Veja sobre o Gabitopia De 2005, quando eu comecei a escrever, até hoje, muitas ideias foram colocadas nesse blog. O conteúdo dos posts retratam minha caminhada, a passagem da adolescência para minha fase adulta. Alguns conceito mudaram, outros amadureceram e muitos novos estão por vir. O Gabitopia é um blog de crônicas, opinião, pensamentos, reflexões, debates, etc. Qualquer texto que me dá vontade de escrever está aqui. Hoje escrevo muito mais sobre espiritualidade, meditação, estilo de vida, relacionamentos, etc. O blog Já tem mais de 270 postagens e mais de 17 mil visualizações. Seja bem vind@ ao Gabitopia!

E eu sei lá

 Eu já quis ser médica e estilista quando eu era novinha. Aos quinze, eu quis ser astronauta, sem motivo nenhum, apenas para que ficasse bem longe dos meus amigos-da-onça. Hoje, aos dezoito, só quero me trancar em uma sala respirando fluidos de inspiração para escrever mais e melhor cada dia. Mas não posso. Quero também ganhar o Prêmio Nobel da paz. Mas isso é sonho… De criança.

          Não me sinto criança sexta a noite antes de uma festa, mas eu me sinto nova demais para ter que decidir sozinha o que eu farei pelo resto de minha vida. E ainda tem o pai que pressiona para você decidir logo. “Ah, qual é, pai!? Até parece que planejou tudo isso quando tinha dezoito… Fala sério, você é careca!”

          E se eu estiver no caminho errado? E se eu não tiver dom para nada? Porque eu sempre achei isso, eu queria tanta coisa, que eu não servia para nada. Menos agora, que estou escrevendo.

          Então, o que fazer? Sentar e escrever tudo o que eu sinto, até quando eu me sentir enjoada disso tudo ou finalmente, ter meu livro publicado? Eu não sei! Eu tenho apenas dezoito anos e não tenho nem idéia de como quero passar os próximos dezoito… vinte… quarenta.

          Descobrir para o que realmente você tem vocação não é uma tarefa fácil, mas realmente descobrir para o que você não tem dom, ah! Isso sim, é um ótimo passatempo, afinal, sei que moda não é comigo mesmo (fala sério, odeio boleros e shorts jeans comprido!) e sendo médica, eu iria desmaiar ao ver uma unha encravada. Psicóloga, meus pacientes teriam que me curar. E por aí vai.

          Eu queria fazer algo para marcar minha vinda para a Terra, mudar o mundo, fazer as pessoas enxergarem esse mundão como, muitas vezes, eu com meus sonhos de criança enxergo. Quero mudar a alma das pessoas. Ser conhecida por algo grande que eu fizer, vocês viram uma comunidade no orkut sobre o astronauta brasileiro, Marcos Pontes? O cara foi para o espaço e voltou! O cara é o máximo e todo mundo o conhece. Exatamente isso que eu quero fazer quando eu crescer, se eu crescer: ser astronauta, ou atriz, ou escritora.

Sonho em Andradina

Eu e meu irmão estávamos voltando do trabalho meia noite e meia ou mais, tínhamos levado a namorada dele em casa e estávamos cansados, estava pensando em alguém que tinha acabado de estar junto, quando eu olhei por trás do farol do carro, pisquei meus olhos três vezes, e o vi sentado no meio fio, desci do carro, meu irmão disse para eu não demorar, concordei com a cabeça mesmo ele já tendo subido as escadas pro apartamento. E o garoto se levantou em um salto.

                Não fazia nem uma hora que tínhamos nos despedido, parecia mentira, eu não pude acreditar, cinco minutos antes eu estava pensando nele, então, sem mais nem menos, meus olhos se encontraram com o os deles… Fiquei estática.

                Perguntei o que fazia ali, pois nem imaginava que era eu (ah, não, logo eu?!) que ele procurava. Pensei que pudesse estar procurando nossa amiga que estava com a gente há meia hora, mas não! Ele procurava por mim… Ele respondeu todo sem jeito, todo fofo, sorriu com aqueles dentes brancos e alinhados que combinavam perfeitamente com seus olhos castanhos escuros.

                Ele me disse, olhando pro chão e com as mãos para trás, que estava passando e resolveu parar para conversar. Achei fofo, levando em conta que quando estivemos juntos só eu falava (e como falava!!!!!) e ele só escutava… E ria… Fofo, mais que fofo.

Sentamos na calçada e só pra quebrar o gelo (do fato de ele ter aparecido de surpresa sem eu ter tempo de pentear o cabelo entre outras coisas) do meu machucado de mais de um palmo (um palmo ABERTO, eu quero dizer!) na minha perna, e se doía, disse que doía mas não muito, mas piorava quando eu respirava. Ele riu. Sempre rindo.

 Ficamos quietos e ele disse “olha a lua”  no mesmo instante que eu disse “vai chover, né”, então eu olhei pra lua e ele disse que sim, ia chover, ele pegou na minha mão. Ele olhou pra mim…

Ficou me encarando e eu perguntei o que era. Ele não disse nada, só olhou e sorriu, tudo bem, ele sempre estava sorrindo, mas daquela vez, era diferente, eu podia sentir a diferença. Ele queria me dizer alguma coisa… Depois do silêncio de uns três minutos (uma eternidade para nós), o próximo dialogo foi:

        – Ei, Gá, quer ser minha namorada?!

        – Hum, claro, por que não? Não sei por que você demor…

        “…ou tanto para pedir”, eu ia dizer, mas ele me beijou antes. E agora, sempre que eu estou falando demais, ele me beija e eu acordo.

Noventa e Oito Reais

“É uma daquelas duas…” eu disse. “São as duas lindas, qual você acha mais bonita?” Perguntei. Não dava para saber, a morena era a Mariana e a ruiva era a Natália, não dava para saber quem era a mais bonita. Mariana usava roupas coloridas e descoladas e Natália era elegante com roupas de camurça preta, as duas de salto alto.

Elas estavam uma ao lado da outra, encostadas na parede, tinham um metro e tanto, eram magras e com cabelos soltos sobre o ombro.

A ruiva de preto chamava muito mais atenção, mas a morena tinha uma alegria estampada em seus olhos. Mariana tinha olhos mais puxados e Natália, mais redondos. A boca das duas eram carnudas, e cada uma um nariz perfeitamente diferente.

 Respondendo minha pergunta, ele que era sério, disse que achava a morena descolada mais bonita, meio sem paciência com minha dúvida com quem ficar. Mesmo com a opinião dele, que talvez até tivesse importância, ainda preferia a beleza da Natália.

Olhei de novo para as suas mãos, seus cabelos, seus lábios, era exatamente o que eu sempre quis, desde a primeira vez que eu a vi eu soube disso.

Atravessamos as estantes, esbarramos em todas as loiras, morenas, ruivas, baixas, altas, crianças, mães e pais que estavam por ali. Cheguei perto das duas, olhei para Mariana de novo com aquelas roupas iguais das outras meninas tentando ser diferente, mas Natália me ganhou.

Ao olhar para os olhos de Natália, vi um olhar vazio, triste e melancólico. Um olhar sem vida, mas não tinha problema, pois não podia existir vida em uma boneca. Peguei a caixa onde ela estava, a agarrei com meu corpo por que minhas mãos não agüentaram, sorri para o meu pai, ele não estava mais sério, sorriu para mim e pegou com as mãos o meu presente de aniversário de noventa e oito reais.

 

Escolaridade: Ensino Médio Completo

É, acabou… Acabou a escola, acabou o sonho, levantar as seis e meia e ir para um lugar onde você sabe que todos os problemas serão resolvidos no fim do ano, quando passar de ano (ou não), quando não encontrar mais os inimigos e quando aquele carinha vai sentir saudades de você por que ele está realmente apaixonado mas você não sabia se era verdade ou galinhagem.

Não é como se fosse terminar o ano, se afastar dos professores chatos e ano que vem começar tudo de novo com a mesma promessa: esse ano eu vou estudar! Por que é claro que você não vai estudar, é mais do que óbvio se você nunca estuda.

 Não, na verdade, nada vai ser igual, afinal de contas, você já teve todos esses anos para aproveitar, e se não aproveitou: o problema é todo seu! É, por que agora, você vai ser praticamente ser tratada assim. Sabe do que estou falando? Mundo real. Acabou o mundo mágico porpurinado e cor-de-rosa!

 Vamos relembrar? Um pouco de nostalgia não faz mal a ninguém.

Você se lembra de algum acampamento? Ah, eu me lembro. Lembro de um salão, eu e mais duas amigas com nossos doze anos, todos se divertindo dançando e nós envergonhadas em um canto, quando eu vejo a cena mais triste da semana: o garoto que eu tinha uma grande paixão de mãos dadas com outra. E das brincadeiras? Eu sempre ficava por último em provas físicas e nunca conseguia raciocinar para conseguir montar quebra-cabeças, mas nunca me diminuíram por causa disso.

 Amores? Não… Não adianta dar um exemplo, afinal de contas, foram tantos… Tantos! Muitos perfeitos, muitos idiotas, muitos que foram perdas de tempo e um ou outro inesquecível e que valeram a pena.

Amigos, ah, os amigos são a melhor parte da vida escolar. Vai dizer que não:  fofocas dentro da sala, músicas contra o grupo inimigo, apelidos tontos, reuniões de cúpula para ajudar uma outra amiga no meio de uma aula importante de matemática, trabalhos com apresentações bizarras e engraçadíssimas, trabalhos sérios mas muito engraçados de fazer, ter que ficar na escola todos os dias, duas semanas, depois da aula para reuniões sobre um trabalho “muito importante” mas só foi feito de fato nas últimas três horas do último dia. Amigos também fora da classe, os mais velhos que te faz ficar sendo popular, os amigos mais novos que ficam populares por sua causa. Aqueles amigos que até depois de sair da escola, fica para sempre.

Professores? Incomparáveis: os chatos, os burros, as mães, as sogras (sim, as do tipo sogra). Professores. Perfeitos e pavorosos.

 Viagens de formaturas foram duas importantes, a da oitava série, para um hotel-fazenda e do terceiro colegial, Porto Seguro. Por que foram tão importantes essas duas viagens? Essas coisas simplesmente não se explicam, simplesmente acontecem, as pessoas ficam importantes, os olhos enchem de água e não nos controlamos, já me deu vontade de chorar, gritar, berrar e nunca mais sair da escola.

Então, o que acontece depois que acabar a escola? O que eu vou fazer agora? Não, de maneira alguma quero colocar em dúvida a faculdade que quero fazer ou o trabalho que quero estar ano que vem ou nos próximos, eu não estou falando de coisas físicas e materiais, estou me referindo… Aos amigos, aos professores muito gente boa e os não tanto assim.

 Tudo vai ser diferente agora. Nada será como antes. Não terão as mesmas festas e as fofocas infantis sobre as mesmas, não terão as mesmas briguinhas de antes. Agora somos adultos. Adultos e responsáveis! Sim. É o que todos esperam de nós agora que não estamos mais na escola.

Cara! Como estou com medo! Como voltarei a gazear de novo? Sei que sentirei ripadas a partir de agora, todos os dias até eu me acostumar com essa nova vida, por que é vida. É outra vida. Uma vida muito diferente do que conhecemos.

 Não pretendo parar de me divertir ou não ter mais amigos, ou qualquer coisa, só que a vida é diferente agora, não pior ou melhor, apenas diferente!

 Para as novas pessoas que acabaram completar o ensino médio, não tenho nada para dizer, nenhum conselho para dar, nada! Estamos no mesmo barco. Mas para os que estão cursando ainda a escola, com certeza, um recado: aproveitem enquanto podem!

 A gente só dá valor MESMO quando a gente perde, não é mesmo? Uhuh! Vida, vamos nessa!

A Mosca e o Diogo

 

 Estávamos sentados esperando, em fileiras, era eu, ele do meu lado, na frente dele uma cadeira vazia e na minha um outro qualquer. Rodava por ali uma mosca assanhada, ela gostou da mesa vazia, acho que ela queria fazer a prova e achava que aquele era seu lugar

 Diogo, essa era o nome dele! Não, não o da mosca, do menino da mesa do meu lado. Percebi Diogo inquieto desde quando ocupou seu lugar a carteira, ele parecia ansioso, afinal, íamos fazer uma prova muito importante em alguns minutos, ele se esticava, colocava os pés na cadeira da frente, batucava alguma coisa com a mão, e eu, mais ansiosa ainda, sussurrando algum emocore barato não aguentava aquela espera.

Até então, movimentos normais pré vestibular, ansiosidade, inquietação, silêncio e suor frio… Então ela apareceu! Sim, a Madalena, a mosca!

