Veja sobre o Gabitopia De 2005, quando eu comecei a escrever, até hoje, muitas ideias foram colocadas nesse blog. O conteúdo dos posts retratam minha caminhada, a passagem da adolescência para minha fase adulta. Alguns conceito mudaram, outros amadureceram e muitos novos estão por vir. O Gabitopia é um blog de crônicas, opinião, pensamentos, reflexões, debates, etc. Qualquer texto que me dá vontade de escrever está aqui. Hoje escrevo muito mais sobre espiritualidade, meditação, estilo de vida, relacionamentos, etc. O blog Já tem mais de 270 postagens e mais de 17 mil visualizações. Seja bem vind@ ao Gabitopia!

Novidades!


E ai fãs da Nick e do Disney Channel! Quem está louco para ver novidades nos nossos canais preferidos? _o/ Todo mundo tá sabendo do filme Disney Channel que estreiou na semana passada, com a Demi Lovato e a Selena Gomez, não é?! Bom, esse filme está rolando dentro da programação, então fiquem ligados!
Amanhã, dia 31, vai estreiar a série Jonas e vai ser de arrepiar. Os Jonas estão na série sobre eles mesmos, só que sem serem eles. Até o irmãozinho mais novo deles, o Frankie, está na trama!

Dia 9 de agosto estreia um dos filmes mais fofos da Disney: Pinocchio! É um dos filmes mais lindos do mundo, é um clássico. E depois que estreiar, vai passar direto, na sessão de filmes.
Está rolando também na programação a nova temporada de Phineas e Ferb!!
No Disney XD está rolando direto as Crônicas de Narnia e o filme Piratas do Caribe – O Baú da Morte, Carros, O Bicho Vai Pegar…
Pra falar a verdade, tudo é novidade no Disney XD, já que não é um canal antigo. Ele estreio no dia 3 de julho substituindo o Jetix.
Novas séries e desenhos; séries e desenhos que já passavam, muitos filmes! E tudo com muita radicalidade e adrenalina!

Na Nick, está rolando o Spectacular na programação. Os Naked Brothers Band vão estreiar um filme com a Miranda Cosgrove (de iCarly) no dia 6 de agosto, as 20h!!

“VOTE SEEMM PARAR!”
Quem está morrendo de vontade de ir a entrega dos Meus Prêmios Nick desse ano? Nossa, eu queria MUITO! Então eu me cadastrei e respondi a pergunta que eles fizeram no site (MundoNick). E quem serão os vencedores? Comentem aqui depois de votar.

Uma crítica a quem votou nos MPN na primeira fase: eu AMO o Kaká, o Ronaldo (sou corintiana), a Marta e o Pato e amo futebol, mas o César Cielo, o nadador, que acabou de ganhar os 100 m livres com recorde mundial, não foi pra final entre os QUATRO. Ele é uma lenda viva do esporte! Eu gostaria de deixar aqui minha dica do dia para as crianças: além do futebol, procurem na internet notícias sobre mais atletas diariamente! Existe muito mais do que futebol no mundo!!!

Votem sem parar, mesmo não podendo votar no César! Quem gosta do Cesão, comente aqui!

Avisarei com antecedência pelo Twitter @DisneyNickFan sobre os filmes e as programações diárias!!! Sigam-me aqui!!!
Beijos e até o próximo boletim.


Kuthy,



Alguns dados sobre o planeta Terra: ele pesa quase tanto quanto você: 5974 quintilhões de toneladas. Ops, não tinha visto o resto, só o número (achei que era algo como 59 kg), esqueci desse detalhe (quintilhões de toneladas) então relaxa que falta muito pra você alcançar o peso da Terra.

A Terra se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos, então, sempre que alguém te chamar de velha diga: ô, loco, a Terra tem 4,6 bilhões de anos e ainda tá super enxuta.

O planeta Terra está a 150 milhões de quilômetros do Sol. Vamos ser sinceros que 150 milhões de quilômetros é uma distância longe pra caralho, não é? E ele brilha o dia todo! Então, eu posso te comparar com toda certeza com o Sol. Ele não tá perto, mas como tem que aparecer, como quer aparecer, ele aparece com todo sacrifício. É muito foda aparecer, mas aparece. Você precisa e quer muito, então, como o sol que some no outro lado do mundo de noite, você deixa os ubatubanos perderem seu brilho por uns dias, para iluminar os nossos.

Você é meu sol e eu te dou essa galharufa para você não se esquecer disso. Você é meu sol que ilumina meu mundo.

Sobre se apaixonar….

Odeio me apaixonar. É um sentimento tão bom, tão delicioso que chega a ser angustiante! É algo ruim porque não depende só de você. Não tem mais o que fazer, temos que aceitar e ponto final.
É claro que se você ama alguém e esse alguém não te percebe, você pode se arrumar, se maquiar e enfeitar até chamar atenção dessa pessoa.
Daí tudo bem, ele te percebe, mas você não é o que ele esperava. E ai? Vai fazer o que? Tentar esquecer. Já sabemos o quanto isso é difícil, mas vamos tentar.
Ou então, tentar conquistar? Esse que é o problema. Tem vezes que não vai dar certo as milhões de tentativas que a gente faz.
Lembrando que estamos falando de amor saudável, certo? Nada de paixões esquisitas e doentis.
Achei que eu já era madura suficiente para controlar meus sentimentos, até que eu percebi que se apaixonar não quer dizer imaturidade ou falta do que fazer: descobri que se apaixonar é coisa de gente.
Eu queria ser inapaixonável por que daí, eu não me apaixonaria pra sofrer. Só que daí, eu não ia ser gente.
Aqui eu deixo meu protesto como ser humano. Eu quero ser amada, desejada e querida! Eu quero que pessoas gostem de mim! Eu quero receber elogios e carinhos. Eu quero receber SMS fofos de alguém que goste de mim. Todo mundo merece, afinal de contas.
Mais uma coisa: gostaria de saber se tem pessoas que se interessem por mim. Acho que todo mundo pensa isso, mas nunca falou. Porque é tão difícil mostrar sentimentos (de qualquer tipo) pras pessoas?
Se eu fosse dessas que recebem atenção, eu não desejaria ser inapaixonável, eu desejaria me apaixonar por quem se apaixona por mim.
Conclusão: não é me apaixonar que eu odeio, o que odeio é me apaixonar por quem não é apaixonado por mim, ou que NUNCA se apaixonaria por mim.

O que vocês pensam sobre se apaixonar?

P.S.: Não estou apaixonada.

Amigos!!

Eu odiava a decepção de achar que eu podia ser amiga de alguém que na verdade, não podia. Eu dava uma dessas de vez em quando. Entrava nas brincadeiras a levava umas bofetadas na cara: “cara, você não é minha amiga”. Poinhonnhom… Só que chegou um tempo que eu tive que aprender na marra…

“Meu, não somos amigos” agora eu aprendi, não somos mesmo amigos, mas só por isso eu não posso brincar com você? Com esses lances de internet, por exemplo, eu não sei mais de quem sou amiga ou não. Quando eu clico “adicionar como amigo” no Orkut e ela aceita, eu, definitivamente, não estou virando amiga dessa pessoa.

Às vezes você faz um trabalho com a pessoa, troca uma ideia legal, e quando vai ver, nem cumprimenta a pessoa mais, nunca mais, durante quatro anos de faculdade. Ou então você conhece aquela pessoa do nada e se super-identifica com ela e começa uma amizade gostosinha.

Eu gosto de amizades gostosinhas, meu problema é que eu tenho tanta amizade com menino: “meu, se liga, você não é minha amiga”, não to falando que todos os meninos que eu conheço são meus amigos, digo que muitos meninos são meus bons amigos. Confesso que gosto muito de amigo homem. Há, não briguem comigo, meninas. Eu adoro vocês, adoro ser amiga de vocês, só que ser amiga de menino é passaporte para “fala, truta” e truta é amigo, truta não é “olha, não somos amigos”.

Eu chamo todo mundo de amigo mesmo, amigo é aquela pessoa que a gente troca a maior ideia do mundo, fala várias besteiras e mesmo assim ele ainda gosta de você. Mas eu sei diferenciar amigo de amigo, ok? Sempre tive muitos amigos, não vá pensando que todo mundo do mundo dizia que não éramos amigos. Para algumas pessoas, eu mesma tive que falar isso. Amigos são amigos, mas amigo de verdade mesmo, não temos muitos.

Pior é quando jogam isso na sua cara: “cara, não somos amigos, somos colegas.” Colega é uma palavra super inconveniente, vamos usá-la quando for necessário: colega de trabalho/classe, aqueles que só falamos o necessário; colega do prédio, que se encontram no elevador e acenam com a cabeça: “e ai”; colega de puteiro, aquele que você encontra só no puteiro, nem sabe o nome, mas se vêem sempre que apertam a mão um do outro e depois pensam “puta merda, apertei a mão dele de novo”; e colega colorido. Não colega colorido não existe.

Vamos ser amigo de todo mundo, por favor, mundo! Fazer amizade é tão gostoso! Não tem problema se você sumir e nunca mais encontrar com seu “amigo”, isso acontece toda hora mesmo. As pessoas precisam aprender sozinha qual o limite das amizades que têm. Né?! Eu juro que ainda odeio a decepção de achar que eu posso ser amiga de alguém que na verdade, não posso, mas agora eu não espero dizerem pra mim que não sou amiga, eu mesma saio pela tangente.



imagem meramente lustrativa!

Domingo.

Tô meio tonta; sentada no sofá; roupa e tênis; calça abotoada e cadarço amarrado: provavelmente nada aconteceu entre mim e outra pessoa… você! Cadê você? Tô ouvindo duas músicas ao mesmo tempo: “I will possess your heart” como meu ringtone – é você – e “you sexy thing” num filme passando na TV: meu filme preferido de todos; minha cabeça dói ao ouvir tanto barulho junto. Cadê meu celular? Você vai ficar bravo se eu não te antender.

Nem me lembro de ter ligado a televisão. Deve ter sido você. Na verdade, não me lembro de nada. Nem onde está meu celular que não pára de tocar, só o ouço, mas não sei onde está! Desculpa por não atendê-lo. Eu estou confusa. Eu sei que é você ligando, só pra você que meu celular canta “i will possess your heart”. Não consigo encontrar. Deixa pra lá. Puta merda, minha cabeça dói, preciso deitar de novo, quanta claridade nos meus olhos.

Sei lá porque todas as luzes estavam acesas. Talvez você tenha me levado pra casa, você tem essa mania de deixas as luzes acessas. Não me lembro de nada. Onde esteve quando eu precisei de você? Desculpa-me por beber, ou melhor, eu sei que você sempre diz que o problema não é beber. Eu sei. Mas eu não consigo controlar meus sentimentos ruins que fazem eu fazer essas coisas. Desculpa esfarrapada? Não. Minha mãe sempre me disse que a gente não tinha nada que arrumar namorados bonitos. E você é muito bonito. Bonito mesmo. Acho que é porque pessoas bonitas nos dão mais prazer, não sei quando, na cama você não é tão bom assim. Haha. Desculpa, não resisti. Você me dá prazer, eu acho, deve dar. A gente nunca foi pra cama, isso eu tenho certeza.

Se você me levou pra casa, porque está me ligando? Porque não tinha ficado? 17h30 no meu relógio que está atrasado uma hora. Dormi o dia todo. Vai ver que é por isso que você está me ligando, pra ver se eu estou bem. Mas porque não ficou comigo? Porque teve que ir embora? Porque não pegou meus copos quando eu bebia e não tirou de mim qualquer outra substância que eu possa ter ingerido? Eu faço isso pra esquecer, nada dá certo na minha vida.

Você ficou bravo por quê? Está cansado do quê? Não consegue me explicar? Porque não ficou comigo? Porque não fez nada comigo? A gente chegou, pelo menos, a se beijar? Eu estava tão a fim de ficar com você hoje. Meninos bonitos são mais difíceis que os feios. Meninas bonitas são mais difíceis que as feias? Eu estraguei tudo?

Ah, entendi o que está acontecendo… Você parou de me ligar. Recebi, agora que o seu ringtone parou de tocar, uma mensagem: é você. Pergunta se eu estou bem, mas que não quer mais me ver. O que vai ser de mim sem você? E a nossa história? Acho que a gente não é uma história, né?! Talvez uma estória, a que eu inventei, por que nunca aconteceu. Eu nem sei quase nada de você, quis te manter longe da zona de amizade, acabei te mandando pra fora da minha vida. Só sei seu telefone e sua música preferida. Você é só mais um dos meus projetos que, como sempre, não deu certo.

 

Vegetarianismo nos restaurantes










Todos já podem se alimentar bem e com qualidade quando saem de casa


No horário de pico nos shoppings mais famosos da cidade de São Paulo, você pode precisar pedir, para conseguir um lugar: “com licença, senhor (a), posso sentar com você nessa mesa?” Isso porque as praças de alimentação lotam com trabalhadores e estudantes que precisam almoçar por perto do trabalho ou escola/faculdade. Para lidar com isso, os restaurantes procuram ser cada vez mais diversificados, saudáveis e naturais, e acabam ajudando os vegetarianos a se alimentar bem. Essa comunidade cresce muito e por motivos variados, seguindo doutrinas distintas. Os estabelecimentos dispõem de uma variedade de escolhas permitindo que os clientes montem seus próprios pratos. Dessa maneira, seus cardápios não ficam limitados a pratos prontos, possibilitando uma imensa diversidade, além de poder se alimentar corretamente, os shoppings dispõem de muitas franquias que podem ser confiáveis pela sua tradição, organização e higiene.

Em shoppings, com suas praças de alimentação recheadas de restaurantes fast-food, os vegetarianos têm poucas opções, mas não são inexistentes. O que o cliente precisa fazer é não só procurar um lugar que tenha variedade de vegetais, queijos e outros alimentos que possam comer, mas também uma higiene mais consciente para com os produtos, não misturando ingredientes e nem mesmo utensílios.

“A cada troca de tarefas o funcionário deveria mudar a luva plástica, o que nem sempre acontece” diz a nutricionista Fabiana do Rego. “Por exemplo, se o funcionário está fazendo o sanduíche e vai pegar o prato descartável dentro de uma embalagem, ele deve trocar a luva ao voltar pro sanduíche, se não a luva vai estar suja e não vai servir pra nada a não ser pra não sujar a mão dele”, completa. É mais confiável que uma pessoa não use a luva, mas lave as mãos entre a troca de tarefas do que usar a luva apenas por usar.

Os restaurantes oferecem as opções, mas depende de cada cliente saber qual alimento substitui os nutrientes perdidos pelo não consumo da carne. Alguns alimentos inibem a absorção de certos nutrientes. “Para os que comem ovos, que é uma boa fonte de proteína, não podem colocar leite, que atrapalha a absorção da proteína por causa do cálcio. O ideal é auxiliar o intestino comendo alimentos com vitamina C, por exemplo, uma laranja ou morango.” Como existem vários tipos de vegetarianismo, alguns deles não conseguem suprir essa falta que a carne faz, e tem que tomar complementos alimentares.

Os shoppings estão cada vez mais preocupados em oferecer opções diferenciadas e os vegetarianos podem aproveitar essa deixa para procurar mais diversidade. Para quem come esporadicamente em shoppings, alguns restaurantes conhecidos e confiáveis estão à disposição. O restaurante Subway, por exemplo, utiliza de um amplo cardápio de opções para a população em geral, mas quando se trata de vegetarianos, existem poucas possibilidades de variação. “Como o Subway é uma franquia, não da pra modificar o cardápio, mantendo-se o mesmo em todos os lugares. Cada um monta o seu sanduíche com as opções que existem e é por isso que não tem como fazer mais de uma opção vegetariana.” argumenta Willian Amaral, gerente do Subway do shopping Eldorado.

Cauê Angotti tem 18 anos e é vegetariano há quase 10 meses. “Um dia parei para pensar sobre isso e vi que realmente é desnecessário ter que matar um animal para me alimentar”, explica. Ele também considera mais saudável uma alimentação sem carne. Ele não gosta de sair para comer porque não encontra muitas opções, “é horrível porque nunca tem pratos para vegetarianos e quando tem, é muito caro”, diz. Uma das coisas que ele mais sente falta é a praticidade para se alimentar. “Quem é vegetariano não come em todo lugar, quem não é pode sair que em qualquer lugar come” lembra. Nos restaurantes ainda é muito comum o equívoco do que realmente é comida vegetariana, “já fui a uma lanchonete que tinha um sanduíche que chamava X-vegetariano… E tinha frango.” Reclama e alerta que nos shoppings também existe essa falta de informação.

Em relação à saúde, os médicos, nutricionistas e até personal trainers lembram que as pessoas desse estilo de vida têm sempre que consultar um profissional, fazer exames para ter certeza que a saúde está em bom estado. Os professores de academias estão sempre preocupados com a saúde dos alunos, orientando para que tenham bons resultados. A personal trainer Lubianca Cavedini dos Santos alerta: “os personal trainers não podem passar dietas para ninguém, mas sempre indicamos um profissional e damos dicas, assim os alunos ficam satisfeitos com os resultados e saudáveis.”

Portanto, se você é vegetariano, não deixe de comer fora por falta de opções. Os restaurantes estão se adaptando cada vez mais para seu conforto. Procure saber da onde vem a comida, se os vegetarianos aprovam aquele lugar, se o estabelecimento respeita essas opções e se eles estão bem informados. E não se esqueça que sempre se deve procurar um profissional para acompanhar a sua saúde. E bom apetite, vegetariano.


Texto de Gabriela Pagliuca e Aline Mendes

Assunto do dia

Segunda feira, 1 de junho de 2009

Puta merda, mal começa o dia e vem essa bomba. (espreguiça) Eu dormi mal pacas.

Bomba mesmo, né. (entregando papéis pro colega) Eu fico tão chateada quando eu ouço falar disso…

(estúpido) Qué isso? Pra quê? Por acaso algum parente seu tava lá? (olhando os papéis) Cadê o resto da pauta? Você não quer que eu arrume tudo sozinho, né?!

Tá aqui (mostrando o notebook). Como você é insensível, cara.

Tô trabalhando… E jornalista tem que ser sensível em relação a isso, por acaso? (olhando o notebook da colega) Eu não tô nem aí, acho um pé no saco ficar falando sobre isso, só falo porque é trabalho…

(pausa) Fico triste pela tragédia. (pausa curta) Minha mãe me ligou, triste que só ela… Disse que você-sabe-quem estava lá. Ela sabe que é o bambambam, mas nem sabe quem é direito. (pausa mais longa) Nem acredito que ele pode ter morrido…

(curioso) E você o conhecia? (apontado) Passa a chave, por favor?

(esticando o braço pra pegar a chave) De coletiva, festinhas… (entregando pra ele) Nem sabia que eu existia! Era metido.

(tentando abrir a porta do armário) Merda de armário, sempre emperra… Quer saber o que eu acho?

Não! (zombando) Jornalista não tem que achar nada…

Então ainda não entendi qual é do seu sentimentalismo… Tragédia é notícia, se não foi com conhecido seu não pode achar nada também.

Porra, eu fico triste, né. Não sou que nem você que não consegue enxergar que duzentas e poucas pessoas provavelmente morreram de uma vez e nunca mais vão ser encontradas.

(distraído) Elas morreram mesmo. (abrindo o armário e pegando uma pasta) Meus pêsames pra família… Cobrirei a matéria… E até, de repente, rezo pelas almas… (olhando pra ela) Mas nem me importo tanto como você. (pausa) Sabe o que mais… (lendo o documento no notebook, mas sem prestar atenção) Minha amiga perdeu duas amigas esse fim de semana em um acidente que nem notícia na Globo foi. Ela tá lá, triste, eu fiquei sentido por ela, (sorrindo de canto e dando nos ombros) mas a vida continua, gata.

Nossa! Duas? (pausa) Mas, assim, lá foram 228 pessoas, são mais que duas.

(bravo) E você conhecia essas 200 pessoas, porra? Papo chato, cara. (voltando pro notebook)

Não, mas… (indignada) Por isso que você um bom jornalista, não tá nem aí pro sentimento de ninguém, faz matéria falando de morte que nem fala da Bolsa… Só pensa em você.

(pára de fazer o que tá fazendo e se vira pra colega) Peraí. Não é assim, também. (calmo) Eu penso nisso, mas não fico atordoado. Tenho minha vida, sou trabalhador, pego ônibus todo dia… Quando não estou trabalhando fico pensando nos meus problemas… (pausa rápida) Se eu não pensar não tem ninguém que pensa neles por mim. (voltando pro computador, mas sem se concentrar) Só que eu não tenho religião, acho que você sabe disso… E você sabe muito bem que eu não sou mal nem egoísta, a maioria do tempo. Mas todo mundo vai morrer mesmo, o que eu acredito é que às vezes tem que ter esse tipo de tragédia pra não ir matando cada pessoa individualmente… Sabe… Lotar hospital pra que? Se é a hora, é a hora.

(os dois começam a fazer coisas relacionadas ao trabalho, quietos)

(abaixando a cabeça) Mesmo assim é triste…

Ainda nesse papo? (zombando)

(chateada) As pessoas nem se despediram deles…

Despediram no aeroporto, sabe, pra viajar. (pausa e finalizando o trabalho) Por isso que todo mundo tem que se amar e não pode ter ódio no coração, assim, quando for nossa hora, a gente vai em paz.

(sorrindo) Eu gostei! Você é insensível, mas isso fez sentido… Mas agora tá parecendo uma bicha falando.

(faz cara de bobo) Ã? (brincando) Fica quieta! Vem cá, olha… Abri um documento que eu tenho no meu computador. Olha quanta gente morre no metrô aqui em São Paulo por dia. E esse aqui que mostra os homicídios e latrocínios… Ninguém tá nem aí, sabe por quê? (mandando imprimir documentos que tem a ver com a matéria deles)

Todo mundo sabe disso tudo.

(levantando e se afastando) Sabe mesmo, mas ninguém fala nada por que tá perto demais… Povo gosta de ver tragédia de longe.

Pode ser, mas tinha gente famosa lá dentro, você sabe como são essas coisas.

Sei, é uma das únicas coisas que eu odeio na minha profissão. (sentando no sofá) Tô com um sono da porra (esfregando os olhos)!

Tô indignada que você não sente nada em relação a esse avião que sumiu… Caiu, sei lá.

Sinto! (pegando as folhas da impressora) Sinto que quando eu morrer, ninguém vai me colocar na lista de perdas no site do governo do país, e se todo mundo vai morrer, sorte deles que viraram notícia. (deitando no sofá e separando os papéis) E nossa também, se não fosse por notícia íamos morrer de fome.

Não vou fazer tudo sozinha não. (levantando o colega) Termina isso daí e vamos sair já.

Demorô, gata. (levantando) Quer almoçar comigo mais tarde? (pisca)

Pode ser. (sorriso)

(os dois saem)

Interatividade

O rádio é interativo? Bom, é e não é. Não há como dizer que o rádio é 100% interativo já que a interatividade só existe mesmo na internet, onde os internautas podem deixar comentários e ler o que outros deixaram. Com o rádio a coisa não é assim. Não estamos falando do site da tal rádio, porque aí a mídia já não é mais rádio, é internet. Estou falando do rádio no rádio mesmo.

Interatividade é quando os ouvintes e a rádio se comunicam: uma ligação do espectador que entra no ar ou um SMS ou email lido com a assinatura do ouvinte para dar informação de trânsito ou de qualquer outra coisa… Isso é interatividade. Mas, além disso, não há como interagir com o rádio, a não ser que você seja um louco varrido e fale com o rádio como naquele programa “O Mundo da Lua” (TV Cultura) que a Rosa, empregada da casa, conversava com o locutor.

Na Band News FM podemos entrar em contato com eles por e mail e SMS e os locutores frequentemente falam algumas mensagens no ar. Na segunda feira, 18, eu estava na Raposo Tavares e ela estava parada por causa de um acidente, eu estava ouvindo a Band News e aproveitei para testar essa interatividade.

Mandei uma mensagem de texto e em alguns minutos o locutor leu parte da minha mensagem, a que era mais importante. Mais uma vez, enviei uma continuação da mensagem anterior, eles leram de novo. Apurei depois que a Band News FM recebe entre 50 a 100 mensagens por dia, e pelo o que eu escuto, a maioria deve ser lida.

Com o celular e a internet a manifestação de opinião, críticas e sugestões está muito mais acessível, mas o fato é que interagir mesmo com o locutor não é tão fácil. Em um programa de rádio não há espaço para que todos que queiram falar, falem. Diferente da internet que se um milhão de pessoas quiser mandar recados, pode até não serem lidos, mas há espaço pra isso.

É pelo site que acontece a maior parte da interatividade. A maioria das rádios tem um link “fale conosco” e também um para escutar a programação ao vivo. Nos sites a gente encontra todo tipo de informação como sobre eles, algumas também jogam as notícias lá: é como se fosse uma continuação da rádio. Mas interatividade com o rádio mesmo só se for no “Mundo da Lua”.

Vai um romance acadêmico aí?

Pode fazer parte dos temas de novelas e filmes, mas os namoros que acontecem nas salas de aulas de faculdade não são tão idealizados nem dramáticos como eles mostram. Não é tão difícil como alguém pode imaginar, mas também não é fácil, isso requer um pouco de esforço das duas pessoas.

Na faculdade há pessoas novas e interessantes, o clima é favorável. Como ultimamente é mais comum ver casais que começam ficando e depois passam a namorar, na faculdade é o que acontece. Ficam numa festa, no bar depois da aula, na reunião de amigos.


Com Rafael e Paola foi aos poucos. “Rolou num churrasco da sala no fim do semestre, então todo mundo viu”, disse Rafael ao questioná-lo se eles tentaram esconder. Nas férias continuaram juntos, mas não era um namoro oficial. “O rótulo namoro mesmo só aconteceu depois de dois meses”, se viam todos os dias, eram amigos “já estávamos praticamente namorando”, completa.

