que é maturidade? Maturidade está vinculada a conhecimento? Não, acho que não. Tem mais a ver com sabedoria, uma sabedoria interna. Por exemplo, quando a vida nos dá um dilema, a maturidade se mostra dependendo da forma que nós o encaramos, e muitas vezes de nada adianta saber tudo sobre uma banda, tecnologia, culinária ou sapatos.

Outro exemplo de maturidade encontrar um meio termo para qualquer coisa, se necessário. A pessoa começa a amadurecer quando começa a ceder. E a mais óbvia, mas menos percebida é a questão dos assuntos da pessoa. Tem gente que, depois de anos continua falando sobre os mesmos assuntos chatos de sempre.

Espelhar-se um pouco mais nas pessoas mais velhas pode ser muito útil, elas podem não saber para que serve o twitter, mas sabem melhor que nós como viver. E ainda que não pareça o caminho certo, essas pessoas só querem nosso bem. Há maturidade também em saber negociar. Há que haver paciência.

Comece a ceder mais à vontade dos outros e os outros podem começar a ceder mais às suas. Ainda que tenha certeza que está certo sobre um ponto seja humilde e não imponha a resposta certa, tente mostrar seu ponto de vista ao outro com amor. Bons argumentos e boa retórica não são apenas para pessoas com dom ou que trabalham com o público, elas são para pessoas com discursos maduros. E, principalmente, tente ser menos egoísta e sempre evoluir espiritualmente (seja lá o que isso signifique para você).

Você pode também começar ouvindo conselhos de pessoas que acham que são grandes ou que sabem que não são, mas que estão tentando ser grandes pessoas aos poucos, assim como a autora desse texto.

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Gabriela Pagliuca

aka/vulgo Gabitopia

Sou artista e facilito processo de autoconsciência. Alimento o Gabitopia, esse blog, há mais de 11 anos. Estudei e sigo estudando comunicação, facilitação de grupos e técnicas de cura a partir de manipulação de energia (holística).

Meu blog é onde está quase todo meu trabalho como escritora, para saber mais clique aqui. Para saber mais do meu trabalho como facilitadora de processos de autoconhecimento, acesse aqui.

Meu propósito é amar, dar amor e estar em paz. Aqui é meu lar virtual, uma ferramenta para eu cumprir meu papel!

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