Enquanto Diogo estava sentado com seus pés apoiados na carteira da frente, a mosquinha indefesa pousou na beiradinha, e ele não hesitou: deu uma batidinha no encosto da cadeira. Madalena, ou Madá, para os íntimos (é claro que eu que dei esse nome para ela!), voou assustada, passou pela orelha do garoto e voltou pousar na mesa, e de repente ouvi um “toc” na cadeira, Diogo de novo, era somente um toque na cadeira, mas ela ficou meio tonta, para mim, aquele pequeno impacto é muita coisa para um inseto tão pequeno. Ao voar, deu uma volta no mesmo lugar e voou para a direção do garoto na minha frente que a assustou com aquelas mãos gordas. Coitadinha! Sim, eu sei, coitada! Tá, eu sei também que é só uma mosca, e que moscas irritam, mas ela só queria estacionar suas asinhas em uma mesa vazia, mas não a deixavam em paz, e quando voava era alvo de mãos e papéis abanando.

Essa causa era minha, sim, minha! E eu faria o maior drama por ela se não tivesse começado a ser muito engraçado. De repente, Diogo começou a ter alguma coisa pessoal com aquela pobre mosca, começou uma perfeita guerra entre Diogo e Madalena, dentro da sala de aula, minutos antes de prestarmos vestibular. Claro que eu fiquei do lado dela, mesmo esse tal de Diogo sendo tão gatinho, mas essa é uma outra história.

A guerra começou quando o gordinho espantou a coitada e ela deu uma volta e meia pela cabeça do Diogo, depois de dar essa volta, ela estacionou na mesa de novo, totalmente o encarando de frente, no meu pensamento eu a vi se transformando em uma mosca mutante e engolindo aquele rostinho bonito, mas ela só voou mais um pouco e pousou de novo, depois o garoto disfarçadamente empurrou a cadeira com os pés para o lado, a movimentando milímetros de lugar, ela passou por mim, éramos cúmplices, sorri, passou por ele, desviou da mão dele que abanava, pousou, zumbia, o menino começou a ficar irritado, mas então uma menina toda desastrada chegou fazendo barulho e sem ar, como se tivesse corrido para chegar a tempo, sentou de sopetão na mesa e nunca mais vi a Madalena, a mosca, a menina tinha meu nome e acabou com minha alegria.

Vida

É só uma metáfora, quando eu digo que eu te amo.
Não é como se eu não te quisesse mas somos diferentes.
Cuidadosos, soterrados até a alma, mas com cuidado.
Cuidado que me faz usar frases feitas, poses preparadas, olhos pintados e cabelos presos.
Para que tanto querer, se somos diferentes se somos o que somos, só por ser e não por ter que ser.
Talvez o azul nem seja azul, só nós dois achamos que é, ou talvez… só eu penso assim.
Mas como o preto e o branco será pra sempre preto e branco, nisso podemos concordar.
Somos tudo complicado por que somos dois, podíamos ser um, somos dois só por que você quer, 
por que se você deixasse tudo isso não ia ser mais apenas uma metáfora para poder
dizer nisso tudo de palavras sem sentido… o quanto quero você.
     

Para o Rafa

Eu me lembro das nossas festas de aniversários, a minha era em um dia e a dele era em outro, o que fazia a cabeça de nossa mãe dar milhões de voltas, nos últimos anos ela não teve o mesmo pique de ficar montando festas, não que agora nós precisássemos dela, afinal de contas, depois de certa idade, os aniversários são comemorados cada um por si ou uma comemoração simples em família.

Esse ano nosso aniversário foi na semana do carnaval, foi uma comemoração emocionante, foi como um evento “o aniversário dos gêmeos, não posso faltar”, todos os irmãos presentes, música e conversas, presentes, ganhei uma guitarra de presente, azul, uma das minhas cores preferidas, eu não me lembro o que meu irmão ganhou, mas deve ter sido algum acessório pra guitarra dele.

De presentes mesmo eu só me lembro desse ano e quando nós fizemos oito anos. Ganhamos, os dois, um vídeo game, minha mãe me chamou de canto e disse que tinha um presente especial para mim, por que sabia que meus irmãos não iam deixar eu curtir o presente dos dois, o tal vídeo game. Então, quando abri o embrulho vi o presente mais lindo de todos, um fogãozinho que ligava a luz, fazia a água borbulhar, foi perfeito. E realmente, como meus pais imaginaram, meus irmãos não deixavam muito eu jogar o vídeo game, então ia sozinha brincar de casinha com meu fogão a pilha.

De todos esses anos, desde que nascemos, estamos morando longe somente esse ano, e há uns anos que ele foi morar no Canadá. Quando ele estava morando no exterior, nós não nos vimos um dia sequer. No decorrer desse ano que ele está morando no interior, nos vimos algumas vezes, nos falamos sempre e ele não está tão longe.

Por mais que não pareça, sempre que eu o encontro, o vejo diferente, mais maduro, mais cabeludo, mais afinado, mais ou menos responsável, mais amigo, mais dorminhoco e mais bagunceiro…

Ontem eu estava olhando pra ele, com seus um metro e oitenta e pouco de altura, suando, tocando e cantando, nós não somos mais os mesmos: não somos mais quem éramos quando ganhamos nosso vídeo game, não somos mais crianças comparadas pelos professores na escola. Somos quatro pessoas totalmente diferentes, eu e ele, anos atrás e eu e ele agora.

Enquanto ele me apresentava para os amigos e colegas dele, ele ia dizendo que eu era sua irmã gêmea, as pessoas não pareciam acreditar, eu sei que ele dizia para as pessoas não acreditarem, imagina, somos totalmente diferentes, nem de perto nós parecemos gêmeos, acho que nem nossos próprios pais acreditam que somos gêmeos. Ah! E não estou só falando de diferenças externas, essas são as características que os outros podem ver, mas eu e ele (e todos aqueles que nos conhecem), sabemos que nossas personalidades não tem nada a ver, eu tenho um gênio totalmente diferente que ele, parecemos sim, duas pessoas que nem da mesma família são.

Quando eu falo isso minha mãe fica chateada, mas é verdade, não parecemos gêmeos nem irmãos, não que eu precise provar para qualquer um e nem pra mim mesmo que somos gêmeos, acho que só de eu precisar dele já é a maior prova de todas, só pelo amor que envolve os dois, já basta.

Algumas coisas não são feitas para acontecerem, umas não são feitas para estarem sempre juntos e algumas outras coisas não foram criadas para ficarem separadas, essas coisas, essas pessoas, almas gêmeas, irmãos gêmeos, são feitos para ficar sempre juntos, por que se não fossemos feitos para ficarmos juntos, nós não teríamos ficado nove meses na barriga de nossa mãe juntos, nos chutando, teríamos nascidos separado, como todos os outros irmãos.

 

 

Me diz só a verdade

Eu não quero mais te ver, 
eu não quero mais você.
Estou perdendo tempo do seu lado,
Então me diz que isso não é verdade.
Me diz que tudo passa e que nada deixará de ser como era antes,
que a vida inteira tudo é igual, só muda o nome e o sobrenome.
Acho que quero te ver o tempo todo e que quero perder todo o meu tempo em você.
Acho que estou querendo você.
Me diz que é mentira aquilo tudo e só admita que está com medo.
Diz que tudo é mentira e que você está fugindo de mim.
Me diz, me diz que está correndo e morrendo de medo.
Diz que não é verdade. Por favor. Admita, é só isso que falta.
Me faça feliz, me faça sorrir, me faça fazer de você minha razão 
que eu tinha perdido, por favor, eu quero que você seja minha razão pra tudo.
Tudo o que eu senti naquela hora, é como se o tempo tivesse parado.
Foi igual, ou melhor, como eu tinha imaginado. 
Completa esse espaço sobrando dentro de mim. Por favor.

Estanho amor

 

O reconheci em uma padaria, sentado no balcão, suas pernas estavam cruzadas e lia o jornal do dia. Esperava alguma coisa bem quente com chantilly esfriar e alguma coisa bem frita sair da chapa do garçom, parecia preocupado com o horário, mas discretamente. Quem diria que, depois de tantos anos, eu o reconheceria!

Ele estava diferente, com barba, terno e gravata, me lembrei de quando ele dizia que quando se tornasse um adulto de verdade, ele ia ser “largadão”, só iria fazer o que tivesse vontade, não iria ser empregado de ninguém e nunca iria usar uma gravata por obrigação, e ele estava lá, diferente do que eu imaginei que seria.

Nós nos conhecemos na quinta série, nossa escola era tradicional, nossos uniformes nos incomodavam, eram muito formais, calça e camisa social, saia e camisa social, e era por isso que ele dizia sobre gravata por obrigação.

Isso faz muitos anos, quando nós éramos apaixonados, mas o que adianta ficar pensando nisso? Eram tempos mágicos, tudo parecia que ia durar para sempre e de repente a amizade acabou e nosso amor se confundiu com outros sentimentos.

Ao ficar parada ali pensando nessas coisas, entre a prateleira de biscoitos e a geladeira, olhando para ele, percebi tarde que ele se virou e quase me viu, mas logo abaixei para ele não me reconhecer, continuei pensando que quando estávamos juntos ele me fazia feliz e eu nunca entendi o que aconteceu para o nosso amor acabar.

Saí da padaria e comprei um jornal para passar o tempo enquanto ele não saía de lá, não era a primeira vez que eu mudava minha rotina, minha vida por causa dele, já havia feito muita coisa diferente do que eu sempre fazia com ele, mas é claro, quando eu era uma menina inconseqüente com um namorado perfeito.

Enquanto eu lia que o Corinthians estava ganhando todos os jogos e se recuperando, e é claro, eu ficava feliz, ele saiu rapidamente e pedindo um táxi, nem me viu, eu me arrependi um pouco quando ele saiu naquele táxi, mas depois eu pensei que poderia ser melhor assim.

Fazia anos que eu não o via, mas, nossa! Como eu o amei! Por que será que o amor acaba assim? O carinho some de repente? E a amizade termina? Poderíamos ter ficado juntos pra sempre felizes. Uma pena que eu não tive coragem de ter falado com ele, mas quem sabe não o encontro de novo qualquer dia desses? Acho que ainda o amo, mas que amor é esse?

Crônica

 

Todos os dias ele tinha que falar do meu cabelo, ou era sobre eu ser parecida com a ex namorada dele, menos a parte do cabelo, ou que meu cabelo era feio, ou que ele era ruim, ou que ele não era feio nem ruim, só era curto demais, nunca era um elogio, mas na verdade não era uma ofensa, só era… A gente! E ele sempre dizia para eu tirar o cabelo do rosto.

Conversávamos sobre tudo, principalmente sobre o meu cabelo, isso por que ele não tinha problemas com o dele, já que era sempre liso, comportado, macio e sem nenhum nó. Eu adorava quando ele deitava no meu colo e eu ficava horas acariciando aqueles montes de fios pretos, e ele sempre dizia para eu tirar o cabelo do rosto.

O cabelo dele estava mais curto e mais bonito n uma tarde, ele disse que o estava assim por que ele não o penteou e agradeceu por que eu fui a única que percebeu que ele tinha cortado, ele dava importância para as coisas pequenas. Eu me lembro desse dia, eu tranquei a gente no banheiro, ficamos olhando no espelho um para o outro, eu queria arrancar informações sobre um amigo dele de quem eu gostava e ele ficou enrolando, enrolando, acho que era ciúme, alisando seus cabelos ainda mais, e ele sempre dizia para eu tirar o cabelo do rosto.

Ele sempre me perguntava por que eu não fazia algum tratamento no meu cabelo, jogava alguma química por que eu poderia ficar… mais… bonita. Como a da ex dele, talvez? Depois que eu tirei o vermelho e passei a usar o preto natural neles, fiquei ainda mais parecida com ela! E ele sempre dizia para eu tirar o cabelo do rosto.

Um dia eu tinha seus cabelos pretos e lisos e curtos e bagunçados no meu colo, no outro, eles tinham sumido, e foi assim por uns dois meses inteiros, eles fizeram tanta falta que minhas mãos ficaram secas e desacostumadas a fazer cafunés, então ele não disse, por dois meses, para eu tirar o cabelo do rosto.

Alisei, cortei chanel e ele sumiu, e eu queria sumir, mesmo tendo alisado… e ficado… muito… mais… bonita – ah, não parecia a ex namorada dele, ela não tinha um cabelo chanel – ele ainda não estava na minha vida.

Um dia nos esbarramos por acaso e ele sorriu. Por que sorriu é um mistério, sei que debaixo daqueles cabelos, dois dedos maiores que do último encontro, no rosto e a barba mal feita do dia, e tinha o mais iluminado sorriso, todos sorriam pra mim, mas o dele era o mais bonito, acho que por que eu estava, bem, um pouco mais bonita. Não disse nada, além, é claro, de que ele estava bonito daquele jeito por que eu não havia penteado no dia.

Eu não sorri! Eu não! Por que iria sorrir? Estávamos afastados, ele tinha motivo – o tal motivo desconhecido – mas depois de uns dias eu fui cedendo, ele foi pedindo trégua, os dias se passaram e ele resolveu elogiar, disse que preferia que ele tivesse comprido – como o da ex dele -, mas que estava bonito. Sim! Não disse “não tão feio”, ele disse bonito! Nesse dia ele não disse nada, ele só tocou no meu rosto, tirou minha faixa do cabelo, colocou minha franja para trás da orelha, e sorriu, apenas sorriu.