Para Rafael, é importante saber separar as coisas, “trabalho é trabalho e namoro é namoro”, aconselha. Eles já eram do mesmo grupo de amigos e faziam trabalhos juntos, nada mudou. No começo os dois se estressavam com algo da faculdade e descontavam na pessoa mais próxima. A solução veio depois de uma conversa “resolvemos separar bem as coisas para não prejudicar o relacionamento” disse Rafa, o namoro já dura quase 2 anos.

Paola Verrastro e Léo não estão mais juntos, mas eles estão na mesma classe, namoraram durante um ano e continuam amigos. Começaram apenas ficando em um churrasco num sítio, só depois de um ano começaram a namorar. Curtiam o tempo que tinham: “a gente tentava ficar junto no minúsculo intervalo entre as aulas porque fora isso não tinha muito tempo” reclama Paola. Para ela, estar na mesma classe não influenciou o término do namoro.

Um ponto positivo muito acentuado é que estar todo dia com quem se gosta é muito bom. Além de rolar menos desconfiança entre os amigos da faculdade, o que é um problema quando um não conhece os amigos do outro. “E tem estímulo pra ir à aula, já deixei de faltar várias vezes só para não deixar de vê-lo”, diz Paola Verrastro.

O ponto negativo que a ex-namorada de Léo percebeu é que a outra pessoa pode ficar acomodada por estar todos os dias junto, então não se esforça para o final de semana. Também não dá para perder aula sempre que o clima do casal não está dos melhores, “quando acontece chego e fico na minha, mas é raro” diz Rafael.

É bom estar com alguém que gosta da mesma coisa que você, os dois empenhados nas matérias, um ajuda o outro. “Acho que ajuda muito, temos mais tempo pra discutir assunto de nossos interesses e aperfeiçoar nossos trabalhos” disse Rafael, então o empenho acadêmico depende de cada casal, só não vale gastar o tempo que tem para namorar para estudar e fazer trabalhos e vice versa.

Polisenso




Poli: Quantidade maior ou igual a dois.

Senso: Juízo claro.

O que você já ouviu falar sobre Forfun? Quando falo que eu escuto Forfun as pessoas geralmente têm um preconceito. Forfun significa ainda, para muita gente, “que pena que não valeu a pena, você dizia sempre pra me por no seu lugar” e não conhecem o novo CD Polisenso, e não percebem que “o olho atento vai notar tantos detalhes pra se olhar”. Brincadeiras à parte, esses dois trechos mostram as duas fases da banda com “História de Verão” de 2005 e “Infinitas Possibilidades” de 2008.

Tem gente que conhece a banda do começo e prefere daquele jeito, então não gosta porque eles mudaram muito, alguns gostavam, exclusivamente, pelas letras sobre e para adolescentes e o estilo punk-rock dos primeiros anos de banda. Mas apenas guitarra+ baixo+ bateria que fazia sucesso ficou um pouco de lado para dar também espaço aos teclados e mixagens psicodélicas. As letras sobre dor-de-cotovelo e adolescência são substituídas por músicas sobre a natureza e tentar se afastar do mundo sensível.

É filosofia pura! Não sou só eu que pensa assim, não. Não sou eu quem está dizendo. Forfun mesmo fez referência a famosa frase “só sei que nada sei” na música “Sócrates e a Deusa Música”. Sócrates,acredite se quiser! Pai do amor/amizade à sabedoria. É muita maturidade. Os próprios integrantes da banda consideram as mudanças refletindo o amadurecimento. O que não nunca foi um susto para mim, foi para muitos.

É por isso que Forfun está tão bom! É por isso que Polisenso é o CD que eu mais escutei disparado nos últimos seis meses. Não que falar de romance esteja errado, foi Vítor mesmo que disse isso. Só que já estava na hora de pensar mais na felicidade espiritual e aquela felicidade que encontramos dentro de si mesmo e não nos outros, mas isso sou eu que estou dizendo.

É a hora de dar tchau.


Chega uma hora em nossas vidas que não adianta insistir. As pessoas, inclusive nós mesmos, mudaram. Os tempos também. Os gostos também. Ah, e o que é mais triste é que os sentimentos também.

Normalmente eu desisto bem fácil e rápido, sou assim mesmo, vamos a um exemplo banal: não consigo desentupir a pia da cozinha, eu acabo deixando pra lá e outra pessoa – mais determinada ou mais especializada que eu – acaba fazendo. Mas não sei o que acontece comigo porque quando se trata de sentimentos, eu sou muito mais flexível. Gosto de insistir.

Amizade principalmente. Ah, eu prezo muito amizades de longo prazo. Gosto muito de fazer novas amizades, mas estar com aquelas pessoas que cresceram com você, passaram sua infância e adolescência é muito bom. Não tenho nenhuma pertíssima de mim, hoje em dia, infelizmente.

Não é porque eu não quis não. Não é porque eu sou chata, não. É porque esse tipo de coisa não é escolha nossa. Pode ser no começo, mas enquanto a vida vai passando a gente não escolhe mais, simplesmente acontece. Pessoas se afastam, juntam, pisam na bola, passam vergonha… Tentam.

Eu sou dessas que tentam. Por enquanto quase todas as minhas tentativas não deram certo. Uma merda, eu sei. Também não é assim como se TODAS deram erradas. Eu tenho muitos amigos, mas os que me conhecem desde, sei lá, sexta série, sou obrigada a dizer, muito tristemente, que não me conhecem mais.

Eu sou a que tento. Tento dar certo. Tenho paciência. Tento não brigar. Não fico demonstrando nem falando que eu fiquei chateada – chateada eu fico porque por enquanto eu não tenho maturidade para resolver não me chatear e simplesmente parar de me chatear -, mas é sempre tão complicado porque sou eu quem corro atrás, sou eu quem se esforça mais, sou eu que quebro a cara.

Quando é a hora de dizer “tchau, acabou”? Parece que com namorado/ficante é tão mais fácil. Com amigo é diferente. A gente tem todo um carinho e não precisamos dispensar com todas as letras: “não quero mais você como amiga (o)”. Basta se afastar. E quando somos nós que não estamos nos adequando e continuamos nos aproximamos? Mesmo que sem querer, mesmo sem perceber que acabou? Poxa…

Bom, é difícil falar sobre esse assunto.

Não é só com os amigos de longa data. Os amigos mais novos também. Quando sabemos que as pessoas frequentam sua casa, suas festas, seu trabalho por interesse, por intercambio de informações ou se é por que somos amigos de verdade? Como vou saber? O assunto simplesmente rola, ou o quê? Tem que forçar?

Eu acho que tá na hora de dizer “… tô indo embora, baby… Bye, bye.” Tá na hora. Eu sinto que a hora é agora. Não precisamos fazer mais ceninhas, tentar conversar, tentar modificar, tentar melhorar. Não funciona, vamos deixar como está. Deixa pra lá, cada um segue sua vida. As lembranças e as saudades vão sempre existir. Como disse Lulu Santos: “Não imagine que te quero mal… Apenas não te quero mais!” Quero que sejam felizes e que se lembrem de mim com carinho.

Antigos amigos podem sair pra almoçar de vez em quando, para não perder o contato, então, por duas horas a gente “deixa o passado pra depois” e quando tudo acaba, voltamos a nossa vida normal. Difícil? Não sei. Vou começar isso agora, nunca fiz. Vou testar. É triste. Então, eu percebo que meu orgulho vai falar mais alto e minha essência vai voltar: Normalmente eu desisto bem fácil e rápido!

Resolvi ser jornalista

+ sobre jornalista

Essa semana eu resolvi ser jornalista. Ok, eu sei que eu resolvi já faz um tempo, mas a minha escolha original pelo curso foi por causa da amplitude e diversidade que o curso oferece. Mas, pô, agora estou começando a me interessar, sinceramente.

Tá começando a ficar chato fazer uma matéria sem apurar. Não fica bom, fica achismo e fica feio. Tá ficando legal conhecer coisas novas e entrevistar pessoas. Está ficando legal ter surtos de, não só inspirações, mas de ideias…

Tá ficando interessante me sentir confiável, falta coisas indispensáveis, mas já estou correndo atrás. Não sou mais simplesmente uma blogueira que comenta coisas sobre o dia-a-dia e posta. Agora sou formadora de opinião.

Sou indispensável para o universo continuar sincronizado. Sou uma fofoqueira de classe que valoriza todos os lados dos acontecimentos.

Sou responsável pelo jornalismo da nova geração que nós estudantes e recém-formados temos que fazer. Um jornalismo ético e interessante ao mesmo tempo.

Enfim, somos jornalistas desde já, com as notícias banais para as aulas de quintas feiras sem diploma.

Nova lei do estágio em vigor desde ano passado.


Os benefícios e malefícios das novas leis do estágio.

Todo jovem tem que começar de alguma maneira. Alguns esperam conseguir o primeiro trabalho quando entram na faculdade. Eles começam a procurar por estágios, mas não é raro se preocuparem com a maneira que a função é vista: mão de obra barata e funções sem importância. “… O que não é verdade. Basta a empresa ou local que contrata dar oportunidades para o estagiário mostrar o seu potencial.” Maria Fernanda Cortez, é estudante de nutrição.

Para quem não valorizava o estágio, saiba que algumas regras mudaram. Os estagiários que trabalhavam até oito horas, poderão contar com algumas horas a mais de descanso: a carga horária agora é limitada a seis horas diárias. O estudante terá mais tempo para outras atividades e tarefas, melhorando o desempenho em tudo.

Os estagiários gostam e os empresários não muito. “… O estágio perderá a fama de ser um trabalho qualquer.” Alegra-se Maria Fernanda que aprova a mudança. Já Lindaura Santos, proprietária e diretora de uma escola infantil, não gostou das mudanças. “O pior são as férias das estagiárias junto com as professoras formadas.” A empresária colocou na balança e preferiu não contratá-las mais, no lugar, colocará auxiliares já formadas.

Essa mudança que é motivo da preocupação de Lindaura faz agora os estagiários tirarem trinta dias a cada doze meses de trabalho. Para quem ficar menos de um ano no emprego, deverá receber férias proporcionais. A duração máxima que poderá ter um estágio é de 24 meses. Vale lembrar que algumas empresas investem na contratação definitiva quando se completa esse período. “Costumávamos pegar estagiárias e treiná-las da nossa maneira para depois que ela se formasse, a gente poderia contratá-las, mas agora ficará mais difícil.” Reclama Lindaura.

Os estudantes não ficam com tanto medo porque ainda há vantagens para empresa contratá-los. “O estagiário continua sendo uma mão de obra barata.” Comenta Allan, estudante de arquitetura. A medida está em vigor desde outubro do ano passado para incentivar a função educativa do estágio. A empresária Lindaura Santos opina sobre a motivação dessa lei. “A minha impressão é que os sindicatos querem tirar a classe dos estagiários para todos serem sindicalistas.”

Fast Foods!

Uma das coisas que eu nunca gostei é almoçar sozinho. Sou um ótimo cliente de restaurantes conhecidos e só como fora se for em boa companhia. Não é defeito, é só uma característica!

Só que trabalhando no centro, fica difícil me alimentar bem, quer dizer, pra falar a verdade, me alimentar de qualquer maneira se não for na praça de alimentação do shopping, então desde que fui contratado, almoço no mesmo lugar.

Eu nunca fui muito fã de praça de alimentação de shoppings, das comidas e do clima de fast-foods, mas na verdade eu não tinha como resistir já que eu sou muito fresco para comida e a empresa me dá desconto nos meus dois restaurantes preferidos. Fica até chato passar fome.

O que peca nesse shopping são essas mesas de quatro em quatro pessoas, se duas estão sentadas, os outros lugares ficam ocupados por tabela, mas às vezes que não tem lugares vazios, eu sento mesmo, não tô nem aí. Acho que eles deviam fazer uma campanha de socialização, almoçar sozinho é chato.

Quase todos os dias eu via uma garota. Ela sempre estava bem vestida. Vira e mexe estava no Subway, o restaurante teoricamente fast, e só comia vegetarianos. Estava sempre de fone de ouvido e balançava a cabeça pra lá e pra cá. E tinha aliança no dedo direito. Claro que reparei, ela era muito linda.

Ela entrava na fila. Fazia o pedido. Batucava no balcão. Pegava a bandeja e sentava sozinha numa das mesas vazias. Ela sempre prendia o cabelo pra almoçar. Eu sempre ficava na tentação de ir falar com ela e de ocupar o lugar na sua frente. Pensava nas desculpas como “não quero ocupar uma mesa a mais só para eu sentar…”, mas eu sou covarde demais pra isso. E eu nunca fui falar com ela.

Olhava pra ela todos os dias, acabei mudando meus horários por causa do horário dela. Sabia que ela ia todo dia, mais ou menos, no mesmo horário e isso era bom. Tinha vezes que não a via e ficava chateado. Eu precisava falar com ela. Eu ouvi uma vez ela falando ao telefone “Fulana, aqui é a Lu”. Lu? Luana? Luiza? Ludmila? Lucia? Luciana? Qual seria seu nome? Lu…

Ela sempre puxa um assunto ou outro com os atendentes. Ela é muito simpática. Ela sempre fala com todo mundo dos lados. Ela já devia ter falado comigo, mas o problema é que eu me perco olhando pra ela. Parecia meio bobo, ficava viajando nos cabelos cacheados dela. Fazer o que? Ela era muito linda.

Teve um dia que me disse: “vai levar só isso, hoje?”, e eu respondi: “depois eu pego mais!” enrubesci. Mas que coisa idiota de se responder: depois eu pego mais! Ela perguntou se eu ia almoçar sozinho de novo. Eu balancei a cabeça afirmativamente. Fui sentando numa mesa vazia. Ela se convidou pra se sentar comigo. Não sabia o que dizer a não ser que sim, claro, podia sentar.

Ela não prendeu o cabelo nesse dia. Ela me pediu a pimenta, mas eu estava mastigando e nem ouvi falando, só fui perceber que ela tinha mesmo pedido a pimenta porque ela esticou o braço e pegou ela mesmo, pedindo licença. Continuava vermelho. Ela ficou quieta. Eu também. Mastigamos e terminamos quase ao mesmo tempo.

Marcos, a propósito. – Falei limpando minha boca com o guardanapo.

Louise. Lou… – Ficou me olhando.

Lu… – sorri esperando que nada tivesse sobrando entre os dentes.

É, mas escreve LOUise, na verdade. – disse destacando o sotaque.

Lou… – Sorrimos.

Obrigada pela companhia, é muito chato almoçar sozinha.

É eu sei. E seu namorado – apontei pra aliança dela – porque não vem almoçar com você às vezes?

Nem tenho namorado, é uma aliança de amizade, coisa de menina.

… E foi assim, gente! Para quem nunca tinha ouvido essa história, ou não se cansa de ouvir como eu não canso de contar… Desde esse dia eu sou completamente apaixonado por essa mulher que acabou de se casar comigo. Pode beijar a noiva?

Corinthians.

Foto: Globoesporte.com

É grande, é dourada e é levantada por William, o capitão do Corinthians com direito a acidentezinho básico para esquentar, literalmente, a comemoração. Além da felicidade imensa e nada efêmera, provamos com esse título que outro futebol é possível.

Uma final limpa e bonita. O Santos jogou um pouco angustiado, mas jogou muito bem e bonito. O Timão não entrou na partida achando que já ganhou, não. Foi emocionante e os nossos corações não pararam um minuto de bater, arrisco-me dizer até que durante o campeonato todo, que lembrando, não perdemos jogo algum.

Felipe fez sua parte no gol e até o fim. A partida foi disputadíssima, mesmo o Corinthians tendo uma vantagem por causa do jogo anterior, que ganhou de 3 a 1 em cima do Peixe. Por causa desse mesmo jogo, o placar de 1 a 1 nesse domingo deu o título para nós.

Bom, na verdade não estou aqui para dar notícias, existem sites especializados nisso e vou deixar eles fazerem esse trabalho. Eu sou corinthiana, então preciso não ser jornalista por enquanto. Foi emocionante. Dava pra chorar, rir e perder a voz e gritar ainda mais alto ao mesmo tempo.

Ah, eu gosto do meu time, eu sou corinthiana desde pelos seis anos de idade, que eu me lembre. Provavelmente minha irmã me incentivava, mas eu não me recordo. Sou menos corinthiana do que muita gente, mas sou muito mais corinthiana do que muito corinthiano por aí, pelo simples fato de não ser fanática e de amar esse time, respectivamente.

Ano passado estávamos na segunda divisão do Campeonato Brasileiro e nós continuamos juntos… e torcendo… e vencemos… e voltamos pra primeira. No Paulista, esse ano não teve essa de voltar porque já estávamos, mas tivemos Ronaldo. E ele estava gordo e fora de forma para jogar futebol. E jogou bem, o cara. Não foi só marketing pra vender camisetas ou sei lá.

Ah… O Corinthians. Amado pelos corinthianos e odiados por todos os outros times paulistas, se não brasileiros – uma das comunidades do Orkut conta com mais de 80 mil usuários anti-corinthianos. Um time de raça, que não está na “moda” e nem vive só de vitórias. Outros times brasileiros são parecidos com ele. Parecidos. Nenhum comparado.

É a garra, é o amor, é nunca abandonar porque amamos. É isso. Nunca deixamos de lado. Nunca deixamos de dizer que amamos. Não importa onde estivermos, não deixaremos de ser corinthianos. Não importa ter ficado na segunda divisão ano passado, isso só mostrou a força de uma torcida que ama.

Ser corinthiano é ser fiel, é nunca abandonar, é ser louco, é ser invejado por todos, é chorar, é ser a maior torcida paulista. É provar que a lei da atração , porque o que focamos energia, cresce (e todos os antis focando em nós). Ser corinthiano é ser feliz. É ser campeão. É ser campeão invicto do Campeonato Paulista de 2009. “Tu és orgulho dos desportistas do Brasil”.

Não devo ter falado nada de novo, mas quis falar, mesmo assim.

E parabéns, Timão!!!!

Íntimo

VÍDEO DO TEXTO…

Eu tenho dois espelhos no meu quarto. Dois. Não uso nenhum pra valer. Escolho uma roupa, olho se combina, esqueço de olhar pro resto, olho pra roupa como se estivesse numa vitrine, em um manequim.

Não uso os espelhos. Eu tenho uma frase escrita em cima deles: “não importa o que aconteça você está linda”. Sim, essa frase funciona por fora, para a beleza exterior, mas e quanto ao meu interior?

Pensava que sendo bonita por dentro seria automaticamente por fora, e talvez seja isso mesmo, o problema é que eu não olho muito pra esse meu interior de verdade.

Olho as coisas boas, me acho legal, sou boazinha, educada, até inteligente, eu acho. Eu me acho feliz, tenho uma boa família, saúde, não preciso me privar de estudar, nem comer nem me vestir.

Mas esqueço de perceber que sempre falta alguma coisa. É essa coisinha de nada, que eu sempre deixo pra lá que me faz não me querer olhar no espelho, porque sei que não vou gostar do que veria. O que falta? O que me falta pra ser uma pessoa um pouco melhor?

Descobri a verdadeira função de um espelho: fazer a gente olhar pra dentro de nossos olhos e enxergar o que tem de verdade nesse íntimo. Ontem eu olhei. Tenho muitas coisas, mas faltam outras. Chorei. E descobri que eu não só sou imperfeita, mas que às vezes sou também infeliz.



P.S: esse post não é para ser levado a mal nem fiquem superpreocupados comigo, são pensamentos confusos e sentimentos efêmeros…

Faz-me rir!

Minha primeira reação foi choque. A segunda foi choque. A terceira, me fez rir. Os pais gostam. Os filhos odeiam. Peraí. Pergunta aos pais: na juventude de vocês, vocês usaram drogas, bebida e fizeram sexo desfreadamente? Se sim: O que vocês podem falar para seus filhos? Usem vocês mesmo como exemplo, mostre a verdade. Se não: Porque seus filhos, necessariamente, vão pro “mal caminho”? “Logo conhece filho, conhece as drogas e conhece o álcool, conhece tudo que for que não presta…”, fala sério, pais, se vocês não confiam na educação que deram aos seus filhos, não deveriam tê-los feito. “Acho que as crianças tem que ficar em casa mesmo, tem que ter o limite.” Limite ensina-se desde pequeno, não vai querer prender o adolescente na cama, que ele não vai ficar, não. Mandando eles pra dentro de casa até as 23h não vai mudar nada, porque eles vão estar vivos nas outras horas, e se é pra fazer coisa errada, ainda mais revoltados, até em casa fazem, podem ter certeza. Os filhos são reflexos dos pais. E a sociedade? Bom, já que os pais estão inseridos na sociedade, se todos fossem bons exemplos, a sociedade seria também.

Surpresa

Estranho como a gente nunca sabe o que se passa na cabeça das pessoas… Por exemplo, quando eu gostava de um menino da minha classe do colégio, ele me tratava mal na frente dos outros, mas quando estávamos sozinhos, inclusive na sala de aula, ele era muito legal, brincalhão, atencioso e falava coisas bonitas. Eu pensava que eram falsas, mas bonitas.

É claro que era por isso que eu não conseguia desencanar dele. As minhas amigas falavam “como você pode gostar de um cara que te trata mal?” Mas na verdade, ele não tratava tão mal assim e quando estávamos sozinhos… Ah…

A maldade dele era de adolescente. Ele era daqueles adolescentes que gostam de tirar sarro de todo mundo, se bobear até dele mesmo. Mas eu gostava dele. Ele chamava-se Bruno Cardoso. Ou chama, ele tá por aí ainda no mundo. O fato é que eu não sou mais apaixonada por ele, desde o 3º ano do colegial.

Já se passou um tempão que a gente não se vê! A última vez foi há dois anos e meio, na festa de formatura da nossa classe, depois de lá, nunca mais. Ele veio falar comigo.

Oi, tudo bem? – Nessa época já tinha desencanado dele porque ele tava namorando a Malu, uma vizinha minha.

Vai fazer o que, agora que acabou o sonho?

Você se lembra, ainda? Faz tanto tempo. – Eu sempre falava que o colégio era um sonho e que eu morria de medo de acabar quando eu tava no, sei lá, primeiro colegial.

É… Eu concordava com você, lembra?

Eu vou ser escritora.

E eu vou ter uma prateleira cheia dos seus livros em casa…

E sorrimos…

Nesse dia a gente ficou conversando um pouco e ele não me tratou mal na frente dos amigos, todos acabaram muito unidos, mas no dia seguinte parece que todos se esqueceram. Sobraram poucos pra mim, e deve ter sobrado pouco pra todos.

Cardoso agora é estudante de publicidade e eu de jornalismo. Dizem que ele faz na mesma universidade que eu, mas isso é lenda… Quem me contou isso foi um amigo dele o Daniel. Nós também éramos amigos. Ele viajava às vezes, mas era um cara legal.

Foi uma noite de jogos olímpicos da nossa antiga escola. Nós, os ex-alunos, podíamos participar jogando ou ajudando na organização, eu só fazia as inscrições.

Estava frio, foi lá pra junho, ele estava conversando com os amigos dele, os que eram da nossa classe. Eu marquei de encontrar com ele lá pra conversarmos. Eu dei um olá geral e nele, meu amigo daquela época, dei um abraço.

Ele pegou a minha mão e me puxou. Começou a andar comigo em volta da quadra, envolvendo seus braços no meu ombro. Conversamos sobre as atualidades de nossas vidas e ele perguntou do nada:

E aí, quando foi a última vez que você viu o Bruno?

Cardoso? Nossa, na nossa festa de formatura. Talvez eu tenha visto ele por aí pelo bairro, mas não conversamos. Por quê?

Ele sempre foi meu amigo, até hoje nos falamos. Às vezes falamos de você.

Sério? Bem ou mal? – Falei dando uma risada tímida.

Outro dia nós lembramos que ele gostava de você naquela época.

Fiquei séria e gelada. Parei na frente dele.

Porque você está me dizendo isso?

Não fica chateada comigo, ele não podia ficar com você…

Por quê? Somos algum tipo de irmão para ele não poder ficar comigo? E… Você sempre soube? – Meu tom de voz aumentou e eu me afastei dele, ainda encarando-o…

Por favor, não fica chateada comigo, eu nunca soube como começar uma conversa…

Você tá me zuando? Quem é você e o que fez com meu amigo Daniel? O Daniel que eu conheço conversa com todo mundo e conversa bem, o cara!

Nunca soube começar conversas com você.

Parei. Deixei nossa distância menor.

Dani, você está me deixando aflita, fala logo seu ponto.

Você me interrompe com seus ataques de nervos. – Fiquei em silêncio. – O Bruno gostava de você, e era por isso que ele te tratava daquele jeito: sozinhos, ele era legal. Na frente dos outros, um mala-sem-alça.

Por quê? Ainda não vi sentido.

Quando você começou a se aproximar da gente porque gostava dele, se lembra? Duas pessoas, ao mesmo tempo, se apaixonaram por você. Era como se fosse um triângulo amoroso, mas isso é muito coisa de novela mexicana. E o outro cara que se apaixonou por você era o melhor amigo dele. Então os dois melhores amigos apaixonados pela mesma garota, os dois sabiam que eles não iam aguentar e o outro sabia que você ia escolher o Bruno, se fosse pra escolher.

É claro, eu gostava dele. Mas como eu ia saber também, nem imaginei. Quem era… – Minha voz foi perdendo a força –… O melhor amigo… – eu fui tomando consciência –… Dele era você.

É… – Sorriu sem graça. – Eu tinha que te falar isso, mas tudo bem se não quiser falar nada e mudar de assunto, eu só precisava… Eu tinha que dizer…

Eu estou meio confusa, ainda, sabe. Porque vocês não me falaram isso? Eu podia ter…

Ficado com os dois? – Falou brincando.

Rimos…

Não, eu podia ter… Sei lá, a gente podia ter ficado sem ninguém, mas com a consciência. Quantas vezes eu fui super inconveniente te contar alguma coisa sobre o Cardoso?

Algumas. Mas tudo bem, eu já sabia.

Silêncio. Nossos olhos se encontravam, mas logo se desviavam.

E porque disse isso agora? Ainda sente alguma coisa por mim? – “Cara de pau”, pensei.

Acho que sim. Já achava antes, agora que te vi, muito mais.

Desculpa por todo esse tempo… Eu…

Você sentiu isso por mim, alguma vez? Vontade de ficar, pelo menos?

Não sei, pode ser que sim, mas não sei mesmo.

Como pode?

Não entendi, fiquei com um ponto de interrogação na testa.

Como pode o que? Eu não saber isso?!

Não… – Silenciou por um instante – Ser tão linda.

Ah, você tá querendo me conquistar?

Talvez.

Você QUER me conquistar.

Estranho como a gente nunca sabe o que se passa na cabeça das pessoas… Aproximei-me dele e o beijei. Beijo bom.

Perfeita, eu? Não

Eu queria ser perfeita. Perfeita para que toda sua atenção se voltasse para mim. Não sei se essa é a coisa certa a desejar.

Sabe, eu queria ser perfeita pra você poder me beijar do mesmo jeito que me beija agora, mas com mais carinho do que tesão.

Queria que quando saíssemos você insistisse pra eu não ir embora, e que passasse mais tempo me beijando. Você não me beija muito. E eu gosto do seu beijo.

Queria ser perfeita só pra você querer sair comigo sem precisar insistir e depois acabar me sentindo usada.

Aliás, nunca quis ser perfeita por causa disso, sempre achei que sendo perfeita as pessoas iriam se aproximar de mim por causa dessa perfeição.

Não acho que eu posso ser perfeita e só não sou por que não quero, não é isso não. O negócio é que eu não só tento não ser perfeita como me distancio de todas as possibilidades.

Até no que eu posso ser boa eu faço questão de não ser. Mas com você é diferente.

Se com todos os outros eu não queria ser perfeita para não ser usada, com você eu só não iria ser usada se eu fosse perfeita.

Mas ah… Agora é tarde demais. É tarde demais pra tentar ser perfeita agora!

Então, enquanto você não encontrar uma menina perfeita, não vou ter o que eu quero, ou vou ter pela metade, e quando encontrar… Não vou ter nada, mesmo.

Eu vou continuar sendo a menina que de vez em quando passa pela sua vida. Se eu fosse perfeita. Eu poderia ter alguma chance.

Mas não sei se quero ser perfeita. Ninguém pode ser perfeito. Perfeição é relativo e cada um é perfeito pra um ou dois, ou mais…

Talvez eu seja perfeita pra alguém. E como eu vou saber se não sou perfeita pra você? Como é que eu faço pra saber?

O método Daniele.

Fazia um tempão que eu não gostava de ninguém. Nem sei se é gostar, mas me interessar pra valer. Eu não queria, mas eu me apaixonei por um menino do meu colégio. Porra! É muito difícil admitir, mas eu estou fazendo e sei que vou estragar tudo de novo com isso. Tá ok. Eu nunca fui muito boa em relacionamentos. Não só não sou boa como consigo estragar todas as possibilidades de romance que me aparecem. Falando a verdade eu não acho que tenha alguma chance de dá certo mesmo, então tanto faz dizer ou deixar pra lá.

Ele é do segundo ano, então só nos vemos na entrada e na saída do colégio, já que o prédio do colegial fica no outro lado, mas ele é amigo dos meus amigos e eu já conversei com ele algumas vezes. Nem sentia nada quando eu o via, ele é bonitinho, mas tudo começou mesmo quando eu conversei a primeira vez com ele pelo Messenger, eu fiquei fascinada com o jeito que a gente conversava. Não rolava altos papos de amizade, mas isso é o que eu achei mais legal. A gente tem potencial.

Se fosse conversa de amizade, eu não estaria angustiada com o fim que levou essas conversas. Sério… Porque amigo é amigo e rolinho é rolinho. E eu, definitivamente, não quero ser amiguinha dele! Vou tentar usar o meu novo método de esquecer ou conquistar. Decidi que com ele vai ser ou oito ou oitenta. Aprendi com meu irmão – dêem os créditos pra ele, portanto – e se baseia mais ou menos em manter-se afastado da famosa “zona da amizade”. Isso vocês conhecem, né?!

Sei que pode parecer crueldade, mas eu sempre me ferro quando se trata de relacionamento, sempre falam pra mim: “Meu, Fulana é muito gata, é por isso que vários meninos querem ficar com ela” E quando é em relação a mim, dizem: “ah, você é uma boa amiga”. Amiga? Eu sou uma boa amiga? Eu sou amiga, mas eu também vou ao cinema comer pipoca e beijar na boca. O que os meninos querem? Uma menina divertida que dá uns beijinhos ou uma garota escrota pra mostrar pros outros?

Eu só converso com ele pelo Messenger. Quer dizer, eu conversava, mas eu apaguei o e mail dele da minha lista para não cair na tentação de falar com ele. Por que sabe o que é?! Essa paixão avassaladora chegou como uma curiosidade de saber dele agora virou uma vontade incontrolável de conversar com ele e olhar pra ele e tocar nele. O problema é que ele não me trata com tanto interesse.

Às vezes eu até acho que ele não gosta muito de mim, não que me odeie porque se não nem falaria nunca comigo, mas acho que ele não me acha muito interessante nem pra amizade. A gente não se conhece direito, mas a culpa é dele porque eu tentei de todas as maneiras, mas ele não deixava, se ele deixasse, ele ia se apaixonar por mim. Juro.

E se eu estiver viajando e ele gostar de mim como amiga (amiga?) então todas as possibilidades que me aparecem na cabeça, a única saída é tentar usar o método – que autodenominei método Daniele – que é: ou ele vai ficar comigo ou não vai me ter como nada. Ou ele se aproxima de mim com algum interesse ou eu não quero saber dele.

Eu sei poucas coisas dele, mas sei que orgulhoso ele é, ele mesmo me contou da vez que a ex-namorada dele terminou com ele e depois quis voltar. Sei que esse método não deve dar certo com meninos orgulhosos, mas tudo bem. Estou pensando numa adaptação. O que é mais importante é manter distância e jogar charme.

Realmente, eu percebi que quando comecei a ignorá-lo, ele aparecia mais na minha frente, estranho. É difícil ignorar uma pessoa que eu quero sempre conversar, uma pessoa que eu gosto de estar próxima. Então é isso. Vou me manter afastada – ai que difícil – e tentar fazê-lo morrer de saudades de mim. Da mesma maneira que eu sinto a falta dele. Eu quero muito que ele sinta minha falta, porque só assim eu poderei convidá-lo para ir ao cinema comigo.

Eu sou Daniele e, por favor, morra de saudade de mim!

O psicodélico, a arte e a razão.

Há três coisas que não podemos deixar de lado nessa vida: o psicodélico, a arte e a razão. Quando falo de psicodélico me refiro a todas as sensações diferentes e não necessariamente relaciono a drogas, veja bem. Sobre a arte eu digo tudo relacionado às sensações que ela transmite. Minha preferida é a arte visual e a música. E da razão é a razão por ela mesmo.

Penso na alegria de estar em estado psicodélico. Nossa mente pede isso. Nossos sentidos também. Não se pode acreditar em tudo o que vê, mas de vez em quando precisamos acreditar mais em coisas que não vemos. A nossa mente consegue produzir efeitos magníficos se a gente deixar, se não impormos obstáculos.

 

Cada um se sente de uma forma em relação a isso. Tem gente que prefere as drogas, que confundem o cérebro e nos faz sentir como se estivéssemos sonhando, cada substância age de uma maneira em nosso corpo. Eu prefiro outras maneiras, mas isso é muito pessoal e cada um tem um motivo. Eu, particularmente, não gosto das drogas por vários motivos que não cabem aqui.

 

Outras pessoas gostam do orgasmo e pode ser a sensação mais louca que experimentamos por ser um momento de relaxamento, queda da pressão arterial e também a redução, temporária, das atividades da parte do cérebro responsável pela razão. O lado negativo é que tem várias pessoas que não conseguem alcançá-lo frequentemente nem com companhia, nem sozinho.

 

Há outras maneiras de alterar o estado de consciência, como a meditação e a yoga, se forem feitas pra valer. Deve existir alguma outra forma de alcançar esse estado que eu não tenha citado aqui. Pra ser sincera, quando eu escrevo histórias fictícias ou estou representando nas aulas de teatro, eu me sinto um pouco assim, fora da realidade conhecida por nós.

Existem também alguns distúrbios, mas isso é permanente (até a cura, se tiver tratamento) e não é de propósito, ou seja, se mantivermos essas sensações por muito tempo podem nos prejudicar. Alguns desses distúrbios são causados por modificações no sistema nervoso e pode ser causado por pré disposição genética, mas acarretada por fatores externos.
Estudando filosofia comecei a pensar nas percepções sensoriais. A filosofia clássica tem como linha aceita quando se trata de não acreditar nos nossos sentidos. Precisamos viajar e deixar nossa mente afastada de tudo o que é de verdade, porque poucas coisas reais nos fazem realmente felizes.
Tudo o que quero dizer que precisamos começar a procurar novas sensações ou aumentar as que já experimentamos e deixá-las mais perceptivas para tentarmos ser mais humanos. E quando eu falo de arte quero dizer mais ou menos isso também. A arte como tal pode ter vários significados e acho que é o objetivo mesmo.
Como já mencionei antes, gosto muito de música e de arte visual, de preferência abstrata. O problema é que quando não entendo o que elas querem dizer fico meio perdida e um pouco desinteressada. Mas eu gosto mesmo assim porque elas são peças que nossa mente nos prega.
De onde surgiu a música? Porque elas têm vários significados? Tem coisa mais insana que vários sons juntos formarem uma composição que não paro de escutar? Juntamos sons muito loucos e uma letra que expressa o que eu venho querendo dizer e tenho minha música preferida (veja essa categoria, criada em 2015)
Há estudos que dizem que a música surgiu ao se ouvir à natureza. Faz sentido. Primeiros os pássaros cantaram, o vento soprou, o mar quebrou e depois pegamos instrumentos para reproduzir esses sons. Mas temos que concordar que nossa capacidade de abstração para que isso acontecesse foi incrível, não foi?
Impressionante também são aquelas músicas que nos levam a lugares desconhecidos ou pensar que para cada tipo de música há um significado e cada evento, sua trilha sonora. Imagina em um velório tocar um samba ou no carnaval tocar músicas religiosas? Isso porque a música mexe com o nosso emocional, e isso é totalmente abstrato.
Confesso que meu sonho de infância era ser afinada e descoberta por algum produtor de música para poder me promover e eu ser uma grande estrela da música pop, inclusive aprendi a tocar violão e depois guitarra e escrevi umas músicas. Não deu certo, não fiz sucesso como compositora e nunca aprendi a cantar.
Por sorte, não é só música que me diz muito e é super abstrata, onde posso expressar o que quiser. Já sabia o que era lápis de cor, canetinha, tinta guache e giz de cera. Aprendi a mexer com tinta acrílica e hoje em dia ninguém me segura. Confesso que não venderia um quadro se não fosse por pena, mas posso criar a vontade, isso sim.
Posso fazer o que eu quiser desde que eu tenha instrumentos e isso significa muito pra mim, mas nada pro resto. Se as pessoas entendessem o que eu quero dizer com o que faço teria mais valor no mundo artístico. Por enquanto, minha capacidade de abstração ainda é muito óbvia, mas acho que isso não é um estado permanente, é algo que dá pra treinar e aperfeiçoar e é meu objetivo.
Descobri uma forma de me expressar maravilhosa que é essa daqui que estou fazendo. Pode não ser abstrato nem psicodélico, mas faz parte do meu conceito de razão que é uma das coisas que não dá pra viver sem. Eu considero que a razão seja o ápice da manifestação do conhecimento, e escrevendo estou buscando as verdades.
 
A razão é o contrário da imaginação e do uso dos sentidos para entender as coisas. Usamos a razão para encontrarmos os significados reais e as verdades universais para cada ideia existente. Manifestamos o conhecimento pelo pensamento e todos têm a mesma capacidade de fazê-lo.
Sabemos que para que se exista uma verdade universal é necessário se provar o que diz – o que é bem difícil de fazer – não basta só dizer o que pensa e o que acha para ser aceito como verdade. Não que as opiniões não sejam válidas, elas só não só válidas como incontestáveis.
Para provar alguma teoria são necessários métodos específicos. Ao encontrar um problema é elaborada uma hipótese, ela pode ser confirmada ou rejeitada. Se ela se confirma, os outros especialistas precisam experimentá-la também para comprovar e poder generalizá-la. Por exemplo, a lei da gravidade. Alguém contesta? Uma hipótese confirmada pode ser substituída desde que sejam comprovadas pelos mesmos métodos usados para confirmar a contestada.
Uma hipótese também pode ser rejeitada. Isso ocorre quando os testes não funcionam e encontram muitas contradições entre os resultados. Por exemplo, dizer que João é casado, mas também é solteiro é uma contradição e não pode ser verdade. Então, outra hipótese tem que ser formulada e continuar os estudos e testes. Tipo: João tem um casamento aberto.
Tudo pode ser conhecido por nós. O pensamento é superimportante para não aceitarmos sem questionar tudo o que nos dão como verdade. A razão contribui para que os homens e mulheres vivam com mais qualidade exatamente por isso: vai tentar formular questionamentos para tentarmos entender a vida.
A razão é mais ou menos isso, o que não é meu ponto de vista, como falei do psicodélico e a arte, porque estou me baseando em conhecimento adquirido. Não é minha opinião, mas posso dizer que é essa linha de pensamento que eu sigo. Com a razão conseguimos entender o mundo sem precisar senti-lo, afinal de contas nem tudo o que parece é. Então porque eu acreditaria apenas no que eu meus sentidos me dizem?
A arte pode ser um meio termo entre o psicodélico e a razão. O psicodélico é o mundo que sentimos, mas sentimos ao extremo e nem sempre é o que existe. Já a razão nos faz entender as verdades das coisas pela verdade, tentando encontrá-la. A arte não é exagerada. Ela é simbólica às vezes e nas outras representa a realidade, mas pode estar juntas ao mesmo tempo. Nenhum extremo é bom por isso sou adepta a santíssima trindade: o psicodélico, a arte e a razão.

Dedicado à Adriana e à Gabi – professoras de filosofia – e todos os amigos e familiares que já deixaram eu me expressar na minha vida para reunir reflexões para poder me expressar nesse textão, que resume alguns dos meus pontos de vista mais fortes de 2009.

Ser mais brasileiro é se expressar melhor em português

Quem disse que falar uma língua faz as pessoas mais patriotas? Num mundo tão globalizado como o de hoje as pessoas gostam de falar mais de um idioma, conhecer outras culturas e isso enriquece a nossa. Nem todo mundo que fala inglês quer se inglês ou americano. Só que saber é com certeza é um grande passo para conseguirem se entender com os outros. Uma língua no mundo tem que ser mais conhecida, mais “universal” e por acaso foi o inglês.

É a maneira mais fácil de tentarmos conhecer pessoas do mundo inteiro, várias pessoas de todas as partes do mundo falam inglês. Outras várias no mundo falam espanhol, francês. Conseguimos encontrar em um único hostel (albergue) em Buenos Aires pessoas que falam português, alemão, espanhol, inglês, hebraico… Mas se todos esses falarem inglês, conhecemos um pouco de cada cultura do mundo inteiro. E o mundo, meus caros, é um só e é nosso.

Nunca nos prejudicamos em dizer sem exageros alguma palavra estrangeira, só enriquece o texto, deixando com outra aparência. Uma vez escrevi “affaires” no sentido de “casos amorosos”, mas se eu escrevesse em português, poderia soar um pouco vulgar pela cultura brasileira e as pessoas podiam me interpretar mal. Confesso que não é todo mundo que entende todas essas palavras, mas não há empecilho algum em explicar, depois que ela aprende o que é, passa a ser como uma palavra nova de nossa língua.

Lembro de quando aprendi o que era esporadicamente, achei o máximo não precisar dizer de vez em quando sempre que precisava dizer isso. E a mesma coisa acontece com palavras estrangeiras. Você sente um frisson ou um prazer intenso, um frio na barriga, um tumulto interno? Frisson é a palavra que julgo mais adequada e concisa ao me referir a um sentimento meio sem explicação, normalmente, ao estar apaixonada.

Tudo tem muito a ver com para quem você está falando, para quem você escreve e o que quer dizer com tudo isso. Há palavras gringas que já se encaixam em nosso vocabulário e sem elas nossa fala fica um pouco estranha. Dizer que vai ao comércio ao invés do shopping? Muito estranho. Até mesmo para pessoas mais simples e que não entendem a maioria das palavras estrangeiras. Como um show, por exemplo. Se alguém mais simples é convidado para ir a um concerto musical pode muito bem pensar: “Ir a um concerto? Não tenho roupa pra ir nesse trem, não!” Diga logo que é um show é vão logo.

Como dizia meu professor do colegial (Salve, salve Claudio): “não há certo e errado, há adequado e inadequado”. Ser brasileiro não seria misturar tudo e fazer uma geléia geral? Pegar tudo o que o mundo oferece e fazer nossa própria cultura! Podíamos gastar mais energia e tempo criticando o “pra mim fazer” e o “seje” e o “menas” do que criticar quem não se basta ao se expressar usando apenas o nosso dicionário. Não há problema nenhum em usar tudo o que temos direito, exceto se for feio e não soar bem e é claro, tomar cuidado para não exagerar no vocabulário estrangeiro.

Usuários mal educados, biblioteca barulhenta. (2)

Bagunça atrapalha quem procura tranquilidade para estudar.
A biblioteca da nossa faculdade não permanece em silêncio principalmente nos horários de intervalos, saída da turma da manhã e entrada da turma da noite. “Risadas e conversas altas tiram minha concentração”, diz aluno Isaque Criscuolo, aluno de jornalismo. Isso é causado pelo grande fluxo de usuários e a impossibilidade de todas as conversas serem controladas pelos funcionários ao mesmo tempo.

Em toda a biblioteca há sinalização em papel e está no regulamento oficial que deve ser feito silêncio. Quando as conversas passam do limite, o aluno é logo advertido, mas muitos deles não respeitam os avisos e, às vezes, até são mal educados com os funcionários.

Quem trabalha lá diz fazer o máximo que pode. “O que falta é educação de biblioteca.”, diz atendente. Os funcionários reclamam do barulho e concordam que é ótimo quando as pessoas tentam fazer algo para mudar a situação.

O objetivo de todas as bibliotecas é a leitura, pesquisa e o estudo, mas o barulho desvia esses objetivos das pessoas interessadas e onde deveria ser lugar de estudo, passa a ser uma sala de conversas, de socialização.

Qual o limite?

Os jovens estão perdendo o controle. Por acharem que sabem muito, por pensarem que estão à frente de seu tempo, esquecem que precisam ter educação e respeito com os mais velhos. Em todo lugar que olharmos existe esse tipo de comportamento. Talvez o poder precoce tenha subido as cabeças dessas pessoas que se sentem superior de várias maneiras.

Essa violência toda acaba sendo a forma de as pessoas canalizarem fraquezas, medo e angustias. É triste pensar em violência nas escolas porque é um lugar para continuar a educação que é dada em casa. Os professores deviam ser referência para alunos e não inimigos. Por outro lado, os jovens estão com cada vez mais independência, mas ela não é controlada.

Algumas escolas particulares têm acompanhamento psicológico para alunos e deveria ter em todas, particulares ou públicas. Se os alunos, quando crianças e adolescentes não conseguem saber os limites e não deixam que cheguem a extremos, quando forem adultos e pais, não vão saber dizer até onde os filhos podem chegar.


Luna e Pedro

Luna estava chorando num canto da sala de aula, sentada em uma carteira, ninguém a estava notando, já que estava discreta. Pedro se aproximou e disse:

Oi, você tá bem?

Ela respondeu agressivamente, olhando pra cima:

E porque diabos você está falando comigo?

Ele se afastou um pouco. Já estava acostumado com suas geladas, mas ele só queria ajudar. E respondeu um pouco rude, como de costume nas conversas Luna X Pedro.

Sabe, se você olhasse para a sua cara, você também sentiria pena e falaria com você.

Ela deu um tapa na barriga dele, sorrindo nervosa:

Por quê? Tá tão ruim assim?

Ele sorriu tranquilo ao dizer:

Você tá feia. – Ela parou de rir e só ficou irritada – Digo, com uma cara feia, triste. O que aconteceu?

Luna, que era agressiva por natureza, achava que não devia dar satisfação pra ninguém.

Meio que não te interessa… E você… Tá bem?

Ele não sabia o motivo de ela perguntar, já que eles não se falavam já há algum tempo, mas respondeu sem pensar muito:

Tô ótimo! Sabia que eu entrei pro time de fute aqui do colégio? Lembra que eu queria desde que a gente tava, sei lá, acho que na quinta série? Eles não me aceitaram porque eu era pequeno, mas agora… O foda é que fim do ano a gente se forma, nem vou aproveitar… Você lembra o quanto eu queria isso?

Luna nem escutou o que ele estava falando.

Não. E na verdade, eu não me importo nem um pouco. Escuta… Você veio falar comigo pra ver se eu tava bem e fica aí falando que você está bem, bem típico mesmo, nem sei por que ainda te escuto. Ah! Lembrei, sou praticamente obrigada!

O som de sua voz foi ficando mais alto e mais agressivo. E ele não soube o que dizer:

Nossa… Desculpa… Eu…

Mas Luna cortou suas desculpas.

Aliás, você está bem mesmo?

Ele já não sabia o motivo de sua insistência, achou melhor focar nos problemas dela.

Eu tô. Eu quero saber de você: O que aconteceu?

O tom de voz foi abaixando até ficar quase um sussurro.

Meu namorado me deu uma bota.

Os dois se olharam e ficaram em silêncio por alguns instantes. E ele gaguejou:

Nossa, que bad. Se tiver alguma coisa que eu possa fazer, eu sei que não tem, mas se tiver, tô aqui.

Ela o encarou e se levantou.

Fala sério, obrigada, mas não. Sabe o que é mais esquisito? Ser você a vir falar comigo.

Ele estava um pouco confuso e foi encontrando uma desculpa para não queimar seu filme com ela.

Eu sei que a gente não se fala faz um tempão…

Ela o interrompeu.

Não. Quero dizer, isso também. É que… Sabe o que é? O Lucas… Ele terminou comigo pra ficar com outra menina.

Um pouco de culpa e arrependimento tomou conta do corpo de Pedro, que ficou arrepiado, ele estava corado e sem saber o que fazer.

Nossa, lembro de você dizer que isso é o pior que pode acontecer quando se toma um fora, não é?

Pois é… Isso é ruim, mas… Encontrei algo pior. Acho que você ainda não sabe, mas… – Engoliu seco – a menina com quem ele tá agora… É a Julia.

Pedro começou a rir.

A Julia…? Meu… Que viagem! É mentira, é boato! A gente tava bem da última vez que a gente se falou, ela não vai me trocar… Por… Caralho…

Ele começou a pensar. Era A Julia.

É… A Julia, Pedro, ela troca de namorado mais que troca de calcinha.

Estava incrédulo. Parou por um instante.

Não pode ser! a gente ia fazer três meses em… – Ficou pensando em silêncio – Ei, a Julia é sua irmã.

Ela começou a rir discretamente…

Por isso que eu digo. Pior do que perder o namorado é perder pra sua irmã, pela segunda vez seguida.

Pedro fechou os olhos e não conseguiu falar nada além de:

Porra…

Finalmente, uma boa novidade!

Eu preciso focar. Como será que posso fazer isso funcionar? Bom, esquece tudo o que você sabe sobre mim. Não estou falando pra esquecer de mim, é claro, apenas esqueça os velhos conceitos. Apague tudo o que eu disse que acredito. Vou dar um delete e tudo o que vier, a partir de agora, é o que conta.
Estou falando de tudo: sonhos, affaires, gosto por comida, opinião sobre política e sobre minha saúde e corpo. Não que eu queira mudar tudo, não. Pelo ao contrário. Tudo o que eu for escolher, a partir de agora vai ser o que eu realmente penso.
Quero começar com pequenas coisas: a próxima pessoa por quem vou me apaixonar tem que ser alguém novo, minha maneira de ser vegetariana também. Estudar terá um novo significado pra mim. Novidade será meu sobrenome.
Não quero mais pensar: “mas antes as coisas eram diferentes (reticências)” porque eram mesmo diferentes e pra sempre vai ser assim: o antes era diferente, mesmo que não mude tão radicalmente. As coisas sempre mudam então sempre vão ser novas.
Então, é a partir de agora que vale, ok? Bom. Como é a partir de agora que tá valendo, pode começar fuçando no meu blog novo, com textos antigos, mas lembre-se que só vai valer a partir de agora… E querem saber de mais uma coisa? Lá vai a bomba: ainda não decidi como será essa lista que será definitiva até eu mudar de ideia!

Biblioteca

Nossa biblioteca tem o ISO 9001, o que significa que adotou um padrão de normas de serviços, o que é muito bom para nós, usuários. O problema é que não adianta um atendimento e prestações de serviço excelentes se não conseguimos permanecer na biblioteca tendo que, ou suportar o barulho e bagunça ou ficar pedindo para as pessoas falarem mais baixo o tempo todo.

De acordo com o Artigo 31º do capitulo XI do regulamento da biblioteca da faculdade: “A Biblioteca é um local de silêncio, para que todos tenham a oportunidade de estudar e pesquisar.”, mas não é bem isso que acontece na nossa. O artigo 31º ainda tem um complemento: “O usuário que desobedecer às normas (…) será convidado a retirar-se do recinto…” O que não é feito, com certeza.

A estrutura de nossa biblioteca tem espaços que não são separados e por isso silêncio absoluto não é possível como deveria, sendo um local de estudo e pesquisa. Os funcionários que estão atendendo deveriam falar com a voz baixa suficiente para que o usuário escute e por sua vez, esse responder da mesma maneira. E os alunos entre si deviam se falar apenas o necessário e conversar isso em voz baixa. E isso não acontece e nenhuma atitude é tomada.

Quando os alunos fazem barulho – o que não é só de conversa, mas todo tipo de bagunça – os funcionários deveriam se manifestar a favor do regulamento. Uma vez que um grupo faz barulho, os outros se sentem no direito de conversar da maneira que for sem se preocupar e isso só muda se uma pessoa com a autoridade de um funcionário e não a de um aluno.