Depois voltamos a conversar sobre tudo, bem, quase tudo, o assunto do cabelo ficou para trás, é, só o assunto, por que os cabelos continuavam a cair pra frente. Sempre dando qualquer desculpas pra tirá-los dos meus olhos, ele dizia que eu ia ficar vesga procurando uma fresta no cabelo, ou então por que cabelo no rosto aumentava a espinha, mas o motivo real eu acho que era para ele poder olhar meu lábios, meu nariz e meus olhos.

Alguém para chamar de meu.

como eu queria ter alguém pra chamar de meu,
dizer sim e não sem medo de que tudo se acabe,
ser eu mesma, poder errar, ser quem eu quero ser.
ah! como eu queria ter alguém pra chamar de meu!
e que ele possa me chamar de sua!
um alguém tão especial na minha vida 
que não pudesse nem pensar em sair dela!
ah, como eu queria alguém pra chamar de meu! 

Primeiro Beijo

Esperando, procurando os olhos dele… Que cores são? Azuis? Verdes? Mel? É! Mel, acho que mel… Depois de tanto esperar ele chegou, as luzes bateram em seu rosto e eu pude vê-lo perfeitamente, era ele! Seus cabelos castanhos claros bagunçados e, olhos brilhantes fixando-os em minha direção, sorriu… Pegou uma das minhas mãos e a beijou, seguimos de mãos dadas para dentro do salão, ele olhava para as pessoas paradas e sorria cada vez mais, o sorriso mais perfeito de todos. Nossa música começou a tocar baixa, abafada, eu não via mais nada além dele, todas as luzes haviam sido apagadas, tudo ficou escuro, ficamos de frente, um para o outro, só enxergava a luz do seu olhar, pegou uma de minhas mãos com a dele, esticou, apoiou a outra na minha cintura, eu apoiei a minha em seu ombro, um passo para a direita, nos aproximamos mais, um passo para esquerda, mais perto, outro para direita, rodando, sua bochecha encostou na minha, um passo para trás e para esquerda, nossos lábios se aproximaram, minhas mãos tremiam, ele então escorregou sua mão para o meio das minhas costas, puxou meu corpo mais pra perto dele, sentiu que era aquilo que eu queria, um passo para direita, outro pra esquerda, mais perto do que nunca, nossos olhos se fecharam, rodando e dando passos para os lados, fomos parando de rodar, ele me beijou, fomos parando de dar passos pros lados, e paramos, nos beijamos em um beijo doce e que me aqueceu, o sinal tocou e nossos corpos se afastaram com um pulo, a música do Ipod no máximo de volume foi desligada pelo professor,  na mesma hora percebi todos entrando na sala de aula, ele me beijou a testa e foi pra classe dele…

Congelados


De manhã tinha sido um dia normal, fútil, cansativo, mas consegui sobreviver, aprendi algumas coisas sobre filosofia, desisti de aprender física e matemática e a professora de português passou uma prova meio fácil, no intervalo tomei meu guaraná com um misto quente, e tocou o sinal e saí correndo da classe.

Quando eu saía da escola, era um dia daqueles chatos, mas mal sabia eu que uma coisa inesperada estava pra acontecer, eu olhei pro outro lado da rodovia um pouco mais atrás, vi que meu ônibus se aproximava devagar, olhei pra baixo reclamando e chutando uma pedra, pensando que ia demorar uma hora pra ele passar de novo, quando eu ouvi um grito, olhei pro lado rapidamente e tropecei.

Morrendo de vergonha olhei pra baixo de novo, dei uma risada amarela pra mim mesma, e quando eu olhei pra frente achando que iria ter alguém olhando pra mim e rindo, tudo havia congelado… menos eu! Todos tinham parado do jeito que estavam, os carros na rua que eu ia atravessar, os da rodovia logo em frente, os pássaros, dois vira-latas e as pessoas, todos estavam parados.

Vendo aquilo tudo, o que parecia ser um sonho meio bizarro, olhei para todos os lados e todos estavam parados, nada se movia e não se ouvia barulho algum, o último barulho que eu ouvi foi a mulher gritando antes de tropeçar. Então eu percebi de onde veio aquele grito, era de uma senhora que tinha sido roubada.

Fui me aproximando do ladrão passando entre os carros que estavam parados na rua que saía da rodovia, e pro meu espanto – não sei por que, na verdade – ninguém buzinou pra eu sair da frente, ninguém gritou e me xingou, fui me aproximando. Vi o rapaz que pegou a bolsa da mulher, ao cometer o assalto congelou do jeito que estava, correndo: uma perna na frente da outra, a da frente, estendida, puxando mais pra frente ainda, apoiando toda sola no chão, e fazendo força pra conseguir correr, a perna de trás, estava flexionada, seus braços estavam dobrados, uma das mãos apontava pra frente fazendo uma espécie de uma concha com os dedos, como se tivesse puxando o ar, a outra mão que segurava a bolsa marrom da mulher, estava forçando os dedos para ela não cair, ele estava com um gorro cobrindo o cabelo e deixava parecer alguns cachos nos lados, sua roupa era muito simples, era uma camiseta preta, calça jeans azuis e sapatos marrons, não estava armado, mas era forte. Ele tinha olhos azuis e nem se preocupou em cobrir o rosto para não ser reconhecido, seu olhar era vazio e sua expressão era de total tristeza.

Eu aproximei dele com cuidado, sem tocar nele, pois fiquei com medo de acontecer alguma coisa, eu estava tensa, meu coração batia forte, meus olhos apreensivos, estiquei meus dedos e peguei a bolsa e me afastei dele com um pulo pra trás, ao tocar a bolsa, percebi que ela estava muito gelada, dura, mas à medida que eu a segurava esquentava e amolecia.

Olhei pra trás e vi um homem gordo, de óculos correndo em direção ao ladrão, era claro que foi a reação imediata dele, assim que ele viu o assalto, mas ele parecia já cansado de ter feito aquele pouco esforço, a perna da frente estava estendida e a de trás flexionada, como a do ladrão, braços fazia um sinal para o outro parar, ele estava com uma calça jeans e uma camisa cinza, seus olhos pareciam ter raiva, quando olhei pra ele, no mesmo instante, percebi que ele tinha recuperado o fôlego e o suor tinha sumido, ele não se mexeu, mas eu percebi que tinha ficado mais relaxado.

Andei rapidamente em direção a senhora que tinha sido roubada, ela estava com um sapato rosa, com meias de renda, as duas pernas velhas e fracas, se segurando só com os joelhos, como se estivesse flutuando, fazia tanta força pra ficar de pé que eu tive vontade de carregá-la no meu colo, mas eu estava com medo de tocá-la, ela era magra e usava um vestido rosa florido, uma de suas mãos estava levantada, chamando atenção das pessoas, a outra mão estava apenas pendurada, em seu rosto tinha uma lágrima quase azul saindo dos seus olhos verdes, escorrendo para a boca muito aberta, da onde tinha saído o grito, seus cabelos estavam arrumados e eram muito cinza, ela era morena, quase negra, tinha uma pele muito bonita, mas estava com uma expressão de indignação, tristeza… Era uma senhora tão velha, mas tão bonita que eu me espantei. Deixei a bolsa que eu estava segurando e deixei perto dela, para parecer que tinha caído das mãos do ladrão, se tudo aquilo voltasse ao normal em algum momento.

Tudo aquilo que aconteceu em poucos segundos – ou em nenhum, pois os relógios haviam parado, o meu do pulso, do meu celular e a do painel da rodovia – não fazia sentido algum, eu continuei seguindo meu caminho, mesmo estando tudo parado, fiquei com receio de atravessar a rodovia e bem na hora tudo voltasse ao normal, e resolvi atravessar pela passarela, por onde eu ia todos os dias.

Lá em cima tinha uma criança parada, com uma das mãos pra cima, com um olhar triste e faminto, pedindo esmola, olhando pra ela não resisti e abaixei, parecia uma escultura, não piscava, não respirava, mas vivia, eu sabia que vivia, ela era branca e tinha olhos bem escuros, cabelos despenteados e cheirava mal, fiquei com pena, e me lembrei do suco em caixinha e de um pedaço de bolo que eu tinha levado na mochila, deixei no lado dela, onde estava deitado um vira lata marrom velho, parado, também, como todas as outras criaturas, com as patinhas em baixo do focinho, e as orelhas caídas do lado, enquanto eu me levantava para continuar andando, depois de deixar o lanche pro menino, eu percebi que o cheiro dele ia sumindo aos poucos, até que eu não senti mais nada.

Continuei meu caminho sem muitas esperanças de que aquela situação iria mudar, olhei pro outro lado, a senhora, o ladrão e o homem gordo continuavam ali, parados, como eu os deixei, olhei pra cima, o menino e o cachorro estavam iguais, parecia um quadro pintado à tinta, segui em direção ao ponto, o ônibus que eu tinha visto do outro lado da passarela ainda estava lá, mas eu não sabia se eu ia voltar pra casa por que tudo estava parado, e dessa vez, não era trânsito, não era acidente… Estavam todos e tudo congelado, menos eu!

De repente, estranhamente, eu tropecei em um nada, e quando olhei pro lado tinha uma mulher rindo de mim disfarçadamente e andando pra frente, e todos os carros voltaram a andar, olhei pro outro lado da rodovia e a mulher viu e pegou a bolsa do chão, o gordo pulou em cima do ladrão, então muitas pessoas se juntaram e não vi mais nada, dei sinal pro meu ônibus parar, era um daqueles ônibus pequenos, que a entrada é a mesma que a saída. Ao passar na roleta, um garoto loiro, com olhinhos puxados, alto, com uma camiseta amarela de algum time europeu e bermuda vermelha, estava correndo para sair do ônibus, nós dois nos esbarramos de frente, ele parou, desistiu de sair do ônibus, nós dois rimos, e ele disse “me desculpe pelo atraso”, o motorista fechou a porta e fomos embora.


Inútil


Inútil é perder sua tarde inteira correndo atrás de um presente pro seu namorado e ele terminar com você logo depois que você dá o presente toda empolgada e dizendo que o ama.

Inútil é você viver uma vida inteira economizando pra comprar um carro, e quando você consegue comprar, um bêbado na estrada acerta ele e dá PT, e o seguro só cobrir metade!

Acho que futilidade está ligada a injustiça. Você ter um computador com internet rápida é inútil, por que enquanto você tem acesso a essa tecnologia, pessoas estão morrendo de fome.

Enquanto você não tem nenhum namorado, há pessoas que não fazem questão de namorar e acabam namorando todo mundo de uma vez só!

Futilidade é poder conhecer o mundo, mas não saber como ensinar uma pessoa a ler e a escrever.

Só pra sentir

 

Pare, conte até dez e ame… Ame todas as coisas em sua volta, tudo o que você já tem em sua vida. Dê valor, chore por quem merece, chore por estar feliz. Abrace a todos, fique bêbado e peça um grande amigo seu em namoro, vire melhor amiga do menino por quem você se apaixonou, mas não deram certo como namorados, fique com seu melhor amigo para vocês terem certeza de que é só amigos que vocês são. Nunca machuque quem gosta de você, não minta, só se for por uma ÓTIMA causa, faça músicas e dramas, faça tempestade em copo d´agua e chore em cima do leite derramado. Fique junto das crianças, faça poses esquisitas para fotos com seus amigos e as publiquem na internet. Tenha vinte anos para sempre, mas enquanto não faz vinte, mantenha os doze anos de idade. Não faça mal a ninguém, ceda seu lugar para os velhinhos no ônibus, aposto como eles estão muito mais cansados que você, qualquer hora e qualquer dia da semana. Leia muito, leia o que você quiser, livros, horóscopos, revistar, bíblia, receitas… Dê valor aos amigos presente e aos amigos de longe. Vá para o caminho do bem, chame o amor, as cores, o carinho, os abraços e os beijos. Faça o seu melhor sempre, se temos que viver, que vivamos o melhor possível, intensamente.

Naquela hora

Dois velhinhos caminhando de mão dadas em um dia de sol que faz muito frio, um grupo de jovens e um ônibus bem na minha frente, logo ao lado, um painel contando oito e trinta e um… oito e trinta e sete… oito e cinquenta… Muitas risadas e conversas, o vento gela todos os meus sentidos, muitos carros passando e eles traziam um vento mais gelado ainda para piorar o frio. Ninguém se importando com o cheiro de cigarro, ninguém se importando com os sentimentos alheios, mas de repente, um que merece atenção, o único que parece aquecer meu coração. Alto, loiro, olhos claros, calça jeans e casaco escuro, cabelo curto, mas o suficiente pra voar com o vento, mais sozinho do que acompanhado, passa por mim inúmeras vezes, brincando, parava, ria… sorria… Me passa na cabeça uns acordes e a melodia de uma música que eu gosto, desejo meu violão naquela hora, mas agora meus dedos estão tão frios que quase não consigo escrever, me faz pensar que seria impossível tocar aquela música lá, mesmo se meu violão estivesse comigo. Penso, então, na letra dela, de como se parece com o meu momento… Muita gente que passa por mim, quase não me vê. Tem uns que sobem na árvore que eu estou encostada e pulam na minha direção quase me acertando. Ele não virá me esquentar, pois não existo pra ele e pra quase ninguém naquele instante. Só o céu azul com as nuvens se movendo rapidamente, o frio, o vento e a luz que o sol nos tras pouco calor me faz saber que eu realmente estava ali, naquela hora.