Como a biblioteca é um lugar dedicado aos estudantes o foco dela deveria ser o estudo e não trabalhos em grupo e buscas incansáveis por material de forma barulhenta. Às vezes uma pessoa que está interessada em frequentar perde o estimulo quando não consegue se concentrar no recinto que é direcionada para ela, enquanto as pessoas que conversam e fazem bagunça estão no lugar errado, continuam lá.

Proponho que todas as regras sejam seguidas e que assim possa incentivar os alunos que tenham interesse em estudar em um lugar silencioso e calmo. Como todo bom exemplo, ele tem que vir de cima, se os próprios funcionários não se importam em controlar o volume da voz, os outros frequentadores não o farão. Cada um tem que fazer sua parte, os trabalhos em grupos podem ser feitos no mesmo andar que a biblioteca numa sala especial para receber esses alunos e as pesquisas no computador e nas prateleiras não precisam ser feitas em meio de conversas paralelas.

Pensando Jornalismo

O principal objetivo do jornalismo é informar e essa é a forma de as pessoas saberem o que acontece no mundo. Ninguém poderia saber o que acontece em um lugar onde não está se não existisse a mídia para apurar e passar as informações mais importantes – de acordo com o que o veículo considera prioridade – para as outras pessoas. Uma boa maneira de se atualizar é lendo jornais como O Estado de São Paulo ou a Folha de São Paulo, por conter várias notícias em um lugar só.
É sempre bom procurar várias fontes de informação, ao fazer isso descobrimos que se nos basearmos somente no jornalismo, por exemplo, da Rede Globo, corremos o risco de nos prender no ponto de vista do interesse deles. Não que seja exclusividade da emissora, mas ela joga com os fatos de acordo com o que quer passar para o público, principalmente em relação à política.
Mesmo parecendo que fazer jornalismo é só resumir as notícias e apurar os fatos do nosso cotidiano, não é. É preciso ser muito imparcial, o que é muito difícil fazer por sermos todos humanos e querermos ter sempre opinião sobre tudo. Um fato sempre tem mais de um lado, às vezes, mais de dois, mas para fazer um bom jornalismo não devem existir interesses pessoais na notícia e que nem todos os cidadãos têm o mesmo ponto de vista que nós, tentar, ao máximo, passar a notícia por ela mesma.
Agora também faço parte de: http://quatroanos.blog.br/

Pêlos Brancos


              Nunca fui à viagem mais chata que essa. Minha mãe é a protegida do chefe e fomos todos para o sítio dele. Ela fez questão que eu fosse não sei o porquê, ela sabia que eu ia ficar entediada e poderia aprontar. Levei muitos livros, revistas, meu computador e meu Ipod pra ver se o tempo passava mais rápido.
              Não tinha ninguém da minha idade, mais próximo dos dezessete só dois pirralhos, um de doze e outro de dez. Não tinha muita gente, só o pessoal do RH da empresa em que minha mãe trabalha. O dono da empresa e sua esposa. O chefe da mamãe, que é viúvo, e sua nova namorada. Mais dois casais que desconheço quem são e o que fazem lá. E o pai das crianças, um dos coroas mais novos de lá e sua noiva, uns dez ou quinze anos mais nova.
              Nunca tinha me interessado por homens mais velhos, sempre namorei ou tive casos com pessoas da minha idade ou dois ou três anos mais velhas, não que eu enxergue problema nisso, de jeito nenhum, várias amigas minhas ficam com homens mais velhos – e às vezes até casados – mas comigo nunca tinha acontecido. Quando eu o vi entrando na sala, nem consegui prestar atenção no meu livro porque ele não era bonito como os caras com quem eu saio, mas ele era realmente interessante…
              Eu só podia estar louca, pensei na hora. Ou será que era carência e falta do que fazer que havia me dado vontade de fazer coisas de louco? Comecei a prestar mais atenção nas apresentações formais do que no que eu estava fazendo. Ouvi dizer que as crianças eram dele e que estava noivo da mulher que estava com ele, e que a mãe dos filhos dele casou há um ano com um americano, e é claro que isso tudo tinha sido dito pelo cara que eu desconheço, mas sei que ele era o mais sem noção possível. Entretanto foi bom para eu saber de sua origem.
              Ele veio me cumprimentar com um aperto de mão, mas eu logo levantei e tasquei um beijo em sua bochecha, sem malícia, é claro. Ele cheirava bem e tinha um jeito de velho excêntrico ou metido a meninão. Tinha pelo menos uns 45 anos, certeza. Ele estava sem camisa e dava pra ver seus pelos brancos pelo corpo inteiro e quando virou, vi no topo de sua cabeça um cabelo tornando extinto. Sua barriga era saliente, mas nada desagradável. O que me incomodava nele, na verdade, era a noiva que estava atrás dele o tempo todo.
              Logo que cheguei, tinha escolhido meu lugar de leitura numa rede em frente ao quarto em que eu e minha mãe ficamos que dava para o jardim da frente. E ali permaneci sem fazer esforço algum para me enturmar ou mostrar entusiasmo. Ele deixou a noiva-chiclete e os dois filhos com as outras pessoas. Passou por mim até chegar na cozinha e me sorriu. Sorri de volta, como se nada tivesse acontecendo. Voltou sem nem ter entrado no cômodo. Passou bem perto de mim, como se olhasse o que eu estava lendo ou pior, meu decote ou minhas pernas. Ele se sentou bem em frente onde eu estava em outra rede.
              Ficou me olhando como se quisesse puxar assunto, então eu o fiz:

– Você é do departamento da minha mãe?
– Sou sim. Trabalho com ela há 3 anos. Já ouvi falar de você, mas achei que você era mais nova, Antônia.
– Certo. Legal. – Fiquei vermelha.
– Adoro o livro de Woody Allen.
– É o primeiro que eu leio, estou gostando.
– Vou pegar uma cerveja, quer uma?
– Minha mãe não sabe que eu bebo. Sussurrei.

              Ele riu. Odeio que riem de certas circunstâncias. Eu não bebia na frente dela para ela não achar que eu sempre faço isso, o que aconteceria se ela descobrisse. Surpreendeu mais quando ele disse:

– Posso saber o que mais você faz que sua mãe não sabe?
– Eu fumo.
– Cigarro? Isso mata!
– Eu sei, papai!

              Ficamos em silêncio, eu sei que meu pai não agiria assim comigo se ele soubesse que eu fumo, ele simplesmente não falaria nada, mas os pais, estereotipicamente falando, falariam exatamente isso, mas acho que ele não entendeu porque agiu como se meu pai falasse assim comigo.

– O que mais?
– Mais nada, eu disse. “Fumo maconha e faço sexo, seu coroa cara-de-pau, algum problema?” pensei.
– É… E saiu.
              Quando ele chegou, abriu a cerveja e pegou do bolso um maço de cigarro e um isqueiro ridículo com a bandeira do Brasil estampada.

– Filho da mãe, você fuma! Faz mal.
– Eu sei, mamãe.

              Nossa, que engraçado que ele era – HÁ HÁ HÁ – Eu quase caí da rede quando ele disse aquilo. Nossa. Que imbecil. Que idiota. Que gostoso que ele estava bebendo e fumando. Isso sim, eu sempre me interessei pelos malandrinhos que bebem e fumam, talvez seja por isso que eu entrei nessa vida de boêmia. Eu tinha que me concentrar: ele tinha noiva e ela estava bem ali, tinha dois filhos e eles eram só 5 anos mais novos que eu. Como será que era o resto que eu não vi debaixo daquela roupa, fiquei pensando. Concentre-se, pare de pensar nisso.

– Quantos anos você tem, menina?
– Dezessete, e você? – Nossa, que pergunta idiota para se fazer para um tiozão.
– Não se pergunta isso para pessoas da minha idade.
– Ah, você ainda é moço.
– Já passei dos quarenta.
– Até chegar aos 50 dá para o gasto.

              Ele riu e agradeceu. Saí de lá e guardei meu livro e Ipod. Estava interessada em conversar com ele e descobrir mais sobre suas expectativas para comigo. Fui dar um pulo na piscina, onde encontrei seus dois filhos brincando. Eu até gosto de criança, mas não me vejo sendo a nova mamãe dessas. Cruz credo. Tomei uma ducha e logo pulei. Quando eu saí, ele estava lá, sentado em um das cadeiras de piscina, perto dos filhos. Fumando, bebendo e me olhando. Além de já estar com vontade de fumar, estava com vontade dele.

              Minha mãe estava com a noiva dele na sala, jogando buraco, coitada dela. Como ela estava ocupada e distraída, fui até o quarto e peguei minha bolsa. Penteei meu cabelo para disfarçar, sentei na cadeira atrás de uma árvore e peguei meu maço de cigarros, que só tinha dois. Acendi o primeiro. Fumei o mais rápido que pude para que minha mãe não me pegasse com a boca na botija. Ele olhou pra mim e piscou. Nada respondi.

              Ele levantou de onde estava e foi tomar uma ducha, que era próximo de onde eu estava, a água caindo em seu peito escurecia seus pêlos e ao apreciá-lo, esqueci de toda situação. Dei por mim quando ele puxou a sunga para molhar o que quer que tenha dentro dela e bem nessa hora, olhou para mim. Desviei o olhar. Ele percebeu que fiquei encabulada. Riu, desligando o chuveiro e pulou na piscina. Babaca! Vou processá-lo por corrupção de menores. Ou sedução, o que cabe mais no meu caso. Virei a cerveja dele que estava esquentando. Fumei meu último cigarro e percebi que se eu quisesse fumar de novo, teria que pedir para ele. Bufei e ele, saindo da piscina, ouviu.

– Fala garota.
– Falar o que? Acabou meu cigarro.
– Eu trouxe dois maços, mas se quiser, podemos ir à cidade para comprar o seu.
– Não, obrigada.
– Chata.
– Eu?

              Ficamos em silêncio. Porque eu era chata? Chato era ele que tinha noiva e era todo gostoso. Duvido que as crianças e a noiva dele fossem para cidade com a gente. Ele estava louco para me atacar de qualquer jeito e ainda viu que eu dava bola, aí sim. De jeito nenhum queria ficar sozinha com ele, se não, eu podia não me aguentar. E o evitei o máximo que consegui até a noite.

              Quando todos foram dormir, inclusive ele, coloquei para assistir o filme que levei em DVD. Um romance policial, meu preferido. Fiz uma pipoca de microondas, e quando estava quase acabando, ele levantou para “pegar um copo d água”, como ele se referiu.

– Ei, pequena, não devia estar dormindo?
– Não. Estou assistindo um filme.
– Já está acabando?
– Sim, faltam 10 minutos. Disse sem tirar os olhos da tela.
– Perdi o sono. Disse-me encostando-se ao sofá do lado.
– Pensando em mim? Sorri olhando pra ele.
– Talvez. Está calor.

              Acabando o filme e a pipoca, enquanto eu arrumava o sofá, tirava o DVD do aparelho e desligava tudo, ele foi buscar um maço fechado de cigarros e algumas cervejas na cozinha e me pediu, com a cabeça, que o acompanhasse. Fui atrás, rezando para conseguir resistir qualquer coisa que pudesse acontecer. Já se passava das duas da manhã e o jardim não ficava perto de nenhum quarto, portando pudemos conversar, beber e fumar o quanto quisemos.

              Conversamos durante quatro horas e nessa altura já tinha bebido mais de cinco latas de cerveja e tínhamos fumado todo o cigarro do coroa. Conversamos sobre vários assuntos nada a ver, e algumas vezes ele soltava umas indiretas – bem diretas – sobre meu corpo ou sobre minha maturidade. Falamos um pouco sobre sexo, mas não comentei sobre minhas experiências, mas ao mesmo tempo, não me fiz de santa. Ele me revelou sua idade verdadeira, quarenta e um. E de sua noiva, trinta e três. Não era assim, tão mais nova que ele. Ele era um coroa realmente gostoso e gente boa, mas consegui resistir à tentação quando ele se aproximou do meu ouvido e disse “você é realmente gostosa.” E eu disse “sai pra lá, seu velho, vai pegar minha mãe” e comecei a rir pedindo desculpas.

             Ele levou na brincadeira e disse que ia dormir, estava quase clareando e ainda tínhamos que nos livrar das latas de cerveja – doze ao total – e eu, do cheiro de cigarro e de minha calcinha úmida até minha mãe acordar. Não que ela fosse ver ou sentir minha calcinha, isso foi só uma piada que eu contei para ele. Jogamos as latas na lixeira de trás e mandei ele pra dentro que eu ia pular na piscina. Tirei minha blusinha e minha saia e pulei de calcinha. Já estava sem sutiã, não gosto muito deles. Mergulhei e quando voltei à superfície, ele estava na sala me olhando, apontando pra baixo – idiota – e rindo. Mostrei o dedo do meio pra ele e ele um beijo pra mim e saiu.

              Como o vento da manhã estava gelado, saí logo e me sequei com minha roupa e fui dormir. Acordei lá pelo meio dia e ele também. Estranharam mas não relacionaram nossa sincronia. Era nosso último dia e fomos simpáticos um com o outro, mas ele se mostrou mais incomodado do que eu, por eu não ter feito nada de errado e ele, claro, ter pisado muito na bola com sua noiva. Ele disse que nunca tinha traído ela, mas até parece que eu acreditei.

              Ao se despedir de mim, pedi para que ele não contasse para minha mãe nada do que acontecera na noite anterior. Ele pediu que, pelo amor de Deus, eu também. Eu agradeci os cigarros e ele apontou para a bochecha dele como se pedisse um beijo. Coisa de “TIO” fui fazer a vontade dele, e ele virou o rosto. Não fui na dele e o beijo pagou na ponta dos meus lábios. Apenas sorri e disse tchau, passando a língua nos meus lábios de olhos fechados. Quis provocar. Consegui. Ele tremeu e eu fui embora.

              Depois de uns dois dias ele me ligou em casa e pediu o número do meu celular, que eu não passei. Disse que não pensou em outra coisa nos últimos dias a não ser em mim e que eu tinha o deixado louco. Eu disse que não foi nada, que deve ter sido a vontade de estar com uma menina bem mais nova e não nada que não passasse rápido. Ele perguntou o que eu tinha causado nele. Eu respondi curta e grossa:

– Tesão, só isso.
– Duvido. Você sairia comigo qualquer dia desses?
– De jeito nenhum…

              Conversamos durante mais cinco minutos até eu me cansar e desligar o telefone. Ele era realmente muito legal e gostoso, se ele fosse solteiro eu poderia sair com ele, mas esse lance de noiva, dois filhos e ex-mulher, a mãe dos filhos, não era comigo, muito problema pra uma cabeça só. Foi legal enquanto não tinha nada pra fazer. Foi interessante enquanto ele era o único cara com quem eu podia conversar abertamente. Só que agora, de volta à cidade, com certeza encontraria caras muito mais interessantes, sem pêlos brancos ou careca aparecendo. O problema é que continuo carente. Alguém se candidata?

Orgasmo natural


              Na tarde de domingo de carnaval, minutos antes do sol se pôr, fui me refrescar do calor quase insuportável que fazia na praia deserta e abafada do litoral de São Paulo. A paisagem se limitava a uma montanha em cada lado do mar com seu horizonte profundo e o céu em três ou qutro tons de azul em dégradé.

              Ao mergulhar no mar calmo quase sem ondas, meu corpo se debruçava nele de costas, boiando mesmo contra minha vontade e me acalmava como sempre fazia. Deitada sem pensar em nada, sentia as ondas me beijando e o salgado se assemelhava com o gosto de suor dos impessoais desconhecidos com quem eu faço alguma espécie de amor.

              Percebi que as ondas vinham em cima do meu corpo com vontade e paixão, o sol estava se escondendo, parecia envergonhado, mas ao iluminar todas as cores, as realçavam: o verde das árvores das montanhas, os tons de azul do céu e o verde claro da água. Poucos raios restavam para ser testemunha do prazer que estava tendo naquela praia.

              Entendi que o mar queria me ter. “Será que não é pecado?” Pensei. Claro que não, a natureza está lá para aproveitá-la. Sentia a água batendo diretamente em cada parte do meu corpo, como se estivesse totalmente nua. Comecei a me oferecer para que o mar me usasse como ele sempre sonhou em usar uma mulher. Estava me sentindo como num quarto de motel, mas a sensação era muito melhor.

             Sentia o vento gelado nos dedos dos pés, no joelho, na minha barriga, em meus seios e em meu rosto que não estavam sendo cobertos pela água e quando vinha uma onda e eu expirava para a água não entrar em meu nariz, perdia a concentração e um pouco do que eu estava sentindo, mas o arrepio era tão forte que a sensação voltava novamente e eu ficava cada vez mais excitada.

              Eu estava à procura de um orgasmo que nunca tinha tido. Ele não dependia de homens ou mulheres, imagens ou sons, Acessórios ou toques eróticos. Não dependia nem mesmo de mim, era algo totalmente químico e físico, nada psicológico. O mar era a maior fonte de excitação que eu já experimentara e eu queria que aquilo durasse para sempre.

              A cada onda que cobria meu corpo inteiro e me pressionava para baixo, era semelhante, mas muito melhor, quando um homem me penetrava. Eu inevitavelmente soltava gemidos e sentia que o orgasmo estava cada vez mais próximo. Meu corpo endurecia e me arrepiava, gemia às vezes baixo, às vezes um pouco mais alto.

             Quando senti meu corpo inteiro fazendo parte da natureza, o prazer chegou ao auge e durou pelo menos uns três segundos. O sol foi deixando o último rastro de luz, eu me contorcia, uma onda veio violenta e espumante e me cobriu toda, o que só aumentou meu prazer, como se o mar tivesse ejaculado em cima de mim. Os verdes das montanhas ficavam mais escuros e o calor do orgasmo e o frio do vento e da água acusavam que a sincronia entre meu corpo e o mundo estava completa.

             Ao sair do mar, parecia que ele me acompanhou como um legítimo cavalheiro, até a ponta. Mesmo o homem mais gentil com quem eu já dormi, não foi mais do que o mar. Se despediu de mim molhando minha panturrilha com uma água fria e mesmo com vontade de ficar mais, fui me afastando de lá.

             Quando encarava as pessoas, por estar extasiada e contente, parecia que me olhavam como se soubessem. Os homens pareciam que sabiam e percebiam meu sorriso malicioso, mesmo tentando disfarçar. As mulheres pareciam não entender e me olhavam com inveja. A única semelhança ruim do mar com os homens é que depois eu tentei repetir o que tinha acontecido e não consegui, ele não deixou acontecer de novo. E eu pensando que ele era diferente.

Bloqueio de linha de telefonia móvel.

Sempre achei interessante andar de ônibus por causa das estórias que circulam por lá. Normalmente, não presto muita atenção nos assuntos por ficar lendo e/ou ouvindo música, mas o último papo me deixou com tantas dúvidas, que escutei o máximo que pude e ele me levou ao início deste post.

Uma moça jovem, aparentemente com 25 anos, conversava com uma colega, talvez um pouco mais velha: “fiquei sabendo do seu celular, que prejuízo, heim?!”. Num primeiro momento, achei que estava falando do aparelho, mas pelo o que consegui entender ao desenrolar da conversa foi o seguinte: a mulher perdeu seu celular e quando ligou para a central de atendimento querendo cancelar a conta, o consultor teria cobrado uma multa para que isso fosse feito.

Como achou um absurdo o valor cobrado, resolveu deixar como estava e comprou outro celular e outra linha, mesmo pagando sem usar a perdida. Tive certeza que não mesmo estava usando a linha quando comentou: “sorte que eles não estão usando mais do que o plano, não tem vindo nada a mais para pagar.” Minha vontade era interferir na conversa dando-lhe informações. Fiquei insegura por ser enxerida e não o fiz.

O que fazer num caso como o da moça? O melhor de tudo é manter-se informado (isso pode deixar comigo)!

A tecnologia usada na maioria dos aparelhos é a GSM (Global System for Mobile Communications), mesmo no mercado desde os anos 80 em outros países, no Brasil, a operado Tim trouxe apenas em 2001, essa geração já é bem conhecida, mas as pessoas ainda têm algumas dúvidas. Na prática, é uma maneira segura de “guardar” sua linha telefônica em um Sim-Card (Subscriber Identity Module: módulo de identificação do assinante), podendo remover quando quiser do aparelho e colocar em outro. Somente se for o dono da linha telefônica pode bloquear, cancelar, mudar de plano ou transferir sua titularidade. A tecnologia GSM tem muitas outras vantagens, mas essa é mais usada no dia-a-dia.

A diferença de bloquear e cancelar, é que quando você bloqueia, ninguém, a não ser você ou um representante legal, pode desbloquear, já que não é algo físico que coloque uma senha e libere, mas algo de um sistema, só depois de confirmar quase todos seus dados, o processo se conclui. Para voltar a usar é necessário um chip em branco, o antigo não teria mais utilidade e além de continuar pagando a conta, você tem um prazo para fazer essa mudança de Sim-Card. Quando, porém, você cancela uma linha telefônica perde-se o número, não precisa pagar mais a conta se vier nos próximos meses – só o que você já usou no mês vigente – e talvez, dependendo de seu plano e da operada, precise pagar uma multa para isso.

No caso da mulher do ônibus, ela devia ter pedido o bloqueio de seu chip e não o cancelamento da conta. Isso se faz com apenas uma ligação, de qualquer aparelho telefônico, até mesmo do fixo. É simples. O que o atendente devia ter feito era explicar à cliente que cancelar é diferente de bloquear. Pode ter acontecido da moça não saber se expressar e realmente pedir um cancelamento, e com isso receber a informação da multa. Uma dica é que mesmo se não souber expressar corretamente o que quer, tente explicar com todos os detalhes para o consultor, normalmente eles entendem. A única coisa que ficou clara para a cliente foi que quando completasse um ano de plano, ela poderia fazer essa troca sem pagar a multa, o que faz sentido se a pessoa vai cancelar e não bloquear seu chip.

O processo de desbloquear e usar a linha em outro aparelho não é complicado. Você precisa comparecer em alguma loja ou revenda da operadora, solicitar um chip em branco para colocar sua linha. Vão pedir para que apresente seu RG e CPF para comprovar que você é você mesmo – o que é muito bom para nossa segurança, não fique irritado – e cobrar o valor de um Sim-Card novo, o que varia de R$10 a R$20 e algumas operadoras nem cobram pelo serviço, apenas pelo objeto, para que eles não tenham prejuízos, também.

Toda operadora tem seu defeito. Na verdade, todas têm muitos, mas não significa que eles não se esforcem para conseguir novos clientes e manter os antigos. Uma boa forma de não gastar dinheiro com aparelho novo, se perder o seu, é usar qualquer um antigo mesmo, inclusive se for bloqueado para outra operadora, desbloqueio é gratuito se o aparelho já tem mais de um ano e é nosso direito. A única preocupação que se deve ter nesse caso, é que há aparelhos que não são compatíveis com a tecnologia que a operadora necessita, por exemplo, um aparelho que não seja quadriband,como é chamada a frequência, não é compatível com a operadora Vivo. Assim, o cliente precisaria comprar um que se encaixe nas exigências tecnológicas. Sendo cliente pós-pago, portanto, na maioria das vezes eles te oferecem novos aparelhos todo ano, mesmo se você não quiser, por isso vale a tentativa de entrar em contato com a operadora e pedir um aparelho novo que eles dão uma lista com os que você pode receber gratuitamente, mesmo tendo que se manter fiel por mais 12 meses com eles. Só que isso pode não funcionar nas lojas físicas, se você não tem “pontos” (cada operado tem seu programa de fidelidade) suficientes para trocar por um celular novo. Se isso acontecer, liguem na central de atendimento que eles conseguem vantagens extras como descontos em aparelhos ou até sem custo, e também bônus em mensagens e minutos. É impressionante como os call-centers fazem mágica se formos gentis com eles.

É importante lembrar que sempre que compramos uma linha telefônica pré-paga, temos que registrar, pelo menos, nosso CPF. E muitos outros dados, no caso de pós. Por isso, mesmo que seja um aparelho antigo e um número que você não faça questão nenhuma de manter e não tiver créditos, é sempre bom bloquear ou cancelar a linha, ou pelo menos um boletim de ocorrência, pela sua segurança, nunca se sabe onde esses aparelhos vão parar. Você não quer ser surpreendido pela polícia federal na sua porta te acusando de ligações de um presídio, não é?

E principalmente, o que eu temo em não conseguir frequentemente, é ter paciência com as pessoas do atendimento. Eu sei que às vezes parece que elas estão trabalhando quase obrigatoriamente, que existe gente estúpida e que não sabe trabalhar, mas também existem muitas normas a serem seguidas e o pobre consultor não tem autoridade para mudar, é claro que ele gostaria de ter, mas não tem. O importante é sabermos a diferença entre falta de atenção para com o cliente e falta de autoridade para resolver certo problema.

Esteriótipo de merda!

Foi logo no primeiro dia de aula que reparei nele e quis parecer descolada e de certa forma, desinteressada. Ele era lindo e um pouco mais novo. É claro que beleza é relativa e idade também, mesmo assim, fiquei na defensiva. Eram vibrações que vinham dele pra mim. Ficava nervosa. Suava. Era estranho e engraçado o jeito que a gente passava sem se olhar. Depois de uma semana, nosso primeiro contato foi com o olhar, coisa de 0,5 segundos. E o olhar dele nem me disse nada, foi só uma coisa ‘pára de me olhar, cara’, mesmo assim gelei e tremi. Não poderia ser real, era bonito demais pra ser tão legal. E ainda palmeirense – tinha que ser idiota. Fala sério. Eu e meus preconceitos idiotas. Só porque era um dos caras mais lindos e charmosos da classe, porque ele tinha de ser idiota? O que ele ganharia sendo um idiota, na verdade? Quem foi que disse que todos os meninos feios são legais e porque será que ninguém pensa que eles podem ser bestas quadradas? Eu estava atraída por ele, ele sendo lindo ou não, chato ou legal, burro ou inteligente. Era mais um fanático por futebol, eu pensei. E daí? Eu estava de verdade atraída por ele, independente de, até, conhecê-lo. O que fazer em relação a isso? Mensagem no Orkut? Conversas por MSN ou então falar com ele na sala de aula? Sei lá. Era estranho como eu não queria acabar com a imagem de um menino perfeito e o amor platônico, sabe? A mágica de não saber que o menino mais lindo da classe é, com certeza, o mais idiota. Só tem um problema: E se ele não for? E se ele for um cara realmente legal? Maldito estereótipos.