Por um mundo com menos mulheres

Atualização 2016: não leve esse texto tão a sério, eu não sabia o que eu tava falando. Ao invés disso, leia esse mais novo sobre mulher x homem.
 Uma causa que eu gostaria muito de abraçar, é para a diminuição de natalidade feminina. Afinal de contas, são 100 mulheres para apenas 96 homens*, as mulheres nas ruas estão, nitidamente, em maior quantidade do que os homens, e é por isso que há mulheres matando cachorro a grito, subindo pelas paredes e posso até arriscar dizer que é o motivo das mulheres traírem menos que os homens. No meu ponto de vista, as mulheres não estão em condições de ficar escolhendo entre tantos, já que não tem muita opção, já os homens, têm um leque de opções, onde podem escolher, entre algumas, com quem ele quer ficar.
Com essa população de meninas crescendo assim, em alguns anos, as mulheres terão que buscar o prazer com outras mulheres, mas quando isso acontecer, não terá preconceito nenhum, será uma coisa natural e o bizarro será uma mulher se relacionar com um homem, ou pior ainda, se os homens começarem a casar com mais de uma mulher, já que quase não terá homem para todas! Era só o que me faltava, ter que dividir homem!
 Para a minha geração, ainda que tenha opção do sexo oposto, a caça não está fácil: homens bonitos, inteligentes e com um bom caráter, são gays, os héteros estão comprometidos. Homens bonitos e solteiros são cafajestes ou burros. Homens legais, de bom caráter, inteligentes, solteiros, são feios. Mas como não estamos esperando pessoas perfeitas (- não?!) ainda temos esperança… Por enquanto! E daqui uns anos quando o mundo será habitado somente por mulheres?
Não que eu não entenda o motivo disso tudo, é a seleção natural, é a lei dos mais fortes, esses, então são “fabricados” com sucesso, já os mais fracos, a natureza vem dispensando. Defeito de fabricação sempre prejuízo, não adianta insistir em um erro!
Mas estou vestindo a camisa dessa campanha, por isso meu dever é desenvolver soluções para progredir! Para o XY voltar a ser produzido com sucesso, é necessário que os homens tentem crescer como seres humanos, parar de se preocupar com consigo mesmo, somente com futebol, carros, vídeo games e mulheres. Só assim conseguiremos enxergar um futuro de produção em massa! Em compensação, para que parem a fabricação das mulheres (o então visto como sexo frágil), teríamos que regredir, mas isso é utópico demais. Então cabe aos próprios homens, uma conscientização de que a raça de vocês está para ser extinta, e tratarem de correr atrás do prejuízo.
Se a nossa campanha der certo, em alguns anos, os jovens além de mais inteligentes, fortes, educados, sensíveis, estarão procurando coroas que hoje são jovens como eu, como você, por conta da escassez de meninas. Por mim, tudo bem eu esperar esses anos para ficar com um garotão desde que eu não tenha que ficar, por falta de opção, com outra mulher, sem preconceitos, claro!
    E vamos juntas em frente combater a falta de macho!
*Fonte: IBGE teen

Mundo Paralelo Chamado Coração

Hoje eu vou escrever alguma coisa diferente do que eu escrevo normalmente, eu estou com medo com esse negócio da Capricho, por que eu não tenho facilidade de escrever quando eu TENHO que escrever, mas eu vou escrever o que me vier na cabeça, e agora eu estou ouvindo uma música da Christina Aguilera e Rick Martin, Nobody Wants To Be Lonely e eu estive pensando, é… Ninguém quer ficar sozinho, mas ditados são quase sempre certos: “antes só do que mal acompanhado”.

Eu decidi que eu quero me casar com meu melhor amigo. Eu quero chegar em casa, quando eu casar, esperar meu marido pra podermos conversar sobre qualquer coisa, sentar na frente da televisão e assistir Gilmore Girls, quero que quando eu tiver uma TPM das fortes, ele está lá pra me fazer dormir e dizer que me ama do jeito que eu sou, eu quero aquela pessoa que tenha quantos amigos quiser ter, mas que eu vou sempre estar em primeiro lugar.


É, acabei de descobrir o meu problema, acho que eu gosto de exclusividade.


        Acho que eu preciso sofrer de amor mais uma vez, por que eu já me esqueci como é, afinal de contas, anos sem sentir o que eu senti daquela vez, com treze anos…


Eu vim aqui falar que eu não quero ficar sozinha, como TODO MUNDO, como diz a música do Rick Martin e da Christina Aguilera. Já venho estudando sobre formas de amor faz algum tempo. Há 18 anos e meio, conheci o amor mais preciso que alguém pode sentir, o meu primeiro amor, meu pai.


        “Saber amar, é saber deixar alguém te amar” Há mais ou menos sete meses, conheci um amor diferente, “we should be lovers”, que passou, por que… por que eu conheci um amor de amigo, que eu pensei que não era de amigo, e hoje é um amigo, mais do que especial, um irmão, aquele irmão, mas por que lá DIABOS eu fui confundir com amor amor? Como disperdiçar um amigo que vem na sua casa por que eu mando uma mensagem pra ele “eu preciso tanto de você” e ele diz logo depois: “Estou indo praí, primeiro, por que você precisa de mim!”

        Então eu conheci uma pessoa diferente, leia-se pessoa mais estranha do que confundir amor de irmão com amor amor, e eu realmente sinto amor por ele, mas de NOVO, não é amor amor. É amor de amigo, amor de irmão. E eu vou sempre, SEMPRE ser a amiga Gabi dele. Seremos sempre assim, amigos.


Eu já conheci, um amor que é mais ou menos eterno, que todo 31 de março eu posto alguma coisa do tipo: hoje faz X anos que eu fiquei com o amor da minha vida, leia-se meu primeiro amor, por que o da minha vida eu ainda não conheci e/ou são esses amigos/irmãos.


Desse amor, o que eu guardo são muitas cartas que eu escrevi e não mandei, algumas fotos, repetidas de tamanhos diferentes, impressas de uma forma que não dá pra enxergar, um bonequinho do Vagabundo (de A Dama e o Vagabundo), conversar pelo ICQ (bom e velho ICQ), e uma certeza: um dia, tudo isso vai embora, mas ainda não chegou o momento.


De mais recentes amores eu guardo só a certeza de que nenhum foi tão intenso quanto o primeiro e cada um que passa, a dúvida se eu amarei de novo com a mesma força que eu amei na primeira vez.


Mas voltando ao tipos de amores, estava falando só das pessoas do sexo oposto.

Tem o amor que foi primeiro, antes do meu pai, o da minha mãe, que há mais de 20 anos sonha comigo (por eu ser gêmea, ela sempre quis um casal de gêmeos) e há 19 anos me sentia e me dava o maior amor de todos.


Eu tenho uma amiga, ela me ama incondicionalmente, e eu a amo pra todo o sempre em nossas vidas, e isso foi marcado com uma viagem, a melhor viagem, para o Rio Grande do Sul. E a gente se ama, sem medo, entende? A gente se entende, a gente se completa, a gente já não consegue viver sem uma e outra.


E preciso falar de outras amigas? Acho que o exemplo dessa já é o suficiente.

Se ninguém quer ficar sozinho, nesse mundo, contradizendo todos os meus sentimentos nesse momento de carência e vontade eterna e súbita de ter um namorado, eu… não estou sozinha. então qual é o meu problema?


         Ah, já sei, é exclusividade, sabe.

Ter amigos, é bom demais, é necessário para minha vida mas…


Eu SEI que meus amigos tem as amigas deles, as vezes mais amigas do que eu sou deles, e eu não sou DELES, sou… de todo mundo… ou de ninguém, então contradizendo a regra que eu acabei de quebrar sobre não estar sozinha: Cadê a minha alma gêmea?


Aquele meu melhor amigo pra eu me casar com ele? Sentar no sofá coladinha nele pra assistir Gilmore Girls, ser só dele, e ele só meu?


É… Não preciso casar com ele agora, entende? Não quero casar agora, mas sim, eu quero sentar coladinha com alguém pra assistir Gilmore Girls (ou The Simpsons – que eu odeio, por acaso-), não importa, eu quero alguém pra chamar de meu, entende?

Picles

(12 de janeiro de 2016: Obviamente eu estava projetando, eu era bem inconsciente. Hoje eu reli com vergonha de mim, mas a última parte valeu para eu ver meu processo, o que eu pensava na época. Desculpem pela grosseira. Meu Picles morreu há um tempo e preciso superar isso <3)

* Os nomes foram trocados para preservar a identidade das pessoas

 

Se tem uma coisa que infelizmente todos nós estamos indubitavelmente condenados a ter, é um Picles na vida. É aquela pessoa adorável que faz tudo pra você até não aguentar mais… É! Exatamente! É uma pessoa que faz tudo, faz tanto, que só falta ela mastigar pra você (ecous!), o que chega a irritar! Ninguém merece uma pessoa assim, nem a pior pessoa do mundo, quer dizer, corruptos merecem, Hitler merecia, tá, pensando melhor, isso é um castigo legal pras pessoas do mal (eu não sou má, acho!). 

Ele parece uma sombra, um espírito atrás de nossos ombros, que a cada espirro você ouve um desejo de saúde. Não que não seja legal ouvir saúde quando você espirra, mas se o Picles escuta você espirrando lá da cozinha, ele pode escutar você falando no telefone com seu namorado e com sua melhor amiga, ele sabe o filme que você está vendo, quem frequênta a sua casa, essas coisas. É claro que esse exemplo é para quem está na sua casa (e não é seu convidado). 

Há Picles que entram no seu Orkut só pra saber da sua vida, se você está namorando, se você está brigada com alguém, se está apaixonado, mexe em todas as suas páginas SÓ pra saber da sua vida, e depois vem comentar sobre alguma coisa e você diz “Foi eu que te contei?”, e ela ainda diz na cara de pau que não foi, que viu no meu Orkut, aquelas pessoas que parecem viver pra tomar conta da sua vida, e o que você pode falar? Se tá no Orkut, é público, o mesmo pra blogs flogs e afins! 

Para identificar um Picles é fácil, pois essas querem fazer de TUDO para ser seu amigo mas não conseguem (por motivos óbvios), aquelas pessoas que acham que sabe tudo de você, dá opinião na sua vida inteira, que não sabe do que você gosta de verdade mas age como se soubesse, e ainda pra fazer um “agrado” com chocolate meio amargo, crente que acertou, mas na verdade podia ter comprado um chocolate ao leite. 

É claro que há várias características, um Picles não é assim só com quem quer agradar (seja patrão, professor, ídolo…), ele é assim com todos. Ela é aquela pessoa que sempre acha que sabe de tudo, desde lavar roupa até mexer no computador. Sabe, eu não tenho preconceitos, acho que todo mundo pode saber um pouco de tudo (não literalmente, claro), mas eu sou da seguinte opinião: Picles, primeiro de tudo, se não te chamaram, não te mete, as vezes as pessoas não precisam de mais uma cabeça sem idéia só para atrapalhar, mas, se você tem a solução para o problema e quer – e pode – ajudar realmente, faça sua contribuição humildemente, nada de dar uma de impor seu jeito depois só dizer só por dizer “é o que eu penso, mas…qualquer coisa”. Segundo, esses Picles podem muito bem saber de tudo um pouco, mas eu aposto que eles sabem POUCO de tudo, por que é humanamente impossível você ser bom em tudo, por exemplo, no caso a “minha” Picles, ela faz uma comida maravilhosa, tem todas as ‘manhas’ na faxina, mas, se ninguém pediu a opinião dela, por que DIABOS ela vem sugerir que eu receba o e mail de alguém, imprima e mande de volta POR E-MAIL? Olha, ninguém é obrigado a saber como funcionam essas novas tecnologias, ainda mais se não é alguém que teve oportunidades, mas, como eu já disse, se não foi chamado, não se mete, ainda mais pra falar coisas que você ignora. 

Pior ainda são aqueles Picles que se sentem os melhores amigos quando fazem alguma coisa que ninguém pediu e, se acha no direito de ter créditos pra isso. Não! Desculpa-me, isso te torna um peso indesejável. Faz que sua presença seja indesejável, a conversa com você se torna insuportável. Imagina quando você dá um BOM DIA e um Picles vem com um monólogo de vinte minutos por que o dia está bom, ou não. 

Mas, não podemos esquecer uma característica forte dos Picles, são suas intenções, que são boas, mas ela sabe sua vida inteira, então não tente fazer um post no seu blog falando mal dele e de sua turminha, mesmo mudando o nome dele, pois tenho certeza que se descobrir pode se sentir magoado, e sabe, de boas intenções o inferno está cheio, é o que dizem. 

Como se livrar dele? Perdoe, mas… Não, você não se livra, pelo menos tão cedo. Você precisa superar esse mal de cabeça erguida e nariz empinado, mesmo sabendo no seu íntimo que você nunca conseguirá superar o nariz empinado de um Picles, e assim, com o tempo, o destino tirará essa cruz que você carrega, mas você pode ignorar, deixar ele falando sozinha, mas o grosso do problema, a raiz mesmo, só se vai quando seu coração estiver livre de rancor e sentimento de vingança… 

Como é bom ter os irmãos em casa


Eu posso dizer com toda a certeza que é, na maioria das vezes, um saco ter irmãos. No meu caso, ter os dois no meu ouvido o dia inteiro me dizendo o que fazer ou pior, o que NÃO fazer, é simplesmente o inferno! Aquele jeito de irmãos mais velhos que eles têm, só que detalhe: nenhum dos dois é realmente mais velho. Um deles é meu irmão gêmeo e o outro é meu irmão caçula, sim, ele é mais novo e pensa que é mais velho (claro que pensa, todo mundo sempre me tratou como a caçula e ele se acostumou com isso – estou querendo tirar a culpa do meu irmãozinho -, mas quando os meninos queriam me bater na escola, ele era apenas meu irmão mais novo e não podia fazer nada!)

Eu sei que é difícil, mas eu levo nossas diferenças pelo lado positivo, por exemplo, seria muito chato se, quando eu começasse a chorar, eles ficassem tristes junto comigo, só que o que eles fazem é exatamente ao contrário: Eles me olham com cara de quem não tá gostando nada nada de me ver em lágrimas e solta alguma coisa do tipo “tá chorando por quê? Alguém morreu?”, o que eu morro de raiva quando eles falam esse tipo de coisa, afinal de contas, todos deveriam ter o direito de curtir sua dor em paz sem amolação de irmãos insensíveis que não choram! Detesto quando essas coisas acontecem, mas sabe de uma coisa? Tudo isso vem acontecendo há tanto tempo que eu já tenho todo o tipo de anticorpos que eu preciso pras ações deles, e quando eles vêem me atacando eu já tenho minhas técnicas.

Mas eu estou falando muito mal deles, e esse não é o motivo de eu estar aqui hoje, eu preciso dizer que eu os amo demais, e que eu sei que eu posso contar com eles pra tudo (ah! menos quando os meninos vierem me bater!), eu sei que eles me amam (mesmo eles não admitindo). Eu sinto bastante falta deles aqui comigo, eles estão morando longe, e quando eles vêem pra cá, e em uma ocasião que eu fui, eu adoro estar com eles, eles me fazem rir, eles me escutam – ou acho que escutam – a gente se diverte junto. 

Eu sei, eu sei que eu me irrito muito com os dois, mas é normal, eu acho, a casa inteira pra mim e de repente tenho que dividir banheiro, cozinha, mãe, pai, Maria, Milly e tudo com eles, mas eu não tenho mais doze anos de idade pra ter ciúme então eu arrumo outros motivos idiotas pra brigar. O que me faz sempre ficar com peso na consciência, por que quando eu faço coisas idiotas eles não me chamam de idiota – só quando é realmente alguma coisa idiota!

A vida é engraçada, não é? Quando temos cabelos longos, queremos curtos, mas quando cortamos queremos longos, e isso pro tipo de cabelo: liso e ondulado, essas coisas que todos nós já sabemos muito bem que chega até a ser clichê! Mas acho que não pensamos que quando moramos com nossos irmãos a gente quer jogar uma bomba no quarto deles, trancar eles pra fora de casa, jogar chiclete no cabelo deles pra eles saírem do seu quarto, só por que é irmão e irmãos tem que se irritar – será mesmo? …e não pensamos que… Depois… Quando eles vão embora… A gente necessita de algum menino insensível pra pedir pra gente não chorar, a gente precisa de um cara chato pegando sua guitarra e tocando enquanto você fala no telefone, é, muitas vezes, essencial alguém cantando Counting Crows naquele banho que interdita o banheiro por quarenta minutos…

Meu primeiro grande sonho

       Nunca desista de um sonho… Se você não achar em uma padaria, tente em outra! É o que eu já li em nicks no MSN, perfil no Orkut, botecos e propagandas mas, o que parecia ser uma coisa banal, uma simples frase de caminhão, pode ter um grande significado. Mas de onde vem e até onde vai esse sonho? Até onde você pode (e quer) chegar? O que você tem que fazer pra conquistar o que você quer? O que está disposto a fazer por isso?

Quando eu via esse tal de sonho nos olhos e no coração das pessoas, eu tinha tanta vontade de ser igual, de ter um sonho, mas nunca tive. Quer dizer, acho que até pouco tempo atrás, meu único sonho era conseguir ter um sonho, ele não precisava ser grande, de marca, vermelho, nem mesmo precisava ser imediato e instantâneo, muito menos utópicos, precisava ser um sonho intenso.

Esse meu “sonho” não me deixava ir a lugar algum, esse meu sonho de ter um sonho me fazia ficar de pé, com uma mala pronta, só esperando que ele aparecesse de repente e me levasse pra outro mundo, mas ele nunca vinha… E eu nunca dormia satisfeita. Então, começou: primeiro foi minha mãe, realizou seu sonho, com muita batalha e perseverança, depois meu irmão mais velho foi buscar o sonho dele e levou os meus outros dois irmãos, para apoio moral e força física. Depois minha irmã, que chorou, se descabelou, cantou, riu, fez de tudo para conquistar um espaço onde ela queria, e eu pensando por que eu era a única que não conseguia realizar um sonho (no meu caso era ter um sonho)?

Mas eu não tinha sonho, quer dizer, agora eu tenho, por que eu me dei conta que eu tenho vontade de evoluir, de pegar técnicas, de ter conhecimentos suficientes para poder escrever sobre tudo e mais um pouco, tenho o sonho de escrever e que todos pudessem ler, pois ninguém escreve pra ninguém ler (só no caso de diários e afins). Sim, estou praticamente decidida que eu quero fazer faculdade de jornalismo, fazer um bom curso e me esforçar para recuperar o tempo perdido, aquele tempo que eu andei sonhando em ter um sonho!

Não posso negar: agora que eu tenho um sonho eu estou um pouco insegura sobre o que fazer com ele, mas talvez até seja normal ter essa incerteza, por enquanto. Eu acho que eu já dei dois passos pra frente e muito importantes contra essa insegurança (um blog e inscrevê-lo no concurso da revista Capricho), mas eu estou com medo de falhar, medo que de repente esse sonho seja frustrado ou simplesmente da noite pro dia se dissolver na minha mão como uma pedra de areia e não conseguir fazer nada contra isso.

Da onde vem esse sonho? É a jornada de uma menina sem sonhos para uma mulher com sonhos e ao mesmo tempo com os pés no chão e decidida. Tudo começou em novembro do ano passado, quando uma professora de português chegou a escola para dar um curso com umas cinco ou seis aulas (chamadas de Laboratório de Redação) para alguns alunos somente, os alunos que foram “convidados”. No primeiro encontro lemos um pouco e a professora pediu para que terminássemos o texto que ela passou do nosso jeito, usando nossa criatividade, fiz o que ela pediu e fiquei tranquila, mas nada em especial. Na outra semana, na aula, ela nos deu uma apostila explicando as regras e como se construía uma crônica, e era pra gente fazer uma crônica seguindo os padrões escritos lá, sobre qualquer coisa, real ou não, mostrei pra ela uma prévia, um rascunho, ela leu e achou interessante, apontou alguns erros, mas disse que uma passagem foi bem escrita por que dava ênfase a crônica (algo assim, sem aquela frase, a crônica não estaria completa!), levei pra casa, e fui escrever o que faltou.

Na outra semana eu não compareci a aula, mas pedi a uma amiga que entregasse a “Congraçando” para a professora, por não ter ido à aula, não ouvi nenhum comentário sobre o resultado do meu trabalho nem li nenhuma redação dos meus colegas naquela semana! Na outra semana, a professora me entregou a redação corrigida e com uns 8,5 de nota (ok, pra mim 8,5 é muita coisa!) ela me parabenizou, disse que estava muito bem feita e queria uma cópia e ainda mais: disse que se não tivesse me visto fazendo o rascunho, ela ia achar que eu peguei da internet. Foi a segunda coisa mais legal que eu ouvi sobre o meu pseudo-talento na minha vida, só não foi a primeira coisa por que meu amigo deixou um comentário no meu blog muito mais legal, ela fica com o segundo lugar, mas eu fiquei feliz de ter escutado aquilo da professora, isso por que pra mim, eu havia sido convidada para participar desse laboratório exatamente por NÃO saber escrever (grande dúvida eterna na minha vida: o motivo de eu ter sido convocada).

Todas as portas pra esse caminho pareciam estar fechadas pra mim, o caminho de escrever, mas de repente, eu mostrava pras pessoas, e elas gostavam, me elogiavam, e eu via uma energia positiva em minha direção, algo chegando cada vez mais próximo e um sonho, como se fosse um feto, nascendo. Eu estava quase conseguindo o meu sonho de ter um sonho.

Meses se passaram, as pessoas continuavam a elogiar o Congraçando, mas eu não tinha nada em mente pra poder sustentar esse sonho que começou a se nascer, então ele foi se fechando e um dia, de repente, depois de ver que o sonho que mal tinha começado a se formar estava indo embora e somente por que meu estado emocional não estava bom, então eu resolvi escrever. Abri minha agenda e fiz uma história de um cara normal e uma menina não tão normal assim (igual a mim), ele era apaixonado por ela, e eram amigos, e um mistério/drama/romance envolviam os dois. Foi sem querer, sem técnica, sem experiência, foi um texto triste refletindo, talvez, o que meu estado de espírito, e um texto cansativo de se escrever e ainda mais de se ler. Um estilo crônica sem muitas regras e sem roteiro, uma tentativa de ter tanto sucesso quanto a primeira, mas “Ablaçar” não teve a mesma sorte. Não tive muito público, não acho que foi um trabalho mal feito, mas acho que ficou um pouco repetitivo e deixou de ser novidade, era apenas um texto de autoria de uma menina sem técnicas e que falava da mesma coisa de sempre.

Mas eu não desanimei quando eu vi que o resultado não foi o mesmo, gelei por uns tempos, mas tudo na minha vida estava dando errado, “por que isso daria certo?” eu pensava, eu estava me perdendo, confusa e triste com o mundo. Podia parecer bobagem pra quem via de fora, mas eu não conseguia escrever um parágrafo que fosse, eu não conseguia escrever nada que não falasse de coisas tristes e depressões, fazia desenhos tristes e suicidas, vocês devem estar pensando se será relevante esses detalhes. É sim! Eu caí, cheguei lá no MEU fundo do poço, mas eu consegui me reerguer, por causa de um sonho (claro que não só por causa dele, mas ele me ajudou) por que no meio de todo esse colapso, eu fiz um blog (dancing withmyself – original) para poder escrever o que eu tivesse vontade e colocar minhas crônicas, fazia posts pequenos, com músicas, e comentários tristes sobre mim, e continuava postando no meu antigo fotolog, e quando eu menos esperava, já que não tinha muito o que escrever em um post, me inspirei em Fernando Pessoa (” grande é a poesia, a bondade e a dança…”), que eu estava estudando na época na escola, e escrevi algumas palavras sem sentido, aliás, pouca gente entendeu até hoje, gostei tanto que comecei a escrever mais meu blog que não era muito alimentado, coisas minhas ou não, novas ou antigas.

Um mês depois dessa inspiração repentina, estava lendo a Capricho em uma viagem que eu fiz pra Andradina, para visitar meus irmãos, e eu vi um concurso que incluia um blog, alguma coisa assim, refleti bastante, afinal de contas, Andradina é um lugar calmo e sem muita coisa pra fazer, então, perguntei pra minha mãe o que ela achava, ela me incentivou. Pensei bastante e me decidi, finalmente, e descobri que se alguém quiser tomar uma decisão importante, vá para Andradina que lá terá muito tempo pra pensar nas suas opções. Em dois dias me inscrevi com um texto falando sobre Rótulos e dez dias depois eu recebi o e mail mais legal que eu já tinha recebido, eu fiquei tão emocionada, eu já havia perdido as esperanças e o prazo para a resposta estava acabando, eu fiquei tão feliz, quando eu vi o e mail “Você foi selecionada pelo Tudo de Blog” na minha caixa de entrada eu não consegui abrir sozinha, eu fui correndo pra minha mãe, a abracei muito emocionada, quase chorando de felicidade, ela veio comigo até o computador e abrimos e lemos juntas, estava tão feliz que só depois, mais tarde, eu pude tomar as devidas providências sobre o que eu deveria fazer. Eu preciso dizer que passaram milhões de coisas na minha cabeça… Será que muitas pessoas se inscreveram? Será que só se inscreveram 200 (ou pior: menos!)? Será que um dia meu texto vai ser selecionado? Mas depois nada mais me importava, eu tinha dado um grande passo e meu sonho não era mais um feto, ele já tinha aparência, voz, ouvidos e um nome: Dancing With Myself, só que agora eu não estava sozinha… e fui descobrindo que eu nunca estive!