Como é mesmo?

Eu sempre fico me perguntando o que é gostar de uma pessoa. Não que eu nunca tenha gostado, mas quando a gente não gosta de alguém, parece não se lembrar como é. É como quando eu tenho gastrite, sei como é não ter, mas simplesmente não consigo resgatar essa sensação.

Então, vêm os filmes, os seriados e as músicas de amor fofinhas e inspirantes, eu fico esperando que apareçam pessoas legais como na ficção. Se a ficção reflete a realidade, onde está o meu par romântico?

Vai um exemplo tolo. Um cara que você sabe que não é dos mais bonitos de todos, mas você ainda assim se sente atraída por ele. Vocês nem se falam muito pela internet, mas quando se encontram se sentem em total sincronia. Sente ciúme em pensar nas outras meninas com quem ele fica. Isso é carência? É só mais um cara que você ficaria?

Porque as pessoas simplesmente não caem no nosso colo como parece que acontece na ficção? Como é que a gente faz para a outra pessoa se apaixonar por nós? Como é conhecer alguém com potencial para ter um relacionamento sério, sem se tornarem somente amigos? Como dizer, principalmente para um cara, que você gosta dele, sem se tornar só um brinquedo e ele não usá-la?
Como eu digo desde que eu comecei a sentir choquinhos ao ver meninos, é muito mais doloroso não estar apaixonada do que estar. É uma sensação de vazio e dúvida. Se você não está apaixonada, qualquer um pode ser o próximo, e se o próximo não for legal? E se nunca voltar a se apaixonar? É como quando eu tenho enxaqueca, sei como é não ter, mas simplesmente não consigo resgatar essa sensação.

amiga é pra isso mesmo.

                No fim de semana, saí com uma amiga para um bar dançante e ela me disse que é lésbica. Eu nunca tinha percebido, ela é muito discreta. Não soube o que dizer na hora, mas não por ter algum preconceito, por que era a mesma coisa se ela tivesse contato que tinha ficado com o cara mais nerd que estudou com a gente no colégio. Uma coisa inesperada, mas normal. Só não sabia o que dizer.

                Eu fiquei em silêncio por um momento, mas não pensava nada demais, mas ela ficava me questionando sobre meus pensamentos e se não ia mudar nada entre nós e é claro que não vai. O que eu sinto por ela é único e nós somos amigas há dez anos, ela é uma das únicas para quem eu corro quando eu preciso e vice versa.

                Ela disse que estava se sentindo mal por ter me contado, que eu não precisava saber. Eu disse que se ela não me contasse, sim, ia ser uma falta gravíssima para nossa amizade, então ela sorriu, tomando mais um drink e olhando a pista. Eu perguntei pra ela porque ela me contou aquilo bem naquele dia e ela me contou que estava namorando. Sinceramente, eu achei a coisa mais fofa que uma amiga pode ter feito comigo. Sabe, provavelmente sou a primeira das amigas a saber sobre sua homossexualidade e sobre a tal namorada.

               Ela estava muito incomodada com aquilo e eu por ela estar incomodada. Não sabia o que fazer para ela saber que estava tudo bem. A noite foi ficando mais agitada e o bar mais cheio. Enquanto dançávamos, uns meninos vieram conversar com a gente, e ela conseguiu se soltar mais com eles. Eu estava achando bonito o jeito que ela dançava e conversava com os garotos, me tirou a imagem, o pouco que restava, de lésbicas masculinizadas por ser totalmente feminina. Eu não quis parecer refletindo em um momento como aquele, com pessoas novas ao nosso redor, sendo que ela acabara de me contar seu maior segredo, eu não sei o que podia parecer… Que eu a estava julgando ou sei lá o que. Então tentei deixar fluir nossa noite como se nada tivesse acontecido.

                Quando ficamos sozinhas na nossa mesa de novo, toquei no assunto, só por curiosidade. Perguntei se ela e a namorada já tinham transado e como era. Ela ficou vermelha ao dizer que sim e me contou pouquíssimas coisas. Perguntei que tipo de mulher a atraía e quando ela tinha descoberto isso e quem mais sabia. Não me respondeu a primeira pergunta e disse que eu era a primeira das amigas, mas os dois irmãos e uma irmã dela já sabiam por que ela contou. E que tinha descoberto quando nós saíamos e ficávamos paquerando os meninos e ela não sentia nada de mais, mas olhava para uma ou outra mulher e sentia alguma coisa. Senti um pouco de culpa e pedi desculpas para ela por ter pressionado nossa adolescência inteira para ela ficar os caras, ela começou a gargalhar e disse que não tinha nada a ver.

                A noite foi passando e conversamos sobre muitas outras coisas, nos começos de anos as pessoas somem um pouco até tudo voltar ao normal, por causa das férias, e nós tínhamos uma férias inteira para contar para outra. Eu conheci um menino lá no bar e acabei ficando com ele e ela ficou – conversando e bebendo – com o amigo dele que queria beijá-la. Dançamos, conversamos e bebemos mais até acabar o pique.

                No fim da noite, a levei para casa, mas estava bêbada o bastante para começar a chorar antes de sair do carro. Lamentando ter contato toda a verdade, mas afirmando que só lamentava porque estava bêbada por que ela disse que confia muito em mim, chorava e ria ao mesmo tempo. Nós já tínhamos passado por isso diversas vezes e emoções a flor da pele era nossa sensação preferida. Ela me pediu para não contar para ninguém – como se precisasse pedir – e me abraçou, disse que me amava como sempre amou e que eu era uma grande amiga, mas estava com medo de nossa amizade acabar por ter me contado a verdade.

                Eu não sei onde eu estava com a cabeça, mas a única coisa que eu pensei quando ela me disse que estava com medo de tudo mudar, foi dar um beijo nela. Eu nunca tive dúvidas sobre minha opção sexual, mas foi a única coisa que passou pela minha cabeça, como amiga. Eu a afastei do abraço e segurei a cabeça dela com as mãos, assim como os meninos fazem comigo, aproximei meus lábios da boca dela e ela perguntou o que eu estava fazendo, disse que era nosso pacto de amizade para sempre e a beijei. Foi o meu primeiro e não ia ter como eu esquecê-la jamais.

Irmã fura-olho


(desculpa, irmã, essa história tem que ser contada pelo bem da nação)

Eu era apaixonada por um vizinho quando eu tinha quinze anos, mas ele tinha treze. Eu gostava muito dele mesmo assim e eu achava que ele gostava de mim. Certo dia, ele e outro amigo foram ver televisão lá em casa. O clima estava rolando, o filme começando e deixei minha irmã com eles e fui fazer sei-lá-o-que rapidinho. Quando voltei, estranhamente, ela tinha deitado a cabeça do menino em seu colo. Logo no começo do filme, ouvi uns barulhos de baba e quando olhei pro lado minha irmã e o menino – seis anos mais novo que ela – estavam se beijando. Fala sério, era o menino que eu gostava e era minha irmã lá, ela não devia ter feito isso. Levantei muito nervosa e expulsei os dois meninos de casa, estava incrédula. Fiquei me sentindo idiota. Eu devo ter ficado sem falar com ela por uns dias, enquanto tive que usar óculos de sol pra esconder o olho furado, mas depois simplesmente passou… Se não se pode brigar nem com amigas por causa de homens, imagina com irmã?

Um pouco de filosofia, afinal.


Há muito tempo que venho pensando em fazer alguma coisa que me fizesse bem. Pensei em como mudar o mundo, e comecei a ler um livro que chama “como mudar o mundo”, é um livro muito bom que trata de “empreendedores sociais”, são pessoas que têm uma empresa ou um negócio que, vou dizer resumidamente para deixar claro, é caridade e sem fins lucrativos. Não é negócio para mim, não para alguém como eu, com essa mentalidade como a minha.


Hoje eu assisti uma minissérie baseada no livro “O Mundo de Sofia” de Jostein Gaarder. Eu já tinha ouvido falar e pra ser sincera, já tive que ler alguns capítulos para a escola e eu não o fiz. Quando eu vi o DVD na prateleira não consegui negar a mim mesma essa experiência. Parece que o DVD estava exclamando por mim!

“Ser ou não ser, eis a questão.” Sabe… “Penso, logo existo”, coisas assim.

Falando assim, até parece que eu sou facilmente influenciada por tudo o que eu escuto, e eu entendo quem pensa assim: sou vegetariana, gosto dos filmes infantis que o Disney Channel lança e agora a busca pelo conhecimento de repente nascer por causa de um filme. É que tudo tem uma explicação, inclusive gostar dos filmes da Disney.

Tudo é tendência, pelo menos pra mim. Minha professora preferida no colegial? Professora Gabriela, de filosofia! Vegetariana? Sempre houve uma tendência. Camp Rock e Hannah Montana? Ah, isso é outro post, vinte e quatro horas no canal 88 da Sky.

Então, eu decidi que ainda quero fazer alguma coisa pra mudar o mundo, e vou fazer mesmo, vocês vão ver… Só que ainda não é o momento de me concentrar nisso. Preciso me conhecer mais e conhecer um pouco sobre o universo para que eu não me sinta fazendo a coisa errada, por que, de alguma maneira, eu sinto que só vou fazer o suficiente quando eu fizer a coisa certa. Não quero ser a pessoa que fez mil e uma coisas sem importância pela vida, como até hoje eu sou.

Deixar o espírito crescer. Conhecer. Um pouco. Evoluir.

Ceticismo?


Duas coisas: (1) crer ou não crer no destino e; não importa por qual optar, (2) saber o que fazer com ele. Às vezes fazemos coisas pensando um objetivo, mas quando menos se espera, uma nova situação nos surpreende, talvez até seja mais difícil saber se confiamos ou não apenas no destino.


Acreditar no destino, por mais que pareça para muitas pessoas a forma mais fácil de viver, pelo simples motivo de “o que tem que acontecer, vai acontecer”, mas a realidade não é bem assim. Todas as coisas que conquistamos não vêm fácil e não tem que deixar nas mãos do destino, apenas.

Se você quer muito encontrar um emprego legal e não procura, não estuda, não aprende e não batalha, quais as chances, mesmo se estiver em seu destino, de encontrar esse tal emprego?

Uma das diretrizes que podemos seguir se não confiarmos em destino é lutar sempre pelo o que quer, o que cabe para todas nossas ações na vida, é claro, mas com uma diferença: não confiar no destino nos faz muito mais fortes e perseverantes, já que tudo está em nossas mãos.

Se você trabalhou duro para conseguir um emprego bacana, enviou seu currículo para as melhores empresas de sua área e realmente não era seu destino ser isso, você realmente não vai conseguir, sinto muito. Isso sim é destino.

O que eu quero dizer não é, de maneira nenhuma, que eu não acredito em destino, porque eu acredito, e isso é o pior! Eu acredito tanto que, sempre que eu perco alguma oportunidade, deixo “nas mãos do destino” até por não ter absolutamente nada que eu possa fazer, mas eu gosto muito de lutar pelo o que eu acho certo e luto e corro e vou e faço até não ter mais nenhum recurso.

Não sei se isso me faz melhor ou pior ou não faz diferença, mas acreditar que as coisas que aparecem em nossa vida são as coisas que merecemos… Isso me parece fácil, sem desafio. Ao mesmo tempo, acredito que as oportunidades chegam e a gente tem que saber aproveitar, isso sim me parece desafiador, saber escolher o caminho certo para mim, entre todas as oportunidades que o destino envia.

Em outro país…

Conhecer os lugares mais inesperados é maravilhoso, conhecer outras culturas e parar para discutir nossa própria com desconhecidos também. Máximo é chegar num lugar onde você pode fazer o que você quiser sem medo de que as pessoas te julguem. Procurar a paz interior ficando em silêncio no seu canto e ouvir a conversa dos outros, não como fofoca, só para acrescentar seu vocabulário do portunhol e espanenglish. E não pensar no que poderíamos ter feito, o que não deu certo não deu e nada de ficar se remoendo. Legal é poder se conectar com cada lugar que você vai e poder se sentir parte de cada local que se passa, nem que for por apenas um dia.

Em 2009 pretendo…


– Encontrar equilíbrio entre felicidade e tristeza;
Chega de altos e baixos tão extremos, a vida é feita disso, mas a minha é muito. Uma hora estou totalmente feliz, cantando e saltitante e outra eu me encontro triste, fechada nos meus pensamentos pesimista. Isso tem que acabar!
– Estudar bastante para ser a primeira da classe e conseguir o intercâmbio;
Se eu quero mesmo ser uma boa profissional a hora é agora. Agora é que eu vou começar a provar para mim mesma o quanto longe eu posso e quero ir.
– Encontrar um emprego na minha área;
Bom, que irei trabalhar é fato, agora é correr atrás de empregos, mesmo que seja estágio e não me paguem tão bem, na minha área. Nada de desistir fácil e ir trabalhar em lojas de roupas e bares (alguém tem que fazer isso, eu sei, são boas profissões, mas não é pra mim). De preferência um emprego que me abra portas e que me faça escrever MUITO!
– Alimentar-me melhor e descobrir o prazer nisso;
Estou certa que essa minha decisão de ser vegetarina foi uma das melhores que tomei na minha vida, mas com ela vem vários contra-tempos como uma pequena anemina e fraqueza. Preciso encontrar novas fontes de nutrientes, porque mesmo antes, quando eu comia carne, eu não me alimentava bem. Preciso descobrir o prazer em comer.
– Melhorar a mim mesma para que eu possa exigir mudança nos outros.
É claro que ninguém é perfeito e eu reconheço isso, tanto em relação a mim quanto aos outros. Mas se eu quero pessoas legais, divertidas e inteligentes ao meu redor, acho que preciso começar mudando a mim mesma, melhorando minha auto estima e meu astral, correndo mais atrás do que eu quero.
Obrigada a todos que entraram no meu blog esse ano, espero que saibam que cada acesso me deixa mais feliz!! E os comentários, então? Me deixam nas nuvens… Eu fico me achando aqui -brincadeirinha-! A todos que gostam do que escrevo, espero que eu tenha ajudado vocês de alguma forma.
Obrigada TUDO DE BLOG por me dar essa oportunidade mais um ano, tomara que eu esteja com vocês em 2009 de novo porque ainda não cumpri minha meta de sair na íntegra na revista….
Espero que 2009 seja um ano muito bom para todos nós, e para mim, será o ano da virada, espero ter muita sorte!

Jogo do amor

Para mim, é muito estranho falar de amor. Não que eu não tenha sentido, muito pelo contrário. Contrariando tudo o que eu era no passado quando eu estava apenas aprendendo sobre a vida, eu consigo, estranhamente, controlar o que eu sinto. Eu não sei se isso é bom, eu só sinto quando eu quero, monto todos os personagens e entrego a cada um, o meu script mental de tudo como eu gostaria que fosse.

Quando o que está no roteiro não dá certo, o que significa sempre, para mim é tão fácil que eu me assusto. Eu amasso e jogo fora. A minha decepção não é pelo romance que não deu certo ou o amado que não me ama, muito menos porque não aconteceu como eu queria. A tristeza é de acontecer o oposto do esperado.

Eu não ligo se sair alguma coisa errada, se nem todos os personagens agirem como eu programei. Se cada palavra for dita com a paixão e a atenção que eu desejo, o conteúdo não me importa tanto. Talvez se as coisas acontecessem de formas diferentes do previsto, de maneira que até me fizesse um pouco surpresa, acho que seria até muito mais interessante.

Eu não posso prever o que cada pessoa vai sentir e o que cada um vai dizer. Não consigo fazer com que a outra pessoa se apaixone exatamente do jeito que eu quero, mas o mais estranho de tudo é que eu consigo, sem dúvida nenhuma, fazer dos meus sentimentos o que eu quero e o que a outra pessoa espera, se eu souber o que é. Consigo controlar meu sentimento como se fosse um fantoche.

Consigo amar e desamar como um passe de mágica se a pessoa não estiver disponível ou se eu me der conta de que ela não era o personagem que eu inventei para que nós dois déssemos certo. Será que estou errada em fazer isso? Será que eu posso me magoar assim? E se na pior das hipóteses, eu magoar a outra pessoa assim? Isso tudo é um jogo? Eu estou ganhando? E se saber jogar significa que eu não sei amar?

Esperança um pouco menos distante



Com tantas pessoas por metro quadrado nas grandes metrópoles, é inevitável que, com freqüência e de várias formas diferentes, elas sintam seu espaço invadido e percam a paciência: no trânsito das 19 horas; quando um menino de rua assalta alguém ou quando duas pessoas querem a mesma última caixa de sabão em pó em promoção. A melhor solução não é ficar acomodados com o caos e sim pensar em como melhorar para que todos se beneficiem.

A primeira atitude para que a violência acabe é urbanizar melhor e industrializar mais o interior dos estados. O governo deveria implantar faculdades públicas de qualidade e incentivar as particulares a implantarem campus também em mais dessas cidades. Além do terceiro grau, elevar o nível da educação do primeiro e segundo também. Com essas medidas, os jovens poderiam ter mais alternativas para “criarem raízes”, diminuindo, em longo prazo, a aglomeração nas capitais.

Ainda com as pessoas melhor distribuídas pelas cidades, existem as que não conseguem fixar-se em um emprego por muito tempo. Fatores para o desemprego são vários: idade; pouca ou nenhuma formação; pelos dois itens anteriores ou por falta de oportunidade e perseverança. Para que todos consigam trabalhar, é necessário que o terceiro grau seja acessível para todos, afinal de contas, quase não existem mais trabalhos nas metrópoles que a pessoa use totalmente sua força física por causa da tecnologia das máquinas. Quando não houver mais aglomeração e a maioria das pessoas estiverem empregadas, será necessário investir de vez na educação infantil para que o ciclo não se quebre e os futuros jovens e adultos façam boas faculdades e tenham melhores empregos.

Mesmo se todo mundo estiver estudando e empregado, sempre haverá pessoas que se acomodam com o jeito que estão e isso teria que mudar para combater a violência urbana, porque se, por exemplo, há pessoas que não querem trabalhar e roubam, mesmo que para se sustentar, o ciclo de boa convivência estará sendo quebrado. Mas, quanto mais dura a pena a que essas pessoas forem submetidas, pior será quando elas saírem, então uma boa alternativa é uma pena mais construtiva do que severa. Essas pessoas teriam que passar por uma avaliação psicológica mais aprofundada, ter uma profissão e ser inseridas no mercado de trabalho, se não o ciclo vicioso vai continuar.

Acabar com a violência urbana é uma tarefa que exige muito estudo e investimento. Exige também que cada pessoa coopere, o que é o mais difícil por vivermos em um mundo individualista. Em uma cidade como São Paulo, por exemplo, ao desconcentrar a população das capitais, podem-se aliviar problemas como o trânsito, o desemprego e a pobreza. Educando melhor as crianças, estaríamos abrindo portas para adultos empregados, que sabem pensar e criticar e que possam passar seu conhecimento para quem tem algum tipo de privação. Dando oportunidade para que todos possam desfrutar de seus direitos de liberdade e igualdade e nos tratando, como consta na Declaração dos Direitos Humanos, com espírito de fraternidade, sem precisar invadir o espaço alheio de nenhuma forma.

" How you doin’ " para moças.


Já imaginou você numa situação assim: você encontra um cara lindo em algum lugar, vocês se olham, rola o interesse dos dois, mas ambos têm vergonha de conversar porque vocês estão sei lá, num ônibus ou metrô? No meio da rua? Na aula de natação? Como você reagiria se ele falasse com você é fácil de imaginar. Mas e se você falasse com ele, como ele reagiria? Será que você precisa ter medo de falar com um cara legal só porque você é a garota. Acho que não. Confira algumas dicas importantes de como fazer os primeiros contatos com o menino gatíssimo que avistou sem querer e fica super-envergonhada, pelo menos nos primeiros instantes, em falar com ele.

– Procure perceber se tem alguma dica se o cara tem namorada. Alianças em uma das duas mãos é sinal de uma suposta namorada, portanto é bom não arriscar. Se você já conhece mais ou menos o cara e acha que está solteiro pode olhar no orkut para checar ou perguntar para os amigos também é uma boa. Se ele tiver namorando e você ainda quiser se aproximar, se aproxime como amiga, não há nenhum problema nisso (eu acho).

– Mesmo se o cara não tiver namorando, ele pode não está procurando alguém ali naquele lugar ou naquela hora, não force as coisas.

– Não é fácil conversar com alguém que a gente não conhece. É claro! Quando eu comecei a pensar dessa maneira, talvez uma janela com luz tenha aberto na minha mente: porque temos vergonha, exatamente? Se você está no intervalo da sua aula ou na academia e fala com algum menino que você acha bonito, ele realmente não vai achar que você está dando em cima dele, necessariamente, só por causa de um assunto (ao menos que você já chegue o convidando para sair ou quase isso). Ele não tem como saber se você sai falando com todo mundo que você vê só porque você gosta de conversar ou se é porque você gostou dele especificamente e está tentando se aproximar com segundas intenções, ele nunca saberá. Ele não tem como saber se você sempre quis falar com ele, que sonha com ele todos os dias ou se tem uma foto dele no seu fundo de tela do computador. Simplesmente… Ele não tem como saber disso. E isso é muito bom para nós. O pior que pode acontecer é vocês não terem assunto, o que é chato, mas só chato. Depois ele pode te achar chata, mas se você for você mesmo e ele te achar chata, o mande para a me*** e vai procurar outra pessoa mais interessante, porque você é muito legal. Sentir vergonha é super normal quando você quer falar com alguém e não consegue, mas por experiência própria… só tem uma maneira de perder essa vergonha e, infelizmente, é tentando superá-la.

– Sempre surge aquela dúvida: por mais desinibida que eu possa ser nunca sei que assunto conversar com uma pessoa que eu acabo de conhecer. Normal. É claro que depende do lugar onde você esteja, por exemplo, se o cara é da sua escola e estão no começo do ano, pergunte para o garoto alguma coisa sobre as matérias, a escola ou sobre os professores, depois disso pergunte o nome dele e pergunte sobre coisas sobre ele, mas não faça um questionário, só as perguntas básicas e se o cara for legal ele vai continuar o assunto com você. Se for alguma aula extra, como natação, fale que você está começando e peça algum tipo de conselho se ele puder ajudar. Tente descobrir se vocês têm amigos em comum, se têm mais ou menos os mesmos gostos. Vá fazendo perguntas que tenha a ver com o assunto e para você saber mais ou menos qual é a dele. Às vezes rola um sentimentozinho entre você e ele, às vezes não. O fato é que você nunca vai saber se não tentar descobrir.

– É normal se sentir rejeitada caso ele não corresponda às suas expectativas. Você tem certeza que ele vai falar com você, mas ele só responde e fica por isso. O pior de tudo é que já estamos no século XXI e ainda tem homens que se sentem mal quando uma mulher puxa assunto. Na verdade, as reações são as mais variadas possíveis. Pode existir o envergonhado, o confuso, o nervoso, o chato, o fofo, o engraçado e até o tarado, cuidado! Parece que o que eu vou falar é clichê, o que é verdade, mas se ele te rejeitar, não se sinta mal, o problema não é você, é ele!!. Na verdade, se sinta bem porque você é do tipo de mulher que corre atrás do que quer. Pense em uma festa onde vários meninos querem beijar qualquer menina que passe pela frente deles, claro que você não é como eles, mas imagine: quando um menino pede para te beijar e você diz não, o problema não é realmente com ele, as vezes pode ser que sim, mas se um cara tão bonito quanto você pede para ficar com você e você não quer, é porque você realmente não quer. Lembre-se, você não é obrigada a ficar com quem você não quer e eles também não são. Melhor que seja assim!

– O primeiro passo foi dado e está na hora de mostrar quais suas intenções. Se você for muito tímida, pegue o MSN e/ou orkut dele. Se você não for tão tímida assim, o convide para sair no fim de semana. Chame-o para uma festa na casa de sua amiga. Pegue o telefone dele e ligue mesmo para ele. Faça ele se apaixonar por você. Daí pra frente você não vai estar mais tímida, não é mesmo?
E é rezar para que ele seja mesmo muito legal e que vocês dêem certo. Sabe de uma coisa? Comentem aqui contando a experiência de vocês. Seja antes ou depois do post. Quero saber de vocês. Seja essa garota que vai atrás do que quer.

O primeiro a gente não esquece

Eu tinha 12 anos e acabado de sair da “Fase do Patinho Feio”, meus cabelos já batiam nos ombros depois de uma temporada de “Joãozinho”. Nunca tinha ido às festas a não ser festas nos salões dos prédios das minhas amigas, que eram poucas. Quando quis sair pela primeira vez, foi num domingo, para uma matinê. Minha irmã, já com 16 anos, insistiu para que eu não fosse, mas minha mãe disse que ela só iria se eu fosse junto. O lugar aonde ela ia era num shopping (para os cariocas, devem se lembrar: rock in rio café no barra shopping) e ela me enxotou de lá e me mandou para a outra matinê do outro shopping (cariocas: Slávia no New York city Center) que eram vizinhos. Eu entrei pela primeira vez em uma boate de verdade. As pessoas estavam fumando e se agarrando, só que estava meio vazia. Eu e minhas amigas entramos e eu estava deslumbrada. Olhava para os lados, não via nada direito. Foi nesse clima que a primeira pessoa a pedir para ficar comigo na vida chegou. Ele era feio e o recusei. Olhei para os lados e encontrei o cara por quem eu tinha uma queda enorme. Felipe o nome dele. Então uma das meninas que estavam comigo chegou saltitante para mim e falou “ga-a-a-a-bi! o andréééé quer ficar com você” e fazendo aquelas dancinhas de quem consegue algo legal para outra pessoa. Só tinha um problema: André? Quem era André. Ah! O promoter bacana. Tinha 14 anos. Era mais alto que eu, eu era da altura do peito dele. Então a gente conversou um pouco. Ele apoiou as duas mãos na pilastra que eu estava encostada e eu fugi passando pelo tríceps dele. Eu fiquei parada ali por alguns instantes e o Felipe veio falar comigo. Eu pensei “é hoje!”, só que ele não queria ficar comigo, aliás, talvez, ele estivesse de saco cheio de ouvir minhas amigas falando que eu era apaixonada por ele, ele não queria nada comigo, Deus! Então ele me disse “hey, gata, pára com isso e fica logo com o André” Era assim que ele retribuía tanto amor? Ele queria que eu ficasse com amigo dele? Para tentar esquecê-lo? Então era isso que eu ia fazer. Voltei ao André e ficamos conversando ainda mais um pouco na pilastra. Ele tentava me beijar e eu me sentindo descolada e tudo mais, mas a verdade é que eu estava morrendo de medo por dentro. Ele sabia que eu nunca tinha beijado. Ele veio chegando. Se não fosse um cara que eu tivesse acabado de conhecer e amigo do cara que eu gostava, ia até ser romântico. Ele foi se aproximando e eu olhando para os outros casais… Não sabia o que fazer, onde colocar as mãos, como abrir a boca e… Ele foi se aproximando, assim, em câmera lenta e mil coisas passando pela minha cabeça… Eu falei: “ai… se eu te der um beijo você não me agarra” e apontei com o nariz para os outros casais que estavam se agarrando. Ele sorriu e disse que tudo bem a minha condição. Ele me beijou. Pareceu uma eternidade, estava ficando até meio chato. Aquela escuridão com luzes prá lá e pra cá, música alta, eu de olhos fechados e um cara com as mãos apoiada nas pilastras por cima do meu ombro com a língua dentro da minha boca. Abri os olhos e o afastei. Perguntei a hora. Falei que ia me atrasar para me encontrar com minha irmã e saí correndo. Na mesma noite encontrei com ele de novo ali pelo shopping, todo mundo queria que eu beijasse ele de novo, mas não beijei. Nem selinho. Nem nada. Nem beijo na bochecha. O cara deve ter achado que eu era idiota, mas na verdade nem ligo. É uma das partes mais gostosas de estar crescendo… Provar o novo e rir dos erros.

Um eu não-superficial


Três regras: perfume, sorriso e simpatia. Porque nem todas as garotas são lindas, magras e com cabelo invejável. Se eu quisesse eu poderia emagrecer, me maquiar e fazer chapinha todas as vezes que eu fosse sair com um cara. Só que maquiagem some e borra. Chapinha sai. Emagrecer dá muito trabalho. Por isso, com o tempo, fui fazendo minhas próprias regras. É claro que antes de sair com um cara eu fico meia hora escolhendo uma porção de roupa para ter opção e vou vestindo cada uma combinando com os acessórios para escolher a melhor. Claro que faço alguma coisa no cabelo, não o deixo normal. Só que o problema é que tudo o que eu faço para que eles se lembrem de mim não dá tanto trabalho. Eu passo um dos meus perfumes preferidos (Ma Cherie, Adidas Fresh Vibes ou outro dependendo o cara), quando ele sentir meu cheiro outro dia em outro lugar, ele com certeza vai se lembrar de mim. Já me disseram que meu sorriso é bonito milhões de vezes, então, para que não usá-lo? Sorrio muito, naturalmente. Isso atrai os meninos. E tento ser eu mesma. Não fico fingindo ser quem não sou como tanta gente faz, principalmente porque eu sempre saio com uma pessoa pensando, primeiramente, em tentar conquistar a amizade e a simpatia dela, quando consigo fazer isso, partir para o segundo passo é mole, tento usar meu charme, que é um segredo natural que não conto pra ninguém!

Marina

Há alguns anos, conheci uma menina que considerava perfeita. Ela era quatro anos mais velha que eu. Estava terminando o colegial enquanto eu ainda estava na sétima série. Ela se chamava Marina. Ela era considerada, na escola, a menina mais bonita, desejada e invejada.

Tinha cabelos lisos e pretos até o meio das costas, olhos escuros, pele bem branca e corpo perfeito. Podia comer batata frita chocolate, sorvete e pizza que continuava perfeita.

A sua turma era a mais animada, os amigos mais descolados e os namorados mais bonitos de toda escola. Ia às melhores festas. Fazer parte desse circulo era ter status.

Nessa época, andava com a Irmã dela, freqüentava sua casa, ela me contava as coisas, eu pedia conselhos pra ela e nos tornamos amigas. Considerava isso o máximo porque mesmo ela sendo quem ela era não deixava de ser humilde, ajudar e conversar com os outros.

Eu era totalmente sua fã e queria sempre ser igual a ela, mesmo que as condições não permitissem. Eu sempre a defendia quando falavam mal dela. “É inveja”, eu sempre repetia. Ela era tão perfeita que até os defeitos dela eram tranquilamente superados pelas qualidades.

No fim de semana passado, recebi um recado no celular falando que ela tinha bebido muito na festa de 15 anos de sua prima e desmaiou, entrando em coma alcoólico. Aquilo foi um susto para mim. Corri ao hospital que ela estava internada. Recebi informações que ela já tinha acordado do coma, que só estava dormindo.

No quarto, não estavam seus pais nem seu namorado, apenas sua irmã mais nova, a que era minha amiga. Abri a porta sem deixar que ela me visse. Olhei. Tive pena. Saí sem dizer nada. Estava confusa. Porque será que ela tinha bebido? E seus pais? E seu namorado? Onde estariam?

Voltei para casa, nem sei como de tanto que eu pensava. Lembrando de todo o tempo que eu quis ser como ela. Resolvi recuperar meus diários daquela época. Sexta e sétima série. Havia muitos relatos sobre ela. Sobre ela e sua família. Sobre ela e seus amigos. Sobre ela e seus namorados. Eu era a paparazzi número um dela.

Reli uma boa parte de minhas anotações e, agora mais amadurecida, pude perceber algumas falhas no mundo perfeito dela. Eu nunca citava os pais dela, apenas quando ela se queixava de algum mal entendido entre eles. Falando dos namorados oficiais, só tinha coisas de quando eles ficavam bêbados ou drogados e matavam aulas, e como ela se orgulhava de estar junto.

Realmente, Marina era perfeita. Vivia num mundo perfeito que ela mesma criara. Algumas pessoas sabiam disso. Outras não. Outras fingiam que não e a usavam. Todas as experiências que ela me dizia empolgada, não faziam parte de nenhum mundo perfeito e sim parte de um mundo inventado, de farsas.

Eu lia e relia milhões de vezes e me condenava por ser tão ingênua. Por acreditar! Como eu poderia querer ser como uma menina que finge e usa as outras pessoas? Quanto tempo eu não perdi? Quantos amigos não romperam comigo por causa dela e de minha mania de defendê-la? Inclusive sua irmã, a que eu não cumprimentei no hospital.

Todas as pessoas que eu julgava invejosa, na verdade, era quem a conhecia de verdade. Tanto é que, a maioria delas, eram pessoas que em certo momento de suas vidas foram bem próximas. Foi pensando nisso, ao ler meus próprios escritos, que me toquei na verdadeira Marina. Tentando manter longe as pessoas que a conhecia bem, usava outras. Quando essas outras queriam uma maior aproximação, ela as dispensava. Era por isso que sua irmã não conseguia ver como eu a via. Foi assim com todas as pessoas que ela foi amiga. Inclusive eu mesma. Ela era má e isso me doía muito.

Deitei na cama com meu último diário, frustrada e aborrecida. A vida de Marina era desprezível. Dormi rapidamente. Ao acordar, com uma profunda dor de cabeça e leves enjôos, senti meu corpo despertando de um terrível pesadelo. Senti os braços de minha irmã apoiados na minha barriga, entrelaçando sua cabeça. Ela estava cochilando. Gemi alto para que ela ouvisse, ela olhou para mim séria e deu nos ombros. Foi então que eu disse: “Ju, me coloquei no seu lugar! Pode me perdoar, por tudo? Prometo que mudarei”. Ela sorriu e disse: “Marina, você nunca mais vai beber na vida!”

O dia que comi feijão

Essa história, na verdade, começa quando eu ainda comia feijão. Bem, pra ser sincera é uma época que eu quase não me lembro e poucas coisas são apenas em flashs. Como por exemplo, quando eu comia sopa de letrinhas e de feijão. Quando fecho os olhos, me concentro, consigo lembrar a fumacinha saindo e uma amostra do gosto chega a minha boca. Lembro dos meus irmãos e eu, de banho já tomado, com aqueles pijamas quentinhos de flanelas com estampa de bichinhos sentados nos banquinhos da cozinha, quase do nosso tamanho, um pouco menor. Nessa fase era prazeroso comer.

Foi em uma escola de período integral que a enjoação toda começou. Era uma escola carioca, tinha acabado de mudar para o Rio de Janeiro. Os almoços eram arroz, feijão preto, peixe ou alguma outra carne. Éramos obrigados a comer pelo menos uma mistura além do arroz e feijão. Aquilo foi entrando em mim e eu tinha cada vez mais nojo. Chegou uma hora que eu me revoltei.

(por favor, caso você esteja comendo e/ou tenha estômago sensível, não leia as próximas frases)

Era uma tortura ter que comer, ou melhor, enfiar goela a baixo, peixes com espinha, almôndegas recheadas de asinhas de mosca, feijão preto sem caldo e com gosto de plástico, arroz duro e amarelado e de sobremesa, gelatina com um caldo suspeito. Até na “semana da criança” éramos presenteados de hambúrgueres e batata frita com pitadas fios de cabelo. Era muito nojento. Conheço pessoas que ficaram menos revoltados, como meus próprios irmãos e um amigo que até hoje mantenho contato, que se lembram apenas como “é, a comida era bem ruim, mesmo”, mas para mim, a comida não era ruim, era nojenta e eu não achava que meu corpo era obrigado a ingerir aquilo.

Não que a escola tenha me feito ser do jeito que sou hoje, mas tenho certeza que por ser do jeito que sou, agi com rebeldia. Segui meus princípios, o primeiro de não ingerir nada que não tenha passado por uma inspeção da vigilância sanitária. Ficava sentada ali na mesa, conversando com meus amiguinhos que iam saindo um a um, me vendo sozinha, brincava com a comida – não a comia, brincava com ela – a essa altura não tinha mais ninguém no refeitório, até os alunos mais velhos que eram os últimos a chegar, já tinham ido embora. As copeiras viam conversar comigo, me obrigavam a comer, falavam que eu não ia sair dali se não comesse, conseqüência disso foi eu ter perdido muitos recreios destinados à digestão sentada na mesa do refeitório. Uma vez, me lembro de ter chegado quando o recreio da minha classe já tinha acabado e a professora já estava em sala de aula.

Aliás, fugindo do feijão, o que fiz depois que saí dessa escola, lá, no mesmo lugar, eu era brigada a fazer natação e ballet, enquanto os meninos, sempre levando vantagens, praticavam judô, bem mais legal que pliê-estiquê. Desenvolvi uma sinusite para, naquela época, não nadar e por ter atestados médicos não precisava nadar como todas as outras crianças-abacatinhas (o maiô e a touca eram verdes). A doença, que deu muito dor cabeça – em todos os sentidos – sumiu misteriosamente alguns anos depois para que eu pudesse viver bem . Sobre o ballet, não digo que traumatizei, mas não gosto muito da modalidade. Talvez seja por não gostar mesmo e não tenha nada a ver com as aulas, porque hoje eu gosto de dançar e tudo mais, mas ballet me lembra a escola, então nada de piruetas.

Voltando ao feijão, me afastei dele desde essa época. Não só dele, coitado, não vamos fazer distinção, muito menos ser preconceituosa com o carioca. Não como feijão preto e branco, almôndegas – porque me faz lembrar um gosto estranho que não era de carne -, peixe e outros frutos do mar e até lasanha, tenho uma leve lembrança de que comia antes e parei de comer repentinamente.

Fui me virando todos esses anos sem anemia e nenhuma outra doença por falta de ferro, seguindo meu cardápio. Sempre que brincavam comigo sobre estar fraca, precisando comer mais feijão, eu sorria e continuava a brincadeira “talvez começar a comer seria uma opção válida” mas eu nunca levava a sério.

A última vez que comi algo dessas modalidades foi na mesma época, morando no Rio, fui visitar uma amiga e de almoço tinha camarão (nhami, que delícia! Eca!!) comi com ajuda do suco de fruta que foi servido na hora e sem mastigar e tocar na parte da língua que faz sentir o gosto, fui educadíssima. Nunca mais fui a casa dela.

Até o dia que eu resolvi virar vegetariana. Levando em consideração que no dia-a-dia das pessoas, as refeições são feitas a base de arroz-feijão-salada-carne, tirando a carne eu teria opção arroz-feijão-salada. Tirando o feijão que não era opção válida, ficava arroz e salada. Não como arroz puro porque não tem graça, então sobra salada e se eu comer só salada por duas semanas, eu desisto. Por isso, decidi comer feijão. Para dar um gostinho a mais no arroz-salada-batata (ou alguma outra dica do dia).

A minha primeira experiência foi só com o caldo em cima de apenas uma colher de arroz. O cheiro e o gosto não eram diferentes do que achei que seria. A diferença estava no preparo, na hora de servir, no tempero, na higiene que só vi não ter naquela escola. Comi de olhos fechados, pensando em ser chocolate! Demorei quase um mês para fazer a decisão definitiva de ser vegetariana. Quando fui, no primeiro almoço sem carne, comer o feijão que estava me esperando e praticamente me chamando, o que foi que eu percebi? Era feijão preto. Aquele – IGUALZINHO – o que eu comia na escola. Claro que não era nojento, era um feijão maravilhoso, toda minha família – que come feijão preto – gosta. O problema é que me recusei a começar a dieta do feijão com feijão carioca, fala sério, era sacrifício demais! Almocei uma saladinha gostosa!

No dia seguinte tinha feijão “paulista” e eu almocei arroz-feijão-salada e deu tudo certo, nem precisei pensar que era chocolate. Não sou fã, ainda – posso vir a ser –, do feijãozinho, mas como um diálogo que eu tive com minha irmã que achou que eu estava errada de trocar algo que eu gosto – carne – por alguma coisa que ainda não gosto, mas toda mudança exige sacrifícios. Eu sei disso porque já mudei tudo, muito. Estou me adaptando muito bem com meu novo companheiro diário. Não estou sentindo que estou fazendo nenhum grande sacrifício, a comida daqui de casa é realmente muito gostosa e temperada – e higiênica!

Tendências trabalhistas


É ensinado desde cedo que o trabalho é indispensável para tirarmos recursos para a nossa sobrevivência. Existem muitos tipos de trabalho, mas de maneira geral ou se trabalha na fabricação de produtos ou partes deles, ou presta um serviço, o que está virando tendência por causa das inovações tecnológicas do mundo moderno.
Muito se fala sobre o emprego dos sonhos que são, normalmente, relacionados aos artistas, empresários, investidores entre outros, mas cada profissão tem seus obstáculos, seus problemas isso porque não existe trabalho sem esforço.
O progresso da sociedade capitalista faz com que todas as áreas abram novos ramos, mas estão exigindo pessoas com mais conhecimentos específicos, estimulando às pessoas a estudarem mais e conseguirem outros certificados além do terceiro grau.
A concorrência, uma conseqüência do capitalismo, é tendência mundial e para que as empresas progridam é necessário investimentos em tecnologias que produzem mais em menos tempo e então, as pessoas que ainda usam a força física como seu instrumento de trabalho, tem sua atividade desvalorizada, recebendo salários mínimos e completando um ciclo: a pessoa que ganha pouco, muitas vezes, trabalha em mais de um emprego para ganhar mais dinheiro para poder viver melhor, mas por conta disso, não encontra tempo para se especializar, não conseguindo melhorar de vida.
O mundo está evoluindo e, com ele, as máquinas trabalhando no lugar de pessoas, fazendo com eu os homens tenham que usar o que uma máquina jamais poderá nos superar na hora de criar, montar, criticar etc. Usar a arte de pensar para ganhar espaço no mundo em evolução.

Érica

Apresento-te: Érica.

Érica significa sempre forte, como ela sempre foi. Não é perfeita, mas é interessante. Érica nasceu de um casal de adolescentes em 25 de fevereiro 1988. Pisciana. Louca de vontade de viver a vida a flor da pele. Consciente mais do que, talvez, suas amigas por seus pais serem tão jovens, sua mãe hoje com 35 anos e seu pai com 37, separados desde 1991. Kaká, como gosta de ser chamada foi aprendendo com seus erros e foi estabelecendo regras para ela mesma com o intuito de ser mais justa e correta com ela e as pessoas com quem se envolve. É carente, como todo pisciano, mas não faz questão de namorar alguém só por carência. Algumas aventuras e outras desventuras provaram que o ditado está certo “antes só do que mal acompanhado” e está começando a descobrir, relatando todos esses fatos, que talvez o problema não seja os meninos, mesmo. Talvez falte ela descobrir o seu ponto forte e suas qualidades antes de procurar isso em outras pessoas. Já namorou uma vez mais de um ano e meio. Nunca mais namorou, mas sempre tem pequenos relacionamentos.
As 10 regras de total boa convivência com o mundo
Érica Martins
1. Não sair com homens comprometidos.
2. Não cobiçar as coisas alheias.
3. Nunca mentir sobre sentimentos quando perguntarem.
4. Honrar pai e mãe – e os outros legítimos superiores
5. O que acontece entre amigos, fica entre amigos.
6. Não matar – nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo
7. Sempre que quiser fazer, desde que não quebre as regras, faça.
8. Não furtar – nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo.
9. Não ficar (só por ficar) com mais de um menino por turma.
10. Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo
nos próximos posts dessa categoria, descobrirá mais sobre os relacionamentos dessa nova personagem!


Links para as estórias:

Humberto

(antes de ler esse post, leia o primeiro post da série)
Falar de Humberto é muito difícil. Impossível falar que o conheço bem, mesmo achando que sim. Nem sei se tenho muito a dizer sobre nossa relação de amizade e/ou amorosa – se é que existiu alguma amorosa–. Há dois anos nos conhecemos. Fomos apresentados por um amigo, sua namorada e sua irmã. Os três viviam falando que nós dois combinávamos, éramos parecidos, nós íamos nos dar bem etc. e tal. Um dia o amigo me passou o MSN e Orkut dele e começamos a conversar. Ele ia à mesma festa que eu no fim de semana. Estava realmente animada e aqueles meus amigos ficaram falando dele a semana toda. E o grande dia chegou e nos conhecemos. Ele estava lá. Lindo, solteiro, com os amigos, se divertindo e bêbado. Muito bêbado. Tanto que quase não se lembrava de ter nos conhecido no dia seguinte. Mas não faltaram oportunidades de estarmos juntos outras vezes, nós sempre nos encontrávamos e uma amizade sincera, de ambas as partes, foi surgindo. Como imaginei pelos relatos de meus amigos, éramos muito parecidos mesmo e nos dávamos muito bem. Mas uma coisa eles me avisaram: se eu quisesse ter algo a mais com ele, não poderia conhecer a ex-namorada dele, pois era excepcionalmente fantástica amiga essa Madalena, meiga, sincera, carinhosa, atenciosa. E ex-namorado de amiga, vocês sabem que é pra sempre namorado. Na semana em que eu conheci Humberto, conheci também Madalena. Ela veio como quem nada quer se apresentando, dizendo que era amiga de alguns amigos meus e que era ex de Humberto. Eu só continuei a conversa, e nada mais, não fiquei puxando papo. Talvez ela tenha percebido que eu estava o rondando e ela quis me deixar a par de todas as informações sobre o ex-relacionamento deles. Ela me contou a história toda deles. Sem eu pedir, é claro. Não a considerava ainda amiga, mas não podia deixar de entender o recado dela! Ela não queria que ele ficasse com ninguém nunca mais, ainda mais alguém conhecida, pois ainda o amava muito. Desde o início tínhamos muito em comum e eu comecei a sentir uma atração a mais por ele e pensando que ele também sentia, certa vez acabamos nos beijando em uma noite de aventuras pelo bairro, um beijo, o primeiro de muitos. Eu mesma contei para a Madalena. Ela ficou extremamente triste comigo e não falou comigo por umas duas semanas, só quando ela percebeu que não tinha nada a ver mesmo ela voltou aos poucos a falar comigo. Minha amizade e de Humberto não mudou nada depois de nosso beijo. Éramos cada vez mais amigos e mais ligados. Um começou a se preocupar e cuidar cada vez mais um do outro. Ele sempre vinha aqui em casa com nossos outros amigos para jogar vídeo game – eu sempre tive os jogos mais legais – e às vezes passávamos a noite inteira fazendo nada sentados na frente da casa dele conversando e ele bebendo álcool de quinta categoria e na fase que eu estava, qualquer coisa era adrenalina para mim. Batendo de frente com meus pais e ficando a noite toda fora de casa sabe-lá-Deus-com-quem como dizia minha mãe, trazendo esses mesmos sabe-lá-Deus para minha casa. Era aventura. O problema começou aí. Éramos amigos demais e tínhamos algo que não deixava nos separar nunca. O dia todo nos falávamos por MSN e telefone e mandávamos mensagens bonitinhas por Orkut – e diga-se de passagem, todas as meninas que eram apaixonadas por ele, morriam de inveja de mim por ter aqueles escritos na minha página de recados -. A gente não sabia no que ia dar uma amizade tão forte e tão instantânea. Em uma noite, quando várias pessoas foram dormir na minha casa, inclusive ele, nós nos beijamos de novo. Ninguém poderia saber, pois estavam todos dormindo. Ele me beijou com muita vontade, mas me disse que tinha medo que eu me apaixonasse, pois éramos “amigos coloridos” e queria continuar com isso. E eu jurei que não me apaixonaria. Não que ele não fosse apaixonável, mas eu preferia ter ele como amigo a não ter ele como nada, claro. Nossa vida era feita de altos e baixos e todos os baixos eram culpa minha, ele dizia. Às vezes ele parava de falar comigo de repente. Depois de uma semana me dizia “eu te desculpa por tal coisa” e eu ficava confusa porque não sabia do que ele estava falando ou às vezes considerava que quem tinha feito alguma coisa errada era ele e ele sempre falava que não. Dizia que quem estava errada era eu, mas ele me perdoava. Eu apenas ignorava. Eu estou acostumada a atrair pessoas loucas, mas louco como ele, era o primeiro. Nossa vida foi seguindo assim. Comecei a namorar outra pessoa e acabamos nos distanciando por causa disso, por acaso, esse meu namorado tinha um ciúme doentio por ele que não sabia da onde vinha. Eu sabia. Na semana que terminei esse namoro, depois de mais de um ano e meio, eu estava sensível e até triste. Para distrair saí com três amigos, inclusive ele. Estávamos no banco de trás do carro e os outros dois amigos na frente. Ele estava perto de mim, como antigamente. A gente já tinha conversado sobre o fim do namoro que talvez, muito talvez, tinha alguma chance de continuar. E ele sabia que eu não ia ficar com ninguém até ter certeza que tinha terminado definitivamente. Ele olhou para mim com cara de quem queria carinho. Foi chegando mais perto. Disse para eu fechar os olhos – o que eu não fiz – e veio até minha boca e tentou me beijar. Não deixei. Onde já se viu? Ele sabia que eu não queria ficar com ninguém até ter certeza do outro relacionamento. Ele tentou de novo. Pegou meu rosto e grudou com o dele, fechei minha boca com toda força. Sorri para ele e ele sorriu para mim. Os nossos outros dois amigos saíram do carro para deixar-nos a sós e disseram que o que acontecia no carro do João, ficava no carro do João (e estávamos no carro dele). Ele insistiu. Perguntou por que não. Eu expliquei. Tentei, pelo menos. Ele beijou meu pescoço. Minha orelha. Ele foi chegando mais perto e eu não estava conseguindo resistir. O Humberto iria sempre ser o Humberto, não tinha como mudar a atração que eu sentia por ele, mesmo se nos mantivessem afastados. Eu cedi. Ele me beijou forte e com vontade. Ficamos no beijamos por uns dez minutos corridos, sem parar. E eu pensei se já que tinha beijado mesmo, iria ficar pra valer com ele, o resto da noite. Se eu voltasse com o meu ex-namorado, de qualquer maneira já iria ter ficado com outro se eu desse mais um beijo ou não. Ou seja, seria “traição” de alguma forma se eu continuasse ou parasse naquele beijo de qualquer jeito. Mas ele não pensou assim… Humberto, não meu ex-namorado. Humberto me deu mais dois ou três pequenos beijos. Disse que eu continuava a mesma, que adorava meu beijo. E os outros meninos entraram no carro para continuarmos nosso passeio. Ele deitou no meu colo e quando eu fui beijá-lo, ele desviou. Não entendi nada. Pensei que fosse por causa dos meninos. Não era. Os meninos sabiam que o que acontecia no carro do João, ficava nele. Ninguém ia sair espalhando. Em certo ponto do passeio saímos nós dois apenas. Eu olhei pra ele. Ele fingia que eu não estava ali. Estava frio. Eu fui beijá-lo. Ele não deixou. Eu perguntei por quê. Ele disse que não queria mais. Eu perguntei por que ele era assim, daquele jeito. Respondeu que já tinha nascido assim e pediu desculpas. Beijou minha testa e pegou na minha mão para me levar pro carro. Mas eu disse antes de entrar que ele tinha me feito fazer algo que eu não queria, pois poderia magoar alguém que eu amava de verdade – no caso, meu ex-namorado se a gente voltasse – e iria ser isso. Só um beijo para ver se meu beijo continuava bom como antes. Ele disse que sim e entrou. A única conclusão que consegui chegar foi que ele só me queria como um desafio. Eu não queria ficar com ele por estar ainda enrolada com meu ex-namorado e se ele conseguisse ficar comigo era por que, talvez, ele fosse o todo-poderoso. Não que fosse bem assim, ele era o Humberto. O Humberto. O MEU Humberto. Depois de ter terminado definitivamente esse namoro, nós nos vimos mais uma vez. Acabamos nos beijando de novo e fiz o que ele fez comigo aquela vez. Só para checar que ele ainda beijava bem. Não que eu tenha DITO isso pra ele. Beijei uma, duas, três vezes depois o dispensei para ficar com os outros amigos que estavam junto também. Foi bom ter pagado na mesma moeda, mas por causa disso nunca mais nos falamos. E eu sinto saudade. Espero que daqui umas semanas ele venha me dizer que me perdoa por alguma coisa que eu (não) fiz e volte tudo ao normal.