Eu preciso admitir que posso não ter o talendo de Puddingdlait (.blogger.com.br – que por acaso é minha chará) nem tantas histórias maliciosas, intrigantes e sensuais como as de Melissa Panarello (autora de “Cem Escovadas Antes de Dormir”, li esse livro ano passado, muitas histórias). Meu estilo é falar sobre o que eu tiver vontade de falar, sobre o que eu quiser falar, com exemplos da minha experiência e tentando transformar tudo em piada, afinal de contas, já fui chamada de Pagliaça (pagliuca+palhaça, pegou essa?! hã, hã!!), mas o meu tema favorito é o amor, o relacionamento, e adoro viajar muito quando o assunto proposto não me agrada.

Meu medo? Ih! Muitos medos! Ser clichê demais, me perder do assunto, não conseguir fontes de conhecimento (não sou a pessoa mais inteligente por aqui), falar demais e não ter quem queira ler esse muito. Minhas inspirações? Meg Cabot (autora da série “O diário da Princesa”, já li uns dez livros dela, adoro e indico) e Liliane Prata (ei! eu não estou babando ovo dela só por que ela é da Capricho, ela escreve muito bem, você já leu o blog dela? E quanto à sua coluna antiga na Capricho?)

Um dia (há uns meses) minha irmã, a Josi, sonhou comigo e que eu havia publicado um livro, o nome dele era “Congraçando”, nome da minha primeira crônica, e nas sacolas de uma livraria foi estampado a capa do MEU livro! Foi o sonho mais legal que alguém já pode ter tido comigo (ah! empatado com os sonhos que eu arrumo um namorado), imagina só, Congraçando por Gabi Pagliuca virar best seller? É, está mais do que decidido, quando eu lançar meu primeiro livro, ele se chamará “Congraçando por Gabi Pagliuca”.

Pode ser que tenha gente que não tenha paciência de ler o que eu escrevo, talvez não tenha (ainda) a capacidade de falar brilhantemente sobre política, religião, ciência, evolução, corrupção e guerra, mas agora que eu já tenho um sonho intenso e verdadeiro, eu vou fazer tudo o que eu puder para conquistar leitores e para isso vou procurar competência onde quer que ela esteja, por mais profundo que esteja, eu sei que talento, eu tenho, isso tudo para eu conseguir gritar pro mundo inteiro ouvir os meus monólogos eternos sobre o amor (e o que eu tiver vontade de falar)!

Hoje me olho no espelho e vejo uma pessoa muito sortuda, por ter um grande sonho como este, um grande e bonito sonho, que fará todas as pessoas que me amam se orgulharem de mim, um sonho que me levará para novos horizontes e novas cores, novos sonhos apartir desse, um sonho que me faz levantar da cama todos os dias, um motivo pra viver. É! Eu estava certa, desde o começo, de ter o sonho de ter um SONHO, por que é uma coisa maravilhosa você sentir o vento tocar em sua pele por algum motivo (que não é um namorado, quem me conhece, me entende).

Sorria, você está sendo filmado.

             Eu ainda não sei por que nós estamos rodeados de beleza externa, se no final das contas, todos acabaremos iguais, e no inicio de tudo, todos nós éramos a mesma coisa, células.

    De jeito nenhum quero minimizar a beleza, mas eu não entendo muito bem esse lance de TER que ser bonita, TER que ser magra, TER que ter um cabelo lindo.

Por que todos os meus amigos homens, quando eu venho reclamar que eu não tenho um namorado diz pra mim “Se você emagrecesse… Se você cuidasse mais do seu cabelo” Mas… Se eles são meus amigos, certo?! Eles gostam de mim como eu sou, ou deveriam gostar, não é?! Então por que um menino não pode gostar de mim pelo o que eu sou, do mesmo jeito que os meus amigos gostam, mas com vontade de me beijar?

Eu quero dizer, por que ninguém se apaixona por mim? E não, eu não vou me desmerecer, não vou ter pena de mim agora, nesse momento, não vou dizer que é por que eu sou gordinha, não vou dizer que meu cabelo me odeia, vou dizer simplesmente que se os meninos não se apaixonam por eu ser linda, ou linda do meu jeito, e sim por que eles não se apaixonam e pronto, acabamos por aqui.

A beleza está totalmente ligada às tristezas e crises da adolescência, é impossível nós, jovens, estarmos totalmente felizes com o que vemos quando olhamos no espelho, e eu posso dizer que, não só nós como todos aqueles que já experimentaram da adolescência um dia na vida.

Sabe de uma coisa, eu não sei ao certo quem eu sou, e o que eu estou fazendo aqui nessa Terra, mas eu sei que minha natureza não quer que eu seja magra alta e com cabelo bom, e uma coisa eu tenho certeza, que se é assim que é pra ser, eu prefiro levantar a cabeça, estufar o corpo, ir até o salão de beleza, fazer minhas unhas, me depilar, pintar meu cabelo da cor que eu bem entender, fazer uma escova nele e de quando eu for sair, passar um lápis no olho e um gloss nos lábios, olhar pra mim mesma e dizer: Dancing With Myself (que era o nome desse blog na época em que esse texto foi escrito).

 Eu lá preciso de meninos que fiquem me elogiando? Sou bem mais eu mesma, eu gosto do jeito que meus amigos me chamam, um, por exemplo, diz que eu sou uma palhaça, eu os faço rir, e me orgulho disso, outras pessoas, perguntam “por que você consegue ser tão especial, obrigada por me ajudar hoje” e eu realmente não sei o que dizer, tenho uma amiga que diz “você é everything”, e se, eu não preciso de meninos bobos que me falam que eu sou linda, eu posso te confessar que é muito prazeroso perceber que eu brilho no meio da escuridão sem ao menos ter que acender uma luz, que o meu carisma vale muito mais do que minha escova no cabelo, e… Quem liga se eu tiver um pouco acima do peso?
“Mas espera, do que você está falando? Pára de enrolar e fala logo seu ponto!”
Certo. Vamos lá.

Por que nós sempre estamos em busca de uma perfeição externa, só de aparências, se por dentro não estamos realizados, de verdade? Por que nunca estamos satisfeitos com as coisas que vem pra gente, com as coisas felizes que aparecem nas nossas vidas, por que sempre procuramos erros onde está certo? Acho que é por que nossa vida é simples demais e queremos sempre complicá-las.

Sorte de nós, gordinhas que podemos comer tudo o que quisermos, mas mesmo assim, sempre teremos quem nos elogie, quem falem bem de nós, não desmerecendo as bonitonas de plantão, mas… Quando não somos “perfeitas”, as pessoas não se aproximam da gente pela aparência, e sim pelo conteúdo, e sinceramente, não sei se eu tenho vontade de emagrecer para que os outros se aproximem de mim, eu gosto do jeito que eu sou, do jeito que eu faço as pessoas felizes (e pode crê: eu faço!).

Eu não acredito que isso vá mudar sua vida, cara leitora, mas eu espero que consiga que pare para pensar em todos os lados de ter um corpo “perfeito”, eu odeio pensar que as pessoas têm que ser lindas, mas o que é, sinceramente, ter uma barriga perfeita e nada na cabeça? [clichê, vamos tentar de novo]

Olhe pra você, eu tenho certeza, uma jovem com seus inúmeros talentos e inúmeras formas de amar, por que você precisa ser como as outras? Por que você não levanta a cabeça, solta seus cabelos (quem se importa se eles forem do tipo palha), estufe o peito (quem se importa se eles forem grandes ou pequenos demais?) e diga: “Dancing With Myself” e se… Se não estiver satisfeita, o que adianta chorar sem fazer nada, levanta a cabeça e vá se matricular numa academia, vá fazer uma limpeza de pele ou uma hidratação nesse cabelo tipo palha (o meu caso), o que não vale é se arrepender pelas tentativas e, o mais importante é não se acomodar com os ajustes dos outros, não é você que tem que se ajustar no mundo é o mundo que tem que ajustar a você, e não deixe ninguém te fazer pensar ao contrário, ok?

Spectacular X High School Musical

29/07/09

clique nas imagens para ampliar, se quiser!
Sinopses linkadas para páginas da internet (não quero ouvir comentários sobre isso, é só pro pessoal se familiarizar):


O que é?
Spectacular! é o mais novo filme da Nick, lançado aqui no Brasil na quinta feira passada, dia 23.
High School Musical é ‘clássico’ (ou melhor: sensação) filme da Disney, de 2006.
Por que a comparação:
Os dois trazem músicas e dança, as sinopses são diferentes, mas não tem como não lembrar de um quando se assiste outro. Os dois filmes tratam de adolescentes que gostam de cantar e dançar, que competem por algum prêmio e eles têm “arqui-rivais” e nos dois filmes, os personagens correm atrás de seus sonhos.
Ponto positivo:
HSM tem qualidade Disney e Spectacular tem uma estória mais sólida.
Ponto negativo:
HSM tem uma estória com pouco sentido e meio confusa se vc reparar (comentário pessoal CP: como a Disney adora fazer), o fim é quase igual o começo, mas sem a parte dos preconceitos.
Spectacular desenvolve a trama sem auges de emoção.
As músicas:
do HSM são legais pra cantar e dançar e não são autênticas suficientes pra ficar escutando um CD inteiro do HSM; Spectacular tem músicas pra serem escutadas, dançadas e cantadas!
Conclusão:
As crianças devem gostar de todos, mas HSM deve ser o preferido por causa das cores e músicas mais animadas e dançantes, entretanto, mesmo com a qualidade Disney, arrastar um adolescente, jovem ou adulto para assistir HSM dará muito mais trabalho do que se fizer isso com Spectacular!

Rótulos

Foto: Gabriela Pagliuca
Sexta feira fui à Galeria do Rock com minha melhor amiga retocar a minha tatuagem e de repente eu pergunto: “Cadê os “EMOS” que você disse que estariam aqui de sexta feira?” Pééé, errado! Eu quase me joguei da escada rolante nesse momento! Por que logo eu, que não acredito (ou acreditava) em rótulos estava perguntando sobre aqueles tais emos?! Sinceramente, minha amiga, se fosse nela colocada um rótulo, ela seria emo, mas, desde sempre, ela manda você a @#$%* quando você diz isso, então prefiro simplesmente dizer que ela tem um estilo próprio.


Estilo próprio é o rótulo que todos esperam receber, ninguém gosta de ser mais uma “patricinha” no grupo, ou mais uma gótica, por que afinal de contas, não somos todos diferentes dos outros?


      Eu gostei e vou adotar a teoria de organizar as pessoas em grupo para não causar uma pane na nossa mente, e também, para que podemos ser reconhecidos pelas pessoas com quem nos identificamos mais rápido, não podemos julgar as pessoas pelo tipo de roupa que ela usa, mas podemos ter uma idéia bem clara do tipo de vida que ela leva.


Julgando uma pessoa que se veste toda de preto, com maquiagens muito fortes em plena luz do dia, ouvindo seu Ipod, ou em outros casos seus radinhos de R$ 1,99. Eu diria que ela é anti-social, que não gosta de dar risadas, que ouve músicas tristes, não ta nem aí com o que os outros falam e por aí vai, mas depois que a conhece, descobre que o único problema dela usar roupas pretas é por que ela não gosta do capitalismo e usa preto em forma de protesto, sua maquiagem é por que ela não se acha bonita e tenta se esconder e mais: ela não é anti-social, ela só é tímida e com seus amigos ela adora contar piada e rir, mas se ela realmente não se importa com o que os outros falam de suas roupas por que se por acaso se importasse, não usaria, encontraria outra maneira de se expressar. Eu aposto que a maior patricinha do mundo está perdendo MUITO em não conversar com essa menina ou no fim da vida vai pagar muito caro por todos os dias fazer alguma maldade com ela!


E quando se tratam dos nerds? Ó, pobre dos nerds! Sempre com seus livros embaixo do braço, seus óculos fundo de garrafa, suas calças altas ou sempre aparecendo o cofrinho, “COITADOS DOS NERDS”… Já em minha opinião os nerds têm muita sorte por conseguirem ser felizes desse jeito (se eles forem felizes, é claro!). Calma, calma, não estou defendendo o rótulo que colocam nos nerds, de nerds! Eles têm sorte por que sempre que as pessoas se aproximam dele, não é por causa de sua beleza (no caso, talvez, o sexo oposto), não por terem medo de suas piadas infames, não é por nenhum motivo, é simplesmente por ser o “nerd mais legal / fofo / engraçado de todos”, isso quando não acontece das pessoas se aproximarem deles por causa de sua inteligência, mas nem todos os nerds são inteligentíssimos, deixando bem claro (pois outro rótulo dentro dos nerds: inteligente, então na primeira nota vermelha todo mundo acha estranho!)