Ernesto

(antes de ler esse post, leia o primeiro post da série)
Falei tanto do meu ex-namorado que no mínimo uma curiosidade surgiu, não é mesmo, leitores? Conheci Ernesto quando estava enrolada com outro cara e me apaixonei imediatamente que o vi. Minhas amigas me apresentaram e ele parecia ser o cara perfeito para mim e foi mesmo, durante um ano, sete meses e catorze dias. De 12 de março de 2006 até 26 de outubro de 2007, oficialmente. Eu tinha 18 anos quando começamos e terminados quando eu tinha mais de 19 anos e meio. Foi na minha época pós-escola. Uma época maravilhosa. Estudamos no mesmo cursinho pré-vestibular. Ele era extremamente lindo e inteligente. Gostava do mesmo tipo de música e era um pouco menos caseiro do que eu. Éramos o par perfeito, todo mundo nos elogiava quando nos viam. Tinha uma coisa nele que sempre me chamou atenção, no começo era fofo, mas perto do fim me irritava. Suas bandas preferidas eram formadas por bateristas, guitarristas, baixistas ou qualquer outro tipo de instrumentalista de qualquer sexo, mas a vocalista tinha, necessariamente, que ser uma mulher. Pitty, Pato Fu, Ludov, Avril Lavigne e até Elis Regina com suas Águas de Março, entre outras mil bandas de mulheres. E eu com meu gosto eclético para tudo, acabei gostando do que ele ouvia também. Escuto muito Ramirez e Leoni, mas não tenho nada contra nada específico. Ele tinha. Não suportava ouvir homens cantando. O máximo que ele suportava era um dueto ou algo parecido. Nunca fui de me importar muito com isso, escutava o playlist dele com a maior boa vontade. A única coisa que me deixava brava era quando ele chegava a minha casa e mudava de playlist para a que ele queria. Isso me deixava irritada. E ele reclamava dizendo que eu gostava das coisas dele e ele não gostava da minha. Eu sempre voltava para a minha. Problema era dele se não gostava. Muitas vezes ficávamos sem ouvir nada por conta disso. Tempo bom aquele. Estudávamos muito para conseguir passar na faculdade que queríamos. Ele passou na USP, em Direito, na primeira tentativa, ele era muito inteligente. Eu continuei no cursinho e no ano seguinte entrei em jornalismo numa particular, já que no primeiro ano eu não tinha decidido ainda o que fazer. Nós sempre íamos a pequenos shows que tocava mais de uma banda cover e/ou nova – com mulheres no vocal – e nos divertíamos muito. Sempre quando a próxima banda era de vocal masculino ele dava um jeito de me chamar para um canto e ficarmos namorando ali. Ele tinha uma técnica especial que sempre me fazia ceder. Não sei bem o que era, quer dizer, até sei, mas não quero contar. Brincadeiras a parte, ele era um namorado muito interessante, atencioso, meus pais até gostavam dele, acreditam? Nos fins de semana eu ia para casa do meu pai, já que ele morava mais perto das badalações – já passei da idade de ser obrigada a passar o fim de semana com ele, depois dos quinze, eu ia se e quando eu quisesse – e ele deixava a gente dormir no mesmo quarto, o meu, sempre. Era só avisar antes. Minha mãe não gostava muito por causa da minha avó que mora com a gente, mas se precisasse, caso ficasse tarde, não tinha problema algum. Só tinha uma regra que era nada de sexo na mesma casa de mamã e vovó. Era uma regra engraçada, mas era regra. A vida era boa com ele, nos divertíamos. Ficamos um tempão juntos, mas nosso amor foi desgastando, de repente não éramos mais apaixonados. Terminamos uma vez. Voltamos menos de um mês depois. Só que ele terminou comigo mesmo para ficar com uma vocalista de uma banda nova. Eu sempre soube do fascínio dele por mulheres no vocal, mas nunca achei que seria trocada por uma.

Henrique

(antes de ler esse post, leia o primeiro post da série)
Henrique era melhor amigo do cara que eu gostava até uns dias antes, no carnaval. No vigésimo quinto dia de fevereiro, por telefone, nos conhecemos. Esse é o dia do meu aniversário e o cara que eu gostava me ligou para me desejar felicidades e como Henrique estava junto, falou comigo também. Foi nosso primeiro contato. Eu já sabia quem era ele e ele já sabia quem era eu. Sem perder tempo, o adicionei no Orkut e no MSN e começamos a nos falar. Em uma terça feira, ele me chamou para sair, para tomar uma cerveja, bater um papo, comer um lanche. Ele me buscou em casa e fomos a um bar. Conversamos muito sobre tudo e percebemos bastante afinidade um com outro. Eu estava me sentindo totalmente atraída por ele e vice versa. Ele me chamou para ir a casa dele, assistir um filme. Sentamos no sofá e ele me beijou, perguntou se eu estava com ele pra fazer ciúme no amigo dele e eu disse que não, que ninguém precisava saber disso de propósito. Fomos deixando nos levar pelos instintos carnais e foi ai que rolou a minha primeira vez. Tinha acabado de fazer dezessete anos e não me arrependi nenhum dia da minha vida de ter feito com ele. Eu sei que tinha acabado de conhecê-lo e não tínhamos nada sério, mas não me condeno por isso, não. Meu ex-namorado me condenava tanto que foi um dos motivos que eu dei um pé-na-bunda dele. Nós tínhamos muito em comum e dois dias depois saímos de novo. Ficamos dando voltas de carro conversando sem saber aonde ir. Passamos por um bar que tinha gente conhecida, eu perguntei se a gente podia ir, ele ficou meio indeciso e eu perguntei se ele tinha vergonha de mim. Quando eu disse isso, ele deu a seta para estacionar e parou o carro ali mesmo. Descemos, bebemos alguma coisa e fomos embora. Fomos para a casa dele. Minha mãe tinha ido viajar, não iria ficar brava se eu chegasse tarde. Foi a última vez que ficamos juntos. Ele não queria nada sério, eu também não. Conheci outro cara que fiquei até conhecer meu ex-namorado e já terminei o caso para namorar sério. Namorei mais de um ano e meio e quando terminei quem estava namorando era ele. Não sei se eu faço questão de ter nada, de novo, com ele, talvez só não queira perder o contato com o cara que está com minha virgindade e minha calcinha preferida na qual esqueci lá na nossa segunda noite.

Fabiano

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Conheci Fabiano com uns catorze anos no prédio da minha tia, sempre que ia visitá-la via um grupo de pessoas da minha idade e um dia fui conversar com eles. Ele logo me chamou atenção por ser bonitinho, mas descobri que era dois anos mais novo que eu. Não me lembro de detalhes do início sei que nos atraímos rapidamente. Sempre que nos víamos rolava certo clima, mas nada que se consumasse. Um dia ele e outro vizinho foram bater na porta da minha tia e eu atendi. Eles me disseram que tinham feito uma aposta com as vizinhas, se ele levasse uma menina e provasse que namoravam, ela daria vinte reais e me chamaram para ser essa namorada. Eu não aceitei ao menos que me dessem dez reais! Eles aceitaram e fui lá de mãos dadas com ele e na frente delas demos um selinho, mas acabei ficando sem meu dinheiro. Ele dizia que gostava de mim, que tinha ciúme e que queria ficar comigo e quando eu ia para lá ele sempre dava uma desculpa e nunca ficávamos. Os anos foram passando e nunca ficávamos. Um dia, eu fui, a convite dele, passar o domingo lá. Mesmo achando que não íamos ficar de qualquer maneira, iria ficar ali com o pessoal e ia ser legal. Ao chegar lá o encontrei agarrando uma de nossas vizinhas uns cinco anos mais velha que ele! Todos os nossos amigos falaram que foi mesmo mancada dele e ficou por isso mesmo. Nunca mais quis nada com ele até que um dia sem querer ficamos de verdade. Estávamos na piscina do prédio e estávamos bem amigos essa época. Eu estava quase fazendo dezessete anos e acabei indo com o embalo. Ficávamos sozinhos na casa dele. Era bem engraçado, sempre achei que minha primeira vez ia ser com ele. Eu era meio boba nessa época e ele já estava com segundas intenções. As vezes nem nos beijávamos direito, mas ele ficava colocando a mão em lugares impróprios para menores. No começo o pressionei, disse que não podíamos fazer isso por eu ser uma menina “séria” e que só fazia namorando. Ele me ignorava e continuava. Ele dizia que não queria que eu me “entregasse” nem nada, só queria ficar daquele jeito, me tocando, me descobrindo. Resolvi deixar pra lá e aproveitar. Ele realmente estava me usando uma cobaia para seus experimentos e eu não reclamava porque eu estava gostando. Ele era muito infantil para mim e não queria namorá-lo. Ficamos nessa durante um mês. Logo que fiz dezessete anos conheci o cara com quem eu perdi minha virgindade e ele me perguntou se eu era mesmo virgem porque não parecia. Eu disse que era mesmo virgem, mas tinha esse meu “amigo” que tinha me explorado tanto que me deixou daquele jeito, pronta pro próximo.

Dalbert

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Meu segundo ano do colégio foi marcado por me apaixonar por meninos indevidos (pensando melhor, todos os homens que me envolvo são indevidos – salvo apenas meu ex-namorado que era um amor). Esse moreno de olhos verdes me fez pensar na minha primeira regra de sobrevivência, pois nunca imaginei que me envolveria com alguém comprometido. Quando nos conhecemos, ele era solteiro. Foi um amigo nosso que nos apresentou, com esse negócio de Orkut MSN e afins, essas coisas ficam bem mais fáceis. Mas acabou sendo um problema para mim. Esse meu amigo que nos apresentou era meu amigão mesmo e achava que ele combinava comigo e por isso nos apresentou. Eu o vi no Orkut e o achei super gato e gostei muito das comunidades que ele estava. Nós tínhamos muito em comum – menos a parte de “eu odeio Sandy e Junior” dele e “eu amo Sandy e Junior” meu -. Ele parecia um cara perfeito. Tão perfeito que achei que ele não existia, talvez fosse minha imaginação que deixasse ele perfeito, afinal, não tem condições de saber se a pessoa é sincera ou não por MSN. Começamos nos falar por telefone também. Mas nunca nos encontrávamos. De repente, em um final de semana, ele saiu com uma menina e começou a namorar. E eu estava já apaixonada por ele, ele sabia disso por que sempre falava que queria me encontrar com ele, abraçá-lo e olhar nos olhos dele. Nós éramos amigos suficientes para isso, independente do meu sentimento para com ele. E eu fiquei muito chateada. Arrasada. Continuei insistindo que nos encontrássemos, mas totalmente sem esperanças, só para olhar dentro de seus olhos e ter certeza de que ele não sentia a mesma coisa por mim. Só para ter certeza. Insisti tanto que ele cedeu. Estudávamos bem perto e um dia de jogos internos da minha escola eu fui até a dele. Estava quase chovendo. Pelo caminho inteiro andei com vontade de chorar, mas não consegui, eu estava feliz, acima de tudo. Ele veio tímido rezando para que ninguém nos visse, pois sua namorada estava dentro da escola e ia ficar triste de vê-lo conversando com outra menina. Seus olhos verdes eram ainda mais verdes ao vivo. Ele estava me hipnotizando. Ele era muito alto, talvez minha cabeça chagasse em seu peito, o que me fez ficar mais feliz ao nos abraçarmos, me senti protegida. Eu realmente gostava dele, e não era coisa pouca. Ele não estava tímido, estava morrendo de medo de alguém ver e contar pra namorada. Acho que ele não queria magoá-la, sabe?! Disse um “oi” bem meia boca e me dispensou rápido dizendo que eu ia pegar chuva. Eu fiquei triste com esse comentário por que eu não tinha medo de chuva e não era feita de açúcar, por isso ele não precisava se preocupar, mas eu ia embora mesmo, já tinha visto o que eu queria, ele realmente não era a mesma pessoa que eu era apaixonada. O problema é que isso não diminuiu o que eu sentia. Nessa época, ocorria na minha vida a chance de eu mudar para o interior para fazer o terceiro colegial e a faculdade. Cogitei a idéia desde que nada me prendesse aqui. E como a única pessoa que eu estava interessada não podia me prender, resolvi ir. Um mês antes de ir, resolvemos nos encontrar para se despedir. Fomos ao cinema. Desde antes mesmo de comprar nossos ingressos para assistir “Harry Potter e o Cálice de Fogo” já tínhamos nos beijado e minha paixão se tornou mais forte. Ficamos juntos no filme inteiro, nem assistimos. No fim do filme saímos de mãos dadas, esqueceu totalmente que eu não era a oficial dele, e sim a “outra”. Em algum momento estranho ele lembrou que tinha uma namorada e que ela não estava com ele e resolveu dar um telefonema para ela. Disse que ele estava com os amigos e que ia demorar. Ela disse algo como “eu te amo”, por que ele respondeu “eu também amo.” No mesmo momento que ele desligou com ela, sua mãe ligou e ele disse que estava com a namorada – oficial – dele. Burro, muito burro, mas tudo bem. Quando desligou, eu tirei muito sarro da cara dele e dos homens em geral. Porque ele não sabia mentir. Ele estava traindo a namorada e não sabia mentir, achei muito coisa de homem. Imagina se a menina liga para a casa dele e a mãe dele atende e fala “ué, ele não estava com você?”. Homens. Burros. Fomos embora com a sensação que isso nunca mais aconteceria, até porque eu estava quase me mudando. Continuei apaixonada por ele até aparecer outro indevido em minha vida. E por causa desse outro, não me mudei. Um ano depois, aproximadamente, ele estava solteiro de novo. Voltou a falar comigo por MSN e mandar mensagem no celular. Decidi me aproximar dele como amiga e nada mais, afinal, não teria condições de eu me envolver com um cara que traiu sua ex-namorada comigo. Convidou-me para ir ao cinema e eu decidi aceitar, pensando que se rolasse rolou se não, não teria problema nenhum. Conversamos bastante e não nos tocamos em nenhum momento. Até a hora do filme que ele pegou na minha mão e ficou acariciando. Quase no fim do filme, ele me beijou e não ia ser eu que ia cortar o barato dele, não é mesmo? Ficamos mais ou pouco no shopping e resolvemos ir embora. Como a casa dele era caminho da minha, dei uma carona para ele (sim, era menor de idade) e ficamos conversando na frente do portão dele. Conversamos um pouco sobre a primeira vez que ficamos, conversamos sobre varias coisas e nos amassando. Do nada, começou um papo estranho. Ele me perguntou se eu era virgem. Eu disse que sim. Totalmente verdade. Ele disse que era também. Achei estranho por ter namorado tanto tempo a ex dele, mas tudo bem. Eu achei estranho ele perguntar por que não tinha contexto algum e eu não achava que ele estava com intenção que perdêssemos as nossas juntos, naquele dia, dentro do carro, mesmo. Com aquela dúvida inerte, resolvi questionar o porquê. Ele respondeu sem nenhum tipo de censura, pudor ou ainda senso de ridículo dizendo que eu parecia um tanto quanto carente demais e que ele achava que eu precisava de um namorado, até para suprir desejos sexuais (dos quais NEM EU sabia que eu tinha tanto assim). E perguntou se minha carência não me fazia mal. Fiquei muda e imóvel. Do que ele estava falando eu não tinha idéia. Não sabia se ele tava me pedindo em namoro (que eu não ia aceitar por não confiar nele) ou se ele tava tentando me analisar ou se ele apenas estava tirando sarro da minha cara. E ele completou: seria bom um namorado para você fazer sexo com ele. Cara-de-pau. Quem disse que eu precisava fazer sexo? Nem minha terapeuta falava assim comigo. Fiquei incrédula com o que ouvi e fiquei com vontade de jogá-lo para fora do carro pela janela e ainda passar por cima dele com o carro. Eu não disse nada, se disse não me recordo. Só sei que fiquei ainda com mais raiva quando ele perguntou se eu sabia que nós éramos somente amigos. Eu disse que sim, e perguntei por que. Ele disse que não era para eu ficar pensando que estávamos ficando ou que tínhamos alguma coisa séria. Falei na hora que não confiava nele e mesmo que ele quisesse, eu não iria querer. Como se eu fosse louca de entregar minha virgindade para um cara que traiu sua namorada comigo mesma. Ele estava viajando. Eu entendo que ele poderia pensar que, como eu já fui apaixonada por ele, o sentimento voltaria. Mas a forma que ele disse aquilo tudo, foi muito baixo. Nunca mais quis ver a cara dele. Há um tempo, outro amigo meu me disse que achava que eu tinha feito sexo com ele. Por quê? Por que o cara-de-pau falou que tínhamos feito para ele e mais uns cinco amigos nossos. Peguei nojo dele, nunca mais quis olhar na cara dele. Uma pena, porque seus olhos verdes devem continuar mais verdes do que nunca.

Ferdinando

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Ferdinando, ou Nando, era meu amigo fazia algum tempo já. Era três anos mais velho que eu e estava no último ano do colegial e só pensava em farra. Namorou uma amiga minha da oitava série até o meio do segundo ano e quando eles terminaram, ele decidiu “pegar geral”. O problema não era só esse. O problema era que todas as meninas com quem ele saía, ele tratava como brinquedos. Era um tremendo cachorro, mas comigo ele era tão legal! O melhor de tudo é que nós éramos muito amigos e nunca tínhamos tido nada. Eu achava errado o que ele fazia com as pobres meninas, mas não me agüentava de curiosidade e ria com as histórias que ele me contava todo entusiasmado. Um dia era de um beijo horrível. Outro era do assunto que não tinham. Outra história de um pum. Como moramos muito perto um do outro, sempre íamos e voltávamos juntos da escola, onde estudávamos desde pivetes. A gente conversava sobre tudo. Inclusive fui eu que tentei animá-lo depois do fim do namoro. Ele não falava disso com ninguém além de mim. Éramos do tipo irmãos. Depois que fez 18 anos e tirou a carta de motorista, passava pra me buscar todos os dias e me levava de volta da escola. Ele não conhecia minha família nem eu a dele. Não saíamos de final de semana por que todos os dias da semana já eram suficientes para enjoar, então éramos típicos amigos de escola. Em uma véspera de feriado estendido de sete de setembro, que caiu numa terça feira aquele ano, na ida da escola me convidou para ir à praia com ele no dia seguinte. Eu adorei a idéia, mas disse que meus pais não iam deixar. Ele insistiu disse que ia ser legal. Ia ele e mais três amigos e iam pintar o apartamento todinho para ficar mais habitável e me garantiu que não ia me fazer pintar também, que eu poderia ficar tomando o sol o dia inteiro. Seus amigos iriam à tarde do mesmo dia e nós dois iríamos no sábado bem cedinho por que ele trabalhava à tarde de sexta e ficaria cansado para dirigir. O convite feito. Eu comentei com minha melhor amiga e ela morreu de inveja! Olha como mulher é! Disse que ele me chamou porque estava com segundas intenções. Vai saber, né?! Os dois já tinham ficado, mas como ela era minha melhor amiga ele teve piedade dela e não a tratou tão mal quanto as outras. Quando ele estava chegando perto do meu prédio, na volta, fez o convite novamente e eu disse que precisava falar com minha mãe e depois com meu pai para ver se cada um liberava um dinheiro. Ele foi estacionando o carro. Eu comecei a ficar confusa. Ele disse que iria subir para falar com minha mãe. Ela não o conhecia, mas eu falava sempre dele. Ele disse que iria mostrar RG, CPF, número da carteira de motorista – e como era permissão, ele não poderia levar nenhuma multa – e foi saindo do carro e me mandando entrar com ele no prédio, se não o porteiro não ia deixá-lo entrar. O convidei para almoçar, então. Minha mãe estranhou uma pessoa diferente para almoçar e disse que eu falava muito dele, para me matar de vergonha. Mal começou o almoço e ele já fez o convite. Disse que dirigia devagar e que sempre descia a serra, logo não era tão inexperiente como parecia. Minha mãe resistiu um pouco, mas não tinha como resistir ao charme de Nando, até porque ele tinha treinado muito com todas as meninas da escola, ela cedeu logo antes de terminarmos o almoço. E ele teve que sair para ir trabalhar. Fiquei muito empolgada por que era a primeira vez que viajaria sem alguém da família. Liguei para minha melhor amiga contando e ela ficou super feliz por mim, perguntei se ela não queria ir também, mas ela disse que morre de vergonha de estar com ele, por tudo o que tinha acontecido – e fofoca à parte, não foi só beijinhos não. Arrumei minhas coisas e fui me depilar naquela tarde. À noite minha mãe me deu milhões de conselhos e alertas. De manhazinha ele passou aqui e fomos. Eu nunca tinha escutado nenhum CD inteiro dele por que nossas idas e vindas da escola eram rápidas, no máximo quatro músicas. O carro dele era confortável, mas não era muito novo. O ar condicionado não funcionava direito e tivemos que ir de janela aberta. O trânsito estava bom e eu estava morrendo de sono. Conversamos sobre várias coisas, ele perguntou por que a minha amiga não tinha ido – ela até que é gostosinha – ele disse. Fala sério, homens. Cochilei um pouco e voltávamos a conversar. Nós estávamos na metade do caminho quando o carro começou a parar. Seria falta de gasolina? Se fosse, eu pensei, ele seria muito estúpido. Mas antes de eu falar qualquer coisa ele já disse que não era falta de combustível. Estávamos no meio do nada e fazia um calor dos diabos. Paramos no acostamento e eu estava suando e ele muito preocupado. Abriu o capô do carro e fiquei olhando e eu parada no meio fio tomando um refrigerante que tínhamos colocado na caixa de isopor para tomar durante a viagem. Ele ligou para o pai dele e pegou os dados do seguro. Ficamos esperando muito tempo até que um carro de apoio chegasse. E enquanto isso começamos a conversar ainda mais. Ele fingindo que estava tudo bem e disfarçando o nervosismo e eu tentando passar que não estava morrendo de calor e com um pouco de medo. Conversamos sobre as expectativas do tempo para o fim de semana e eram boas. Aproveitei o sol das nove horas e tirei minha blusa que já estava com um biquíni discreto por baixo. Ele desviou os olhos. E como já estava de short, senti o sol batendo e ele não conseguindo tirar os olhos de mim. Até quando ficávamos em silêncio, seus olhos subiam nos meus ombros e voltavam para a barriga. Perguntou se doeu para fazer a minha tatuagem que tinha nas costas. Eu disse que não. Ri. Disse que era mentira, que tinha doído muito. Ele me mostrou uma que eu nunca tinha visto, entre o fim da barriga e a parte que as calças sempre cobrem. Ele era muito atraente mesmo. Agora começava a entender o que atraía tanto as meninas da escola. A tatuagem dele era bem estratégica e deixava algumas meninas loucas. Loucas para ver ou loucas por ter visto ou pior: ter tocado. Eu tentava disfarçar minhas opiniões, mas eu não estava conseguindo. Eu estava ficando bem atraída, mas, não tinha vontade de ficar com ele como as outras meninas tinham. Se fosse para ficar, tinha que ser especial, de alguma maneira. Na praia? Ele sempre levava as meninas pra praia, não ia ser a primeira vez. Ele também estava se atraindo por mim, eu tinha certeza pelos olhares que ele me lançava. Eu não sabia como falaríamos um para o outro de nosso interesse recíproco, mesmo nenhum de nós tendo qualquer dúvida. Estava ficando cansada de ficar parada na estrada quando o carro do mecânico chegou. Ele consertou o carro em dez minutos, alertando-nos que assim que chegássemos na cidade para procurar uma oficina para ter certeza do estado do veículo. Então seguimos viagem. Ele ficou feliz e pediu desculpas. Pra falar a verdade foi bem legal ficar lá na serra com ele, afinal, o lugar tinha uma vista linda, a companhia era ótima e ainda consegui pegar uma corzinha sem que meninos me olhassem – só ele. Continuamos conversando e nem percebemos o resto da viagem, por termos chegado muito rápido. A casa era bem legal, tinha até piscina num jardim. Tinha três quartos onde dois deles estavam ocupados pelo dono da casa e mais dois meninos. O outro quarto tinha só uma cama de casal e eu percebi que ia ficar para nós dois. Gelei. Lembrei do que minha amiga falou sobre segundas intenções. Colocamos nossas mochilas lá, almoçamos e fomos dar uma volta na cidade. Os três meninos, eu e ele. Nando era o mais bonito e mais legal de todos eles. Não que os outros não fossem bonitos nem legais, mas eles não tinham o mesmo charme. O único que era mais parecido comigo era um tal de Felipe e não conversamos muito. Ao voltar para a casa, os meninos foram pintar a casa e eu fiquei na piscina tomando sol. Ouvia algumas risadas e uns comentários do tipo “que amiga bonita você trouxe”. Nando saía sempre para me perguntar se eu queria alguma coisa para beber ou alguma outra coisa. À noite saímos para um bar bem movimentado da cidade e chegamos em casa de madrugada. Dois dos meninos estavam hiperbêbados e o resto de nós não tinha bebido nada. Domingo eu acordei cedinho, antes de todo mundo, para ir a praia, quando estava tomando café-da-manhã, Nando acordou e se ofereceu para fazer companhia. Fomos juntos, mesmo ele morrendo de sono. Ficamos na praia até a hora do almoço, comemos por lá mesmo em um restaurante e mais tarde, perto do meio da tarde, os outros meninos chegaram. Ficaram azarando algumas meninas que passavam, e Nando comigo só ria, não dizia nada. Até que passou uma das meninas mais bonitas da praia e um deles disse “ei, Nando, essa é pra você” ele riu, olhou para mim e disse “não, estou acompanhado”. Na verdade, eu morri de vergonha, mas entendi como se ele não quisesse me deixar sozinha com os amigos dele. Quando foi escurecendo, ficamos em um bar à beira mar. Voltei antes com Nando para a casa e os outros ficaram. Chegando em casa tomei banho e coloquei qualquer roupa, uma de ficar em casa. Quando apareci, ele me olhou fixamente e disse que eu estava linda. Fiquei envergonhada. Ele foi chegando perto. Ele estava lindo, tinha acabado de tomar banho, também. Estava cheiroso e se viesse, eu não ia resistir. Ele estava chegando mais perto. Não ia me segurar. Foi então que ele segurou minha mão e me puxou. Eu disse “não sou suas menininhas” ele disse “eu sei” e me beijou. Fazia um tempo que ninguém me beijava daquele jeito. Fomos para o sofá e ficamos por ali um bom tempo nos beijando e conversando. Comecei a ficar com sono, ele também. Tínhamos ficado na praia o dia inteiro e estávamos cansados. Fomos para o quarto. Eu fiquei com medo de ele tentar algo a mais – e eu nunca tinha feito –, mas ele perguntou se eu me importava de ele dormir ainda comigo, agora que estávamos ficando. Eu disse que era claro que não me importava e que não tinha nada a ver. Dormimos abraçados depois de conversar e nos beijar um pouco mais. Na segunda feira acordei com um trovão, a chuva caindo e os meninos falando alto. Ainda era de manhã e quando abri os olhos e me virei ele estava parado me olhando do meu lado. Disse que eu era linda. Beijou-me e fomos tomar café. O dia, por estar chuvoso, estava desanimador e por isso ficamos em casa jogando baralho e eu aprendi vários jogos novos, como pôquer. Ficamos assim, brincando e namorando, o dia todo e na terça depois do almoço voltamos para casa. Quando ele me deixou em casa, perguntou o que eu tinha achado e eu disse que tinha sido bem legal. Ele perguntou de nós. Eu respondi que não sabia de nada, que era melhor deixar rolar. Ficamos mais umas semanas e depois fomos nos afastamos como “namorados” e voltando a ser só amigos, e até hoje somos bem amigos. É claro que todas as meninas ficaram com inveja de mim porque tinha prendido o cara que todas queriam. Era legal ver as meninas morrendo de vontade de ser eu e os caras quererem ser ele – não por causa de mim, mas por ele ser ELE – só que não estava feliz ficando com ele. Aprendi que é legal invejada, mas não vale a pena se você não está feliz.

Oliver

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Era uma viagem longa de dezesseis horas de ida e outras de volta. Fui sozinha com minha melhor amiga e ficamos na casa de uns parentes dela numa cidade longe do centro. Ficaríamos uma semana, chegamos numa quarta na hora do almoço e iríamos embora noutra quinta à tarde. Tínhamos uns catorze anos e estávamos no auge do nosso espírito de aventura! No primeiro dia que chegamos, ficamos um pouco na rua ouvindo música e conversando. Estavam lá, na rua, dois meninos simpáticos que puxaram assunto com a gente. Chamaram-nos para ir a um bar e rejeitamos o convite. Conversamos muito e quando começou a ficar tarde resolvemos entrar para jantar e dormir. Tínhamos resolvido ir ao centro na manhã seguinte. No começo da noite seguinte eles apareceram de novo na rua e fomos andar com eles pelo bairro. Oliver estava encantado por mim, nas palavras dele, por eu ser diferente e descolada. Espantei-me pelo fato de ele ser assim também. Bem bonito, uma conversa bacana, gostava de algumas bandas que eu e minha amiga também. Ele se aproximou mais de mim e ficamos. Todos os dias sucederam assim: eu e minha amiga íamos para o centro de manhã, ficávamos lá o dia inteiro e quando voltávamos, não íamos para a casa direto, tinha uma praça onde passávamos o fim das tardes e à noite ficávamos na rua, em frente a casa. Depois de três dias, ficar com ele não estava mais sendo tão legal. Fui descobrindo que ele nem era tão compatível comigo e ele começou a falar, de repente, que estava apaixonado. Comecei a ficar entediada, fugia dele e chegou o dia de irmos embora. Ele até chorou. Eu não terminei com ele nem nada porque achava que já era subentendido que não íamos continuar juntos, afinal, eram dezesseis horas de distância. No dia que cheguei em casa, ele me ligou. Falou que já estava com saudades e que ia procurar um emprego aqui no meu estado, talvez na minha cidade. Eu disse que não era para ele tomar nenhuma decisão precipitada. Ele não entendeu nada. Nas outras vezes que ele me ligou eu não atendi. Uns dias depois saí com a mesma amiga e mais uma. E ele ligou. Quem atendeu não fui eu, foi minha outra amiga. Ele ficou falando com ela como se fosse eu, perguntou o que havia de errado porque ele – só para ele – me conhecia e sentia algo estranho rolando. Foi então que essa minha amiga que terminou com ele por mim. Disse, fingindo que era eu, que não dava para continuarmos juntos com tantos quilômetros de distância. Ela me disse que ele chorou e disse que estava tudo bem, mas que eu – no caso, ela – estava muito estranha. Claro que estava estranha, não era eu. Ele gostou mesmo de mim, foi bem carinhoso e chiclete. Ninguém é perfeito. Ele era legal, mas mesmo se morássemos perto, não ficaria com ele mesmo. Acho que desde pequena fui muito exigente.

Jamil

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Jamil era bonito, bem bonito. Mais alto que eu uns vinte e cinco centímetros. Arrumava-se tanto para ir à escola que faltava só passar batom. Egocêntrico, carente e narcisista, perfeito para ser personagem principal de uma paixão platônica e relâmpago. Tudo aconteceu tão rápido que eu nem sei por onde começar. Na verdade, o mais importante é que ele tinha namorada e que cada dia ficava mais lindo. Ele era meu colega de escola da sexta série, amigo dos meus amigos. A gente foi se descobrindo totalmente diferentes à medida que conversávamos. Para ser bem sincera, ele era até um pouco irritante. Mas a nossa relação foi fluindo e uma amizade sobressaltou. Papo vai, papo vem… Comecei a ficar cada dia mais interessada nele, mais precisamente na boca dele, a dele na minha e a minha na dele. Não que eu pensasse que ele quisesse, muito pelo ao contrário, a namorada dele era totalmente diferente de mim – inclusive, era uma chata – totalmente linda. Não iria trocar uma dessas por mim. Não à toa, a troco de nada, se não estivesse realmente apaixonado. Parecia que eu não fazia o estilo dele levando em consideração o fato de ele namorar alguém totalmente diferente de mim. É claro que no meu íntimo eu desconfiava que ele sentia atração por mim, culpa de seu joelho apontado toda hora para mim e o jeito que ele me olhava totalmente pedindo carinho. O problema é que eu não fazia o estilo dele e ele também não fazia o meu. Ele era mais velho, fumava, bebia e matava aula. Não era uma boa influência. Isso me deixava um pouco irritada e confusa. Se não fazíamos um o gosto do outro, como poderíamos estar atraídos? Talvez por não poder, por ser proibido. Isso me deixava mais louca ainda o “não poder quebrar minhas próprias regras”! Alguns momentos eu nem me agüentava ficar quieta e soltava umas indiretas para ele, mas eu ficava envergonhada e dizia sempre que era brincadeira. Ele foi percebendo, mas deixando pra lá, mas o que fez perceber meus sentimentos de verdade foi uma besteira. Com minha mania de desenhar tudo o que acontece comigo, fiz um desenho de uma menina dando um soco no rosto de um menino, coloquei mais ou menos as roupas que costumávamos usar e fiz uma setinha para o boneco que representava ele escrevendo seu nome e na minha bonequinha, meu nome. O que, obviamente, tinha muito mais significado do que um simples soco, apenas estava realçando a vontade que eu tinha de tê-lo para mim. Ele perguntou alto e na frente de todo mundo sobre o desenho que eu tinha feito no meu caderno. Eu quase morri de vergonha e disse que outra hora contava para ele só que no fim da aula ele cobrou. Enrolando para copiar a lição da lousa e conversando comigo sobre assuntos de meu interesse, ele deixou que todo mundo saísse da classe e ficamos sozinhos. Não que isso nunca tivesse acontecido, mas ele estava com a intenção de ficarmos a sós. Ele guardou as coisas na mochila e a largou em cima da mesa do professor, onde se apoiou. Perguntou sobre o desenho e se eu o odiava tanto para perder meu tempo com isso. Eu disse que não, que era claro que não, o problema é que às vezes eu tinha vontade de socá-lo e gritar “ahh” na cara dele, e isso não me fazia uma inimiga dele. Ele riu. Riu muito, aliás. Ele perguntou o porquê disso tudo e que ele não estava entendendo nada. Já que era pra ser sincera, fui curta e grossa. Respondi que tinha vontade de socar ele por ele continuar com a chata da namorada dele. Ele riu. Riu pouco, vamos dizer que quase apenas sorriu. Perguntou se tudo aquilo era vontade de beijá-lo (sabidinho, não?). Só respondi que querer não é necessariamente poder. Ele baixou a cabeça. Eu me virei a saí da sala, nos doze passos que eu dei em direção da saída da escola fiquei pensando que eu nem estava me sentindo mal por que não fui rejeitada nem nada, eu não pedi para ficar com ele em nenhum momento, ele que estava perguntando aquelas coisas e eu só fui sincera. Quando dei meu décimo segundo passo, ele acelerou o passo. Veio correndo e puxou meu braço e tentou me beijar. Eu desviei mexendo a cabeça negativamente. Iria ser meu primeiro beijo. Ele sorriu envergonhado e andamos até o portão onde estávamos nossos amigos em silêncio. Tudo ficou bem no final, ninguém soube disso nunca e nós continuamos amigos até sair da escola e ele terminou com a namorada pra ficar com uma menina bem parecida comigo uns três meses depois (droga!). Nunca mais desenho eu socando ninguém.

Júlio

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Eu tinha acabado de fazer 13 anos e nunca tinha beijado ninguém e todas as minhas amigas da escola já. Não que fosse um problema pra mim, eu me preocupava tanto com meus estudos e não tirar nenhuma nota vermelha – para fazer jus a mensalidade altíssima que meus pais pagavam – que esqueci que estava crescendo. Fui perceber o quanto era inexperiente quando conheci Júlio, ele era mais velho e conhecia minhas amigas de classe. Nossas classes eram uma de frente para a outra e foi assim que nos conhecemos e me apaixonei. Ao dar o sinal das trocas de professores, eu pedi para uma amiga apresentá-lo para mim, sempre o achei bonitinho. Ela gritou “Júlio… Vem cá!”, arregalando os olhos três vezes para e apontou com o nariz na minha direção e eu morri de vergonha. Ele se aproximou e pegou na minha mão, passava tanta gente entre nós, dos nossos lados que nossas mãos se soltaram sem querer, o que não foi um empecilho para que, antes disso, ele me conquistasse beijando minha mão e falando que adorou me conhecer. Meus olhos brilharam e eu não ouvi mais nada, nem mesmo as minhas amigas falando comigo, flutuei até minha mesa e só voltei em mim quando eu vi as minhas cinco amigas em volta de mim. Foi uma sensação diferente de todas as outras que eu já tinha sentido. Beijando minha mão fez parecer um conto de fadas no qual eu era a princesa e ele o príncipe encantado. Ele era um pouco mais alto do que eu. Tinha cabelos curtos bagunçados escondidos por um boné verde-musgo horrível, seus olhos brilhavam – mas hoje eu acho que era por causa da luz, mesmo – e seu sorriso me chamava. Mesmo não sendo o cara mais lindo da escola, era o maior pegador. Só tinha um detalhe: Eu não sabia disso. Enquanto me contava da vida dele, fui formando o cara perfeito na minha cabeça. Um cara novo na escola, que já tinha bastantes amigos por ser um cara legal. Sua família parecia ser normal, mas seus pais eram separados, como os meus, e tinha uma irmã. Nessa semana ele percebeu meus sentimentos porque eu não consegui ser mais discreta, nem saberia fazer isso, era a primeira vez que o cara por quem eu tinha interesse se interessava por mim também. Ele me acompanhou até o metrô que ia para minha casa e quando nós estávamos chegando ele perguntou se era verdade que eu nunca tinha beijado. Disse que sim sem nenhum tipo de vergonha, sempre achei que era bom ser sincera quando se conhecia pessoas novas. Só que ele me olhou de cima a baixo e sorriu de uma forma que eu não gostei muito, como se estivesse caçoando de mim. Ignorei porque, para mim, ele já era perfeito. Disse que com a idade que eu estava já era tarde. Ao se despedir de mim, encostou as mãos no meu rosto e me deu um selinho. Eu achei que ia me beijar, mas ficou naquilo mesmo. Ajeitou meu cabelo para trás e disse que no próximo dia nos veríamos. Encontramo-nos a semana inteira, nos cumprimentávamos com selinhos, mas não ficamos sozinhos nunca. Na sexta feira me chamou para sair, disse que me ligaria e não ligou. Fiquei muito triste e acabei saindo com algumas amigas para o shopping do bairro. Estava desanimada porque, primeiro, eu esperava sair com ele e depois porque era sempre o mesmo programa, nunca mudava. Minha amiga estava beijando um menino que conheceu naquele dia e um amigo dele estava falando comigo – e eu torcendo para que ele fosse embora – e meu telefone celular tocou (sim, já existia celular naquela época, aqueles Nokia do jogo da Snake em “preto-e-verde”). Era ele me perguntando onde eu estava. Ele disse que também estava indo para lá e pediu para eu ir encontrá-lo na porta de entrada. O menino que falava comigo saiu de fininho morrendo de vergonha e eu fiquei extasiada. Estava tão emocionada que nem consegui falar direito, mas minhas amigas perceberam minha empolgação, me arrumaram rapidamente e disseram que eu estava linda. Quando ele chegou não sabia o que fazer, tentei parecer ser o mais natural possível, mas ele percebeu minha agitação. Tanto que olhava para mim e ria – de mim – sempre que falava, sem querer, alguma besteira. Conversou algo sem importância comigo e começou a falar de nós dois. Falou que ele achava que eu merecia alguém melhor, não entendi direito, mas acho que ele estava se desprezando. Eu disse que não tinha nada a ver, que ele era um cara legal e que eu gostava dele. Não sei como ele entendeu isso, só sei que saiu sem querer. Ele estava meio desconfortável com todas as minhas amigas ali por perto, estávamos sentados em um banco e ele foi falando mais baixo e chegando mais perto. Ele me perguntou se eu queria mesmo beijá-lo e eu disse que nunca tinha beijado ninguém. Ele foi se aproximando e eu morrendo de medo de não saber o que fazer e acabar fazendo tudo errado. Olhei para os lados, vi minha amiga e o menino se beijando e ele estava com a mão em alguns lugares que eu não sei se estava pronta para ser tocada por um homem e disse baixinho, assustada: “se eu te beijar, você não me agarra?” Sorriu e disse que ia ficar tudo bem. Foi encostando sua boca na minha e a abrindo devagar. Fiquei com uma das mãos apertando minha bolsa e a outra no braço do banco. Fechei os olhos quando percebi que eu estava dando meu primeiro beijo e senti sua língua encostar o céu da minha boca. Estranho. Sensação estranha. Minha barriga começou a gemer baixo. Depois de um tempo que eu só estava ouvindo pessoas conversar, sentindo a língua dele na minha boca e minha barriga gemer, ele se afastou e comentou que para o primeiro, até que estava bom. Continuamos a conversar e não me beijou mais – devo ter beijado mal para caramba – e quando estava indo embora me deu outro beijo rápido. Não sabia o que pensar e fiquei mais confusa do que nunca. Na segunda feira várias pessoas, até umas que eu não conhecia, vieram falar comigo. Perguntaram se era verdade que tínhamos ficado e que ele tinha contado para todo mundo da festa que tinha sido no próprio sábado. Fiquei super feliz com isso, pensei assim: se ele contou para todo mundo mesmo, ele deve estar no mínimo a fim de mim. A felicidade durou até meio dia daquele dia, pois quando eu saí com as amigas da escola, uma menina gritou para mim que eu era mais uma para coleção do Júlio. Pensei ser inveja. Poderia ser. Outra menina veio me dizer que ele tinha espalhado as coisas ao meu respeito porque ele estava bêbado. Minha cabeça pediu para eu ter calma, o que eu não conseguia por causa do meu coração dilacerado. Fui para casa e chorei a tarde inteira. No dia seguinte, ao chegar a escola, uma menina da minha classe veio conversar comigo, disse que tinha ouvido algo muito ruim e maldoso dele mesmo. Contou para mim que ouviu ele dizer para alguém que eu e ele tínhamos feito mais do que só beijado, diz ela que as palavras que ele disse foram “sábado+sexo+meu-nome-da-sétima-série ”. Comecei a chorar. Perguntei se ele não estava falando de ter sido meu primeiro beijo, porque foi isso que aconteceu no sábado: apenas meu primeiro beijo. Disse que não. Nada de “primeiro beijo”, “namoro” ou muito menos “amor” e as palavras que foram mentirosamente ditas foram: “sábado+sexo+ meu-nome-da-sétima-série”. Fiquei brava. Fiquei magoada e ofendida. Muito mais pela mentira do que qualquer outra coisa, pois se tivesse acontecido, eu só ficaria brava por ele ter espalhado. O problema era ele ter mentindo. Perguntei para ele, ele negou. Não sabia se estava mais sentida por causa da mentira, de não saber em quem acreditar ou se era porque estava ficando apaixonada por ele, mesmo com tudo isso. O tempo foi passando e nunca mais ficamos, mas não foi por falta de oportunidades, foi porque não queria sofrer ainda mais. Fui percebendo que ele não prestava, na verdade. Tudo o que tinha me dito sobre seu caráter era mentira. Ele dizia que era santo, que não era mulherengo e que não gostava de ficar só por ficar. Sempre se fazia de santinho para as mulheres e era assim que as conquistavam. Foi assim comigo e com todas as outras de “sua coleção”. Até nossa professora de história foi alvo. Deu em cima dela, discretamente, acentuando suas características de bom aluno e bom menino. Quanto mais o tempo passava e eu descobri a pessoa não-perfeita que ele era, mais me irritava porque mesmo eu sabendo disso, ele fingia que não era assim, como se ele fosse ganhar alguma coisa tentando fixar esse personagem em mim. Não que eu tenha decidido esquecê-lo e em um dia conseguido, mas passei um tempo apaixonada pelo cara que eu conheci, não o cara que existia de verdade. Foi meu primeiro amor e minha primeira decepção. Nunca mais o vi, mas até hoje guardo uma caixa cheia de recordações e cartas que escrevi e não mandei para ele. Fotos e coisas que eu pensava sobre ele. Aquele príncipe encantado que desencantou.

Verdade inútil.


              Tudo o que acontece comigo, nas minhas relações com o sexo oposto, é só diversão. É muito fácil não sentir nada por alguém com quem você se diverte e dorme se essa pessoa for algum amigo seu. O que, na verdade, é bem mais fácil do que fazer isso com algum desconhecido.

              Aquelas amizades coloridas, eu estou querendo dizer. Sempre tive mais amizade de homens do que de mulheres. Não vou dizer que isso nunca me prejudicou, mas nada que me tenha enfraquecido ou qualquer coisa do tipo.

              O meu único problema é que os meninos são sempre crianças, até mesmo se eles forem mais velhos. E atitudes de meninos são sempre incoerentes. Eu queria que todos os meninos entendessem o que acontece quando eu fico com eles e que não vai ser uma noite que vai nos ligar para o todo o sempre – isso, alguns não entendem.

              Um filho talvez ligasse. Ou um amor verdadeiro também. Uma amizade forte, muito mais. Mas uma noite – ou tarde, ou manhã –… Não. Mas os meninos nunca entendem… Não que eu faça questão de manter contato e eles ao contrário, afastar. Mas eu nunca forço nada, então, não precisam fugir tanto como sempre fazem.

              Quando penso nos casinhos que eu já tive e dos grandes casos de amor, consigo separá-los totalmente, não confundindo sentimento algum em nenhum momento. Nem nos momento que eu peço para me amarem, de verdade, por uma noite. É só uma. Sério.

              E também tem o preconceito, ainda! O que é pior, por que um homem pode ficar com quem quiser e fazer o que quiser que não precisa ser julgado como “não-sério” e a mulher que faz o que quiser é tida como “não-séria” e os meninos as julgam inapropriada para um relacionamento sério. Mas, para esses meninos eu dou graças a Deus por não fazer o tipo deles e continuam achando que estão ME fazendo um favor. Hahahahaha


Lourdinha

Lourdinha costumava se apaixonar por caras que não queriam nada com nada na vida e que só se importavam com a pessoa que seu espelho refletia, foram os caras mais idiotas por quem ela já tinha se apaixonado e, sem dúvida, a fase mais idiota dela.

Quando se é adolescente, as pessoas deveriam se apaixonar por caras mais velhos, do último ano, de preferência os repetentes, ou então pelos amigos dos irmãos ou ainda pelos meninos de bandas do colégio.

Mas Lourdinha… Ela não conseguia… Ela se apaixonava pelos caras da classe dela, as pessoas – todas – a crucificavam por causa disso, mas ela ainda não conseguia controlar seus sentimentos, mesmo sabendo que talvez pudesse… Um dia.

Lourdinha era uma menina bonita. Não a mais bonita da classe, aliás, estava longe disso. Sempre foi meio desengonçada e nem um pouco vaidosa. Ser vaidosa para ela era passar um delineador ao redor dos olhos… E só. Mas ela era realmente bonita. Principalmente para quem a conhecia.

Seu problema foi terminar quando conheceu Lucas, seu primeiro namorado. Finalmente achara alguém que risse de suas piadas e que a fazia dormir, por que além de tudo ela tinha insônia. Lucas era bem legal, mas o namoro não chegou a durar um ano e de desfez. Ela ficou triste, mas logo se recuperou.

Lourdinha se curou do problema de se apaixonar por caras como os que se apaixonava no colégio porque Lucas era um desses e ela viu que esses não faziam seu tipo. Como lhe falavam no colégio, ela foi descobrir só passando por essa experiência ela mesma – melhor assim. Lourdinha sempre dizia.

Mas Lourdinha não era adolescente, cresceu e descobriu que ela conseguia controlar, pelo menos um pouco, seus sentimentos – como todas as mulheres, diga-se de passagem – e jurou que só ia sair com caras lindos, que matassem as outras meninas de inveja, e ela tinha potencial, mesmo. Já que com o tempo ela ficou mais vaidosa e bem mais segura de ti.

Ela arrasava corações, passava e fazia os meninos olharem para ela com desejo e as meninas com inveja. Ela gostava disso, mas não estava totalmente feliz com isso. Os meninos que diziam ser “apaixonados” por ela não se passavam por Don Juans espertinhos que tentavam competir entre si para ver quem ficava com a mais bonita do cursinho.

Ela não estava nem aí em relação à mulher, mas em relação à pessoa que ela era se sentia incomodada. Muito. Por que por mais que não estivesse apaixonada ou não quisesse namorar o cara, ela queria que eles fossem (ou continuassem) amigos. E isso era difícil acontecer, e em período pré-menstruais ela chegava a chorar por conta dessa indiferença inerte. E mesmo se ela forçasse uma aproximação, os caras achavam que ela estava apaixonada, e eles caiam fora, mesmo ela não estando apaixonada.

Então ela ficou na mesma, sem saber o que fazer, ela estava controlando seus sentimentos e não se apaixonava por ninguém fazia a tempo, e isso começava a ficar chato.

No dia em que ela decidiu abrir seu coração para se apaixonar, se apaixonou! Era um cara legal de verdade, um colega de estágio, se lembrava dele de algum lugar – Dos meus sonhos, deve ser. Pensava. Quando ela percebeu que ele não queria nada com ele, Lourdinha se lembrou da onde o conhecia… Parecia carma… Não tinha jeito… Parecia os meninos que ela era apaixonada no colegial.

Confusão

Noites são feitas para dormir, eu concordo, mas não quando encontramos algo realmente interessante para fazer como escrever, ler ou ficar na internet. Domingos são chatos e principalmente os que sucedem de sábados e sextas sem nada para fazer. Mas domingos são legais para ficar na internet para procurar um namorado, conversar com os amigos, tão entediados quanto você. E fuçar no Orkut dos outros – eu não tenho detector de visitas, nananana -.

Eu, particularmente, uso a internet para montar o cara prefeito: lindo, fofo, gosto musical como o meu, inteligente, de preferência parte de uma banda, ou que cante bem – para cantar para mim –, que goste de balada mas não seja viciado, que tenha dinheiro para gastar na hora de lazer e que estude. Ah! E que goste de gordinhas… Fofinhas…

Eu conheço vários homens assim! Juntando vários homens eles se tornam no perfeito. É… Esse é meu problema. Eu não gosto de um tipo especifico de homem, como, os LOIROS. Os loiros me atraem, mas não só os loiros, morenos e ruivos me atraem também. Ou os bonitões. Eu adoro os bonitões, que me atraem totalmente, mas não só os bonitões.

Eu sou difícil e fácil ao mesmo tempo. Tanta controvérsia porque quando um gatinho legal dá bola para mim, eu já o transformo no cara perfeito, não necessariamente me apaixono (não me apaixono desde meu último namorado), mas transformo todos pequenos casos nos caras perfeitos.

Entendem? Quem me entende? Ah, nem eu me entendo.

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Gabriela Pagliuca

aka/vulgo Gabitopia

Sou artista e facilito processo de autoconsciência. Alimento o Gabitopia, esse blog, há mais de 11 anos. Estudei e sigo estudando comunicação, facilitação de grupos e técnicas de cura a partir de manipulação de energia (holística).

Meu blog é onde está quase todo meu trabalho como escritora, para saber mais clique aqui. Para saber mais do meu trabalho como facilitadora de processos de autoconhecimento, acesse aqui.

Meu propósito é amar, dar amor e estar em paz. Aqui é meu lar virtual, uma ferramenta para eu cumprir meu papel!

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