É por isso, exatamente por isso, que eu, particularmente, sou eclética – e deixo bem claro isso -, por assim as pessoas não se aproximam de mim por culpa de um rótulo, por eu ser ou não parecidas com elas, as pessoas se aproximam de mim por causa de mim, simplesmente. Outro dia, na escola que eu comecei faz 20 dias, uma menina disse: “Ah, o Fulano me disse que você tem um grupo de pagode, é verdade?” Eu olhei com uma cara de dúvida, não sabia do que ela tava falando, mas ela logo fez uma cara de brincadeira e disse: “Não, brincadeira, tô só tirando, você é toda do rock, não é?!” Então eu lancei um “Quem? Eu? Do rock?!” e ela foi embora, sem ter chance de perceber que eu gosto até posso gostar de pagode, de Black (ah, não muito), pop, pop-rock, eletrônica, mas será que só pelas minhas roupas já deu pra perceber que eu também gosto de rock?!


Nunca gostei de rótulo, mas pensando bem, assim, LÁ NO FUNDO, rótulos fazem parte de nossas vidas e são muito importantes para nós, se nós não fossemos rotulados, movidos para um grupo diferente dos outros, nunca encontraríamos o nosso, por que pensa bem, se não existem grupos, em qual estaremos? Mas uma frase clichê, que eu odeio quando falam pra mim: “Você é diferente!” – sim, sou diferente como todas as outras 6,62 bilhões de pessoas, isso me torna IGUAL A TODOS – isso me deixa realmente entristecida, mas eu sei que ser igual a todos é ser diferente, e ser diferente é ser igual, mas isso me deixa um pouco confusa e tenho certeza que confunde vocês, então é melhor eu pensar que eu sou especial e que eu tenho muitas qualidades e defeitos (como todos! AI MEU DEUS!) mas que não existe ninguém como eu.


Para o mundo melhorar, em relação a rótulos, só temos que fazer uma campanha contra os rótulos equivocados, e não deixar a primeira impressão ficar, e mesmo eu até gostando de pagode, pelo menos em uma coisa boa de eu ter tido rótulo de roqueira tem, sabe, ninguém da minha escola vai me arrastar pra um pagode fundo de quintal tão cedo!


Eu sinto o que digo

Eu sinto o que digo,
e não digo o que eu sinto.
Sinto amor, não quero dizer amor,
sinto-me feliz, não quero contar felicidade.

Digo ódio e digo palavrão.

Não, minha mãe não quer ouvir de mim palavrão.
Não… Eu sou a boa moça de sempre!
Não digo o que eu sinto,
Por que eu não sinto nada.
Se as palavras me pegam de repente
a escrever simplesmente
rimar ou não rimar
coração com coração
boca com boca
tanto faz.
Não! Eu sinto o que eu digo.
E se não me faz bem, eu não digo
assim eu não sinto,
e sinto, sim, o que eu quero.

Amor…

Amor é a única coisa que não dá pra dizer,
somente sentir.
De resto,
eu sinto o que eu digo.

sem nome dois

Ser exceção não todos te entenderem

e quererem ser iguais a você

Não é todos gostarem das merdas que você diz

só por que são fáceis de ser entendidas.

Ser exceção é ter voz e não ser entendido

Ter voz e dizer o que pensa,

aceitar de cabeça levantada o que 

pensam sobre você mas nunca se importar

com as pessoas pequenas

Ser exceção é pra quem não é simplesmente igual,

ser exceção é brilhar com uma luz própria

e poucos não se incomodarem com esse brilho.

Ser exceção não é só ser especial,

e sim lutar pelo o que você acredita,

sempre, mesmo quando ninguém te apóia,

ser exceção não é ter apoio dos excluídos,

dos rejeitados, e sim manter o nariz empinado,

e mesmo assim conseguir ver as pedras no caminho.

Imperfeição

Foto: Gabriela Pagliuca

Não aguento mais essa pressão,

 

pessoas me julgando por fora
e não por dentro
e ainda dando sugestões.

 

Não aguento mais esse clichê
de que “ninguém me ama”, “ninguém me quer”, “sou diferente”

 

se eu digo isso é por que eu me sinto realmente

 

não é pra me SENTIR assim,

 

mas hoje eu me sinto igual a tantas por aí,

 

eu estou crescendo e se não conseguem me acompanhar

 

eu só preciso me liga pra numa vida errada

 

não acaba entrando e seguir o que eu acredito…

 

Não quero mais ouvir as pessoas me dizendo pra tomar juízo,
sei tomar conta de mim, sei o que é bom pra mim,

 

não importa a fama que me taxam, não vou mudar pra ser

 

aceita num grupo que eu nem ao menos quero estar…

 

tenho me importado com meu caráter, pois ele mostra

 

o que sou de verdade e não o que querem que eu seja.

 

Já não me importo mais com pessoas duvidando do que sinto,
dizendo que eu minto, estou vivendo minha vida,

 

sou só uma menininha, ainda tenho muito que aprender,

 

vocês podem me seguir e tentar me entender,

 

mas se não conseguir paramos por aqui,

 

daqui uns anos te alcanço e voltaremos de onde paramos.

 

Pode não parecer, mas isso é sim um protesto cuzão,
não curtiu então alguma sugestão?

 

Sou só uma garota e não devia ta falando palavrão,

 

mas isso é liberdade de expressão,

 

não tenho um estilo definido

 

falo o que penso e sou quem quero ser
E ‘cê não gosta, tá fudido

sem nome um

Foto: Gabriela Pagliuca
eu sou mais do que posso ser,

eu sou bem mais do que eu pareço ser,

eu sou mais que eu achava que consiguia ser,

sou mais do que eu aparento ser.

não sou poeta nem revolucionária,

não sou a poesia nem sei rimar,

não sou perfeita, mas sou romântica,

e uma romântica que se orgulha do que faz.

não estou esperando que me entendam,

estou esperando respeito,

não me venha cobrar o que eu não sou capaz,

sei até onde posso ou não chegar.

Deixem que falem besteiras,

sobre besteiras ditas por você,

não se importe com essas besteiras,

mesmo não sendo besteiras pra você

se essas besteiras te fazem seu 

caráter e se são o que você acredita.

Já passei da fase de me importar 

com aqueles que cobram

sem poder ao menos fazer.

Você cresce e muda sua opinião,

se permite ter novas informações,

não seja conformado num mundo 

em que você não pertence,

nem tente viver num mundo que aparenta 

ser de rosas e nuvens brancas!

Pare de tomar conta da minha vida,

arrume alguma coisa pra fazer,

dance! pule! mude o mundo!

você pode!

deixa a música ser cantada.

faça a sua parte 

que a música faz a dela!

Qual o sentido da tristeza?

Qual o sentido da tristeza? É aprender com os erros que cometemos pensar que tudo tem um jeito, que ninguém é perfeito e que tudo pode mudar… E que tudo VAI mudar.

Abraçar

Foto: Gabriela Pagliuca
Seis e quarenta da manhã, eu saía de casa como quase todos os dias, meio distraído, pensando nos acontecimentos da última semana. Foi enquanto eu brincava com a chave do portão em minhas mãos que eu a percebi. Linda, ruiva, um terço da sua perna aparecendo por causa de sua bermuda, uma camiseta da nossa banda preferida, em sua orelha direita, a que dava pra enxergar, duas argolinhas iguais, suas unhas estavam pretas e feitas, lindas como sempre.
Demorou um momento pra ela me perceber ali parado atrás do portão, ela estava chorando com sua agenda aberta no dia do aniversário dele. Quando me viu, colocou a foto dele dentro da agenda e a fechou, a colocou em cima de sua mochila vermelha, levantou e colocou uma carta com a letra dele dentro do bolso da bermuda. 

Veio até mim, com seu all star vermelho sem meia, seus cabelos lisos presos em marias-chiquinhas, ela era baixa, então, ficou nas pontas dos pés e me deu um abraço. Pude sentir aquele perfume só dela, suas mãos macias em volta do meu pescoço, tudo passou muito rápido, mas pra mim não, parecia uma eternidade, meu tempo parou e só voltei em mim quando senti uma lágrima dela molhando meu ombro, mas continuou aquele abraço tão aconchegante. 

Ela tinha completado dezoito anos fazia três dias, estava quase terminando o colegial, estudava na escola desde a quinta série, ela adorava ir pra escola, todos seus amigos estavam lá, mas agora ela nem se importava com sua formatura ou vestibular. 

Ela estava linda, mais linda do que todos os dias desde que eu a conheci, mesmo sendo um dia tão… Ela estava maravilhosa, eu não estranhei muito ela ter vindo aqui pra casa de manhã desabafar, por que juntos nós poderíamos tentar superar, mesmo ela sabendo que não ia superar tão cedo. 

Loren, esse era o nome dela, Loren. Meus dias nunca eram iguais quando eu estava com ela, cada dia acontecia uma coisa diferente, e quando não a via, meu coração sentia muita falta, e eu tinha muito medo de nunca mais vê-la. De ela de repente se afastar da gente, não nos procurar mais. 

Quando ela me soltou daquele abraço, pude perceber seus olhos brilhando muito e algumas lágrimas neles, mas um sorriso muito sincero. No que ela se afastou, percebi um chaveiro com três chaves em sua mão, aquelas chaves que tantas vezes ela esqueceu em cima da mesa da minha cozinha, sua mãe cobrava dela e ligava pra eu não me esquecer de levar no dia seguinte pra escola. 

Eu adorava quando ela ligava, ela tinha uma voz suave, ela fazia brincadeiras com sua voz de vez em quando, contava piada ao telefone, aquelas piadas que se contam quando passam trote. Ela era assim: engraçada, meiga, distraída, apaixonada, inteligente, carinhosa com seus amigos. Tinha vezes que eu gostaria de pegar da mochila dela e esconder a chave só pra ela ligar mais tarde, mas eu não tinha coragem pra fazer isso. 

A gente fico parado lá na frente de casa um certo momento, então tive a impressão de que ela lembrou de alguma coisa e pediu pra gente ir andar, eu estranhei, por que era andando que a gente ia pra escola. Mas ela não queria ir pra escola, eu percebi depois, quando ela virou à esquerda quando devia ter virado à direita. E me levou pra longe da escola. 

Ficamos num ponto de ônibus por alguns minutos até qualquer um passar, enquanto esperávamos, ela pegou de sua mochila uma camiseta que eu havia emprestado pra ela fazia muito tempo, num dia que ela derramou café na sua, ela nunca nem tinha falado sobre devolver a camiseta, já que era uma camiseta do Blink 182, e nesse dia eu já nem lembrava mais, e me devolveu. Tirei meu uniforme e coloquei a que ela me deu, eu me sentir melhor, por que ela era mais grossa e o dia estava frio. 

Esperamos sentados no chão mesmo, em silêncio, eu sabia que tínhamos muitas coisas pra ser ditas, mas não conseguíamos dizer nada, no máximo falar algumas coisas, mas se as palavras saiam com algum sentido nós sabíamos que não. 

Eu fiquei reparando nela, ela era pequena, encaixava sua cabeça no meu ombro, abraçando seus joelhos e se balançando, seu cabelo caía em seus ombros e brilhava com o sol que fazia. Ela me fazia me sentir tão pequeno, por ser tão maravilhosa, mesmo eu sendo uns quinze centímetros mais alto que ela. 

Ela me olhava como se tivesse alguma coisa pra me contar, alguma revelação, e até muitas vezes, abria a boca como se fosse dizer, mas não dizia. Nada. 

Subimos no ônibus que levava até o Largo da Batata, onde gostávamos de ir pra ficar na praça de manhã, na IGREJA e comprando CD´s e sempre gostava de ficar olhando boinas, chapéus, óculos escuros quando estava com os amigos, eu sempre os acompanhava, por que era divertido passar esses momentos com ela. 

Quando chegamos em frente da igreja, não conseguimos nos sentir culpados por estar longe da escola daquela hora, a gente sabia que Deus não ia nos punir por estar ali aquele dia, por que aquele dia… 

O dia estava lindo, o céu azul, mas um frio muito calmo, sem vento, o sol esquentava só um pouco, não havia muitas pessoas na rua àquela hora, só começou a chegar pessoas pra missa das sete e meia, e assim que eles chegaram, nós saímos de lá, me bateu uma tristeza, por isso. 

Meus dias eram todos lindos, ele podia não necessariamente estar perfeito, mas estar com ela, abria qualquer céu cinza, feio, triste, emburrado. Fomos andando e paramos numa padaria, comemos alguma coisa enquanto conversávamos sobre qualquer coisa, ficamos a manhã inteira jogando papo fora, sobre ela terminar o colegial, também sobre entrar na faculdade, sobre seus planos pra seguir sua vida, sobre Green Day, a banda preferida, e nossa viagem que íamos fazer em uns seis meses para os Estados Unidos, na casa de uma prima dela. 

Ficamos conversando e andando, ouvindo CD´s nas lojas que parávamos, procurando um mais barato, tentando fazer ela se distrair experimentando xales, óculos, boinas e afins. 

Nessas horas dava pra esquecer a tristeza, não via a hora de fazê-la rir de novo, aquela risada só dela, ela não se importava com o sol e ficar andando, ela gostava de andar. 

A gente ficou fazendo nada a manhã inteira, então minha mãe sentiu minha falta no almoço, e a dela também, me ligaram, as duas, imaginando que estivéssemos juntos, falamos onde estávamos minha mãe pediu pra gente não se atrasar a noite. 

Pagamos um ônibus e fomos pra Av. Paulista, no MASP, ela era a artista da escola, adorava tudo sobre pintores e escritores, não deixava nada passar, brincávamos que ela era praticamente a reencarnação de Anita Malfati sem talento, mas talento ela tinha vários, sabia desenhar muito bem, tocava um pouco de violão, e fazia os outros rirem. Ela era perfeita. 

Ficamos na Av. Paulista até umas cinco da tarde, e decidimos ir pra casa, como não morávamos muito longe, a levei até a dela, por que já estava escurecendo, quando chegamos em seu portão, ela ficou de novo nas pontas dos pés e me abraçou, agradeceu pelo dia e entrou, antes disso virou e disse com uma voz triste “não me abandona hoje de noite, eu vou falar alguma coisa sobre ele lá no altar… Samuel, como ele faz falta…” e eu disse pra não se preocupar que eu estaria sempre com ela. 

Chegando em casa encontrei todo mundo pronto pra sair e minha irmã mais nova sentadinha na frente de uma foto dele na mesa da sala, quando eu entrei ela deu um pulo e disse: “PEDRO!” mas olhou meio decepcionada pra mim, mesmo assim veio até mim e me deu um beijo. 

Subi as escadas pro meu quarto sem sentir nenhum sentimento, nem feliz, nem triste, então quando eu cheguei no nosso, quer dizer, no meu quarto, li de novo aquela carta que ele me deixou “Cuida da Lo, Sam, eu a amo demais, não deixa ela chorar, e quando fazê-la rir, repare em seu sorriso, não é bonito, é mágico. Te amo, irmão, a gente se encontra aqui em cima.” 

Ele só tinha dezenove anos e nos deixou tentando vingar o irmão de um amigo.  


Esse texto pertence à ficção. Todos os personagens e situações são de um mundo fantástico criado pela autora.

Congraçando

Estava sentada num banco de plástico, esperando por minha mini-pizza de mussarela quentinha, com minhas unhas roídas e óculos fundo de garrafa, falando com dona Maria, a mulher da pizza, sobre o calor do dia, entre meu escritório, de um lado da rua, e uma escola de desenho no outro lado. Deparei, então, com uma menina, com seus 16 anos, ruiva, com o cabelo solto que brilhava com o sol forte, óculos de sol, lindo sorriso, magra, baixa, com uniforme de uma escola, cortada na gola e na barra, com a calça de moletom baixa aparecendo suas covinhas nas costas, colares e pulseiras, munhequeira e um all star vermelho, ela estava andando naquela rua pouco movimentada de um lado pro outro, pisando nas folhas secas do chão, então um menino saiu da escola de arte, ela o chamou e tirou os óculos e minha pizza chegou.

O menino tinha, talvez, um ou dois anos a mais que ela, cabelos muito lisos e pretos, bem penteado, uma camiseta verde um pouco mais escura que seus olhos, bem arrumado, com roupas legais e tênis. Ele não sorriu quando a viu, ele disse que precisava ir embora, mas que ele tinha gostado de vê-la, disse pra voltar outro dia para eles conversarem melhor. Ela se sentou no meio fio e pediu cinco minutos para ela tentar entender o que estava acontecendo e ele se sentou ao seu lado.

Ele pediu desculpas e disse que não poderiam se ver mais, ela que estava abraçando seus joelhos e de cabeça baixa, levando seus olhos verdes furiosos, aliás, essa era a única semelhança externa que eu pude observar neles dois, ela perguntou por que não e ele disse que ela era linda, meiga, insubstituível, mas amava sua namorada e o destino era inexorável, e ele usou mesmo essa palavra, inexorável. Foi então que minha mussarela caiu, não por que um menino dessa idade usou uma palavra dessas numa conversa de rua, mas por que eu me lembrei dos meus 17 anos.

Ela disse que a vida era muito curta para ficar pensando que em tudo que fazemos tem que haver uma segunda intenção, falou que ela só não entendia por que ele não queria vê-la mais, pois eles eram só amigos, e mesmo que tivesse apaixonada por ele não ia tentar conquistá-lo, pois respeitava seu espaço.

Eles se levantaram, os dois estavam se olhando dentro do olho, e ele disse que tinha medo de eles serem feitos um para o outro, e se apaixonar por ela, ela perguntou “e daí? O que tem de mais?” ele disse que gostaria de descobrir esse amor quando ele tivesse solteiro, e não estivesse gostando de outra. Ela se virou e disse que se fosse para eles se apaixonarem, eles já estariam apaixonados, que tinha certeza que aquele não era o motivo para ele querer se afastar e começou a aumentar a voz, e perguntou por que ele não queria saber dela, nem como amiga, por que era isso que ela queria: ser amiga dele. Ela ia gritando decepcionada, pedindo explicação, e disse que ele não queria conhecê-la pessoalmente só queria ficar iludindo ela virtualmente e depois que começou a namorar ficava dando desculpas para não se encontrarem. E perguntava mais vezes e cada vem mais alto, qual iria ser a desculpa agora que estavam frente a frente e não se falando via internet.

Eu prestei ainda mais atenção na conversa. Amigos virtuais? Qual é, essa menina era eu há 15 anos.

Ele pegou a mão dela, e disse que se ela queria saber mesmo a verdade era para ela parar de gritar por que todos olhavam para eles e estava ficando encabulado. Todos pararam de olhar e acho que só eu os observava. Ele disse que estava apaixonado por ela desde o primeiro dia que eles se conheceram, eram tão diferentes externamente, como o estilo de vida e as oportunidades, mas os sentimentos, as vontades e a filosofia de vida eram praticamente a mesma, ele ainda disse que quando a viu naquele dia seus olhos verdes penetraram no coração já seduzido, e ele não parava de pensar um minuto nela desde o dia que se conheceram, mas que começou namorar essa menina e… Houve um silêncio e ela perguntou se ele tinha se apaixonado por ela, já que ela era de carne e osso e ela era quase virtual, ele disse que não, gaguejou um pouco e disse “é só que ela…” Nesse instante passou um carro entre nós e eu não consegui ouvir o que ele disse, só vi depois que ela ficou meio chocada, mas disse que por isso ela podia dizer que também gostava dele, desde sempre, mas que entendia que por enquanto não podiam ficar juntos, mas que não aceitava ficar longe dele sendo sua amiga, e também por que ele estava precisando de ajuda. Ele beijou sua mão e sua bochecha, se abraçaram e saíram em direção ao ponto de ônibus.

Nenhum carro passou enquanto eles conversavam, a rua era mesmo meio deserta, eu me perguntei o que será que ele disse pra ela, será que a namorada dele era uma doente e iria morrer logo? Ou será que ela era doente mental e podia matá-lo se terminassem? Ou será que os pais deles obrigaram a se casar mesmo estando no século XXI?! E se ela estivesse grávida e estivesse vivendo sob pressão?! No meu caso, há 15 anos, o menino que eu conversava virtualmente, não foi meu amigo na vida real, por que não tivemos oportunidade de nos encontrar, o único amigo real em comum não nos ajudava muito e sempre tinha algum problema pra nos ver. E acabei mudando de cidade e até nos falamos um pouco via internet, mas não nos vimos nunca.

Ainda desconfio que o menino não gostava de mim, de conversar comigo, de vez em quando penso que ele não foi com minha cara, mas essa é uma eterna dúvida, como a dúvida do que o moreno, dos cabelos lisos, disse pra ruiva, dos olhos verdes, que a fez confessar que gostava dele também e mudar todo o rumo da história, fez ele sorrir e até consegui perceber que o sorriso do menino não era tão bonito quanto o dela, mas era bonito. Talvez o destino seja mesmo inexorável e tudo esteja escrito em algum lugar, talvez nas nossas próprias atitudes.

Inexorável – que não se deixa aplacar, inflexível.

Esse texto pertence à ficção. Todos os personagens e situações são de um mundo fantástico criado pela autora.

Como tomar decisões certas? (versão curta)

(versão original)

Depois que as redes sociais passaram a dar a opção de colocar em religião um “tenho um lado espiritual independente de religiões” (Orkut), comecei a usar essa definição, pois foi mais ou menos quando abandonei meu rótulo de católica. Esse lado me faz questionar o que é certo e o que é errado, de acordo com as leis do homem e de Deus.

Não que religião seja ruim, mas gosto de me sentir livre para acreditar no que quiser. Não gosto de ser obrigada a acreditar em algo pré-estabelecido se para mim não fizer sentido. Liberdade me encanta. E como eu gosto dela, comecei a questionar: liberdade é fazer tudo o que queremos, sem pensar em mais nada? Será? Como tomar decisões certas?

Nossa sociedade está cheia de tabus, crenças e principalmente julgamentos que não fazem sentido, pra mim. Há muitas atitudes que tomamos e que não faz mal pra ninguém, mas a sociedade julga. E a religião ajuda muito isso. Não todas e nem todos os religiosos, mas alguns que incomodam por muitos. Muita gente que vive aparentemente sob regras divinas, mas por dentro estão cheias de ódio, rancor, raiva, infelicidade, inveja… É isso que Deus quer?

Tudo o que acredito é que o que vale é nosso coração e nossas intenções. Não importa se parece boa intenção, Aquele que nos vai julgar (seja qual for sua crença) não se importa com aparências. Deus só se importa se você é bom ou ruim, lá no fundo do seu coração.

O que é certo e o que é errado? Como devo agir? Como você achar que é certo. Baseado na sua religião, na sua cultura, nas suas conclusões depois de refletir. Qualquer coisa que você achar certo… Não estou falando para sair matando todos que odeia ou agarrando todas as pessoas que te atraem no mundo só porque você acha que é certo. Sejamos razoáveis. O que eu recomendo é que você coloque em uma balança o que você quer fazer o que deve ser feito.

Nem sempre o que temos vontade de fazer é o certo. O melhor seria que qualquer coisa que te desse um pouco de peso na consciência fosse motivo de reflexão, porque a consciência pesada é o primeiro passo que algo está errado. Mas não faça uma reflexão superficial. Não pense apenas nas consciências primárias, as mais óbvias. Depois de refletir, encontre o meio termo entre o que queremos fazer e o que se deve fazer. Abrir mão de alguma coisinha, mas também não deixar de fazer tal coisa porque é considerado errado por sua religião ou circulo social.

Então, para tomar decisões certas partimos do princípio que vivemos em sociedade e sem essa não praticamos o que mais gostamos de fazer: socializar. Nossas atitudes devem ser baseadas no nosso próprio bem – porque também fazemos parte dessa sociedade – e no bem dos outros. Refletir parece difícil, mas depois que nos acostumamos e vemos os frutos que dá, se torna um hábito gostoso. E lembre-se que você não precisa fazer só porque os outros estabeleceram, você pode se auto-regular.

 

 

Página 7 de 7« Primeira...34567

Gabriela Pagliuca

aka/vulgo Gabitopia

Sou artista e facilito processo de autoconsciência. Alimento o Gabitopia, esse blog, há mais de 11 anos. Estudei e sigo estudando comunicação, facilitação de grupos e técnicas de cura a partir de manipulação de energia (holística).

Meu blog é onde está quase todo meu trabalho como escritora, para saber mais clique aqui. Para saber mais do meu trabalho como facilitadora de processos de autoconhecimento, acesse aqui.

Meu propósito é amar, dar amor e estar em paz. Aqui é meu lar virtual, uma ferramenta para eu cumprir meu papel!

Gosta do Gabitopia?

Faça uma Contribuição Voluntária

Para apoiar o Gabitopia e meu trabalho de forma geral, você pode contribuir no botão abaixo, com o valor que quiser. Se quiser fazer uma contribuição voluntária ou parceria recorrente (mensal, semestral, etc), entre em contato no gabitopia@gmail.com que podemos conversar melhor.

Agradeço muito a todos que já me apoiam, pois sem esse apoio não conseguiria!

Envie uma mensagem preenchendo o formulário:

gabitopia@gmail.com

w

(13) 981310537

whatsapp